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NÃO SE ESCOLHE EMPRESA PARA PEGAR ÔNIBUS

Falência do sistema de pool nos ônibus de todo o país irrita defensores, que, arrogantes, se tornam intolerantes na defesa de projetos ineficazes


Foto dos tanques chegando ao Rio de Janeiro, no famoso golpe militar de abril de 1964 (mas historicamente atribuído ao 31 de março): o que podem fazer interesses minoritários (no caso, e extrema-direita burguesa) quando derrotados pela opinião pública, pois, apesar da crise do governo João Goulart, o projeto de reformas sociais tinha ainda aceitação popular.

O sistema de pool nos ônibus brasileiros fracassou. Sem representar uma solução real e definitiva para o transporte coletivo, ele só prevalece em determinadas cidades devido a interesses político-empresariais, numa demonstração de pura demagogia, desrespeito ao interesse público mas exploração da fé pública, porque tais projetos, embora sejam de interesses particulares, são defendidos usando a máscara do "interesse público".

Essa história nós vimos antes. E não foi no âmbito do transporte coletivo, mas no projeto sócio-econômico do país. O Brasil, há muitos tempos, experimentava o desenvolvimento gradual através de projetos nacional-trabalhistas, expresso em muitas conquistas para os trabalhadores e em projetos de empresas estatais de grande porte, além de parcerias com o investimento estrangeiro que procuravam não ferir os interesses nacionais. O salário-mínimo era maior e garantia, se não um alto padrão de vida, pelo menos um poder aquisitivo melhor.

E o que fizeram as minorias? Defendendo seus interesses privados, sob o pretexto de "interesses democráticos", "liberdade de iniciativa e opinião" e "interesses nacionais" ou "do povo brasileiro", a burguesia "associada" (ligada aos interesses capitalistas estrangeiros) fizeram tudo para desmoralizar valores e projetos que realmente davam certo e, como o projeto nacional-trabalhista de Vargas. Por isso mesmo interesses minoritários que agiam a pretexto do "interesse público" investiram na sedução da opinião pública, que permitiu uma ditadura militar que em nada favoreceu de interesse público.

Há até um político que passou a defender radicalmente o sistema de pool. Não nos preocupemos em dizer seu nome. Não é covardia, mas porque não interessa aqui as pessoas, mas os procedimentos. Pode ser João, José ou Maria que o procedimento seria o mesmo. Sua intransigência em defender o pool se torna suspeita, e pude perceber em mensagens que ele dirigiu por e-mail.

Há três tipos de pessoas que defendem o sistema de pool. Os cidadãos comuns, que andam de ônibus e ingenuamente acreditam na salvação do sistema de pool porque, ao ir e vir do trabalho, encontram logo aquele comboio que ocorre na linha em pool devido à competição desleal das empresas envolvidas. Há os busófilos, que nunca andam de ônibus senão em eventuais passeios e preferem ver de fora o transporte coletivo, que acreditam na visão infantil de verem empresas de cores ou nomes diferentes operando um mesmo ramal. E há os representantes de empresários de ônibus para os quais interessa a defesa intransigente das linhas em pool porque é a partir daí que a(s) empresa(s) interessada(s) pode(m) inflar seu patrimônio de linhas e obter gordos empréstimos por fora do Estado.

Há muita politicagem nos últimos anos. A libertinagem empresarial do neoliberalismo cria aberrações como, vemos, no rádio, as chamadas "rádios AM+FM" (duas rádios operando como uma e faturando como duas: a Rádio Bandeirantes anabolizou sua fortuna desta forma), a óbvia "necessidade" dos parlamentares ganharem salários altíssimos e, nos ônibus, uma empresa pegar parte da linha de outra para parecer que tem mais linhas e enganar o Estado, quando solicita empréstimos (superfaturados) para comprar mais carros.

Aí ocorrem absurdos como as "frotas reguladoras" do transporte de Salvador, que não são mais do que imitação de transporte pirata feito por empresas "legais", ou então, no sistema de pool em geral, vermos empresas caprichando na frota para intervir nas linhas das outras, enquanto descuida da própria frota.

