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icnologia
..: ICNOLOGIA
Nome: Laoporus isp. -
Idade: Permian -
Localizção: Arizona, USA
http://www.envs.emory.edu/ichnology/Laoporus.htm
» O que é Icnologia?
De modo informal, dizemos que é o estudo da bioturbação ou dos traços
presentes num determinado depósito sedimentar. Conceitualmente, a
icnologia vai mais além. Segundo Frey (1975), a icnologia concentra o
estudo dos vestígios da atividade orgânica (como ninhos, coprólitos,
pistas, pegadas, perfurações, escavações e marcas de repouso) dentro
ou sobre um determinado substrato, não necessariamente sedimentar.
» Importância dos Icnofósseis
Os icnofósseis revelam algumas vantagens sobre os fósseis corporais.
- Possibilitam o registro da presença de animais de corpo mole que
normalmente não se preservam.
- Os traços permanecem in situ, indicando que o organismo ali
esteve.
- É possível identificar o tamanho do animal e o peso.
- Mostram a diversidade de comportamentos (etologia) em estudos
paleoecológicos.
- Aparecem com maior freqüência em siltitos e arenitos onde é quase
impossível a fossilização de ossos por exemplo.
- Auxiliam na documentação de taxas de sedimentação e servem como
indicadores de profundidade, oxigenação e salinidade.
» Contribuição da Icnologia à Geologia Sedimentar
(segundo Fernandes (1996), in Netto, 2001)
PALEONTOLOGIA
- Registro fossilífero de organismos de corpo mole
- Modelos de atividades por organismos bentônicos
- Diversidade de assembléias fossilíferas
- Evolução dos metazoários e seu comportamento
ESTRATIGRAFIA
- Bioestratigrafia de rochas sem fósseis corporais
- Correlação por marcadores de camadas
- Situação estrutural das camadas
- Deformação estrutural dos sedimentos
- Reconhecimento de superfícies estratigráficas
SEDIMENTOLOGIA
- Produção de sedimento por organismos escavadores/perfuradores
- Consolidação do sedimento por organismos suspensívoros
- Alteração dos grãos pelos organismos sedimentófagos
- Retrabalhamento do sedimento: destruição das estruturas primárias e construção de novas estruturas.
PALEOECOLOGIA
- Adaptações específicas e comportamento dos distintos grupos orgânicos
- Fácies e sucessões de fácies
- Batimetria relativa
- Temperatura e salinidade
- História deposicional: velocidades de deposição e quantidade de sedimento depositado/erodido.
- Aeração da água e dos sedimentos
- Coerência do substrato e estabilidade
CONSOLIDAÇÃO DOS SEDIMENTOS
- História inicial da litificação
- Medidas de compactação
» Alguns conceitos importantes
Os icnofósseis são estruturas biogênicas distintas que refletem
funções comportamentais relacionadas diretamente com a morfologia dos
organismos que as produziram, tais como pegadas, pistas, escavações e
perfurações, incluindo ainda coprólitos, pelotas fecais e estruturas
recentes ou fósseis.
Você sabe diferenciar uma estrutura biogênica da outra?
Segundo Netto (2001), basicamente, elas correspondem há três tipos:
Estruturas de bioturbação são escavações em substratos
não litificados, representadas por:
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a) Pegada: é a impressão de uma pata (vertebrados) ou
pódio (invertebrados) deixados sobre o substrato.
[Dimetropus isp. (Permiano - USA)
http://www.envs.emory.edu/ichnology/Dimetropus.htm]
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b) Trilha (trackway): é um conjunto organizado de pegadas,
decorrente do deslocamento do animal sobre o substrato.
[http://www.envs.emory.edu/ichnology/tf-tracks.htm]
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c) Pista (trail): deslocamento horizontal do animal sobre
ou logo abaixo do substrato. Implica no deslocamento por arraste.
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d) Escavação (burrow): penetração no interior de substrato
sedimentar inconsolidado, por invertebrados, vertebrados ou raízes.
