Os Onze Princípios do Ensinamento de Bahá'u'lláh:
A Busca da Verdade
A Unidade do Gênero Humano
A Religião deve ser a Causa do
Amor e da Afeição
A Aceitação da Relação entre a
Religião e a Ciência
A Abolição
de Preconceitos
Equalização dos Meios de Existência
A
igualdade dos Homens
Paz Universal
Não
Interferência entre Religião e Política
Igualdade entre os Sexos
O Poder do Espírito Santo
Conduta Individual e o Caminho de Deus
Princípios Bahá'ís
Se
um homem desejar ser bem sucedido na busca da verdade, deverá, em primeiro
lugar, fechar os olhos a todas as superstições tradicionais do passado.
Os judeus têm superstições tradicionais, os budistas e os zoroastrianos não
estão livres delas, nem os cristãos! Todas as religiões têm-se tornado
igualmente apegadas à tradição e ao dogma.
Os adeptos de cada religião consideram a si próprios os únicos guardiões da
verdade e as demais religiões um conjunto dos erros. Eles próprios estão com a
razão, os outros estão errados! Os judeus acreditam que são os únicos
possuidores da verdade e condenam as demais religiões. Os cristãos afirmam que
sua religião é a única verdadeira e que todas as outras são falsas. Do mesmo
modo, os budistas e os maometanos; todos limitam-se a si próprios. Se todos
condenam-se mutuamente, onde buscaremos a verdade? Contradizendo-se uns aos
outros, não podem ser todos verdadeiros. Se cada qual acredita ser a sua
religião a única verdadeira, cega os olhos para a verdade nas outras. Se, por
exemplo, um judeu está restrito à prática externa da religião de Israel, não se
permite perceber que a verdade pode existir em qualquer outra religião; ela deve
estar toda contida na sua própria!
Devemos, por conseguinte, desligar-nos das formas externas e práticas da
religião. Devemos compreender que essas formas e práticas, conquanto belas, são
apenas roupagens vestindo o coração zeloso e os membros vivos da Verdade Divina.
Devemos abandonar os preconceitos da tradição se quisermos obter sucesso em
encontrar a verdade que está na essência de todas as religiões. Se um
zoroastriano acredita que o sol é Deus, como pode unir-se à outras religiões?
Enquanto os idólatras acreditam nos seus vários ídolos, como podem compreender a
unicidade de Deus?
É claro, portanto, que, a fim de fazermos qualquer progresso na busca da
verdade, devemos renunciar à superstição. Se todos os pesquisadores seguissem
este princípio, obteriam uma clara visão da verdade.
Se cinco pessoas reúnem-se para buscar a verdade, devem começar libertando-se de
todas as suas próprias condições especiais e renunciando a todas as idéias
preconcebidas. A fim de encontrarmos a verdade, devemos abandonar nossos
preconceitos, nossas próprias pequenas noções triviais; é essencial termos mente
aberta e receptiva. Se nosso cálice é cheio do eu, não há lugar nele para a água
da vida. O fato de nos imaginarmos com a razão e os outros errados, é o maior de
todos os obstáculos no caminho para a unidade; e a unidade é necessária se
desejarmos alcançar a verdade, pois esta é una.
É imperativo, portanto, renunciarmos a todos os preconceitos e superstições
particulares, se desejamos ardentemente encontrar a verdade. A não ser que em
nossas mentes façamos distinção entre dogma, superstição e preconceito, de um
lado, e verdade de outro, não podemos obter sucesso. Quando estamos procurando
algo ardentemente, buscamo-lo por toda parte. Na busca da verdade, devemos
trazer este princípio conosco.
A ciência deve ser aceita. Nenhuma verdade pode contestar outra verdade. A luz é
boa, seja qual for a lâmpada que brilhe! A rosa é bela, qualquer que seja o
jardim em que floresça! Uma estrela tem o mesmo resplendor, quer brilhe do Leste
ou Oeste. Libertai-vos do preconceito; assim amareis o Sol da Verdade, seja qual
for o ponto do horizonte em que se levante! Compreendereis que, se a Luz Divina
da Verdade brilhou em Jesus Cristo, também brilhou em Maomé e em Buda. O
pesquisador fervoroso chegará a esta verdade. Isso é o que significa a "Busca da
Verdade".
