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Rio de Janeiro |
COLAPSO ATINGE SISTEMA DE ÔNIBUS EM SALVADOR
Bagunçou geral. A pulverização dos ônibus em Salvador, a redução de empresas e a ameaça do sistema de transporte coletivo se reduzir a três consórcios - CCN, CCS e CLO - que na prática serão três gigantescas empresas, provoca o tão temido colapso no serviço de ônibus de Salvador. São linhas que de repente são operadas por empresas que nada têm a ver com o bairro. Ou então é uma linha que se "racha" para duas ou três empresas. Com o "pool" e a pulverização, aumenta a concorrência desleal, os comboios e até mesmo os "pegas" entre os ônibus que, disputando passageiros, correm em alta velocidade, pondo risco à vida das pessoas. Com essa bagunça, agravada pela extinção de quatro empresas em 2004 - Mont Serrat, Farol da Barra, São Pedro e Lapa, sendo a São Pedro e Farol da Barra por fusão com suas então derivadas, respectivamente a Barramar e a Vitória - , o caos domina os ônibus de Salvador. Os passageiros não sabem como recorrer se houver algum problema de serviço. As frotas estão ficando cada vez mais velhas, com ônibus mal conservados e sujos. As frotas de carros estão sendo cada vez mais apertadas, pois a extinção de uma empresa causa um deslocamento na distribuição de linhas que faz adiar a venda de carros antigos das empresas remanescentes. A Verdemar, por exemplo, aumentou drasticamente seu número de linhas. Com dificuldades para renovar sua frota - só consegue comprar séries de quatro carros por período - , a empresa teve que recuar na venda de seus já sucateados carros da CAIO Alpha, espalhados em várias linhas, que também tiveram carros semi-novos para não assustar os passageiros. Há rumores que a extinção de empresas - quase todas envolvendo empresários de outros Estados (a Farol da Barra era do mesmo dono da Breda Turismo e da empresa de transporte aéreo Gol - se deveu por causa da pulverização de linhas. A Mont Serrat não estava falida, apesar de ter surgido a partir de uma desastrada administração da OMNI, que surgiu de uma desnecessária fusão das empresas Sul América e Campo Grande e que sucumbiu à falência depois de um gigantesco acúmulo de linhas. O que pode ter levado ao fim da Mont Serrat foi a recusa da proprietária em colocar a empresa, com a área de atuação na Ribeira, em explorar linhas díspares que provavelmente seriam de áreas de atuação como Brotas, Cabula, Cajazeiras e Itapuã. A OMNI faliu porque tinha um número excessivo de linhas e uma área de atuação que ia além da Ribeira, atingindo Brotas, Cajazeiras e Iguatemi. A Mont Serrat não queria correr o risco de pegar uma linha que ligasse, por exemplo, o Aeroporto ao centro da cidade, o que seria um grande "abacaxi". "Abacaxi" foram as linhas que a Lapa assumiu antes de ser extinta. Tendo que deslocar seus carros da garagem do Jardim Cajazeiras para os bairros do Aeroporto, Bairro da Paz e Mussurunga, seja pegando um longo percurso pela BR-324 (mais rápido porém com grande consumo de diesel), seja encarando um sobe-e-desce na Estrada Velha do Aeroporto, que consome menos combustível que o outro percurso, mas pode danificar a estrutura de um ônibus, recomendando reparos constantes. A Lapa sofreu sobretudo com a linha 1002 Aeroporto / Campo Grande porque a concorrente Rio Vermelho, apesar de cuidar em sua garagem do estacionamento dos carros da Lapa, prejudicava a atuação da empresa enviando carros de outras linhas e percurso semelhante para tirar a demanda da 1002. Durante alguns meses, a Transol também assumiu o "abacaxi" da linha 1004 Itapuã / Campo Grande, que também levou surra com os comboios da Rio Vermelho. O fim da Lapa restituiu a linha 1002 à Rio Vermelho - que tirou da Lapa também a 1040 Mussurunga 2 / Campo Grande e tirou da Transol a 1004 - , mas causou um grande colapso no transporte coletivo, obrigando as outras empresas - como Modelo, Verdemar e as mastodônticas BTU e Barramar, esta resultante de sua fusão com a São Pedro - a assumirem o rateio das linhas. A Barramar, por exemplo, ficou com a 1201 Tancredo Neves / Barra, confundindo os passageiros da Estação Pirajá e da Boca da Mata, áreas da empresa, que acidentalmente acabam pegando a 1201. A BTU, que havia abocanhado duas linhas para Tancredo Neves - 1204, para o CAB, e 1202, para a Barroquinha, esta muito mal servida devido aos comboios de até três carros - , assumiu a 1203 Tancredo Neves / Campo Grande. Com a extinção das empresas - em contramão ao recente aumento do número de linhas de ônibus em Salvador - , o transporte coletivo soteropolitano se tornou caótico e ineficaz. É um desafio para o novo prefeito João Henrique (estamos em fevereiro de 2005) desfazer a pulverização, distribuindo as empresas novamente para suas áreas de atuação e desmontando o sistema de pool, que o antecessor Antônio Imbassahy fez crescer para mais de quinze linhas envolvidas. |