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Rio de Janeiro |
ACIDENTES INDICAM PÉSSIMA QUALIDADE DOS
ÔNIBUS DE SALVADOR Além disso, os desastres, que provocaram algumas mortes, comprovam que sistema de transporte coletivo na capital baiana já sofre colapso Num dia, batida de dois ônibus causa três mortos e vários feridos, na Av. Paralela (que liga o Aeroporto de Salvador ao Iguatemi). Noutro dia, outra batida envolvendo dois ônibus, no Castelo Branco (subúrbio da capital baiana) causa uma morte e outros feridos. Um ônibus chega a perder duas rodas que se soltam do veículo durante o percurso, no Vale do Nazaré, mas não deixa vítimas. Vários ônibus simplesmente pifam nas ruas da cidade, deixando os passageiros perder minutos preciosos a espera de outro ônibus que faça o mesmo percurso desejado. A frota de Salvador é velha, de cerca de dez anos de vida útil. A frota soteropolitana, toda vez que a cidade fica com poucas empresas de ônibus, que se sobrecarregam em linhas mal-distribuídas entre bairros - a empresa Praia Grande, do subúrbio ferroviário, por exemplo, tem uma linha em Cosme de Farias, a cerca de 40 minutos de sua segunda garagem, no Caminho de Areia, e a pouco mais de uma hora de sua garagem principal, no Alto de Coutos - e que, pasmem, a própria Prefeitura de Salvador, não se sabe por quê (mas isso vem desde a gestão de Antônio Imbassahy), determina limites para a quantidade de ônibus a circularem em cada linha. Dessa forma, o colapso já é feito de propósito. As empresas geralmente contam com uma média de 150 carros para 30 linhas, demorando para renovar a frota, que se envelhece rapidamente por causa da falta de veículos autenticamente de reserva nas garagens. Praticamente tudo o que as empresas possuem de ônibus roda na cidade em horários de pico. O nome "Veículo Reserva" se limita a ser apenas um carimbo para ônibus antigos que estejam destinados à venda, na maioria das vezes para ferros-velhos, a preço baixo, devido ao péssimo estado. As linhas possuem baixa quantidade de carros. Uma das piores delas, a 0919 Stiep/Vale dos Rios - Lapa, da empresa Verdemar, opera com apenas cinco carros de micro-ônibus, que ficam superlotados em horários de pico. Muito mal-servida, a linha 0919 chega a render até uma hora e meia de espera por um ônibus na Estação da Lapa (centro de Salvador) depois do final do expediente de trabalho na cidade. A fila chega a se confundir com a da linha 1044 Alto do Coqueirinho - Lapa, que fica um ponto atrás, de tão grande que fica. Enquanto isso, os arrogantes defensores do sistema de pool vibram com a inclusão de um carro da Verdemar na linha 1348 Canabrava - Lapa, quase toda servida pela empresa Central. Aliás, o próprio sistema de pool é um vilão decisivo no sistema. A empresa União, que serve mal três linhas para o bairro da Caixa d'Água, é a mesma que interfere em quatro linhas de pool: 0311 Capelinha - Nazaré, 0342 Rodoviária Circular A, 0344 Rodoviária Circular B e 0720 Vale das Pedrinhas / Vila Rui Barbosa. Destas, só a 0311 é de mérito para a União, por estar próxima de sua área de atuação (a Capelinha de São Caetano não fica muito longe do IAPI, área base da empresa). No sistema de pool, a empresa quase sempre sacrifica suas linhas em prol daquelas que "compartilha" operação com outras empresas. A Ondina aprontou das suas, nos anos 90. Hoje, seu alter-ego, a Central, fatura com a parasitagem da linha 1320 Nordeste / Pau da Lima, tentando fazer bonito não só nesta linha como nas linhas alienígenas (que não correspondem à sua área de atuação), como as de Mata Escura, Tancredo Neves e Pau da Lima, que a empresa teve que arranjar garagem às pressas (pegou a garagem da antiga Lapa, por sua vez herdada da TSS, no Jardim Cajazeiras) para "justificar" a invasão, motivada menos pela falência da Lapa e mais pela pressão das "filhas da Vibemsa" (BTU, Central, Ondina, Rio Vermelho e Verdemar) em explorar os corredores do Cabula (avenidas Luís Eduardo Magalhães e Silveira Martins). Na falta de uma linha nova (com a única exceção da 1055 Estação Mussurunga / Ribeira, da Ondina, além da 1020 Bairro da Paz / São Joaquim, da Rio Vermelho), as empresas abocanharam boa parte das linhas do Cabula, servindo muito mal e investindo em gigantescos comboios no desespero de roubar passageiros das empresas da área, como Vitral, Joevanza e São Cristóvão. A 1202 Tancredo Neves (Beiru) / Barroquinha, da BTU, chega a circular com três carros juntos. Quem perdeu eles espera mais tempo para pegar o próximo. Com isso, a renovação de frota se retarda, com tão poucas empresas assumindo um excedente de linhas. Os custos aumentam estratosfericamente porque as empresas assumem linhas distantes de sua área original de atuação. Os motoristas, pressionados em cumprir horário devido aos poucos carros das linhas, dirigem em alta velocidade e, nervosos pela rotina cansativa, chegam até a se irritar com os passageiros. A bagunça institucionada das linhas de ônibus - com o sistema de pool, acrescido das irritantes "frotas reguladoras" e da absurda pulverização das linhas, uma forma burra de romper com o monopólio de empresas em regiões de bairros - , por sua vez, só faz piorar o problema, mas até agora ninguém consegue entender os verdadeiros males da situação. A falta de visão verdadeiramente útil do sistema de ônibus, visão que não investe nas idéias sensacionalistas que deturpam e plagiam fórmulas banalizadas de Curitiba e São Paulo (que na prática só fazem um sistema de ônibus "bonitinho" para técnico inglês ver) , faz com que o serviço de transporte coletivo se torne péssimo. O ideal não é admitir a ruindade do serviço, mas aceitar idéias que, embora dispensem fórmulas sensacionais, possam servir à população de maneira mais eficaz. Sem pool, linhas "ponto um", nem na valorização exagerada de ônibus articulados ou pistas exclusivas de ônibus. |