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Estruturas de bioestratificação são estruturas estratificadas
resultantes das atividades dos organismos, como os estromatólitos e tapetes
algálicos.
Estruturas de bioerosão são perfurações em substratos
consolidados.
» Classificação na Icnologia
- CLASSIFICAÇÃO ICNOTAXONÔMICA
Segundo o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (1995):
As icnotaxobases (seg. Bromley, 1990) reúnem os critérios para classificação.
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Forma geral
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morfologia / orientação da escavação e/ou perfuração
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Limite da estrutura
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sem lineação / lineada
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Tipo de ramificação
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verdadeira / falsa / intersecção
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Tipo de preenchimento
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passivo / ativo
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Tipo de trilhas
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impressões de patas / rastejamento / nado
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Classificação ESTRATINÔMICA
(Seilacher, 1964, 1967; entre outros)
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- Favorece a correta interpretação sobre o posicionamento das
camadas, em blocos rolados.
- Considera como base de preservação, o meio mais resistente
(geralmente síltico ou arenoso).
- De acordo com a posição da estrutura da camada, esta pode
caracterizar-se como formas de relevo cheio - exichnia (1) e endichnia
(2), formas em epirrelevo (côncavo ou convexo) ou epichnia (3), e em
hiporrelevo (côncavo ou convexo) ou hypichnia (4).
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Classificação ETOLÓGICA
(Frey & Pemberton, 1985; Frey et al., 1990; Bromley, 1990; entre outros)
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- Baseada na interpretação da atitude comportamental dos possíveis
produtores da bioturbação.
- As estruturas sedimentares biogênicas refletem o comportamentos
e sua resposta às condições ambientais locais.
- Cada grupo representa um comportamento principal (figura ao lado).
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(clique na imagem acima para visualizá-la ampliada)
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» Subdivisões da Icnologia
A icnologia pode ser subdividida em Paleoicnologia (analisa os
vestígios em substratos antigos) e Neoicnologia (se dedica a
estudar a atividade orgânica em substratos recentes).
- PALEOICNOLOGIA
A Paleoicnologia é o estudo dos vestígios resultantes das atividades de
vegetais e animais nos sedimentos e rochas sedimentares, estando incluídos
aqueles que reflitam qualquer tipo de comportamento.
Paleo = antigo + iknos = vestígio + logia = estudo
Estudo dos vestígios fósseis
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Um pouco de História...
Os primeiros rastros de vertebrados foram descobertos em 1802 nos
Estados Unidos quando um jovem japonês bateu com arado numa laje de
arenito que apresentava algumas pegadas claríssimas e estranhas,
então atribuídas ao corvo da Arca de Noé. Só muito mais tarde o
equivoco bíblico-paleontológico foi esclarecido, quando descobriu-se
que tratava-se de marcas da passagem de um dinossauro.
No Brasil, ocorreram duas descobertas importantes nas primeiras
décadas do século XX: por volta de 1910, o engenheiro de minas Joviano
Pacheco ficou intrigado ao observar o que parecia ser uma pista fóssil
em uma laje de arenito cor-de-rosa nas calçadas de São Carlos (SP).
Em 1924, o geólogo Luciano de Moraes divulgou a existência de duas
pistas de dinossauros diferentes entre si, encontradas no leito do rio
do Peixe em Sousa (PB). Apesar de sua importância, o material ficou
longamente esquecido.
A icnologia só voltou a tona no Brasil em 1975, com o amparo do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq). De lá para
cá, tem-se desenvolvido rapidamente.
- NEOICNOLOGIA
A Neoicnologia estuda os vestígios dos organismos sendo este recentes
e não em sedimento fóssil, como registros temporários da passagem de
animais terrestres sobre superfícies não rígidas, como areia úmida,
lama ou neve.
Examinando as pegadas, pode-se verificar a forma, o tamanho e o
número de dedos, garras, unhas, cascos coxins (almofadas). Além disso,
auxilia os pesquisadores que trabalham com animais silvestres sem que
tenham necessidade de ter que sacrificar os animais.
