Boneca

Sinto cheiro de capim na sua mão
como da simplicidade de mato
ouço oculto o silêncio dos olhos seus
sua imagem, sua alma
e uma arredondada vontade de lhe oferecer
a ternura de uma orquídea

essas janelas que se abrem sobre nós
são de vidros translúcidos
são brilhos de palavras tecladas
lanternas azuis, retrato do sol

cismaram de colocar o oceano entre nós
como poça
como nada
tão improdutivas são as mentiras do tempo
pequenas e ofensivas são as idéias do espaço
não há distâncias
não há mais o longe
há apenas o perfume de um cristal brilhante
do sal e das intuições espalhadas pelos ventos

pressinto o relâmpago de um encontro marcado
e essa pálida sensação cresce mais dentro de mim
refrescando a saudade
fazendo som de asas que voam
ouço instrumentos dentro de mim
uma melodia que componho para você
na clareira mais escondida do meu coração

 

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