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palinologia
..: PALINOLOGIA
O termo “Palinologia”, derivado do grego paleinos (= derramar,
dispersar). Foi definido pelos ingleses Hyde e Williams, em 1944, e
referia-se ao estudo dos esporos e grãos de pólen das plantas e suas
aplicações práticas. Em um sentido mais amplo e atual, a Palinologia é a
ciência que engloba o estudo de categorias de microorganismos orgânicos,
denominados de palinomorfos (esporos, grãos de polens, algas, acritarcos,
zoomorfos, esporos de fungos), fitoclastos (cutículas, traqueítes, etc.)
e até de matérias amorfas (fragmentos de tecidos orgânicos dispersos –
uma degradação biológica do fitoplâncton)!
O estudo da Palinologia atualmente tem sua aplicação prática como
objetivo nos mais diferentes enfoques, ocupando uma posição
interdisciplinar.
Aeropalinologia: distribuição e freqüência dos
esporos e grãos de pólens atuais no ar. São dados importantes usados na
área médica (alergias) e também na área de Medicina Legal.
Melissopalinologia: estudo dos esporos e grãos
de pólens no controle das abelhas, mel e própolis; relação com a apicultura
em geral.
Copropalinologia: refere-se estudo dos esporos e
grãos de pólens nos excrementos. Este tipo de estudo pode revelar
importantes aspectos com relação aos hábitos alimentares de muitos
animais herbívoros.
PALEOPALINOLOGIA: compreende o estudo dos
organismos fósseis encontrados nos resíduos insolúveis resultantes de
tratamentos físicos e químicos às rochas sedimentares, tais como pólens,
esporos, acritarcos e quitonozoários. As associações paleopalinológicas
são ferramentas indispensáveis para o setor petrolífero (Cruz, 2004).
» Os Esporomorfos
São representados pelos esporos de Briófitas e Pteridófitas e pelos grãos
de pólens de Gimnospermas e Angiospermas.
BRIÓFITAS: são representadas por musgos, hepáticas
e antóceros.
As briófitas (divisão Bryophyta) são um grupo de plantas verdes, sem
raízes (mas com um rizóide composto por pêlos absorventes) e também sem um
verdadeiro caule ou folhas.
PTERIDÓFITAS: são representadas por licopódios,
cavalinhas e samambaias.
As Pteridófitas foram os primeiros vegetais vasculares (isto é, dotados
de vasos) e divididos em raiz, caule e folhas. Estas características
permitiram-lhes atingir maiores dimensões do que qualquer outra planta
terrestre existente até então, transformando-as nas primeiras plantas a
abandonar por completo o meio aquático.
GIMNOSPERMAS: são representadas por árvores com
cones masculinos e femininos. Desenvolvem grãos de pólen.
As gimnospermas são plantas vasculares com sementes. O termo provém das
palavras gregas "gimnos" = "nu" e "spermos" = "semente". Este termo é
aplicado porque as sementes destas plantas não estão encerradas num ovário
como acontece nas angiospérmicas): as sementes das gimnospérmicas estão,
por seu lado, desprotegidas, inseridas em escamas que formam uma estrutura
mais ou menos cónica (pinha).
ANGIOSPERMAS: são representadas por plantas
superiores com floração.
As Angiospermas ou angiospérmicas, (das palavras gregas que significam
sementes escondidas) - as plantas com flores - agrupadas na Divisão
Magnoliophyta ou Anthophyta, do grupo das Espermatófitas, são o maior e
mais moderno grupo de plantas, englobando cerca de 230 mil espécies. As
principais características das Angiospermas incluem óvulos e grãos de pólen
encerrados em folhas modificadas inteiramente fechadas sobre eles,
respectivamente o carpelo e a antera.
» Os Esporos
Esporos são as unidades de reprodução das plantas verdes (pteridófitas)
e também das algas, dos musgos e dos fungos (briófitas). Um esporo é
basicamente uma célula envolvida por uma parede celular que a protege até
as condições ambientais se mostrarem favoráveis à sua germinação. A parede
celular - ou exina - é constituída por esporopolenina, uma das estruturas
mais resistentes de todos os seres vivos, permanecendo inalterada por
milhões de anos, mesmo após a morte do conteúdo celular.
A morfologia dos esporos pode ser descrita de acordo com sua forma,
abertura germinal, estrutura da parede e tamanho.
Forma e simetria: esferoidais, elipsoidais,
tetraédricos e assimétricos.
Abertura germinal: aletes (sem abertura),
triletes (abertura trífida) e monoletes (com uma abertura alongada).
Estrutura da parede: psilado, clavado, reticulado,
espinhoso, verrugoso, estriado, baculado, entre outras.
Tamanho: apresentam dimensões variáveis, entre
5 e 500 microns.
» Os grãos de pólens
O pólen (do grego pales = "farinha" ou "pó") é o conjunto dos
minúsculos elementos reprodutores masculinos ou microgametófitos, de
disseminação das plantas superiores (gimnospermas e angiopermas).
Apresentam uma verdadeira evolução nas suas características.
