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PRINCÍPIOS DE BAHÁ'U'LLÁH

 

MODO DE VIDA BAHÁ'Í

 

OUTROS TEXTOS

 


Os Onze Princípios do Ensinamento de Bahá'u'lláh:

A Busca da Verdade
A Unidade do Gênero Humano

A Religião deve ser a Causa do Amor e da Afeição
A Aceitação da Relação entre a Religião e a Ciência

A Abolição de Preconceitos
Equalização dos Meios de Existência

A igualdade dos Homens
Paz Universal

Não Interferência entre Religião e Política
Igualdade entre os Sexos
O Poder do Espírito Santo

 

Modo de Vida Bahá'í

Perfeição na Conduta

Conduta Individual e o Caminho de Deus

 

Outros Textos

A Revelação Divina

Palavras de Sabedoria
 


Princípios Bahá'ís

 A Busca da Verdade

Se um homem desejar ser bem sucedido na busca da verdade, deverá, em primeiro lugar, fechar os olhos a todas as superstições tradicionais do passado.
Os judeus têm superstições tradicionais, os budistas e os zoroastrianos não estão livres delas, nem os cristãos! Todas as religiões têm-se tornado igualmente apegadas à tradição e ao dogma.
Os adeptos de cada religião consideram a si próprios os únicos guardiões da verdade e as demais religiões um conjunto dos erros. Eles próprios estão com a razão, os outros estão errados! Os judeus acreditam que são os únicos possuidores da verdade e condenam as demais religiões. Os cristãos afirmam que sua religião é a única verdadeira e que todas as outras são falsas. Do mesmo modo, os budistas e os maometanos; todos limitam-se a si próprios. Se todos condenam-se mutuamente, onde buscaremos a verdade? Contradizendo-se uns aos outros, não podem ser todos verdadeiros. Se cada qual acredita ser a sua religião a única verdadeira, cega os olhos para a verdade nas outras. Se, por exemplo, um judeu está restrito à prática externa da religião de Israel, não se permite perceber que a verdade pode existir em qualquer outra religião; ela deve estar toda contida na sua própria!
Devemos, por conseguinte, desligar-nos das formas externas e práticas da religião. Devemos compreender que essas formas e práticas, conquanto belas, são apenas roupagens vestindo o coração zeloso e os membros vivos da Verdade Divina. Devemos abandonar os preconceitos da tradição se quisermos obter sucesso em encontrar a verdade que está na essência de todas as religiões. Se um zoroastriano acredita que o sol é Deus, como pode unir-se à outras religiões? Enquanto os idólatras acreditam nos seus vários ídolos, como podem compreender a unicidade de Deus?
É claro, portanto, que, a fim de fazermos qualquer progresso na busca da verdade, devemos renunciar à superstição. Se todos os pesquisadores seguissem este princípio, obteriam uma clara visão da verdade.
Se cinco pessoas reúnem-se para buscar a verdade, devem começar libertando-se de todas as suas próprias condições especiais e renunciando a todas as idéias preconcebidas. A fim de encontrarmos a verdade, devemos abandonar nossos preconceitos, nossas próprias pequenas noções triviais; é essencial termos mente aberta e receptiva. Se nosso cálice é cheio do eu, não há lugar nele para a água da vida. O fato de nos imaginarmos com a razão e os outros errados, é o maior de todos os obstáculos no caminho para a unidade; e a unidade é necessária se desejarmos alcançar a verdade, pois esta é una.
É imperativo, portanto, renunciarmos a todos os preconceitos e superstições particulares, se desejamos ardentemente encontrar a verdade. A não ser que em nossas mentes façamos distinção entre dogma, superstição e preconceito, de um lado, e verdade de outro, não podemos obter sucesso. Quando estamos procurando algo ardentemente, buscamo-lo por toda parte. Na busca da verdade, devemos trazer este princípio conosco.
A ciência deve ser aceita. Nenhuma verdade pode contestar outra verdade. A luz é boa, seja qual for a lâmpada que brilhe! A rosa é bela, qualquer que seja o jardim em que floresça! Uma estrela tem o mesmo resplendor, quer brilhe do Leste ou Oeste. Libertai-vos do preconceito; assim amareis o Sol da Verdade, seja qual for o ponto do horizonte em que se levante! Compreendereis que, se a Luz Divina da Verdade brilhou em Jesus Cristo, também brilhou em Maomé e em Buda. O pesquisador fervoroso chegará a esta verdade. Isso é o que significa a "Busca da Verdade".
Quer dizer também que devemos estar dispostos a livrar-nos de tudo quanto aprendemos, tudo quanto possamos embaraçar nossos passos no caminho da verdade; não devemos esquivar-nos de, se necessário, recomeçar nossa educação já terminada. Não devemos permitir que nosso amor por qualquer religião ou personalidade nos deixe cegos os olhos a ponto de acorrentar-nos à superstição! Quando estivermos livres de todos esses vínculos, pesquisando com mente aberta, poderemos atingir nosso objetivo.
"Procurai a verdade, e a verdade vos fará livres". Assim vê-la-emos em todas as religiões, pois a verdade está em todas e é uma só!

'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 113)

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A Unidade do Gênero Humano

Ontem falei sobre o primeiro princípio do Ensinamento de Bahá'u'lláh, "A Busca da Verdade", mostrando ser necessário o homem afastar toda espécie de superstição e toda a tradição que possam fechar-lhe os olhos à existência da verdade em todas as religiões. Embora amando e sendo fiel a uma forma de religião, não deve permitir-se detestar todas as outras. É essencial que busque a verdade em todas as religiões, no que seguramente será bem sucedido se empenhar-se com o máximo fervor. Agora, a primeira descoberta que fizermos em nossa "Busca da Verdade" nos levará ao segundo princípio, que é a "Unidade da Raça Humana". Todos os homens são servidores do Deus Único. Um só Deus reina sobre todas as nações do mundo e tem prazer em todos os Seus filhos. Todos os homens são de uma só família; a coroa da humanidade repousa sobre a cabeça de cada um dos seres humanos.
Aos olhos do Criador, todos os Seus filhos são iguais; Sua bondade jorra sobre todos. Ele não favorece esta nem aquela nação; todas são igualmente Suas criaturas. Assim sendo, por que fazemos divisões, separando uma raça da outra? Por que criarmos barreiras de superstição e tradição, fomentando discórdia e ódio entre as pessoas?
A única diferença entre os membros da família humana é a de grau. Alguns são semelhantes a crianças, que carecem de instrução e devem ser reeducadas até chegarem à maturidade. Outros são semelhantes aos doentes e devem ser tratados com ternura e cuidado. Nenhum deles é mau ou perverso! Não devemos rejeitar essas pobres crianças.
Devemos tratar todos com grande bondade, ensinando os ignorantes e cuidando ternamente dos enfermos.
Considerai: a Unidade é necessária à existência e o Amor é a própria causa da vida; por outro lado, a separação traz a morte. No mundo da criação material, por exemplo, todas as coisas devem sua vida real à unidade. Os elementos que compõem a madeira, o mineral ou a pedra mantêm-se unidos pela lei da atração. Se essa lei perdesse seu efeito por um momento, a unidade desapareceria, os elementos separar-se-iam e o objeto deixaria de existir nessa forma particular. A lei da atração reuniu certos elementos na forma desta bela flor, mas quando essa força cessar, a flor decompor-se-á e, como flor, deixará de existir.
Assim é com o grande corpo da humanidade. A admirável Lei da Atração, Harmonia e Unidade mantém unida essa maravilhosa Criação.
Assim sucede com o todo e com as partes; seja uma flor ou um corpo humano, quando o princípio de atração é retirado, a flor, ou o homem, morre. É claro, conseqüentemente, que a atração, a harmonia, a unidade e o Amor são a causa da vida, ao passo que a repulsão, a discórdia, o ódio e a separação trazem a morte!
Vimos que tudo quanto traz divisão ao mundo da existência causa a morte. Semelhantemente, no mundo do espírito a mesma lei se aplica.
Portanto, cada um dos servos de Deus Único deve ser obediente à lei do amor, evitando todo ódio, toda a discórdia e toda a luta. Quando observamos a natureza, verificamos que os mais dóceis animais reúnem-se em bandos e manadas, ao passo que as criaturas ferozes e selvagens, tais como o leão, o tigre e o lobo vivem nas selvas, apartados da civilização. Dois lobos ou dois leões podem conviver amigavelmente; mas mil cordeiros podem partilhar o mesmo aprisco e um vasto número de veados podem formar um rebanho. Duas águias podem habitar o mesmo sítio, mas mil pombas podem reunir-se numa só habitação.
O homem deve, pelo menos, ser incluído entre os mais dóceis animais; mas quando enfurecido, é mais cruel e malévolo que o mais selvagem de todos os animais da criação!
Agora Bahá'u'lláh proclamou a "Unidade do Mundo da Raça Humana". Todos os povos e nações são da mesma família, filhos de um só Pai e devem ser, uns para com os outros, como irmãos e irmãs! Espero que, durante vossas vidas, diligencieis manifestar e propagar este ensinamento.
Bahá'u'lláh disse que devemos amar até nossos inimigos e ser para com eles como amigos. Se todos os homens observarem este princípio, a maior unidade e compreensão serão estabelecidas nos corações da humanidade.