Quer dizer também que devemos estar dispostos a livrar-nos de tudo quanto
aprendemos, tudo quanto possamos embaraçar nossos passos no caminho da verdade;
não devemos esquivar-nos de, se necessário, recomeçar nossa educação já
terminada. Não devemos permitir que nosso amor por qualquer religião ou
personalidade nos deixe cegos os olhos a ponto de acorrentar-nos à superstição!
Quando estivermos livres de todos esses vínculos, pesquisando com mente aberta,
poderemos atingir nosso objetivo.
"Procurai a verdade, e a verdade vos fará livres". Assim vê-la-emos em todas as
religiões, pois a verdade está em todas e é uma só!
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 113)
OUTRO PRINCIPIO / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / OUTROS TEXTOS / TOPO
Ontem falei sobre o primeiro princípio do Ensinamento
de Bahá'u'lláh, "A Busca da Verdade", mostrando ser necessário o homem afastar
toda espécie de superstição e toda a tradição que possam fechar-lhe os olhos à
existência da verdade em todas as religiões. Embora amando e sendo fiel a uma
forma de religião, não deve permitir-se detestar todas as outras. É essencial
que busque a verdade em todas as religiões, no que seguramente será bem sucedido
se empenhar-se com o máximo fervor. Agora, a primeira descoberta que fizermos em
nossa "Busca da Verdade" nos levará ao segundo princípio, que é a "Unidade da
Raça Humana". Todos os homens são servidores do Deus Único. Um só Deus reina
sobre todas as nações do mundo e tem prazer em todos os Seus filhos. Todos os
homens são de uma só família; a coroa da humanidade repousa sobre a cabeça de
cada um dos seres humanos.
Aos olhos do Criador, todos os Seus filhos são iguais; Sua bondade jorra sobre
todos. Ele não favorece esta nem aquela nação; todas são igualmente Suas
criaturas. Assim sendo, por que fazemos divisões, separando uma raça da outra?
Por que criarmos barreiras de superstição e tradição, fomentando discórdia e
ódio entre as pessoas?
A única diferença entre os membros da família humana é a de grau. Alguns são
semelhantes a crianças, que carecem de instrução e devem ser reeducadas até
chegarem à maturidade. Outros são semelhantes aos doentes e devem ser tratados
com ternura e cuidado. Nenhum deles é mau ou perverso! Não devemos rejeitar
essas pobres crianças.
Devemos tratar todos com grande bondade, ensinando os ignorantes e cuidando
ternamente dos enfermos.
Considerai: a Unidade é necessária à existência e o Amor é a própria causa da
vida; por outro lado, a separação traz a morte. No mundo da criação material,
por exemplo, todas as coisas devem sua vida real à unidade. Os elementos que
compõem a madeira, o mineral ou a pedra mantêm-se unidos pela lei da atração. Se
essa lei perdesse seu efeito por um momento, a unidade desapareceria, os
elementos separar-se-iam e o objeto deixaria de existir nessa forma particular.
A lei da atração reuniu certos elementos na forma desta bela flor, mas quando
essa força cessar, a flor decompor-se-á e, como flor, deixará de existir.
Assim é com o grande corpo da humanidade. A admirável Lei da Atração, Harmonia e
Unidade mantém unida essa maravilhosa Criação.
Assim sucede com o todo e com as partes; seja uma flor ou um corpo humano,
quando o princípio de atração é retirado, a flor, ou o homem, morre. É claro,
conseqüentemente, que a atração, a harmonia, a unidade e o Amor são a causa da
vida, ao passo que a repulsão, a discórdia, o ódio e a separação trazem a morte!
Vimos que tudo quanto traz divisão ao mundo da existência causa a morte.
Semelhantemente, no mundo do espírito a mesma lei se aplica.
Portanto, cada um dos servos de Deus Único deve ser obediente à lei do amor,
evitando todo ódio, toda a discórdia e toda a luta. Quando observamos a
natureza, verificamos que os mais dóceis animais reúnem-se em bandos e manadas,
ao passo que as criaturas ferozes e selvagens, tais como o leão, o tigre e o
lobo vivem nas selvas, apartados da civilização. Dois lobos ou dois leões podem
conviver amigavelmente; mas mil cordeiros podem partilhar o mesmo aprisco e um
vasto número de veados podem formar um rebanho. Duas águias podem habitar o
mesmo sítio, mas mil pombas podem reunir-se numa só habitação.
