Elementos Acústicos Concentrados
Quando as dimensões lineares dos elementos de um sistema acústico são muito menores que o comprimento de onda das freqüências de trabalho, poderemos simplificar nossa análise e considerar o sistema como composto por elementos concentrados , os quais representarão as propriedades de armazenamento de energia cinética (inércia), potencial (elasticidade) e dissipação de potência (resistência) dos elementos reais do sistema. Nossas variáveis entre e através serão a pressão acústica p(t), em unidades de N/m2 , e a velocidade volumétrica U(t), em unidades de m3/s
Os elementos são os seguintes [1][3]:

Na prática, teremos sempre que considerar o ar que é deslocado nas extremidades do tubo, que atuam como pistões irradiando som, o que exigirá correções a serem adicionadas ao comprimento real do tubo L , de forma a obtermos um comprimento efetivo L’ a ser usado na fórmula acima. A impedância calculada com o auxílio da fórmula acima terá validade para L <
l/16 ( para um erro < 5% ). 
e a relação entre p(t) e U(t) será:

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Correções e Limitações dos Modelos
Assim, um furo circular de raio a em uma parede de espessura d ( d< l/16 ) fornecerá uma massa acústica de:
(116)
Um tubo de raio a e comprimento L, engastado em uma parede e com a outra extremidade livre ( L< l/16 ) fornecerá uma massa acústica de:
(117)
As fórmulas acima são válidas para valores do raio a entre 10/f > a > 0,05/Öf ( a em m , f em Hz ).

(118)
Elementos Mecânicos de Translação Concentrados
Também aqui, se as dimensões dos elementos forem bem menores que o comprimento de onda das vibrações, levando em conta a velocidade de propagação do som em cada corpo, poderemos considerar nossos elementos mecânicos de translação como concentrados. São os seguintes:


f = (x1 - x2 ) /Cm , onde Cm é a compliância mecânica do elemento e x1 e x2 são as coordenadas de posição dos extremos do elemento compliante ou elástico, em relação a um referencial inercial;
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Transdução
Em um alto-falante, a energia elétrica transforma-se em movimento, o qual é transmitido ao meio circundante, onde se propagará sob a forma de uma onda mecânica progressiva. O elemento capaz de realizar estas transformações é chamado de transdutor .
Poderemos considerar o transdutor eletro-mecano-acústico como a junção de duas redes de dois acessos (two-ports ou quadripolos ), uma das quais recebe tensão e corrente em um par de terminais e entrega força e velocidade aos terminais de entrada da outra, a qual, por sua vez, entregará pressão e velocidade volumétrica a uma carga acústica ligada à sua saída [2].
Fisicamente, o alto-falante ou transdutor eletrodinâmico é composto pelas seguintes partes principais:

Ao aplicarmos uma voltagem eg(t) aos terminais da bobina móvel do alto-falante, provocaremos a circulação de uma corrente i(t), a qual irá interagir com o campo magnético B presente no entreferro do conjunto magnético onde está montada a bobina móvel, gerando uma força cuja magnitude será dada pelo produto B.l.i, onde B é a densidade de fluxo, l é o comprimento do fio da bobina em metros, e i a intensidade da corrente elétrica. Esta força irá acelerar o conjunto formado pela bobina móvel, sua forma e o cone, imprimindo uma velocidade v(t) ao mesmo. Como conseqüência, será induzida uma força contra-eletromotriz de magnitude igual a B.l.v, em oposição à circulação de corrente pela bobina.
Vamos agora tentar obter um modelo para este processo, para que possamos obter as funções de transferência necessárias ao projeto de um sistema de transdução eletroacústica, de uma forma sistemática.
Sejam as seguintes variáveis:
Eg = tensão do gerador (V)
RE = resistência do fio da bobina móvel (Ohms)
Le = indutância da bobina móvel (Henries)
B = densidade de fluxo do campo magnético (Teslas)
l = comprimento do fio da bobina dentro do campo magnético (m)
Para o transdutor eletrodinâmico, poderemos estabelecer as seguintes relações entre as grandezas elétricas e mecânicas (usando a Transformada de Laplace ):

ou

ou ainda

onde:
Do lado mecano-acústico, poderemos escrever:

ou

onde FA(s) é a força efetivamente transmitida ao ar, faltando apenas montar as equações que ligam F(s) a FA(s). Igualando a força aplicada ao somatório das forças que agem sobre a massa das partes móveis do sistema, teremos:

f(t) = força gerada pela interação entre a corrente i(t) e o campo magnético no entreferro;
fm(t) = força gasta em acelerar a massa do sistema;
fe(t) = força de reação dos elementos elásticos do sistema (compliâncias);
fR(t) = força dissipada para vencer o atrito dinâmico do sistema ( resistência de perdas );
fa(t) = força transmitida ao ar sob forma de onda sonora





Podemos observar também que:
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Aplicando a Transformada de Laplace:

ou





Analogias eletro-mecânicas: Força x Corrente e Força x Tensão
Observando as equações acima, poderemos observar duas coisas:
Sejam:




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Poderíamos representar nosso sistema como a interligação de quadripolos a seguir:
a)

b)

Se considerarmos as matrizes M1, M2, M3 e M4 como matrizes de transmissão (ABCD), poderemos identificar as matrizes M2 e M4 como de um transformador ideal e de um girador ideal, respectivamente.

A matriz M1, como matriz de transmissão é singular, ( C = 0 ), mas pode ser identificada como a matriz admitância de uma rede composta pela associação em série de RE e Le.
A matriz M3, como matriz de transmissão também é singular, ( B = 0 ), mas pode ser identificada como a matriz impedância de uma rede composta pela associação em paralelo das admitâncias Mms, Cms e Gms = 1/Rms.

O que nos levaria ao circuito eletro-mecano-acústico abaixo:

Por outro lado, se escolhêssemos a força como variável através e a velocidade como variável entre em nosso sistema mecânico, as posições do girador e do transformador ideal se intercambiariam e os elementos ligados em paralelo apareceriam em série no lado mecânico do sistema.

Esta é a analogia tradicionalmente usada na análise dos sistemas eletroacústicos. Aqui não deveremos esquecer que o alto-falante comporta-se como um dipolo acústico ao irradiar por ambos os lados do cone, em contrafase. Assim, a impedância ZA indicada acima refere-se à carga apresentada a ambos os lados do cone, e nosso "transformador de saída" deveria ter o secundário dividido.

ZAf = impedância acústica apresentada à parte frontal do alto-falante
ZAb = impedância acústica apresentada à parte traseira do alto-falante
Mas isto seria uma complicação desnecessária, já que o efeito observado na parte mecânica será o resultado da combinação em série de ZAf e ZAb, refletidas para o lado mecânico através do "transformador" com relação de espiras Sd:1:1 e poderemos considerar o efeito da radiação dipolar em separado.
Ao chegarmos a este ponto, montamos um modelo capaz de nos auxiliar em nosso projeto, permitindo observar em qualquer um dos domínios (elétrico, mecânico e acústico) os efeitos dos componentes de cada um dos outros, através de uma simples reflexão de impedâncias.
Como estaremos interessados no comportamento em baixas freqüências do sistema, poderemos desprezar em primeira aproximação a indutância Le da bobina móvel, ficando com o seguinte circuito equivalente eletro-mecano-acústico:

ou

Referências:
Copyright Álvaro C. de A. Neiva (1999-2006)
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