'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 116)
 

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A Religião deve ser a Causa do Amor e da Afeição

A religião deve unir os corações e fazer com que as guerras e disputas desapareçam da face da terra, dar origem à espiritualidade e trazer vida e luz a cada coração. Se a religião torna-se causa de aversão, ódio e divisão, melhor seria deixá-la, e retirar-se de tal religião constituiria ato verdadeiramente religioso. Pois é claro que o propósito de um remédio é curar; mas se o remédio agrava a doença, é melhor deixá-lo de lado. Qualquer religião que não seja fonte do amor e da unidade, não é verdadeira religião. Todos os santos profetas foram como médicos para a alma; deram prescrições para a cura da humanidade; assim qualquer remédio que cause doença não provém do grande e supremo Médico.

'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 108)

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A Aceitação da Relação entre a Religião e a Ciência

Já vos falei a respeito dos seguintes princípio de Bahá'u'lláh: A Busca da Verdade e A Unidade da Raça Humana. Explanarei agora o Quarto Princípio, que é A Aceitação da Relação entre a Religião e ao Ciência.
Nenhuma contradição há entre verdadeira religião e ciência. Quando uma religião se opõe à ciência, torna-se mera superstição: o que é contrário ao conhecimento é ignorância.
Como pode o homem acreditar em algo que a ciência provou ser impossível? Acreditar, a despeito da razão, é antes superstição ignorante do que fé. Os verdadeiros princípios de todas as religiões estão em conformidade com os ensinamentos da ciência.
A Unidade de Deus é lógica, e esta idéia não é antagônica às conclusões obtidas pelo estudo científico.
Todas as religiões ensinam que devemos fazer o bem, que devemos ser generosos, sinceros, verazes, cumpridores da lei e fiéis; tudo isso é razoável e logicamente o único caminho pelo qual a humanidade pode progredir.
Todas as leis religiosas conformam com a razão e são adequadas ao povo para o qual são planejadas e para a época em que devem ser obedecidas.
A Religião tem duas partes principais:

1. A Espiritual;
2. A Prática.

A parte espiritual é imutável. Todos os Manifestantes de Deus e Seus Profetas têm ensinado as mesmas verdades e indicado a mesma lei espiritual. Todos eles ensinam um código único de moralidade. Não há divisão na verdade. O Sol tem lançado muitos raios para iluminar a inteligência humana, mas a luz é sempre a mesma.
A parte prática da religião trata das formas exteriores e das cerimônias, e de métodos de punição para certas ofensas. Este é o lado material da lei e orienta os usos e costumes do povo.
No tempo de Moisés havia dez crimes puníveis com a morte. Quando Cristo veio, isto foi mudado; o velho axioma "olho por olho, dente por dente" foi convertido em "Amai vossos inimigos, fazei o bem àqueles que vos odeiam", sendo assim transformada a antiga lei austera na lei do amor, misericórdia e tolerância!
Antigamente, o castigo para o furto era decepar a mão direita; em nosso tempo, esta lei não poderia ser aplicada. Nesta época, a um homem que amaldiçoa seu pai é permitido viver, quando antigamente, teria sido imposta a pena de morte. É, pois, evidente que, enquanto a lei espiritual nunca se altera, as regras práticas devem ser aplicadas segundo as necessidades do tempo. O aspecto espiritual da religião é o maior, o mais importante dos dois e o mesmo para todos os tempos, nunca muda! É o mesmo, ontem, hoje e para sempre. "Como era no princípio, é agora e sempre será."
Ora, todas as questões de moralidade contidas na imutável lei espiritual de todas as religiões são logicamente exatas. Se a religião fosse contrária à razão lógica, então deixaria de ser religião para ser simplesmente tradição. Religião e ciência são duas asas sobre as quais a inteligência do homem pode pairar nas alturas, com as quais a alma humana pode progredir. Não é possível voar com uma asa apenas! Se um homem tentasse voar unicamente com a asa da religião, cairia imediatamente no pântano da superstição, enquanto, por outro lado, somente com a asa da ciência, também nenhum progresso faria, antes se afundaria no lodaçal desesperador do materialismo. Todas as religiões dos dias presentes têm descido a práticas supersticiosas, em desarmonia igualmente com os verdadeiros princípios do ensinamento que representam e com as descobertas científicas do tempo. Muitos líderes religiosos chegam a pensar que a importância da religião repousa principalmente no apego à acumulação de certos dogmas e na prática de ritos e cerimônias! Aqueles cujas almas apregoam curar são ensinados a crer do mesmo modo e apegam-se tenazmente às formas exteriores, confundindo-as com a verdade intrínseca.
Ora, tais formas e rituais diferem nas várias igrejas e entre diferentes seitas, e mesmo se contradizem umas às outras, levantando a discórdia, o ódio e a desunião. O resultado de toda essa dissensão é a crença de muitos homens cultos de que religião e ciência são termos contraditórios, de que a religião não necessita de nenhum poder de reflexão, de modo algum devendo ser regulada pela ciência, e de que elas, necessariamente, devem ser opostas uma à outra. O efeito lamentável disto é que a ciência afastou-se da religião, a religião tornou-se mera simulação e, mais ou menos, apática seqüência dos preceitos de certos instrutores religiosos que insistem na aceitação de seus próprios dogmas favoritos, mesmo que contrários à ciência. Isto é insensatez, pois é perfeitamente evidente que a ciência é luz e, assim sendo, religião, verdadeiramente assim chamada não se opõe ao conhecimento.
As frases "Luz e Trevas" e "Religião e Ciência" nos são familiares. Mas a religião que não caminha de mãos dadas com a ciência está, ela própria, nas trevas da superstição e da ignorância.
Grande parte da discórdia e da desunião do mundo é criada por tais contradições e oposições fabricadas pelo homem. Se a religião estivesse em harmonia com a ciência e elas andassem juntas, isso eliminaria muito do ódio e da amargura que atualmente trazem desgraça à humanidade.
Considerai o que distingue o homem entre as criaturas e faz dele um ser à parte. Não é seu poder de raciocínio, sua inteligência? Não fará ele uso destes no seu estudo da religião? Eu vos digo: pesai cuidadosamente na balança da razão e da ciência tudo quanto vos seja apresentado como religião. Se passar no teste, então rejeitai-o, pois é ignorância!
Olhai a vosso redor e vede como o mundo de hoje está afogado em superstição e formas exteriores!
Alguns adoram o produto de sua própria imaginação: fazem para si próprios um Deus imaginário e o adoram, enquanto que a imagem criada por suas mentes finitas não pode ser o Infinito e Poderoso Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis! Outros adoram o sol ou as árvores e também as pedras! Nos tempos passados, houve os que adoravam o mar, as nuvens e até a argila!
Hoje, os homens têm a tal ponto aumentado sua adoração e seu pego a formas e cerimônias exteriores, que disputam sobre este ponto do ritual ou sobre aquela prática particular, até que todos os lados são ouvidos argumentos enfadonhos e observa-se inquietação. Há indivíduos que têm intelecto fraco e seus poderes de raciocínio não se desenvolveram, mas a força e o poder da religião não devem ser postos em dúvida por causa da incapacidade de compreensão dessas pessoas.
Uma criancinha não pode compreender as leis que governam a natureza, mas isto é devido ao seu intelecto imaturo; quando crescer e for educada, também entenderá as verdades eternas. Uma criança não pode compreender que a terra gire em volta do sol, mas, quando sua inteligência acorda, o fato é claro e evidente para ela.
É impossível a religião ser contrária à ciência, ainda que certos intelectos sejam demasiado fracos ou imaturos para compreenderem a verdade.
Deus fez a religião e a ciência para serem a medida, por assim dizer, de nossa compreensão. Tomai cuidado para não negligenciares tão admirável poder. Pesai todas as coisas nessa balança.
Para aquele que tem o poder de compreensão, a religião é como um livro aberto, mas como é possível a um homem desprovido de razão e intelectualidade compreender a Realidade de Deus?
Colocai todas as vossas crenças em harmonia com a ciência; não pode haver oposição, pois a verdade é una. Quando a religião, despojada de suas superstições, tradições e dogmas ininteligíveis, demonstrar sua conformidade com a ciência, então haverá no mundo grande força purificadora e unificadora que varrerá todas a s guerras, desacordos, discórdia, porfias - e então a humanidade será unida no poder do Amor de Deus.