O homem deve, pelo menos, ser incluído entre os mais dóceis animais; mas quando
enfurecido, é mais cruel e malévolo que o mais selvagem de todos os animais da
criação!
Agora Bahá'u'lláh proclamou a "Unidade do Mundo da Raça Humana". Todos os povos
e nações são da mesma família, filhos de um só Pai e devem ser, uns para com os
outros, como irmãos e irmãs! Espero que, durante vossas vidas, diligencieis
manifestar e propagar este ensinamento.
Bahá'u'lláh disse que devemos amar até nossos inimigos e ser para com eles como
amigos. Se todos os homens observarem este princípio, a maior unidade e
compreensão serão estabelecidas nos corações da humanidade.
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 116)
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A Religião deve ser a Causa do Amor e da Afeição
A religião deve unir os corações e fazer com que as guerras e disputas desapareçam da face da terra, dar origem à espiritualidade e trazer vida e luz a cada coração. Se a religião torna-se causa de aversão, ódio e divisão, melhor seria deixá-la, e retirar-se de tal religião constituiria ato verdadeiramente religioso. Pois é claro que o propósito de um remédio é curar; mas se o remédio agrava a doença, é melhor deixá-lo de lado. Qualquer religião que não seja fonte do amor e da unidade, não é verdadeira religião. Todos os santos profetas foram como médicos para a alma; deram prescrições para a cura da humanidade; assim qualquer remédio que cause doença não provém do grande e supremo Médico.
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 108)
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A Aceitação da Relação entre a Religião e a Ciência
Já vos falei a respeito dos seguintes princípio de
Bahá'u'lláh: A Busca da Verdade e A Unidade da Raça Humana. Explanarei agora o
Quarto Princípio, que é A Aceitação da Relação entre a Religião e ao Ciência.
Nenhuma contradição há entre verdadeira religião e ciência. Quando uma religião
se opõe à ciência, torna-se mera superstição: o que é contrário ao conhecimento
é ignorância.
Como pode o homem acreditar em algo que a ciência provou ser impossível?
Acreditar, a despeito da razão, é antes superstição ignorante do que fé. Os
verdadeiros princípios de todas as religiões estão em conformidade com os
ensinamentos da ciência.
A Unidade de Deus é lógica, e esta idéia não é antagônica às conclusões obtidas
pelo estudo científico.
Todas as religiões ensinam que devemos fazer o bem, que devemos ser generosos,
sinceros, verazes, cumpridores da lei e fiéis; tudo isso é razoável e
logicamente o único caminho pelo qual a humanidade pode progredir.
Todas as leis religiosas conformam com a razão e são adequadas ao povo para o
qual são planejadas e para a época em que devem ser obedecidas.
A Religião tem duas partes principais:
1. A Espiritual;
2. A Prática.
A parte espiritual é imutável. Todos os Manifestantes de Deus e Seus Profetas
têm ensinado as mesmas verdades e indicado a mesma lei espiritual. Todos eles
ensinam um código único de moralidade. Não há divisão na verdade. O Sol tem
lançado muitos raios para iluminar a inteligência humana, mas a luz é sempre a
mesma.
A parte prática da religião trata das formas exteriores e das cerimônias, e de
métodos de punição para certas ofensas. Este é o lado material da lei e orienta
os usos e costumes do povo.
No tempo de Moisés havia dez crimes puníveis com a morte. Quando Cristo veio,
isto foi mudado; o velho axioma "olho por olho, dente por dente" foi convertido
em "Amai vossos inimigos, fazei o bem àqueles que vos odeiam", sendo assim
transformada a antiga lei austera na lei do amor, misericórdia e tolerância!
Antigamente, o castigo para o furto era decepar a mão direita; em nosso tempo,
esta lei não poderia ser aplicada. Nesta época, a um homem que amaldiçoa seu pai
é permitido viver, quando antigamente, teria sido imposta a pena de morte. É,
pois, evidente que, enquanto a lei espiritual nunca se altera, as regras
práticas devem ser aplicadas segundo as necessidades do tempo. O aspecto
espiritual da religião é o maior, o mais importante dos dois e o mesmo para
todos os tempos, nunca muda! É o mesmo, ontem, hoje e para sempre. "Como era no
princípio, é agora e sempre será."