O grande problema nas pessoas intransigentes na defesa do pool é que esse fanatismo, típico de pessoas autoritárias, desmascara-as, pois para seus interesses pessoais usam como pretexto o "interesse público", a "cidadania" e quando não convencem, apelam para a violência psicológica do tipo "ruim com pool, pior sem ele". Com essa frase agressiva, pessoas assim admitem o fracasso, mas agem de forma chantagista, porque só interessa a tese delas, que lhes dá vaidade, projeção pessoal e atende a interesses tendenciosos de determinados grupos, em detrimento do interesse coletivo.

COMO SE DÁ A "ARMAÇÃO" DO POOL

O sistema de pool obedece ao princípio neoliberal da economia, que, sob o pretexto da "livre iniciativa", permite o crescimento de impérios empresariais, através da concentração econômica.

A defesa intransigente de determinados adeptos do sistema de pool mostra que tais pessoas nada têm a ver com o interesse público, pois tal radicalismo esconde interesses de poderosos por trás, e tais defensores de alguma forma ou de outra têm ligação direta ou indireta com os empresários interessados.

Sabemos que o poder privado depende do poder público para obter empréstimos, porque o patrimônio com que a empresa lida é muito caro, daí precisarem da ajuda governamental. Assim como a dupla transmissão "AM/FM" do rádio, citada acima, permite que cada dupla de emissoras envolvida se passe aos olhos do público como se fossem a mesma emissora em duas sintonias, mas para as autoridades da ANATEL essa dupla aparece como duas emissoras diferentes (elas têm registros diferentes), favorecendo assim a obtenção de empréstimos superfaturados, o envolvimento em linhas de pool, para cada empresa envolvida, faz inchar seu patrimônio, permitindo também a mesma politicagem dos empréstimos superfaturados.

Isso se dá porque pouco importa quantos carros a empresa tem, as linhas que serve criam um patrimônio anabolizado com as linhas em pool, e, no caso de cidades como Salvador, com qualquer linha de terminais que adotam o sistema de "frotas reguladoras", quando um terminal de ônibus está todo disponível para a intervenção informal de cada empresa envolvida.

Digamos que uma empresa de ônibus A tem 10 linhas regulares. Se ela intervém em pool em três linhas da empresa B, a empresa A tem então 13 linhas, mas a empresa B também é registrada com as mesmas três linhas de seu patrimônio.

Se o terminal T tem 45 linhas e a empresa A, com 10 linhas regulares e 3 em pool, passa a servir a "frota reguladora" deste terminal, no total a empresa passa a ter um patrimônio virtual de 58 linhas, aumentando o poder político de seu dono e o valor dos empréstimos "necessários" para "sustentar" a empresa.

NÃO SE ESCOLHE EMPRESA - O radicalismo dos defensores do pool, que falam num fictício "direito de escolha" do passageiro, como se empresa de ônibus fosse time de futebol para ter torcida especializada, caem na contradição. Eles falam como se o trânsito das ruas fosse organizado, previsível, bonitinho e que eles podem controlar o trânsito como um moleque manipula um jogo de fliperama. Falam como se o trânsito não tivesse jamais qualquer dos imprevistos que ocorrem todo dia e a qualquer momento.

Isso não existe. E ninguém pega a empresa de ônibus que escolhe. Pega o ônibus que vier primeiro. Na linha em pool, se o ônibus da empresa não-favorita chega diante do passageiro com um veículo velho, esse passageiro não vai correr metros adiante porque o seu ônibus favorito parou distante. Pensar assim é assinar atestado de idiota. O passageiro pega o ônibus que vier.

Sugerimos para os defensores radicais do sistema de pool para ficarem em casa brincando de carrinho, botando seus carros de cores diferentes para seguir o mesmo percurso, ao invés de investir em fórmulas sensacionalistas que só servem para suas vaidades e para os interesses de grupos poderosos aos quais se submetem.

Se os interesses públicos fossem mesmo levados em conta, os defensores cedariam diante do fracasso, que é o caso do decadente sistema de pool, ao invés da teimosia intransigente. Mas, como eles agem com radicalismo nas suas posições, há interesses escusos por trás. Como diz o ditado, onde há fumaça, há fogo.

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