'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 119)

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A Abolição de Preconceitos

Todos os preconceitos, sejam de religião, raça, política ou nação, devem ser repudiados, pois têm causado a enfermidade do mundo. É grave doença que, se não for debelada, poderá levar à destruição todo o gênero humano. Todas as guerras ruinosas, com seu terrível derramamento de sangue e miséria, têm sido geradas por um ou outro desses preconceitos.
As guerras deploráveis, que prosseguem nestes dias, são provenientes do fanático ódio religioso de um povo contra outro ou dos preconceitos de raça ou de cor.
Até que sejam arrasadas essas barreiras erigidas pelo preconceito não é possível que a humanidade esteja em paz. Por esta razão, disse Bahá'u'lláh: "Estes preconceitos destroem o gênero humano."
Em primeiro lugar, contemplai o preconceito de religião: considerai as nações de povos religiosos assim determinados; se fossem verdadeiramente adoradores de Deus deveriam obedecer à Sua lei, que os proíbe matarem-se uns aos outros.
Se os sacerdotes da religião adorassem o Deus do amor e servissem à Luz Divina, ensinariam seu povo a guardar o principal Mandamento: "Estar em amor e caridade com todos os homens." Mas encontramos o contrário, pois freqüentemente são os sacerdotes que encorajam as nações e guerrearam entre si. O ódio religioso é sempre o mais cruel de todos!
Todas as religiões ensinam que devemos amar-nos, uns aos outros; que devemos reconhecer nossos próprios defeitos antes de pretendermos condenar as faltas do próximo; que não devemos considerar-nos superiores aos nossos semelhantes! Devemos ter cuidado de não nos exaltar para não sermos humilhados.
Quem somos nós para julgar? Como saberemos nós, quem é, à vista de Deus, o mais justo dos homens? Os pensamentos de Deus não são semelhantes aos nossos! Quantos homens que a seus amigos pareciam santos não caíram na maior das humilhações? Vede Judas Iscariotes: começou bem, mas lembrai-vos do seu fim! Por outro lado, Paulo, Apóstolo, tinha sido inimigo de Cristo, ao passo que mais tarde tornou-se o mais fiel de Seus servos. Como, então, podemos lisonjear-nos e desprezar outros?
Sejamos, portanto, humildes, sem preconceitos, preferindo o bem do próximo ao nosso próprio! Nunca digamos "Eu sou crente mais ele é infiel", "Eu estou perto de Deus e ele é proscrito". Nunca poderemos saber qual será o julgamento final! Ajudemos, pois, todos os homens que necessitam de qualquer espécie de assistência!
Ensinemos o ignorante, cuidemos do jovem até que atinja a maturidade. Quando encontrarmos uma pessoa mergulhada nas profundezas da miséria ou do pecado, devemos ser bondosos, tomá-la pela mão, ajudá-la a recuperar seus passos, suas forças; deveremos guiá-la com amor e ternura, tratá-la como amiga e não como inimiga.
Não temos o direito algum de considerar qualquer dos nossos companheiros mortais, como miserável.
O preconceito de raça é uma ilusão, uma superstição pura e simples! Pois Deus nos fez todos de uma só raça. Nenhuma diferença houve no princípio, pois somos todos descendentes de Adão. No princípio também não houve limites de demarcações entre as diferentes terras; nenhuma parte da terra pertencia mais a um povo do que a outro. Aos olhos de Deus nenhuma diferença há entre as várias raças. Por que o homem inventaria tal preconceito? Como podemos apoiar a guerra provocada pela ilusão?
Deus não criou os homens para que se destruíssem mutuamente. Todas as raças, tribos, seitas e classes participam igualmente na Generosidade do Pai Celestial.
A única diferença repousa no grau de fidelidade, de obediência às leis de Deus. Existem alguns semelhantes a tochas acesas, e outros que brilham como estrelas no firmamento da humanidade. Os que amam o gênero humano são homens superiores, sejam de qualquer nação, credo ou cor. Pois é a esses que Deus dirá estas palavras abençoadas: "Bem fizestes, Meus bons e fiéis servos". Nesse dia, Ele não perguntará: "Sois inglês, francês ou persa, porventura? Vistes do Leste ou do Oeste?"
A única divisão verdadeira é esta: há homens do céu e homens da terra. Uns são da humanidade que se sacrificam pelo amor do Altíssimo, trazendo harmonia e unidade, ensinando paz e boa vontade aos homens; outros são os egoístas que odeiam seus irmãos e em cujos corações o preconceito tomou o lugar da bondade afetuosa e cujas influências geram a discórdia e desavença.
A que raça ou a que cor pertencem estas duas divisões de homens, à branca, à amarela, à preta, ao Leste ou ao Oeste, ao Norte ou ao Sul? Se essas duas são as divisões reconhecidas por Deus, por que inventarmos outras?
O preconceito político é igualmente danoso, é uma das maiores causas de desavença mais amarga entre os filhos dos homens. Há pessoas que encontram prazer em gerar a discórdia, que constantemente incitam seu país a declarar guerra a outras nações - e por que? Pensam nas vantagens de seus próprios países em detrimento dos demais. Enviam exércitos para arrasarem e destruírem a terra, a fim de tornarem-se famosos no mundo pela felicidade da conquista. Para que se diga: "Tal país derrotou outro e submeteu-o ao jugo do seu domínio mais forte e superior". Essa vitória, conseguida ao preço de muito derramamento de sangue, não é duradoura! O conquistador um dia será conquistado e os vencidos serão vitoriosos! Recordai-vos da história do passado: a França não conquistou a Alemanha mais de uma vez - e a nação alemã não venceu a França?
Aprendemos também que a França conquistou a Inglaterra; em seguida, a nação inglesa foi vitoriosa sobre a França!
Essas conquistas gloriosas são tão efêmeras! Por que lhes atribuir e à sua fama tão grande importância, a ponto de desejar derramar o sangue do povo para consegui-las? Vale alguma vitória a inevitável série de males resultantes do massacre humano, - a aflição, o sofrimento, e a ruína que devem oprimir tantos lares de ambas as nações? Pois não é possível que somente um dos países sofra.
Oh! Por que o homem, desobediente filho de Deus, que deveria ser exemplo do poder da lei espiritual, quer afastar sua face do Ensinamento Divino e empenhar-se na destruição e na guerra?
Minha esperança é que, neste século esclarecido, a Luz Divina do amor espalhará seu brilho sobre o mundo inteiro, encontrando resposta no íntimo da inteligência de cada um dos seres humanos; que a Luz do Sol da Verdade guiará os políticos a desfazerem-se de todas as pretensões de preconceito e de superstição e, com espíritos livres, seguirem a Política de Deus; pois a Política Divina é poderosa, enquanto que a do homem é fraca! Deus criou todo o mundo e confere Sua Divina Generosidade a todas as criaturas.
Não somos servos de Deus? Negligenciaremos seguir o Exemplo do Mestre e desprezarmos Seus Mandamentos?
Peço que o Reino venha à Terra e que toda a escuridão seja dissipada pelo resplendor do Sol Celestial.