Ora, todas as questões de moralidade contidas na imutável lei espiritual de
todas as religiões são logicamente exatas. Se a religião fosse contrária à razão
lógica, então deixaria de ser religião para ser simplesmente tradição. Religião
e ciência são duas asas sobre as quais a inteligência do homem pode pairar nas
alturas, com as quais a alma humana pode progredir. Não é possível voar com uma
asa apenas! Se um homem tentasse voar unicamente com a asa da religião, cairia
imediatamente no pântano da superstição, enquanto, por outro lado, somente com a
asa da ciência, também nenhum progresso faria, antes se afundaria no lodaçal
desesperador do materialismo. Todas as religiões dos dias presentes têm descido
a práticas supersticiosas, em desarmonia igualmente com os verdadeiros
princípios do ensinamento que representam e com as descobertas científicas do
tempo. Muitos líderes religiosos chegam a pensar que a importância da religião
repousa principalmente no apego à acumulação de certos dogmas e na prática de
ritos e cerimônias! Aqueles cujas almas apregoam curar são ensinados a crer do
mesmo modo e apegam-se tenazmente às formas exteriores, confundindo-as com a
verdade intrínseca.
Ora, tais formas e rituais diferem nas várias igrejas e entre diferentes seitas,
e mesmo se contradizem umas às outras, levantando a discórdia, o ódio e a
desunião. O resultado de toda essa dissensão é a crença de muitos homens cultos
de que religião e ciência são termos contraditórios, de que a religião não
necessita de nenhum poder de reflexão, de modo algum devendo ser regulada pela
ciência, e de que elas, necessariamente, devem ser opostas uma à outra. O efeito
lamentável disto é que a ciência afastou-se da religião, a religião tornou-se
mera simulação e, mais ou menos, apática seqüência dos preceitos de certos
instrutores religiosos que insistem na aceitação de seus próprios dogmas
favoritos, mesmo que contrários à ciência. Isto é insensatez, pois é
perfeitamente evidente que a ciência é luz e, assim sendo, religião,
verdadeiramente assim chamada não se opõe ao conhecimento.
As frases "Luz e Trevas" e "Religião e Ciência" nos são familiares. Mas a
religião que não caminha de mãos dadas com a ciência está, ela própria, nas
trevas da superstição e da ignorância.
Grande parte da discórdia e da desunião do mundo é criada por tais contradições
e oposições fabricadas pelo homem. Se a religião estivesse em harmonia com a
ciência e elas andassem juntas, isso eliminaria muito do ódio e da amargura que
atualmente trazem desgraça à humanidade.
Considerai o que distingue o homem entre as criaturas e faz dele um ser à parte.
Não é seu poder de raciocínio, sua inteligência? Não fará ele uso destes no seu
estudo da religião? Eu vos digo: pesai cuidadosamente na balança da razão e da
ciência tudo quanto vos seja apresentado como religião. Se passar no teste,
então rejeitai-o, pois é ignorância!
Olhai a vosso redor e vede como o mundo de hoje está afogado em superstição e
formas exteriores!
Alguns adoram o produto de sua própria imaginação: fazem para si próprios um
Deus imaginário e o adoram, enquanto que a imagem criada por suas mentes finitas
não pode ser o Infinito e Poderoso Criador de todas as coisas visíveis e
invisíveis! Outros adoram o sol ou as árvores e também as pedras! Nos tempos
passados, houve os que adoravam o mar, as nuvens e até a argila!
Hoje, os homens têm a tal ponto aumentado sua adoração e seu pego a formas e
cerimônias exteriores, que disputam sobre este ponto do ritual ou sobre aquela
prática particular, até que todos os lados são ouvidos argumentos enfadonhos e
observa-se inquietação. Há indivíduos que têm intelecto fraco e seus poderes de
raciocínio não se desenvolveram, mas a força e o poder da religião não devem ser
postos em dúvida por causa da incapacidade de compreensão dessas pessoas.
Uma criancinha não pode compreender as leis que governam a natureza, mas isto é
devido ao seu intelecto imaturo; quando crescer e for educada, também entenderá
as verdades eternas. Uma criança não pode compreender que a terra gire em volta
do sol, mas, quando sua inteligência acorda, o fato é claro e evidente para ela.
