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"NOVIDADE" DE ÔNIBUS DE SALVADOR NÃO PASSOU DE MENTIRA

Festival de mentiras envolve datas equivocadas, carros inexistentes e renovação de frota que na verdade se destinou a fretamento de prefeitura no interior baiano


Desenho que mostra o tipo de ônibus destinado ao fretamento da Prefeitura de Candeias, cidade do Recôncavo Baiano.

Que mentira, que lorota boa. Uma das notícias relacionadas aos ônibus de Salvador não passou de um festival de mentiras. Pior de tudo é que seus divulgadores tiveram a cara-de-pau de mandar a nota para o Railbuss, que publicou a notícia na boa fé. A dita "novidade" envolveu não apenas a compra anunciada de 50 carros que não existiram (senão dois) e a celebração equivocada de aniversário de empresas.

Mais grave ainda: as empresas envolvidas são as problemáticas Central, Ondina e ODM, cujo desempenho é muito pior do que a desativada Viação Santa Izabel, de São Gonçalo (RJ), cassada pelo DETRO com defeitos sérios, mas menos graves que as empresas baianas, que mantém frotas com maioria de carros velhos e com bancos duros, obviamente desconfortáveis e inseguros, pois muitos desses bancos são escorregadios. Além disso, a semelhança visual das três empresas baianas, que apostam no monótono fundo branco com logotipo minúsculo e pára-choques e rodas verde-oliva, faz os passageiros se confundirem e pegarem o ônibus errado, gastando mais passagens e se atrasando nos compromissos.

Segue a absurda nota, publicada no Jornal de Mídia:

"Salvador: Empresas completam 50 anos com ônibus novos
14 de Setembro de 2007

As empresas de ônibus Ondina e Central colocaram na quinta-feira (dia 6/09) em circulação mais 50 ônibus novos. A renovação da frota faz parte das comemorações de 50 anos de existência das empresas que contou com a presença do prefeito João Henrique. Na oportunidade, os 1.400 funcionários ganharam uma academia de ginástica, equipada com modernos aparelhos e duas televisões de plasma de 42 polegadas, além de infocentro e biblioteca.

A iniciativa é inédita no setor de transportes urbanos de Salvador, como informou o empresário Marcelo Santana, para quem seus colaboradores também foram beneficiados com uma clínica odontológica instalada na garagem da empresa.

A solenidade aconteceu na Avenida Aliomar Baleeiro, no Jardim Cajazeira, ao lado da Clínica São Bernardo, próximo à Brasilgás, e serviu ainda para a apresentação da Central de Reciclagem de Água, através da qual toda água utilizada na lavagem dos veículos tem índice de reaproveitamento de 84%. Missa, coral de idosos e apresentação de capoeira marcaram a festa prestigiada por funcionários e familiares.

O Centro Sócio Esportivo e Cultural, onde está a academia de ginástica, ganhou o nome de Benjamim Nuñez Fernandez, fundador do grupo empresarial. Já a biblioteca e o infocentro receberam o nome de Lina Margarete Specht Nuñez, esposa do fundador.

Fonte: Jornal da Mídia (BA) (informações da prefeitura de Salvador)"

Não há como deixar de apontar os erros correspondentes. Vamos por partes:

1) Do contrário do anunciado, os "50 carros novos" da Ondina e Central não existiram. Ao invés disso, foram apenas dois carros novos para o fretamento da Prefeitura de Candeias, município do Recôncavo Baiano (interior da Bahia), cujo prefeito deve ter algum "rolé" político com os donos da Ondina/Central/ODM.

2) A Ondina e a Central não têm sequer metade dos 50 anos de existência atribuídos pelo texto. A Ondina surgiu em 1991, da extinção da Vibemsa, que gerou outras empresas (BTU, Rio Vermelho, Verdemar). A Central, por sua vez, surgiu de uma partilha da Ondina em 1999. A ODM surgiu em 2006.

3) Nem a Vibemsa comemora 50 anos de existência. A empresa, Viação Beira Mar S/A, apareceu em Salvador no ano de 1963, portanto, há 44 anos (estamos em 2007).

Essa mentira toda acaba prejudicando os usuários de ônibus de capital baiana e acaba afetando a já baixíssima reputação de Salvador no mercado de ônibus brasileiros e no sistema de transporte coletivo em geral. Sabe-se que a capital baiana está praticamente marginalizada pelos portais e sites sobre ônibus feitos no Brasil, e os únicos que se lembram do transporte coletivo de Salvador são feitos por baianos.

Salvo um ou outro momento, Salvador está fora dos grandes noticiários sobre ônibus no Brasil. Seu sistema contém vícios terríveis: cobradores que não sentam em seus lugares, ônibus que erram na exibição dos números de linhas, poucas empresas de ônibus, frota antiga, ônibus que enguiçam com muita freqüência, linhas em pool e as demagógicas "frotas reguladoras" que só interessam aos empresários, bancos duros que machucam as colunas e são até escorregadios, visual praticamente igual das empresas, num irritante branco "quebrado" apenas por um para-choque pintado.

Enfim, para dizer os erros do sistema de ônibus soteropolitano com mais detalhes, só escrevendo um livro, e certamente essa mentira da Prefeitura de Salvador - que pode ser mais um arranhão na carreira do prefeito João Henrique, que pode ver distantes suas chances de reeleição - se somará como mais um capítulo dessa história infeliz que envergonha os passageiros e busófilos do país.
 

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