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Rio de Janeiro |
O FRACASSO DOS ÔNIBUS BRANCOS DE SALVADOR Enquanto até a Baixada Fluminense aposta em ônibus multi-coloridos, Salvador insiste na padronização da cor branca que confunde e irrita usuários Salvador é a cidade cuja cultura é marcada pela valorização das cores. Cidade multicor, tropical, cidade de muitos tons e matizes. Até a mercantilista axé-music explora essa multiplicidade de cores, com seus uniformes de blocos carnavalescos em múltiplos jogos de cores, das mais diversas. No entanto, seu transporte coletivo sucumbiu a um cacoete que causa irritação profunda a todos os usuários da cidade. Boa parte das empresas de ônibus de Salvador insiste num visual monocórdico predominantemente branco, apenas com alguma variação no pára-choque ou no minúsculo logotipo da empresa e na cor do número do carro.
Não se fala da Transol e Rio Vermelho, que pelo menos criam alguma coisa por cima do fundo branco, mas de empresas como Ondina, Central, Ilha Tropical, Capital, União, São Cristóvão e Modelo, além da intermunicipal do grupo Ondina-Central, a ODM. Estas empresas estão depreciando sua imagem perante o povo baiano, com o péssimo serviço de manterem praticamente o mesmo visual, mesmo com protestos que até vasam na imprensa baiana, mas esta, por "recomendação" dos empresários de ônibus soteropolitanos, são obrigadas a se calarem no assunto. Quando falam de transporte coletivo, os veículos de imprensa baiana se limitam a falar do óbvio do óbvio do óbvio, se recusando, até com irresponsável arrogância, de falar sobre outros assuntos graves, como a desídia dos cobradores de ônibus (que insistem em "viajar" fora de seus assentos exclusivos, muitas vezes arriscando a vida de pé nos degraus das portas dianteiras, dificultando até o desembarque dos passageiros) e o sistema de pool.
Há pouco mais de dois anos, as empresas insistem nesse visual branco, e isso traz desvantagens até para os empresários que determinam esse visual frouxo e à Prefeitura do Salvador, que permite essa aberração. As empresas soteropolitanas perdem credibilidade, irritam os usuários, são alvos de queixas diversas que poderiam ser evitadas e ainda por cima ficam em situação marginal diante das empresas de ônibus do resto do país. Afinal, qual a empresa de ônibus soteropolitana que se destaca em sites nacionais sobre ônibus?
Nem vamos falar de tantas outras cidades, porque aí seria humilhar Salvador demais. No Rio de Janeiro, a preocupação com o visual causa até notícia. Quando empresas como Braso Lisboa, da capital fluminense, e Brasília, de Niterói, anunciaram mudanças no visual, viraram notícia nos melhores sites de ônibus da Internet. Causaram reboliço, chamaram atenção. Recentemente empresas como Rio Ita, de São Gonçalo, e a também niteroiense Pendotiba, também. Mas empresas como a 1001 (Niterói), mesmo mantendo o visual que adotou há dez anos, também chama a atenção por sua imponência. E o que seria a Viação Cometa, se adotasse um visual puramente branco? Se confundiria com os ônibus clandestinos dos sacoleiros que compram produtos piratas no Paraguai. Só para entender o drama, a Baixada Fluminense, região do Grande Rio de Janeiro que se assemelha com as áreas populares de Salvador (península de Itapagipe, São Caetano, Liberdade, Pirajá, Cajazeiras e Subúrbio Ferroviário), tem ônibus que se sobressaem até aos ônibus da Cidade Maravilhosa, com renovação constante de frotas, uso obrigatório de bancos estofados - não, não se fala daqueles bancos de plástico com pequenas almofadas coladas, mas bancos acolchoados MESMO - e visual distinto para cada empresa.
A Baixada Fluminense teve até empresas premiadas por causa de sua diferenciação visual, e não são poucos os busófilos que elogiam essas empresas por seu serviço e por sua estética. Os ônibus, além de serem distintos para permitir o passageiro de reconhecer a empresa que quer pegar, são muito bonitos, e a maioria das empresas da Baixada - algumas nem pertencem a grandes grupos empresariais - são administradas com um mínimo de dignidade. Mas mesmo empresas deficitárias como a Feital, alvo de muitas queixas de usuários fluminenses, são de qualidade bem superior a das empresas soteropolitanas. A Feital só usa bancos acolchoados e nunca adotou o "brancão". Compare a Feital em seus piores momentos e a empresa soteropolitana Capital de hoje. A Feital ainda leva vantagem. Principalmente agora que a empresa fluminense, em processo de reestruturação, comprou belos Viales da niteroiense 1001. É melhor Salvador deixar o complexo de superioridade de lado e ver as coisas que estão erradas para corrigir. Se não corrigir, será superada até por muita cidade do interior. No que diz aos ônibus da capital baiana, Salvador já está em situação humilhante diante das demais cidades do país. Já não basta a cidade ter um sindicato patronal cuja sigla SETPS é muito mal pronunciada (SETÉPIS)? Quem não se mexe os outros passam a perna. |