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pelecípodos (ou bivalves)
......: Pelecípodos (ou bivalves)
» Características Gerais
Os bivalves ou pelecípodos ou ainda lamelibrânquios, são moluscos
aquáticos, fundamentalmente bilaterais simétricos, compridos lateralmente
e providos sempre de uma concha composta por duas valvas semelhantes, de
igual convexidade e calcárias. Em alguns gêneros foi perdida a simetria
bilateral, freqüentemente como resultado da cimentação de uma das valvas
a um substrato.
O corpo mole dentro da concha é constituído de uma massa visceral
volumosa, da qual uma parte forma um pé muscular, e um par de delgadas
brânquias. Envolvendo o corpo e delimitando a superfície interna das
valvas encontram-se uma fina lâmina carnosa chamada manto. As
margens do manto são modificadas para constituir dois tubos, um para
introduzir água e o outro para eliminá-la. Uma corrente de água é então
levada até as brânquias, onde microorganismos são aprisionados e
carregados para dentro do tubo digestivo.
No lado externo da concha encontra-se uma linha cardinal, que
corresponde a uma articulação interna das valvas, o umbo (porção
inicial de todas as valvas) e por vezes, uma área cardinal.
Normalmente, próxima a linha cardinal, encontra-se uma massa escura,
córnea, flexível e resistente chamada ligamento, que serve para
abrir as valvas. Alguns bivalves o mostram internamente, sendo então
denominados resílio; a reentrância onde se aloja é o
resilífero. Externamente podemos constatar também a presença de
ornamentações como costelas, estrias, nódulos, e linhas de crescimento,
subparalelas aos bordos das valvas (Mendes,1977).
Segundo Melendez (1970), a anatomia interna dos bivalves aparece de
certo modo rfletida nas impressões e marcas que aparecem no interior
das sua valvas. Conhecem-se então:
Impressões musculares: produzem-se através da
inserção dos músculos adutores, que por sua contração produzem o
fechamento das valvas. Distinguem-se quatro tipos:
Dimiários: são os que possuem dois
músculos adutores, correspondendo as impressões musculares
anterior e posterior;
Isomiários: quando as impressões
musculares são equivalentes em tamanho e forma;
Heteromiários ou Anisomiários: quando
as duas impressões musculares possuem tamanhos diferentes, sendo
sempre a anterior menor que a posterior, que pode ser a única
existente;
Monomiários: só existe um único músculo
adutor, o posterior, que produz um só impressão.
Impressão paleal: consiste em uma linha contínua
de relevo pouco pronunciado, que reúne as duas impressões musculares. É
encontrada nos bordos do manto dos moluscos. Distingue-se dois tipos:
Integripaleados: quando a impressão
paleal é contínua e regularmente convexa;
Sinupaleados: quando a impressão paleal
apresenta uma sinuosidade muito marcada.
A sistemática do grupo utilizada na paleontologia se baseia
principalmente na morfologia da concha (tipo de charneira, marcas de
músculos adutores ornamentação, etc...).
Assim, para a Paleontologia a classe bivalvia comporta seis
subclasses:
| SUBCLASSE DOS BIVALVES |
DESCRIÇÃO |
| Paleotaxodonta |
Isomiários de charneira taxodonte, linha cardinal encurvada e resilífero;
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| Cryptodonta |
Dimiários de charneira taxodonte, linha cardinal retilínea,
ligamento e sem área cardinal;
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| Pteriomorphia |
Mono ou anisomiários de charneira isodonte, disodonte ou taxodonte
(estes com área cardinal e linha cardinal retilínea);
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| Palaeoheterodonta |
Possui charneira esquizodonte;
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| Heterodonta |
Possui charneira heterodonte;
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| Anomalodesmata |
Isomiários de charneira disodonte e ligamento.
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» Distribuição estratigráfica simplificada
Sabe-se que os bivalves apareceram no Cambriano, mas foram pouco
numerosos e variados até o Mesozóico. Somente a partir do Carbonífero é
que os bivalves invadiram os ambientes dulcícolas e salobres e então,
já no Terciário, distribuíram-se por grandes profundidades . Muitas
formas de concha espessa (como as ostras) são encontradas em camadas
jurássicas e cretácicas. Outras formas de concha, como o Pecten, são
bons fósseis-guias para rochas cenozóicas.
Conhecem-se cerca de 11.000 espécies viventes e 15.000 espécies
fósseis.
» Paleoecologia e Ecologia
Os bivalves são todos aquáticos podendo habitar águas doces, salobras
e salgadas, muito embora a sua grande maioria seja marinha.
Habitam desde a zona litorânea até as profundidades de mais ou menos
5.300 metros, sendo mais abundantes porém em águas rasas.
São considerados cosmopolitas, mas sua distribuição está limitada por
diversos fatores, principalmente a temperatura, a salinidade, a
profundidade e a natureza do fundo.
A temperatura é o fator físico mais importante que controla o tamanho
máximo dos bivalves. As espécies maiores estão confinadas a águas quentes
nunca ocorrendo em águas muito frias.
Os bivalves de águas doces possuem valvas delgadas e lisas ou pouco
ornamentadas, enquanto que os de águas salgadas apresentam-se mais grossas
e invariavelmente ornamentadas.
Segundo Mendes (1977), os bivalves são normalmente bentônicos,
constituindo bêntos séssil e bêntos vágil.
A maior parte dos bivalves é endobionte. Vive enterrada no fundo,
quer em sedimentos moles, quer em rochas mais ou menos resistentes;
podem entretanto, deslocar-se com maior ou menor facilidade. As formas
sésseis fixam-se às rochas por meio do byssus (visgo segregado pelas
glândulas bissogênicas) ou soldam-se por uma das valvas (como por exemplo
as Ostras). Alguns poucos gêneros (Pecten e Lima) podem nadar nas
proximidades do fundo, por expulsão de água conjugada com a abertura e
fechamento das valvas (Mendes, 1977).
Em outros casos, os bivalves perfuram as rochas, a madeira e outros
restos orgânicos que estiverem submersos na água. Entre as espécies
fósseis, se tem comprovado estes mesmos gêneros de vida, sendo freqüente
encontrarmos linhitos cretácicos ou terciários perfurados por certos
bivalves.
Podem ainda se fixar sobre esponjas, celenterados, moluscos, artrópodes
e anfíbios (Camacho, 1966).
» Bibliografia
Ver bibliografia sugerida em
Macrofósseis.
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