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LINHAS ALIENÍGENAS DE ÔNIBUS RECEBEM TRATAMENTO VIP

Linhas que não correspondem às áreas originais das empresas ganham carros novos, o mesmo ocorrendo com as linhas em pool; enquanto isso, as empresas esquecem de cuidar melhor de suas próprias linhas


A pretexto de atender "todas as linhas", as empresas de ônibus de Salvador, como Central e Rio Vermelho, estão privilegiando linhas que não são de suas áreas, como Pau da Lima e Mata Escura.

Nas recentes renovações de frota na cidade de Salvador (Bahia), insuficientes diante de frotas majoritariamente velhas das poucas empresas mastodônticas da cidade, as empresas de ônibus envolvidas, embora não deixem de atender às suas próprias linhas - aquelas em que cada empresa opera exclusivamente e tem a ver com a área regional de sua garagem-sede - , no entanto buscam privilegiar as linhas alienígenas (que não correspondem à sua área de atuação) e em pool, irritando os passageiros das linhas normais, que poderiam ter mais carros novos a seu dispor.

A dupla Central e Ondina - cuja relação de associação é comparável às cariocas Rubanil e América - ganhou vários carros novos. Sua renovação de frota é muito problemática, geralmente com um ritmo médio de dois em dois anos. A Central, surgida há oito anos, em 1999, se comporta como um alter ego da Ondina, que nos anos 90 faturou abusivamente por se infiltrar, através do esquema de pool, nas linhas atendidas por outras empresas. Como a Ondina saiu "queimada", a Central assumiu essa "missão", procurando manter a falsa boa imagem do sistema de pool.

A ciranda de troca de linhas devido à crise e posterior falência da Lapa Transportes fez com que as empresas descendentes da antiga Vibemsa - Ondina, Central, Rio Vermelho, BTU e Verdemar - invadissem as áreas de Cabula e Cajazeiras, investindo então nas linhas alienígenas, "inchando" seu patrimônio de linhas, quando elas poderiam ter feito alguma partilha, criando novas empresas. Essas novas empresas teriam o mesmo dono, mas, com outros nomes, visuais e diretores, diminuiriam a sobrecarga de serviço inerente a uma mega-empresa de ônibus. Mas isso não aconteceu.

Por isso, o que vimos na Central, Ondina e Rio Vermelho foi uma verdadeira bajulação aos usuários dos bairros que não correspondem às áreas dessas empresas. Linhas em pool, como 0213 Ribeira / Federação, 0220 Ribeira / Sabino Silva e 1320 Nordeste / Pau da Lima receberam carros novos de presente dessas empresas, cínicas em continuar explorando essas linhas. No ramo "alienígena", a linha 1216 Mata Escura / Barroquinha ganhou um carro novo da Rio Vermelho, o mesmo ocorrendo com as linhas 0233 Vila Rui Barbosa / Engenho Velho de Brotas R1 e 0234 Vila Rui Barbosa / Engenho Velho de Brotas R2. Enquanto isso, ainda rodam carros velhos na linha 1004 Itapuã / Campo Grande, que passa por importantes pontos da orla marítima de Salvador.

Mas nada se compara à dupla Central/Ondina, que teve que investir num plano de renovação de frotas de última hora, porque atrasou na renovação de frota e, ainda por cima, devido a motivos políticos, desviou parte dos vinte carros da fábrica Neobus adquiridos em 2006 para a frota da Prefeitura de Candeias. A dupla teve que "disfarçar" vários carros antigos, de modelos da CAIO já datados, como Alpha (1998) e Apache (1999-2001), em veículos pretensamente "novos", para iludir os passageiros, que no entanto não se deixam enganar, vendo os mesmos "novos" ônibus sacolejando (sinal de peças saindo do lugar) em duas semanas depois de modificados.

Dessa forma, o sistema de ônibus de Salvador se torna uma enganação. A renovação de frota, em passo de tartaruga, é promovida com exagero pelos empresários de ônibus. Mas ela, longe de ser adequada, além disso só serve para alimentar essa bagunça de linhas em pool, pulverização na distribuição de linhas por empresa e limitação da frota por linha, que servem mal os usuários, desgastam mais rápido os ônibus e contribuem para o encarecimento absurdo do sistema de ônibus. É por isso que existem muitos automóveis em Salvador, causando congestionamentos monstruosos que sucessivas obras viárias foram incapazes de conter.

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