'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 124)

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Meios de Existência

Um dos mais importantes princípios de Bahá'u'lláh é: O direito de todos os homens ao pão de cada dia, essencial à sua vida, ou a igualdade dos meios de subsistência.
As condições do povo devem ser arranjadas de tal modo que a pobreza desapareça, que todas as pessoas, tanto quanto possível, de acordo com sua classe e posição, participem no conforto e bem-estar.
Vemos entre nós homens excessivamente ricos, de um lado, e de outro, desafortunados entregues aos rigores da fome; aqueles que possuem vários palácios majestosos e os que não têm onde reclinarem a cabeça. Uns dispõem de numerosos serviços de alimentos caros e saborosos, enquanto outros raramente encontram suficientes côdeas para manterem-se vivos. Enquanto uns usam roupas de veludo, de peles e de linho fino, outros têm vestimentas pobres e rotas, insuficientes para protegê-los do frio.
Este estado de coisas é injusto e deve ser remediado. Porém, o remédio deve ser cuidadosamente administrado. Não deve ser aplicado no sentido da absoluta igualdade entre os homens.
A igualdade é uma quimera! É inteiramente impraticável! Mesmo que a igualdade pudesse ser atingida, não poderia continuar; e, se sua existência fosse possível, a ordem total do mundo seria destruída. A lei e ordem deve sempre prevalecer no mundo da humanidade. O Céu assim decretou na criação do homem.
Uns são cheios de inteligência, outros possuem inteligência vulgar e ainda outros são desprovidos de intelecto. Nessas três classes de indivíduos há ordem, mas não igualdade. Como seria possível que a sabedoria e a estupidez fossem iguais? A humanidade, semelhante a um grande exército, requer um general, capitães, suboficiais e soldados, cada qual com seus deveres determinados. A hierarquia é absolutamente necessária para assegurar uma organização bem ordenada. Um exército não pode ser composto unicamente de generais ou de capitães apenas, nem tão somente de soldados, sem alguém de autoridade. O resultado inevitável nessa hipótese seria a desordem e a desmoralização para o exército inteiro.
O rei Licurgo, o filósofo, fez um grande plano para estabelecer a igualdade entre seus súditos de Esparta; com sacrifício e sabedoria, começou a experiência. Então, convocou os súditos do reino e, sob solene juramento, fê-los prometerem manter a mesma ordem de governo, se ele deixasse o país, e nada alterar até seu retorno. Confiando neste juramento, deixou seu reino de Esparta e nunca mais voltou. Licurgo abandonou a situação, renunciando à sua alta posição julgando conseguir o bem permanente do seu país pela equalização da propriedade e das condições de vida em seu reino. Todo o sacrifício do rei foi em vão. Após certo tempo, tudo foi destruído; sua constituição cuidadosamente meditada chegou ao fim.
A inutilidade de tal esquema ficou demonstrada e a impossibilidade de atingir iguais condições de existência foi proclamada no antigo reino de Esparta. Em nossos dias, tentativa idêntica seria igualmente condenada ao fracasso.
Sendo alguns excessivamente ricos e outros lamentavelmente pobres, certamente é necessária uma organização para controlar e melhorar esse estado de coisas. É importante limitar a riqueza, como também é de importância limitar a pobreza. Nenhum extremo é bom. Situar-se no meio é o mais desejável! Se é razoável que um capitalista possua grande fortuna, é igualmente justo que o operário tenha suficientes meios de existência.
Um financista com riqueza colossal não deveria existir, enquanto perto dele há um homem pobre em extrema necessidade. Deixar-se a pobreza chegar ao estado de inanição é sinal certo de que em algum lugar encontra-se a tirania. Os homens devem agir nessa questão e não mais protelar a alteração das condições que trazem a desgraça da pobreza oprimente a vastíssimo número de pessoas. Os ricos devem dar parte de sua abundância, abrandar seus corações e cultivar uma inteligência compassiva, pensando naqueles seres tristes que sofrem por falta dos próprios meios de subsistência.
Deve haver leis especiais que tratem desses extremos de riqueza e pobreza. Os governantes, quando estão organizando planos para dirigirem seus povos, devem considerar as leis de Deus. Os direitos gerais da humanidade devem ser protegidos e preservados.
Os governos dos países devem conformar-se com a Lei Divina, que confere justiça igual a todos. Este é o único meio pelo qual podem ser abolidas a deplorável superabundância de grande riqueza e a miserável, desmoralizante e degradante pobreza. Até que isso seja feito, a Lei de Deus não será obedecida.


'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 128)

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A Igualdade dos Homens

As leis de Deus não são imposição de vontade, poder ou prazer, mas sim resoluções da verdade, da razão e da justiça.
Todos os homens são iguais perante a lei, a qual deve reinar absolutamente.
O propósito da punição não é a vingança, e sim, a prevenção do crime.
Os reis devem governar com sabedoria e justiça; o príncipe, o nobre e o camponês têm, do mesmo modo, direitos iguais a justo tratamento, nenhum favor devendo ser manifestado a indivíduos. Um juiz não deve ser "respeitador de pessoas" - deve, ao contrário, administrar a lei com estrita imparcialidade em cada caso que lhe é submetido.
Se uma pessoa cometer um crime contra vós, não tendes o direito de perdoá-la; a lei deve puni-la, a fim de prevenir a repetição do mesmo crime por outrem, pois o sofrimento do indivíduo é sem importância diante do bem-estar geral do povo.
Quando reinar perfeita justiça em cada país do mundo, tanto oriental quanto ocidental, então a terra tornar-se-á um lugar de beleza. A dignidade e a igualdade de todos os servos de Deus serão reconhecidas; o ideal da solidariedade da raça humana, da verdadeira fraternidade do homem, será realizado; e a gloriosa luz do Sol da Verdade iluminará as almas de todos os homens.