Os grãos de pólens das gimnospermas podem ser:
INAPERTURADOS: pequenos, simples, esféricos
e logicamente inaperturados, são encontrados a partir do Triássico.
São representados pelas formas de Araucariaceae, Cupressácea, Taxaceae,
Pineaceae.
SACCADOS (MAIORIA GIMNOSPERMAS): caracterizados
pela presença de um (Tsuga) ou dois (Coníferas) sacos ligados ao corpo
central. Três ou mais sacos podem ser encontrados, mas isso é
bem menos usual.
Maioria das gimnospermas: final do Carbonífero até o presente.
Monossacados: com simetria radial, também chamados de
pré-pólens. Presença da “prega de reforço” e de uma marca trilete
já sem uso, portanto quase invisível.
Monossacados: com simetria bilateral. A prega de
reforço transpassa o corpo central.
Bissacados: presença de dois ou mais sacos,
sempre reticulados.
SACCADOS ESTRIADOS: : caracterizados pela
presença de tênias e estrias na face proximal do corpo central. Final do
Carbonífero até o início do Triássico. Ex. Fósseis: Protohaploxypinus,
Striatopodocarpites, Lueckisporites, Hamiapollenites, etc.
POLIPLICADOS: : geralmente elipsoidais,
com estrias ou plicas (ao lado), sem sacos. São representados pelas
gimnospermas avançadas. Podem ou não ter sacos (que podem ser residuais
ou não). Ex. Fósseis: Vittatina (P), Ephedripites (Tr),
Stevensipollenites (Tr).
MONOSSULCADOS: : geralmente possuem forma
esférica a elipsoidal, apresentando uma fenda/sulco. São lisos a
escabrados. Encontrados do Carbonífero Superior ao Recente.
Ex. fóssil: Cycadopites.
Os grãos de pólens das angiospermas, caracterizados pelas aberturas,
podem ser:
PORADOS: grão de pólen com aberturas em forma
de poros.
COLPADOS: grão de pólen apresentando abertura
alongada de razão comprimento/largura superior a dois.
COLPORADOS: grão de pólen apresentando
abertura composta, consistindo em um ectocolpo com uma ou mais
aberturas.
PORO-COLPADOS: descreve pólens com um arranjo
particular das aberturas, em que os colpos alternam com poros, em
torno do equador.
Figuras adaptadas, retiradas do site
http://www.biol.ruu.nl/%7Epalaeo/glossary/glos-int.htm
Além disso, os pólens de angiospermas são projetados separadamente
(mônades), em pares (díades), em grupos de quatro (tétrades) ou
ainda em múltiplos de quatro (políades).
Aplicações práticas dos palinomorfos fósseis:
A ecologia dos esporos e pólens depende naturalmente da ecologia das
plantas que os produziram. Desta maneira fornecem um contínuo relato da
história evolucionária das plantas vasculares.
Os esporos foram utilizados primeiramante para correlações e
bioestratigrafia de carvões, mas atualmente não restringem-se a isso.
Juntamente com os grãos de pólen e associações com outros palinomorfos,
são itilizados para complementação de dados de paleoambientes, de
paleoecologia e de estudos fitogeográficos. Sua maior importância
entretanto, reside na sua utilização na exploração de hidrocarbonetos e
análise de palinofácies (Armstrong & Brasier, 2005).
» Alguns grupos de parede orgânica
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1) ACRITARCOS
(A imagem ao lado foi retirada do site http://www.ucl.ac.uk/GeolSci/micropal/acritarch.html#images)
Os acritarcos (akritos = incerto + arche = origem)
representam um controverso grupo de indivíduos reunidos em uma
categoria informal. São considerados hoje como vegetais na
classificações sistemáticas, portanto subordinados ao Código
Internacional de Nomenclatura Botânica (Cruz, 2001).
Atualmente, os acritarcos são considerados como cistos de algas
fitoplantônicas, fitossintéticas e microscópicas.
Características do grupo:
- Estrutura da parede: simples e homogênea, dupla
e múltipla.
- Sub-parede: lisa ou granulada
- Forma da vesícula: esférica a elipsoidal, discoidal,
alongada a fusiforme, poligonal.
- Cavidade central/comunicação exterior: fechada e/ou
aberta.
- Ornamentação: esculturas e processos, espinhos,
cristas e rebordos.
- Simetria: hemimórfica, holomórfica, regular.
- Estrutura da abertura: excistamento, desalojamento
do protoplasma.
- Ocorrência: isolados ou em cachos (raros – hoje
clorofíceas coloniais).
Sistemática - segundo Armstrong & Brasier, 2005: 1 grupo (ACRITARCHA) e 9 subgrupos.
- Ocorrência: sedimentos do Pré-Cambriano ao
Recente.
- Importância: correlações bioestratigráficas e
análises paleoambientais.
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Multiplicisphaeridium sp. Siluriano. Joslin Hill, New York State, USA.
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2) QUITINOZOÁRIOS
(A imagem ao lado foi retirada do site http://www.ucl.ac.uk/GeolSci/micropal/acritarch.html#images)
Quitinozoários são vesículas orgânicas em formato de frascos ou
pequenas garrafinhas ocas (de 30 a 2000 microns), de afinidade incerta.