A Neoicnologia também tem sido bastante utilizada pela ciência
forense e criptozoologia, já que permite interpretações além do
organismo propriamente dito.
» Bibliografia sugerida
BROMLEY, R.G. 1990. Trace fossils. Biology and Taphonomy.
Unwin Hyman, London, 280p.
BROMLEY, R.G. 1996. Trace fossils. Biology, taphonomy and
applications. Chapman & Hall, Londres, 361 p.
CARVALHO, I. de S. & FERNANDES, A.C.S. 2000. Icnofósseis. In:
CARVALHO, I. de S. (ed.), Paleontologia. Editora Interciência, Rio de
Janeiro, pp. 95-118.
EKDALE, A.A., BROMLEY, R.G. & PEMBERTON, S.G. 1984. Ichnology:
the use of trace fossils in sedimentology and stratigraphy. Society of
Economic Paleontologists and Mineralogists Short Course 15, 317 p.
FERNANDES. A.C.S. 1996. Os Icnofósseis do Ordoviciano, Siluriano
e Devoniano da Bacia do Paraná. Programa de Pós-Graduação em Geologia,
UFRJ, Rio de Janeiro, Tese de Doutorado, 183p.
FERNANDES, A.C.S., BORGUI, L., CARVALHO, I. de S., ABREU C.J. de.
2002. Guia dos Icnofósseis de Invertebrados do Brasil. Editora
Interciência, Rio de Janeiro, 255p.
FREY, R. W. 1975. The Study of Trace Fossils. New York,
Springer-Verlag, 562p.
FREY, R. W. & PEMBERTON, S. G. 1985. Biogenic structures in
outcrops and cores. I. Approaches to ichnology. Bulletin of Canadian
Petroleum Geology, 33:72-115.
FREY, R. W.; PEMBERTON, S. G. & SAUNDERS, T. D. A. 1990.
Ichnofacies and bathymetry: a passive relationship . J. Paleontol.,
64:155-158.
MILLER, Molly F. 2003. Styles of behavioral complexity recorded
by selected trace fossils. PALAEO, 192:33-43.
NETTO, R. G. 2000. Paleoicnologia do Rio Grande do Sul.. In:
Michael Holz; Luiz Fernando de Ros. (Org.). A paleontologia do Rio
Grande do Sul. 1 ed. Porto Alegre, v. , p. 25-43.
NETTO, R. G. 2001. A pesquisa paleoicnológica na UNISINOS:
15 anos de contínuo progresso. Revista Brasileira de Paleontologia,
Rio de Janeiro, v. 2, p. 147-148.
NETTO, R. G. 2001. Icnologia e Estratigrafia de Seqüências.
In: SEVERIANO RIBEIRO, H. J. P. (ed.), Estratigrafia de Seqüências -
Fundamentos e Aplicações. São Leopoldo, Edunisinos, pp. 219-259.
PEMBERTON, S.G. & WIGHTMAN, D.M. 1992. Ichnological
characteristics of brackish water deposits. In: PEMBERTON, S.G. (ed.)
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Paleontologists and Mineralogists, Core Workshop 17: 141-167.
PEMBERTON, S.G., MACEACHERN, J.A. & FREY, R.W. 1992. Trace fossil
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WALKER, R.G. & JAMES, N. (eds.) Facies Models: Response to Sea-Level
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PEMBERTON, S.G., McEACHERN, J.A. & BUATOIS, L.A. 1997. Criterios
icnológicos para el reconocimiento y la interpretación de
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Geólogos, 22(1):7-32.
PEMBERTON, S.G., SPILA, M., PULHAM, A.J., SAUNDERS, T.,
MACEACHERN, J.A., ROBBINS, D. & SINCLAIR, I.K. 2001. Ichnology &
Sedimentology of Shallow to Marginal Marine Systems: Ben Nevis &
Avalon Reservoirs, Jeanne D'Arc Basin. Geological Association of
Canada, Short Course Notes v. 15, 343 p.
SEILACHER, A. 1967. Bathymetry of trace fossils. Marine
Geology, 5:413-428.
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