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..: Radiolários :..
» Características Gerais

Radiolários são pequenos organismos dotados de um esqueleto silicoso intracitoplasmático em forma de rede. Constituem uma ordem de protozoários rizópodos, exclusivamente marinhos e principalmente pelágicos.

Estes protozoários são caracterizados por apresentar uma nítida separação do protoplasma (chamado de melacoma em contraste com o esqueleto, o escleracoma) em uma cápsula central com o endoplasma e o ectoplasma. A cápsula central consiste em:

  • o protoplasma intracapsular ou endoplasma que contém um ou mais núcleos, alguns vacuolos, glóbulos de gorduras e grânulos pigmentados;

  • a membrana capsular que contém o endoplasma é composta de tectina (ou pseudoquitina), que é uma glucoproteína. Esta membrana é atravessada por poros muito finos que permitem a continuidade do endo e ectoplasma.

Possuem pseudópodes (órgãos de predação) de dois tipos:

  1. filópodos: são finos e ramificados, considerados simples expansões do ectoplasma;

  2. axópodos: são providos de um eixo rígido, jamais ramificado.

Segundo Bignot (1988) o esqueleto ou cápsula dos Radiolários é o único a fossilizar-se, podendo faltar em algumas formas atuais, ainda que seja mais freqüente estar presente e ser formada por espículas reunidas em estruturas complexas.

Os Radiolários podem ser divididos em quatro grandes grupos, caracterizados por sua morfologia:

GRUPOS CARACTERÍSTICAS
Acantharia

O esqueleto é constituído por espículas radiais de sulfato de estrôncio, que se origina na cápsula central. São quase desconhecidos como fósseis (uma espécie do Mioceno).

Spumellaria

Esqueleto silicoso presente, apresentam uma simetria radiada e sua forma é derivada de uma estrutura esférica. Possuem inúmeras variantes. São bem representadas como fósseis.

Nassellaria

São homogêneos, possem uma cápsula central com uma só abertura, perfurada, que resulta das modificações de uma espícula fundamental em forma de barra e terminada em seus extremos por espinhos; quase sempre apresentam um esqueleto silicoso.São bem representadas como fósseis.

Phaeodaria

Possuem além da abertura principal, duas aberturas menores (zonas de poros). Podem ter esqueleto ou não. São quase desconhecidas como fósseis.

Os Radiolários são importantes no ciclo da sílica dos oceanos, pois seus esqueletos são depositados nos fundos oceânicos dos quais são importantes constituintes (20% a 30% da sílica biogênica é composta por vazas de Radiolários).


» Distribuição estratigráfica simplificada

Os Radiolários apareceram no Ordoviciano (Arenig), mas antes do Triássico e do Jurássico não são utilizados como fósseis guias. Isso só acontece no Cretáceo e depois no Cenozóico. Vivem até o Recente.

No Paleozóico dominam os verdadeiros Espumelários de cápsula perfurada ou esponjosa.

O Mesozóico foi um período de notável renovação, onde surgiram os Nasselários e desapareceram formas características do Paleozóico. Ainda predominam os Espumelários, representados por numerosos gêneros, tais como: Capnuchosphaera (Tr), Paronaella (J-K) e Alievium (K).

No Cenozóico desaparecem vários gêneros e aparecem outros novos. Pode-se dizer que os representantes da fauna do Cenozóico são praticamente os mesmos da fauna atual. Os Espumelários perdem importância e os Nasselários dominam.

Atualmente o estudo detalhado dos Radiolários pode levar a conclusões estratigráficas importantes. Pesquisadores puderam deduzir um ambiente de águas frias para as formas Cretáceas em contraste com um ambiente tropical para as faunas do Eoceno.


» Paleoecologia e Ecologia

Os radiolários são animais exclusivamente marinhos, cosmopolitas, quase que exclusivamente pelágicos. Só é conhecida uma família de Radiolários, que viveu em águas salobras e dulcícolas: os Traquairidae.

Ocorrem preferencialmente em águas superficiais e alguns em águas profundas. Vivem em todos os mares e em todas as zonas climáticas, mas as espécies são mais limitadas em sua distribuição, existindo espécies de águas frias ou de águas quentes, de águas superficiais ou de águas abissais, etc... Sabe-se entretanto, que a maior variedade de Radiolários encontra-se em zonas tropicais (portanto quentes) e que tanto em abundância de espécies como em número de indivíduos, o Oceano Pacífico é o mais rico de todos, superando o Índico e o Atlântico.

De modo geral, os indivíduos de águas superficiais possuem esqueletos menores e mais finos, que os exemplares de águas profundas; finalmente seu tamanho aumenta em razão inversa a sua robustez, que diminui desde o Equador até os Pólos (Bignot, 1988).

Os Radiolários não são capazes de nadar mas efetuam, lentamente, movimentos de subida e descida verticais que podem atingir profundidades de até 350 metros durante o dia e retornando a superfície durante a noite.

Sabe-se que os Radiolários apresentam uma "fosforescência" durante a noite que parece estar generalizada a vários grupos. Esta "fosforescência" que aparece às vezes verde, às vezes amarela, parece emanar da cápsula central. Haeckel atribuiu a lenta oxidação dos glóbulos de gordura intracapsulares, que se combinariam com oxigênio ativo em presença de álcalis (Palácio & Bermudez, 1963).


» Bibliografia sugerida
  1. BIGNOT, G. 1988. Los Microfosiles – Los diferentes grupos. Aplicaciones Aplicaciones Paleobiológicas y Geológicas. Editora Paraninfo, Madrid. 284p.

  2. PALACIO, F.C.R. & BERMUDEZ, P.J. 1963. Micropalentologia General. Universidad Central de Venezuela. 808p.


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