Eles constituem um grupo extinto de organismos marinhos, microscópicos,
dotados de testas orgânicas de quitina.
Características do grupo:
Estrutura: bojo, tubo oral, pescoço e colarinho.
Composição: interna (endoderme) e externa
(ectoderme – pode ser porosa ou ornamentada).
Modos de ocorrência: testas simples, isoladas;
casulos (cocoon – grupo de testas); testas unidas pelas regiões
orais e aborais em cadeias.
Morfologias: cilindróide, esferóide e
cilindro-esferóide.
Ocorrência: Ordoviciano ao Devoniano.
Importância: por sua rápida evolução e
alastramento, os quitinozoários são importantes para correlações
estratigráficas globais e locais. Sua pesquisa também é útil
na elucidação das histórias termais das bacias sedimentares
Paleozóicas (Armstrong & Brasier, 2005).
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Lagenochitina sp. (right) Conochitina sp. (left). Siluriano. Rose Hill, New York State, USA.
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3) ESCOLECODONTES
(A imagem ao lado foi retirada do site http://www.eeob.iastate.edu/faculty/DrewesC/htdocs/quickindex3.htm)
Escolecodontes são peças bucais, compostas por quitina, de vermes
marinhos poliquetos. Eles são orgânicos e geralmente são encontrados
como elementos disassociados em associação com acritarcos e
quitinozoários.
Características do grupo:
Ocorrência: apareceram no Ordoviciano Inferior e são encontrados até o recente, mas sua maior diversidade encontra-se no intervalo Ordoviciano Superior ao Devoniano.
Importância: é ainda incerta.
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4) PALINOFORAMINÍFEROS (texto adaptado, retirado da Fundação PHOENIX)
(A imagem ao lado foi retirada do site http://www.phoenix.org.br/Phoenix38_%20Fev02.htm)
O termo Palinoforaminífero foi criado com a finalidade de descrever
revestimentos orgânicos internos de testas de microforaminíferos
recuperados a partir da maceração de rochas sedimentares para estudos
palinológicos.
As relações entre os remanescentes orgânicos e os organismos que os
produzem, não estão totalmente esclarecidas, permanecendo a dúvida se
são originalmente uma parte interna de testas calcárias ou silicosas
dos foraminíferos ou se representariam foraminíferos verdadeiros
segregadores apenas de testa orgânica. Sob as designações de "membrana
quitinosa interna", "restos pseudoquitinosos de foraminíferos" e
"foraminiferal test linings" estariam os revestimentos quitinosos
internos de testas mineralizadas de foraminíferos menores do que 150mm.
Características do grupo:
Ocorrência: Permiano ao Recente.
Importância: seu potencial como indicador
paleoambiental é o principal motivo de se estudar os
palinoforaminíferos, sendo utilizado nas reconstruções
paleoambientais e paleogeográficas, nas determinações de
ciclos sedimentares e condições de estagnação de fundo, e
na estimativa de temperaturas das águas marinhas ligadas ao
fenômeno de ressurgência, além de inferências de tendências
de resfriamento climático devido a episódios glaciais.
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Fundação PHOENIX
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5) DINOFLAGELADOS
Os dinoflagelados (do grego dinos = pião + flagellates
= flagelados) são organismos unicelulares eucariontes, aquáticos e
caracterizados pela presença do pigmento carotenóide peridina, típico
deste grupo (Arai & Lana, 2001).
Por apresentarem tanto características animais (locomoção), quanto
vegetais (parede celulósica e presença de pigmentos fotossintéticos),
estes organismos foram revindicados por zoólogos e botânicos, mas
atualmente são classificados segundo o Código Internacional de
Nomenclatura Botânica.
Características do grupo:
Forma geral variada: esférica a poligonal, discóide.
Orientação: epiteca (alto), hipoteca (baixo); lado
ventral (sulco), lado dorsal; região apical, região antapical.
Arranjo das placas: tabulação – 5 séries básicas: apical,
pré-cingular, cingular, pós-cingular, antapical.
Tipos de cistos: proximados (<10%), próximo-corados
(10 – 30%) e corados (> 30%).
Ocorrência: Triássico Médio ao Recente.
Importância: bioestratigrafia, paleoecologia,
paleoclimatologia e paleontologia evolucionária.
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Peridinium limbatum - USA. SEM by Susan Carty; Light microscopy by V. Fazio and S. Carty; digital manipulation by V.Fazio.
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» Bibliografia sugerida
ARAI, M. & LANA, C. C. 2001. Dinoflagelados. In: PALEONTOLOGIA
(CARVALHO, I. S. ed.). Editora Interciência, pg. 327 - 353.
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CRAMER, F. H. 1970. Acritarchs and Chitinozoans from the Silurian
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CRUZ, N. M. da C. 2001. Paleopalinologia. In: PALEONTOLOGIA
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_____. 2001. Quitinozoários. In: PALEONTOLOGIA (CARVALHO, I. S.
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Mc GREGOR, D.C. 1996. Principles and applications. American
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