'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 131)

 

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Paz Universal

Um Supremo Tribunal será estabelecido pelos povos e governos de todas as nações, composto de membros eleitos de cada país e governo. Os componentes desse Grande Conselho reunir-se-ão em unidade. Todas as disputas de caráter internacional serão submetidas a essa Corte, cuja tarefa será conciliar por arbitragem tudo quanto, de algum modo, possa ser a causa de guerra. A missão desse Tribunal será prevenir a guerra.
Um dos grandes passos na direção da paz universal será o estabelecimento de um idioma universal. Bahá'u'lláh ordena que os servos da humanidade se reúnam e escolham uma língua que já existe ou criem uma nova. Isso foi revelado no Kitáb-i-Aqdas, há quarenta anos. Lá está mencionado que a questão da diversidade de idiomas é muito difícil. Há mais de oitocentos idiomas no mundo, e ninguém poderia conhecê-las todas.
As raças humanas não estão isoladas como antigamente. Ora, a fim de que se esteja em estreito relacionamento com todos os países, é necessário que se possa falar suas línguas.
Uma linguagem universal faria possível a intercomunicação com todas as nações. Assim, seria necessário conhecer apenas duas línguas, a materna e a universal. A última capacitaria o homem a conversar com qualquer pessoa do mundo!
Não seria exigível uma terceira linguagem. Como seria benéfico e repousante a todos poderem conversar com uma pessoa de outra raça e país, sem necessitarem de intérprete!
O Esperanto foi elaborado com essa finalidade; é uma bela invenção e uma esplêndida obra-prima, mas necessita ser aperfeiçoado. Como está, o Esperanto é muito difícil para certos povos.
Um Congresso internacional seria formado, consistindo de delegados de cada uma das nações do mundo, tanto do Oriente quando do Ocidente. Esse Congresso deveria compor uma linguagem que pudesse ser aprendida por todos, e o mundo inteiro colheria grandes benefícios.
Até que essa linguagem esteja em uso, o mundo continuará a sentir ampla necessidade desse meio de intercomunicação. A diferença de idioma é hoje uma das fontes mais férteis da antipatia e da suspeita existentes entre as nações, que permanecem isoladas pela inabilidade de compreenderem mutuamente suas linguagens, mas do que por qualquer outra razão.
Quanto mais difícil seria servir à humanidade, se todos os povos pudessem falar uma só língua!
Assim deveis apreciar o Esperanto, pois é o começo da realização de uma das mais importantes Leis de Bahá'u'lláh e deve continuar a ser melhorado e aperfeiçoado.


'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 132)

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Não Interferência entre Religião e Política

Na conduta da vida o homem é acionado por dois motivos principais: "A Esperança de Recompensa" e "O Medo de Castigo".
A essa esperança e esse medo, conseqüentemente, deve ser dada grande consideração pelas autoridades que têm importantes posições no governo. Sua atividade permanente é opinar em conjunto sobre o planejamento das leis e providenciar sua correta administração.
A tenda da ordem do mundo é erguida e segurada sobre dois pilares: "Recompensa" e "Punição".
Nos governos despóticos, dirigidos por homens sem fé Divina e nos quais não existe qualquer temor ao castigo espiritual, a execução da lei é tirania e injusta.
Nada há que mais concorre para prevenir a opressão do que estes dois sentimentos: esperança e temor. Ambos têm conseqüência espirituais de suas decisões e seguissem as normas da religião, "Ele seriam agentes divinos no mundo da ação, representantes de Deus entre aqueles que estão na terra, e defenderiam, pelo amor de Deus, os interesses de Seus servos, assim como cuidariam dos próprios." Se um governador compreende sua responsabilidade e teme afrontar a Lei Divina, seus julgamentos serão justos. Especialmente se acredita que as conseqüências de suas ações o acompanharão além de sua vida terrena e que "como semeia, assim deve colher", tal homem seguramente evitará a injustiça e a tirania.
Se, ao contrário, uma autoridade imagina que toda a responsabilidade por suas ações termina na vida terrena, nada conhecendo dos favores Divinos e de um reino espiritual de felicidade, nem acreditando neles, faltar-lhe-ão estímulo ao tratamento justo e inspiração para destruir a opressão e a iniqüidade.
Quando um governante sabe que seus julgamentos serão pesados na balança pelo Juiz Divino, que entrará no Reino Celestial se não for achado em falta e a luz da Graça Celestial brilhará sobre ele, então, certamente. Agirá com justiça e eqüidade. Vede como é importante que Ministros de Estado sejam esclarecidos pela religião!
Com questão políticas, entretanto, o clero nada tem a ver! Assuntos de religião não devem ser confundidos com assuntos políticos no presente estágio do mundo (pois seus interesses não são idênticos).
A religião diz respeito a assuntos do coração, do espírito e da moral.
A política trata das coisas materiais da vida. Os instrutores religiosos não devem invadir o campo da política; devem sempre dar bons conselhos aos homens, procurando servir a Deus e à espécie humana; devem esforçar-se por despertar a aspiração espiritual, ampliar a compreensão e o conhecimento da humanidade, melhorar os costumes e incrementar o amor pela justiça.
Isto está de acordo com o Ensinamento de Bahá'u'lláh. No Envangelio também está escrito: "Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".
Na Pérsia, entre os importantes Ministros de Estado, há alguns que são religiosos, de vida exemplar, que adoram a Deus e temem desobedecer às Suas Leis, decidem com justiça e governam seu povo com eqüidade. Há outros governantes nessa terra que não sentem temor algum a Deus, não pensam na conseqüência de seus atos e trabalham de acordo com seus próprios desejos, colocando a Pérsia em grande inquietação e dificuldade.
Ó amigo de Deus, sede exemplos vivos da justiça! A fim de que, pela Graça de Deus, o mundo inteiro veja em vossos atos manifestação dos atributos de justiça e misericórdia.
A justiça não é limitada, é uma qualidade universal. Deve ser praticada em todas as classes, das mais altas às mais baixas. A justiça deve ser sagrada e os direitos de todas as pessoas devem ser considerados. Desejai ao próximo somente aquilo que desejais a vós mesmos. Então, nos regozijaremos no Sol da Justiça que resplandece do Horizonte de Deus.
Cada homem tem sido colocado num posto de honra, o qual ele não deve abandonar. Uma injustiça cometida por humilde trabalhador é tão reprovável quanto a de um renomado tirano. Assim, pois, todos nós temos nossa escolha entre a justiça e a injustiça.
Espero que cada um de vós torne-se justo e dirija o pensamento para a unidade da raça humana; que nunca prejudique vosso próximo, nem fale mal de ninguém; que respeite os direitos de todos os homens e que seja mais preocupado com os interesses dos outros do que eu com os vossos. Assim, vos convertereis em tochas da Justiça Divina, agindo de acordo com o Ensinamento de Bahá'u'lláh, que, durante Sua vida, suportou inumeráveis provações e perseguições a fim de revelar ao mundo da humanidade as virtudes do Mundo da Divindade, fazendo possível perceberdes a supremacia do espírito e vos regozijardes na Justiça Divina.
Por Sua Misericórdia, a Generosidade Divina será espalhada sobre vós, e por isso eu peço!