É impossível a religião ser contrária à ciência, ainda que certos intelectos
sejam demasiado fracos ou imaturos para compreenderem a verdade.
Deus fez a religião e a ciência para serem a medida, por assim dizer, de nossa
compreensão. Tomai cuidado para não negligenciares tão admirável poder. Pesai
todas as coisas nessa balança.
Para aquele que tem o poder de compreensão, a religião é como um livro aberto,
mas como é possível a um homem desprovido de razão e intelectualidade
compreender a Realidade de Deus?
Colocai todas as vossas crenças em harmonia com a ciência; não pode haver
oposição, pois a verdade é una. Quando a religião, despojada de suas
superstições, tradições e dogmas ininteligíveis, demonstrar sua conformidade com
a ciência, então haverá no mundo grande força purificadora e unificadora que
varrerá todas a s guerras, desacordos, discórdia, porfias - e então a humanidade
será unida no poder do Amor de Deus.
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 119)
OUTRO PRINCIPIO / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / OUTROS TEXTOS / TOPO
Todos os preconceitos, sejam de religião, raça,
política ou nação, devem ser repudiados, pois têm causado a enfermidade do
mundo. É grave doença que, se não for debelada, poderá levar à destruição todo o
gênero humano. Todas as guerras ruinosas, com seu terrível derramamento de
sangue e miséria, têm sido geradas por um ou outro desses preconceitos.
As guerras deploráveis, que prosseguem nestes dias, são provenientes do fanático
ódio religioso de um povo contra outro ou dos preconceitos de raça ou de cor.
Até que sejam arrasadas essas barreiras erigidas pelo preconceito não é possível
que a humanidade esteja em paz. Por esta razão, disse Bahá'u'lláh: "Estes
preconceitos destroem o gênero humano."
Em primeiro lugar, contemplai o preconceito de religião: considerai as nações de
povos religiosos assim determinados; se fossem verdadeiramente adoradores de
Deus deveriam obedecer à Sua lei, que os proíbe matarem-se uns aos outros.
Se os sacerdotes da religião adorassem o Deus do amor e servissem à Luz Divina,
ensinariam seu povo a guardar o principal Mandamento: "Estar em amor e caridade
com todos os homens." Mas encontramos o contrário, pois freqüentemente são os
sacerdotes que encorajam as nações e guerrearam entre si. O ódio religioso é
sempre o mais cruel de todos!
Todas as religiões ensinam que devemos amar-nos, uns aos outros; que devemos
reconhecer nossos próprios defeitos antes de pretendermos condenar as faltas do
próximo; que não devemos considerar-nos superiores aos nossos semelhantes!
Devemos ter cuidado de não nos exaltar para não sermos humilhados.
Quem somos nós para julgar? Como saberemos nós, quem é, à vista de Deus, o mais
justo dos homens? Os pensamentos de Deus não são semelhantes aos nossos! Quantos
homens que a seus amigos pareciam santos não caíram na maior das humilhações?
Vede Judas Iscariotes: começou bem, mas lembrai-vos do seu fim! Por outro lado,
Paulo, Apóstolo, tinha sido inimigo de Cristo, ao passo que mais tarde tornou-se
o mais fiel de Seus servos. Como, então, podemos lisonjear-nos e desprezar
outros?
Sejamos, portanto, humildes, sem preconceitos, preferindo o bem do próximo ao
nosso próprio! Nunca digamos "Eu sou crente mais ele é infiel", "Eu estou perto
de Deus e ele é proscrito". Nunca poderemos saber qual será o julgamento final!
Ajudemos, pois, todos os homens que necessitam de qualquer espécie de
assistência!
Ensinemos o ignorante, cuidemos do jovem até que atinja a maturidade. Quando
encontrarmos uma pessoa mergulhada nas profundezas da miséria ou do pecado,
devemos ser bondosos, tomá-la pela mão, ajudá-la a recuperar seus passos, suas
forças; deveremos guiá-la com amor e ternura, tratá-la como amiga e não como
inimiga.
Não temos o direito algum de considerar qualquer dos nossos companheiros
mortais, como miserável.
