Rio de Janeiro
Bahia

São Paulo
Linhas RJ
Linhas BA

Geral

Manifesto

Divulgue


RIO DE JANEIRO
LINHA 790: POOL É SINAL DE FALTA DE CRIATIVIDADE


As duas fotos mostram as empresas que atuam na linha 790 Cascadura / Campo Grande, Andorinha (E) e Oriental, ambas com área de atuação na Zona Oeste carioca. Fotos extraídas dos sites Ônibus do Rio e Cia. de Ônibus.

A falta de imaginação dos burocratas do transporte coletivo, a partir dos anos 90, faz das suas trapalhadas. Temerosos em criar novas linhas de ônibus, ora incham o sistema criando "n" variantes de uma mesma linha - que, na prática, aumenta muito mais o número de linhas atuantes do que a criação regular e adequada de novas linhas (só a linha 175 Central / Alvorada, da Amigos Unidos, tem cerca de seis (!) variantes) - , ora racham uma mesma linha para duas ou mais empresas. Em ambos os casos, os passageiros são enganados e confundidos, e ainda são seduzidos por falsos argumentos de "praticidade", "eficácia" e "melhor operatividade". Tudo para tapear a falta de imaginação desses burocratas, muitas vezes chefiados por funcionários carreiristas, ligados a grupos políticos e empresariais influentes mas dotados de completa incompetência administrativa.

Um grande exemplo da falta de imaginação dos pragmáticos "especialistas" em transporte coletivo no país está na linha 790 Cascadura / Campo Grande, no Rio de Janeiro. Sendo muito pouco para atender à demanda de Campo Grande, Zona Oeste carioca, à região de Cascadura - a outra linha é a 689 Méier / Campo Grande, da Ocidental - , a 790 tem até um itinerário interessante, passando por Rocha Miranda e Mendanha, via Av. Brasil. Mas ela apenas é uma variação que não é suficiente para diversificar a ligação dos dois bairros. E mostra o quanto a falta de coragem e de sensatez dos burocratas do transporte resulta na total falta de criatividade do sistema de ônibus carioca, que ameaçou voltar, pejorativamente, aos Anos Dourados, com o projeto Rio Bus da COPPE/UFRJ: voltaria ao tempo dos poucos ônibus nas ruas, superlotados, com poucas linhas e mais automóveis, causando grandes congestionamentos. Se vivo estivesse, o cartunista Carlos Estevão (1921-1972), do Dr. Macarra e da série As Aparências Enganam da revista O Cruzeiro, iria tirar um bom sarro do "maravilhoso" Rio Bus e de seus "maravilhados" responsáveis. Estevão já fez muitas charges sobre o caos no trânsito carioca, entre o fim dos anos 50 e o início dos 60.

Felizmente o Rio Bus foi engavetado, embora seus envaidecidos autores reclamem a não implantação de um projeto tão "genial". Mas a falta de criatividade da gerência do transporte coletivo continua, causando sérios equívocos. Como explicar a falta de linhas regulares ligando a região de Madureira a Copacabana? E a Ilha do Governador não tem linha para Copacabana. Pavuna, ao menos, pode ir para a Zona Sul de metrô. E além disso há a praga do pool, medida salomônica de resolver disputas empresariais em torno de um ramal de linha de ônibus.

E um típico exemplar dessa medida salomônica, a 790 Cascadura / Campo Grande, dividida entre a Andorinha e a Oriental, é ainda por cima "disfarçado" no registro de linhas da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) do Rio de Janeiro em "duas linhas": 790A e 790B.

A MELHOR SOLUÇÃO: CRIAR OUTRA(S) LINHA(S)

A solução mais adequada para o caso seria criar uma ou mais linhas diversificando o ramal Cascadura-Campo Grande e dispensando a medida absurda de rachar uma mesma linha para mais de uma empresa. A 790 poderia muito bem ser somente da Oriental, pois a Andorinha deveria se reservar às linhas de Bangu. A 391 Tiradentes / Padre Miguel e 684 Méier / Padre Miguel são da Andorinha e passam pelo bairro de Cascadura, também servido pela empresa através de outras linhas.

Aqui vão as preciosas sugestões, com os códigos numéricos propostos:

791 Cascadura / Campo Grande (via Edgar Romero / Av. Maria Estrela)
792 Cascadura / Inhoaíba (via Vila Kennedy)
804 Corcundinha / Cascadura (via Av. Brasil / Colégio)

Nada mais prático. Acabar com o pool no sistema de ônibus é uma decisão inteligente, sensata, embora desprovida das "pretensas novidades" surgidas nos esquizofrênicos anos 90, que trouxeram tantos absurdos para a vida humana sob o pretexto da "novidade" e da "mudança".

1