'Abdu'l-Bahá

(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 133)

 

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Igualdade entre os Sexos

O Décimo Princípio do Ensinamento de Bahá'u'lláh é a igualdade entre os sexos.
Deus criou todas as criaturas em pares. O homem, o animal ou o vegetal, todos os seres destes três reinos são de dois sexos e absoluta igualdade há entre eles.
No mundo vegetal, há plantas fêmeas e machos; elas têm direitos iguais e possuem igual participação na beleza de suas espécies, embora a árvore que produz fruto realmente seja considerada superior às estéril.
No reino animal, vemos que macho e fêmea têm direitos iguais e que cada qual participa das vantagens de sua espécie.
Ora, nos dois reinos inferiores da natureza vemos que não há questão de superioridade de um sexo sobre o outro. No mundo da humanidade encontramos grande diferença; o sexo feminino é tratado como se fosse inferior e não lhe são permitidos privilégios e direitos iguais. Esta condição não é devida à natureza, mas sim à educação. Na Criação Divina não há tal distinção. À vista de Deus, nenhum sexo é superior ao outro. Por que, então, deve um sexo afirmar a inferioridade do outro, recusando privilégios e justos direitos, como se Deus tivesse concedido autoridade para tal linha de conduta? Se as mulheres recebessem os mesmos benefícios educacionais dos homens, o resultado demonstraria a igualdade de capacidade de ambos para a erudição.
Em certos aspectos, a mulher é superior ao homem. É mais afetuosa, mais receptiva, sua intuição é mais intensa.
Não se nega que, em vários sentidos, atualmente a mulher é mais atrasada do que o homem; também, que sua inferioridade temporária deve-se à falta de oportunidade de educação. Na necessidade da vida, a mulher tem maior poder instintivo do que o homem, pois é ela que ele deve sua própria existência.
Se a mãe é educada, então seus filhos serão bem instruídos. Quando a mãe é sábia, seus filhos serão conduzidos pelos caminhos da sabedoria. Se a mãe é religiosa, mostrará a seus filhos como devem amar a Deus. Se a mãe tem moral, guia seus pequeninos dentro dos caminhos da probidade.
É claro, portanto, que a futura geração depende das mães de hoje. Não é isso uma responsabilidade vital para a mulher? Não necessita ele de todas as possíveis vantagens a fim de preparar-se para essa tarefa?
Certamente, pois, não é do agrado de Deus que tão importante instrumento qual a mulher deva sofrer carência de treinamento para alcançar a perfeição desejável e necessária ao seu grande trabalho na vida! A Justiça Divina exige que sejam igualmente respeitados os direitos de ambos os sexos, desde que nenhum deles é superior ao outro, aos olhos do Céu. Na presença de Deus, a dignidade não depende de sexo, mais sim de pureza e luminosidade de coração. As virtudes humanas pertencem igualmente a todos!
A mulher deve então esforçar-se para atingir a maior perfeição, para ser igual ao homem em todos os aspectos, para progredir naquilo tudo em que esteve atrasada, de maneira que o homem seja compelido a reconhecer sua igualdade de capacidade e realização.
Na Europa, as mulher fizer maior progresso do que no Oriente, mas ainda há muito por fazer! Quando os estudantes chegam ao fim de seus cursos nas escolas, realiza-se um exame, e o resultado determina o conhecimento e a capacidade de cada um. Assim será com a mulher do Oriente, progridam rapidamente até que a humanidade atinja a perfeição.
A Graça de Deus é para todos e confere poder para todo o progresso. Quando os homens admitem a igualdade das mulher, elas não necessitarão lutar por seus direitos! Assim, pois, um dos princípios de Bahá'u'lláh é a igualdade entre os sexos.
As mulher devem envidar o maior dos esforços para adquirirem poder espiritual e crescerem na virtude da sabedoria e santidade, até que seu esclarecimento e diligência obtenham êxito em efetivar a unidade do gênero humano. Devem laborar com ardente entusiasmo para disseminarem o Ensinamento de Bahá'u'lláh entre os
povos, a fim de que a luz radiante da Generosidade Divina envolva as almas de todas as nações do mundo!

'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 136)

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O Poder do Espírito Santo

No Ensinamento de Bahá'u'lláh está escrito: "Somente o Poder do Espírito Santo torna o homem capaz de progredir, pois o poder do homem é limitado e o Poder Divino é infinito". O estudo da historia nos faz concluir que todos os homens verdadeiramente grandes, os benfeitores da raça humana, aqueles que impeliram o homem a mar o direito e odiar o errado, e que ocasionaram real progresso, têm sido, todos eles, inspirados pela força do Espírito Santo.
Os Profetas de Deus não foram todos graduados nas escolas da filosofia erudita; eram realmente, na maioria homens de nascimento humilde, aparentemente incultos, desconhecidos, sem nenhuma importância aos olhos do mundo; algumas vezes faltava-lhes até o conhecimento da leitura e da escrita.
O que ergueu esses grandes Seres acima dos demais homens, e diante o qual foram capazes de tornarem-Se Instrutores da verdade, foi o Poder do Espírito Santo. Sua influência sobre a humanidade, em virtude dessa poderosa inspiração, foi grande e penetrante.
A influência dos filósofos mais sábios, sem esse Espírito Divino, tem sido relativamente insignificante, embora extensiva sua cultura e profunda sua erudição.
Os intelectos incomuns, por exemplo, de Platão, Aristóteles, Plínio e Sócrates, não influenciaram os homens tão intensamente que almejassem sacrificar a vida pelo ensinamentos deles; ao passo que alguns daqueles homens simples tanto comoverem a humanidade que milhares de pessoas tornaram-se mártires voluntários em defesa de suas palavras; pois essas palavras foram inspiradas pelo Espírito de Deus! Os profetas de Judá e Israel - Elias, Jeremias, Isaías e Ezequiel - foram homens humildes e assim também os apóstolos de Jesus Cristo.
Pedro, o chefe dos apóstolos, costumava dividir o produto de sua pesca em sete partes e quando, havendo retirado uma porção para uso de cada dia, chegava à sétima parte, sabia que era o dia do Sábado. Considerai isto!, e então pensai em sua fatura posição; que glória atingiu, porque o Espírito Santo operou grandes obras através dele.
Compreendemos que o Espírito Santo é o fator energético na vida do homens. Quem quer que receba este poder é capacitado para influenciar todos aqueles com os quais entra em contato.
Os maiores filósofos, sem este Espírito, são impotentes, suas almas inanimadas, seus corações mortos! A não ser que o Espírito Santo sopre em suas almas, não podem operar boa obra. Nenhum sistema de filosofia tem sido capaz de mudar para melhor as maneiras e costumes de um povo. Filósofos Eruditos, não iluminados pelo Espírito Divino, freqüentemente têm sido homens de moralidade inferior; não têm proclamado em suas ações a realidade de suas belas frases.
A diferença entre os filósofos espirituais e os demais é demonstrada por suas vidas. O Instrutor Espiritual prova Sua crença em Seu próprio ensinamento, sendo Ele próprio o que recomenda aos outros.
Um humilde, sem instrução, mas cheio do Espírito Santo, é mais poderoso do que o homem de profunda erudição e da mais nobre origem, sem essas inspiração. Aquele que é educado pelo Espírito Divino pode conduzir os outros, em seu tempo, a receberem o mesmo Espírito.
Peço que cada um de vós instrua-se pela força do Espírito Divino, a fim de ser o meio de educar o próximo. A vida e a moral de um homem espiritual são, em si mesma, um ensinamento àqueles que o conhecem.
Não penseis em vossas próprias limitações, atentai unicamente ao beneficio que vem do Reino da Glória. Considerai a influencia de Jesus Cristo sobre Seus apóstolos e refleti, pois, no efeito que eles tiveram sobre o mundo. Esses homens simples foram capacitados, pelo poder do Espírito Santo, a propagar as boas novas!
Assim, possais todos vós receber a assistência Divina! Nenhuma capacidade é limitada quando o Espírito de Deus a guia.
A terra por si só não apresenta qualidades próprias de vida; á árida e seca, até que seja fertilizada pelo sol e pela chuva; todavia, a terra não necessita lamentar suas próprias limitações.
Que vos seja dada vida! Que a chuva da Misericórdia Divina e o calor do Sol da Verdade fertilizem vossos jardins, para que inúmeras flores de rara fragrância e amor cresçam em abundância. Afastai vossas faces da contemplação de vossas próprias personalidades finitas e fixas vossos olhos sobre o Resplendor Eterno; então, vossas almas receberão, na medida plena, o Poder Divino do Espírito e as Bênçãos da Generosidade Infinita.
Se assim vos mantiverdes preparados, transformar-vos-eis numa flama ardente para o mundo da humanidade, numa estrela guia e numa árvore frutífera, convertendo toda a escuridão e angustia em luz e felicidade através do fulgor do Sol da Misericórdia e das bênçãos infinitas das Boas Novas.
Este é o significado do poder do Espírito Santo, o qual peço seja derramado profundamente sobre vós.