O preconceito de raça é uma ilusão, uma superstição pura e simples! Pois Deus
nos fez todos de uma só raça. Nenhuma diferença houve no princípio, pois somos
todos descendentes de Adão. No princípio também não houve limites de demarcações
entre as diferentes terras; nenhuma parte da terra pertencia mais a um povo do
que a outro. Aos olhos de Deus nenhuma diferença há entre as várias raças. Por
que o homem inventaria tal preconceito? Como podemos apoiar a guerra provocada
pela ilusão?
Deus não criou os homens para que se destruíssem mutuamente. Todas as raças,
tribos, seitas e classes participam igualmente na Generosidade do Pai Celestial.
A única diferença repousa no grau de fidelidade, de obediência às leis de Deus.
Existem alguns semelhantes a tochas acesas, e outros que brilham como estrelas
no firmamento da humanidade. Os que amam o gênero humano são homens superiores,
sejam de qualquer nação, credo ou cor. Pois é a esses que Deus dirá estas
palavras abençoadas: "Bem fizestes, Meus bons e fiéis servos". Nesse dia, Ele
não perguntará: "Sois inglês, francês ou persa, porventura? Vistes do Leste ou
do Oeste?"
A única divisão verdadeira é esta: há homens do céu e homens da terra. Uns são
da humanidade que se sacrificam pelo amor do Altíssimo, trazendo harmonia e
unidade, ensinando paz e boa vontade aos homens; outros são os egoístas que
odeiam seus irmãos e em cujos corações o preconceito tomou o lugar da bondade
afetuosa e cujas influências geram a discórdia e desavença.
A que raça ou a que cor pertencem estas duas divisões de homens, à branca, à
amarela, à preta, ao Leste ou ao Oeste, ao Norte ou ao Sul? Se essas duas são as
divisões reconhecidas por Deus, por que inventarmos outras?
O preconceito político é igualmente danoso, é uma das maiores causas de
desavença mais amarga entre os filhos dos homens. Há pessoas que encontram
prazer em gerar a discórdia, que constantemente incitam seu país a declarar
guerra a outras nações - e por que? Pensam nas vantagens de seus próprios países
em detrimento dos demais. Enviam exércitos para arrasarem e destruírem a terra,
a fim de tornarem-se famosos no mundo pela felicidade da conquista. Para que se
diga: "Tal país derrotou outro e submeteu-o ao jugo do seu domínio mais forte e
superior". Essa vitória, conseguida ao preço de muito derramamento de sangue,
não é duradoura! O conquistador um dia será conquistado e os vencidos serão
vitoriosos! Recordai-vos da história do passado: a França não conquistou a
Alemanha mais de uma vez - e a nação alemã não venceu a França?
Aprendemos também que a França conquistou a Inglaterra; em seguida, a nação
inglesa foi vitoriosa sobre a França!
Essas conquistas gloriosas são tão efêmeras! Por que lhes atribuir e à sua fama
tão grande importância, a ponto de desejar derramar o sangue do povo para
consegui-las? Vale alguma vitória a inevitável série de males resultantes do
massacre humano, - a aflição, o sofrimento, e a ruína que devem oprimir tantos
lares de ambas as nações? Pois não é possível que somente um dos países sofra.
Oh! Por que o homem, desobediente filho de Deus, que deveria ser exemplo do
poder da lei espiritual, quer afastar sua face do Ensinamento Divino e
empenhar-se na destruição e na guerra?
Minha esperança é que, neste século esclarecido, a Luz Divina do amor espalhará
seu brilho sobre o mundo inteiro, encontrando resposta no íntimo da inteligência
de cada um dos seres humanos; que a Luz do Sol da Verdade guiará os políticos a
desfazerem-se de todas as pretensões de preconceito e de superstição e, com
espíritos livres, seguirem a Política de Deus; pois a Política Divina é
poderosa, enquanto que a do homem é fraca! Deus criou todo o mundo e confere Sua
Divina Generosidade a todas as criaturas.
Não somos servos de Deus? Negligenciaremos seguir o Exemplo do Mestre e
desprezarmos Seus Mandamentos?
Peço que o Reino venha à Terra e que toda a escuridão seja dissipada pelo
resplendor do Sol Celestial.
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 124)
OUTRO PRINCIPIO / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / OUTROS TEXTOS / TOPO
Um dos mais importantes princípios de Bahá'u'lláh é:
O direito de todos os homens ao pão de cada dia, essencial à sua vida, ou a
igualdade dos meios de subsistência.
