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CONSÓRCIO CCN SURGIU PARA REDUZIR CUSTOS: MAS SÓ OS FEZ AUMENTAREM

Sete empresas de ônibus de Salvador formaram um consórcio visando reduzir os custos operacionais no serviço de ônibus. As cinco empresas descendentes da antiga Vibemsa (Viação Beira Mar S/A), extinta em 1991, e mais duas empresas com área de atuação no Cabula, formaram uma associação.

As empresas BTU, Ondina, Rio Vermelho e Verdemar (resultantes do “racha” da Vibemsa), Central (que surgiu da partilha da Ondina), Lapa (antiga TSS) e Vitral (resultante da partilha da Joevanza), decidiram fazer uma parceria, chamada Consórcio CCN (Consórcio Centro-Norte, já apelidado pejorativamente de "Cobra Caro Novamente"). A intenção parecia ser das melhores, mas as empresas cometeram o mais grave equívoco que se tornou pivô do aumento das passagens de ônibus de R$ 1,30 para R$ 1,50: o troca-troca de linhas.

Primeiro foi em agosto de 2002, quando a Lapa cedeu parte de suas linhas para a BTU, Rio Vermelho, Central e Verdemar. Depois foi em fevereiro de 2003, quando as cinco, mais a Vitral e a Ondina, promoveram uma ciranda de troca de linhas, feitas sem o menor critério técnico, sob o pretexto de “diversificar” as empresas de ônibus que atendem a vários bairros.

O que ocorreu foi um colapso. O sistema de pool foi mantido, não foi feita uma reorganização de linhas. Muito pelo contrário, ocorreu uma verdadeira desordem, com um serviço de linhas desigual, que está revoltando muitos passageiros.

Por exemplo, a linha 0919 Vale dos Rios / Stiep / Lapa, antes servida com carros semi-novos mas bem conservados da BTU, está sendo operada por carros velhos, alguns até com bancos escorregadios. O cumprimento de horários não é atendido e existem até baratas nos ônibus. A Verdemar anda muito lenta na sua renovação de frotas, comprando carros novos de dois em dois.

Mas também não é digno de comemoração quando empresas servem bem as linhas, colocando carros novos, mas em áreas longe de seus bairros de origem. A BTU, que absorveu linhas de Tancredo Neves, Mata Escura, São Gonçalo e Cabula VI, e a Rio Vermelho e Central, que pegaram também Tancredo Neves e Mata Escura, até atendem bem suas linhas, mas dá para perceber a viagem que os veículos fazem das garagens para os pontos iniciais, cerca de quatro vezes ao dia (incluindo recolhimento na hora do almoço). A Rio Vermelho instalou uma garagem no bairro do Retiro, mas isso não adianta muito, pois a garagem central fica no distante bairro de São Cristóvão, próximo ao limite com Lauro de Freitas.

GRUPO TERÁ QUE CRIAR NOVA EMPRESA SÓ PARA AS LINHAS DO CABULA

Uma solução provável para o Consórcio CCN, se quiser colaborar com a redução de despesas responsáveis pelo aumento das passagens é a criação de uma empresa própria para as linhas do Cabula. Talvez a garagem da Rio Vermelho no Retiro possa ser a sede dessa empresa. O número de empresas de ônibus em Salvador é muito pequeno, e isso prejudica muito o serviço.

A segmentação de áreas de atuação de uma empresa de ônibus é uma realidade urgente nos dias de hoje. As capitais são cidades muito grandes para as empresas terem uma área de atuação muito grande, não dá para uma empresa abocanhar, mesmo parcialmente, todos os bairros.

Isso gera muito prejuízo. Afinal, uma empresa acumular linhas pode parecer um crescimento de patrimônio operacional, mas significa um aumento de despesas. Como também é o caso do sistema de pool e de “frotas reguladoras”, principais responsáveis pelo colapso do sistema de ônibus de Salvador. Com mais empresas servindo uma mesma linha, ocorre maior freqüência de comboios, com muitos carros saindo juntos num momento, enquanto faltam carros para outras ocasiões. Só quem não costuma andar de ônibus e é dotado de um moralismo retrógrado é que defende o sistema de pool.

Essas medidas que aparentemente dariam num faturamento extra para as empresas é que andam tendo efeito contrário, nos últimos anos. Nos últimos quinze anos, muitas empresas faliram justamente pelo acúmulo de linhas, incluindo a intromissão pelo pool. A Vibemsa faliu. A Ogunjá e a Transur, que chegaram a operar em “frotas reguladoras” da Estação Nova Esperança (atual Estação Pirajá), também faliram. A Joevanza teve que se dividir no total de oito empresas só entre as que circulam na capital baiana.

Ter muitas linhas de ônibus, intervir em linhas de outras empresas e ter uma área de operação em bairros muito extensa representam despesa e não garantem lucro estável. Muito provavelmente, os empresários de ônibus de Salvador não costumam fazer planilhas, deixando o serviço para especialistas em Contabilidade.

Afinal, se os próprios donos fizessem planilhas de custos e todo o processo de razonetes, Livro Razão (que registra as atividades econômicas da empresa, incluindo seus gastos, compras e vendas), Balancete de Verificação (que define os saldos devedor e credor) e a Análise de Resultado do Exercício (que define se a empresa contraiu lucro ou prejuízo), certamente pensariam muitas vezes antes de driblar os critérios técnicos para assumir uma linha de ônibus.

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