'Abdu'l-Bahá

(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 139)

 

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Modo de Vida Bahá'í

 Perfeição na Conduta

Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio. Sê digno da confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar alegre a amável. Sê um tesouro para o pobre, um conselheiro para o rico; responde ao apelo do necessitado e preserva sagrada a tua promessa. Sê imparcial em teu juízo e cauteloso no que dizes. A ninguém trates com injustiça e mostra humildade a todos os homens. Sê como uma lâmpada para aqueles que andam nas trevas, sê causa de júbilo para o entristecido, um mar para o sequioso, um refúgio para o aflito, um apoio e defensor da vítima da opressão. Que a integridade e retidão distingam todos os teus atos. Sê um lar para o estranho, um bálsamo para quem sofre, uma torre de força para o fugitivo. Para o cego, deves tu ser olhos, e para os pés dos errantes, uma luz que guie. Sê um adorno para o semblante da verdade, uma coroa para a fronte da fidelidade, um pilar do templo da retidão, um alento de vida para o corpo da humanidade, uma insígnia das hostes da justiça, um luminar sobre o horizonte da virtude, um orvalho para o solo do coração humano, uma arca no oceano do conhecimento, um sol no céu da bondade, uma jóia no diadema da sabedoria, uma luz radiante no firmamento de tua geração, um fruto na árvore da humildade.

Bahá'u'lláh

OUTRO MODO DE VIDA BAHÁ'Í / PRINCÍPIOSOUTROS TEXTOS / TOPO

 


Conduta Individual e o Caminho de Deus

(...)
O Nome Supremo Me dá testemunho! Como seria triste se algum homem, neste Dia, segurasse o coração às coisas transitórias deste mundo. Levantai-vos e aderi firmemente à Causa de Deus. Sede muito amorosos uns para com outros. Inteiramente por amor ao Bem-Amado, consumi o véu do ego com a chama do Fogo imorredouro e, com face jubilosa e radiante de luz, associai-vos ao próximo. Observaste bem, em todos os seus aspectos, a conduta Daquele que é a Palavra da Verdade entre vós. Bem sabeis o quanto é difícil este Jovem permitir, ainda que seja por apenas uma noite - que o coração de qualquer um dos amados de Deus se entristeça por Sua causa.
O Verbo de Deus inflamou o coração do mundo; que lástima se deixardes de vos incendiar com sua chama! Queira Deus, venhais a considerar esta noite abençoada a noite da unidade, a fundir vossas almas e a resolver ataviar-vos com o ornamento de um caráter bom e louvável. Que seja vosso principal objetivo salvar do lodaçal da extinção iminente o caído, e ajudá-lo a abraçar a Fé antiga de Deus. Tal deve ser vossa conduta para com o próximo, que manifeste claramente os sinais de Deus Uno e Verdadeiro, pois sois os primeiros dentro os homens a ser recriados pelo Seu Espírito, os primeiros a adorar e ajoelhar-vos diante Dele, e os primeiros a circundar Seu trono de glória. Atesto por Aquele que Me fez revelar o que Lhe aprouvesse! Sois mais conhecidos aos habitantes do Reino nas alturas do que a vós próprios. Pensais que estas palavras sejam vazias e vãs? Oxalá tivésseis o poder de perceber as coisas vistas por vosso Senhor, o Todo-Misericordioso - coisas que evidenciam a excelência de vossa posição, dão testemunho da grandeza de vosso valor, e proclamam a sublimidade de vossa condição! Permita Deus que vossos desejos e vossas paixões desenfreadas não vos impeçam daquilo que vos foi ordenado.
É Nosso desejo e vontade que cada um de vós se torne uma fonte de toda bondade para os homens, um exemplo de retidão para a humanidade. Acautelai-vos para que não vos prefirais ao vosso próximo. Fixai vosso olhar Naquele que é o Templo de Deus entre os homens. Ele, em verdade, oferece a vida como resgate pela redenção do mundo. Ele, em verdade, é o Todo-Generoso, o Clemente, o Altíssimo. Se surgir entre vós alguma diferença, contemplai-me diante de vós, e perdoai as faltas uns dos outros em Meu Nome, e como sinal de vosso amor por Minha Causa, manifesta e esplendorosa. O que Nos apraz é ver que, em todos os tempos, vos associais, uns aos outros, em amizade e concórdia, dentro do Paraíso da Minha aprovação, e inalar de vossos atos a fragrância da cordialidade e união, da benevolência e fraternidade. Assim vos aconselha o Onisciente, o Fiel. Estaremos sempre convosco; se inalarmos o perfume da vossa amizade, Nosso coração haverá seguramente de se regozijar, pois nada senão isto Nos pode satisfazer. Disso dá testemunho todo homem de verdadeira compreensão.

Bahá'u'lláh
(A Revelação Bahá'í, pág. 70)

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Outros Textos

A Revelação Divina

Sabe tu com certeza que a luz da Revelação Divina, em cada Era, é concedida aos homens em proporção direta à sua capacidade espiritual. Consideremos o sol. Como são fracos seus raios no momento em que aparece sobre o horizonte. Quão gradativamente seu calor e sua potência aumentam à medida que se aproxima do zênite, facilitando entrementes, a todas as coisas, a adaptação à crescente intensidade de sua luz. Quão constantemente declina até alcançar o ponto de acaso. Fosse ele manifestar de súbito suas energias latentes, isso causaria dano, sem dúvida, a todas as coisas criadas... De igual modo, se o Sol da Verdade, nas fases iniciais de Sua manifestação, revelasse subitamente a plena medida das potências das quais a providência do Todo-Poderoso o dotou, a terra da compreensão humana definharia e seria consumida, pois os corações dos homens não poderiam suportar a intensidade de Sua revelação nem refletir o esplendor de Sua luz. Esmorecidos e acabrunhados, deixariam de existir.
(...)
Toda palavra procedente dos lábios de Deus é dotada de tal potência que infunde em todo ser humano uma vida nova - se sois dos que compreendem esta verdade. Todas as obras admiráveis que contemplais neste mundo manifestaram-se em virtude da operação de Sua Vontade suprema, excelsa, de Seu Desígnio maravilhoso e inflexível. Pela simples revelação da palavra "Formador", provindo de Seus lábios e proclamando à humanidade Seu atributo, é libertada a capacidade de gerar, durante sucessivas épocas, todas as múltiplas artes que as mãos do homem podem produzir. Isto, realmente, é uma verdade certa. Mal se pronuncia essa palavra resplandecente, quando suas energias, atuando dentro de todas as coisas criadas, dão origem aos meios e instrumentos para a produção e o aperfeiçoamento dessas artes. Todas as maravilhosas revelações que ora testemunhais são as conseqüências diretas da Revelação desse Nome. Nos dias vindouros vereis, realmente, coisas que nunca ouviste falar. Assim decretaram as Epístolas de Deus, e ninguém pode compreender isso, a não ser quem possua uma visão penetrante. Outrossim, logo que proceder dos Meus lábios a palavra que exprima Meu atributo "O Onisciente", todas as coisas criadas, segundo sua capacidade e suas limitações, serão investidas do poder de desenvolver o conhecimento das ciências mais admiráveis e, no devido tempo, por ordem Daquele que é o Todo-Poderoso, o Onisciente, poderão manifestá-las. Sabe tu, com plena certeza, que a revelação de qualquer outro Nome é acompanhada de igual manifestação do Poder Divino. Cada letra que procede dos lábios de Deus é, em verdade, uma letra-mãe, e toda palavra proferida por Aquele que é a Fonte da Revelação Divina é uma palavra-mãe, e Sua Epístola, uma Epístola-mãe. Bem-aventurados os que apreendem esta verdade.
Sabe tu com segurança: assim como crês firmemente ser sempiterna a Palavra de Deus - enaltecida seja Sua Glória - deves crer também, com fé inabalável, que jamais seu significado se esgotará. Os que são seus designados intérpretes, cujos corações guardam seus segredos, são os únicos, no entanto, capazes de compreender sua múltipla sabedoria. Quem, ao ler as Sagradas Escrituras, se sente impelido a escolher delas o que lhe convenha para desafiar a autoridade do Representante de Deus entre os homens, é, em verdade, como um morto, embora, aparentemente, ande e converse com os próximos e compartilhe no que comem e bebem.
Oxalá o mundo em Mim acreditasse! Se todas as coisas que jazem entesouradas dentro do coração de Bahá - e que o Senhor, Seus Deus, o Senhor de todos os nomes, Lhe ensinou - fossem desveladas diante da humanidade, todo homem na terra ficaria estupefato.
Como é grande a multidão de verdades que as vestes das palavras jamais poderão conter! Quão vasto o número de tais realidades como nenhuma expressão pode descrever adequadamente, cujo significado jamais se desdobrará e às quais não pode ser feita uma alusão sequer, nem a mais remota! E quão múltiplas as verdades que hão de permanecer inarticuladas até que venha o tempo marcado! Assim mesmo como foi dito: "Nem tudo o que um homem sabe pode ser revelado, nem se deve considerar oportuno tudo o que ele pode revelar, nem podem todos os dizeres oportunos ser julgados adaptáveis à capacidade daqueles que os ouçam."
Dentre essas verdades, algumas podem ser reveladas somente de acordo com a capacidade dos repositórios da luz de Nosso conhecimento e dos recipientes de Nossa graça oculta. Suplicamos a Deus que, através de Seu poder, Ele te fortaleça e te habilite a reconhecer Aquele que é a Fonte de todo o saber, para que te possas desprender de toda erudição humana, pois "de que proveito seria a um homem buscar erudição após haver já encontrado e reconhecido Aquele que é o Objeto de todo o saber?" Deves aderir à Raiz do Conhecimento e Aquele que é a Fonte deste, para que te possas achar independente de todos os que se dizem versados na erudição humana, mas cuja pretensão não é sustentada por provas claras, nem pelo testemunho de qualquer livro esclarecedor.

Bahá'u'lláh
(A Revelação Bahá'í, Seleções das Escrituras de Bahá'u'lláh, pág. 23)

OUTROS TEXTOS / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / PRINCÍPIOS / TOPO

 


Palavras de Sabedoria

A origem de todo o bem é a confiança em Deus, a submissão ao Seu mando, e o contentamento com Sua Santa Vontade e Seu Arbítrio.
A essência da sabedoria é o temor de Deus, o medo de Seu flagelo e a apreensão de Sua justiça e Seu decreto.
A essência da religião consiste em dar testemunho daquilo que o Senhor revelou e seguir o que Ele ordenou em Seu poderoso Livro.
A origem de toda a glória está em se aceitar qualquer coisa que o Senhor tenha concedido, e se contentar daquilo que Deus ordenou.
A essência do amor é que o homem volva o coração para o Bem-Amado, se desprenda de tudo exceto de Deus, e nada deseje salvo o que for o desejo de seu Senhor.
A verdadeira comemoração consiste em se mencionar o Senhor, Alvo de todo louvor, e se esquecer de tudo salvo Dele.
A verdadeira segurança é que o servo siga sua profissão ou vocação no mundo, se apóie no Senhor, nada busque senão Sua graça, desde que em Suas mãos está o destino de todos os Seus servos.
A essência do desprendimento é que o homem volva a face para as côrtes do Senhor, entre em Sua Presença, contemple Seu Semblante, e dê testemunho diante Dele.
A essência da compreensão é que o homem ateste sua pobreza e se submeta à Vontade do Senhor, o Soberano, o Benévolo, o Onipotente.
A origem da coragem e do poder está na promoção da Palavra de Deus e na constância em Seu amor.
A essência da caridade é que o servo relate as bênçãos de seu Senhor e Lhe dê graças em todos os tempos e sob todas as condições.
A essência da riqueza é o amor por Mim. Quem Me ama é o possuidor de todas as coisas, e aquele que não Me tem amor é realmente dos pobres e necessitados. Eis o que o Dedo da Glória e do Esplendor revelou...
A essência da fé está na escassez de palavras e na abundância de ações; a morte daquele cujas palavras excedem os atos, é melhor que sua vida.
A origem de todo o mal é que o homem se afaste de seu Senhor e prenda o coração às coisas ímpias.
O fogo mais ardente está em se duvidar dos sinais de Deus, disputar futilmente com aquilo que Ele revelou, negá-Lo e portar-se orgulhosamente diante Dele.
A origem de toda a erudição é o conhecimento de Deus - exaltada seja Sua Glória - e este não pode ser atingido a não ser através do conhecimento de Seu Manifestante Divino.
A essência do rebaixamento está em se apartar da sombra do Misericordioso e buscar o amparo do Ente Mau.
A origem do erro é a descrença em Deus Uno e Verdadeiro, a confiança em outra coisa senão Nele, e o afastamento de Seu Decreto.
O verdadeiro prejuízo é para aquele que passou seus dias em completa ignorância de seu próprio ser verdadeiro.
A essência de tudo o que Nós te temos revelado é a Justiça; é o que o homem se deve livrar das vãs fantasias e da imitação, discernir com os olhos da unidade Sua gloriosa obra, e averiguar todas as coisas com vista perscrutadora.
Assim Nós te instruímos, manifestando-te palavras de sabedoria, a fim de que sejas grato ao Senhor, teu Deus, e nisto te glories entre todos os povos.

Bahá'u'lláh
(A Revelação Bahá'í, pág. 124)

OUTROS TEXTOS / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / PRINCÍPIOS / TOPO

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