As condições do povo devem ser arranjadas de tal modo que a pobreza desapareça,
que todas as pessoas, tanto quanto possível, de acordo com sua classe e posição,
participem no conforto e bem-estar.
Vemos entre nós homens excessivamente ricos, de um lado, e de outro,
desafortunados entregues aos rigores da fome; aqueles que possuem vários
palácios majestosos e os que não têm onde reclinarem a cabeça. Uns dispõem de
numerosos serviços de alimentos caros e saborosos, enquanto outros raramente
encontram suficientes côdeas para manterem-se vivos. Enquanto uns usam roupas de
veludo, de peles e de linho fino, outros têm vestimentas pobres e rotas,
insuficientes para protegê-los do frio.
Este estado de coisas é injusto e deve ser remediado. Porém, o remédio deve ser
cuidadosamente administrado. Não deve ser aplicado no sentido da absoluta
igualdade entre os homens.
A igualdade é uma quimera! É inteiramente impraticável! Mesmo que a igualdade
pudesse ser atingida, não poderia continuar; e, se sua existência fosse
possível, a ordem total do mundo seria destruída. A lei e ordem deve sempre
prevalecer no mundo da humanidade. O Céu assim decretou na criação do homem.
Uns são cheios de inteligência, outros possuem inteligência vulgar e ainda
outros são desprovidos de intelecto. Nessas três classes de indivíduos há ordem,
mas não igualdade. Como seria possível que a sabedoria e a estupidez fossem
iguais? A humanidade, semelhante a um grande exército, requer um general,
capitães, suboficiais e soldados, cada qual com seus deveres determinados. A
hierarquia é absolutamente necessária para assegurar uma organização bem
ordenada. Um exército não pode ser composto unicamente de generais ou de
capitães apenas, nem tão somente de soldados, sem alguém de autoridade. O
resultado inevitável nessa hipótese seria a desordem e a desmoralização para o
exército inteiro.
O rei Licurgo, o filósofo, fez um grande plano para estabelecer a igualdade
entre seus súditos de Esparta; com sacrifício e sabedoria, começou a
experiência. Então, convocou os súditos do reino e, sob solene juramento, fê-los
prometerem manter a mesma ordem de governo, se ele deixasse o país, e nada
alterar até seu retorno. Confiando neste juramento, deixou seu reino de Esparta
e nunca mais voltou. Licurgo abandonou a situação, renunciando à sua alta
posição julgando conseguir o bem permanente do seu país pela equalização da
propriedade e das condições de vida em seu reino. Todo o sacrifício do rei foi
em vão. Após certo tempo, tudo foi destruído; sua constituição cuidadosamente
meditada chegou ao fim.
A inutilidade de tal esquema ficou demonstrada e a impossibilidade de atingir
iguais condições de existência foi proclamada no antigo reino de Esparta. Em
nossos dias, tentativa idêntica seria igualmente condenada ao fracasso.
Sendo alguns excessivamente ricos e outros lamentavelmente pobres, certamente é
necessária uma organização para controlar e melhorar esse estado de coisas. É
importante limitar a riqueza, como também é de importância limitar a pobreza.
Nenhum extremo é bom. Situar-se no meio é o mais desejável! Se é razoável que um
capitalista possua grande fortuna, é igualmente justo que o operário tenha
suficientes meios de existência.
Um financista com riqueza colossal não deveria existir, enquanto perto dele há
um homem pobre em extrema necessidade. Deixar-se a pobreza chegar ao estado de
inanição é sinal certo de que em algum lugar encontra-se a tirania. Os homens
devem agir nessa questão e não mais protelar a alteração das condições que
trazem a desgraça da pobreza oprimente a vastíssimo número de pessoas. Os ricos
devem dar parte de sua abundância, abrandar seus corações e cultivar uma
inteligência compassiva, pensando naqueles seres tristes que sofrem por falta
dos próprios meios de subsistência.
Deve haver leis especiais que tratem desses extremos de riqueza e pobreza. Os
governantes, quando estão organizando planos para dirigirem seus povos, devem
considerar as leis de Deus. Os direitos gerais da humanidade devem ser
protegidos e preservados.
Os governos dos países devem conformar-se com a Lei Divina, que confere justiça
igual a todos. Este é o único meio pelo qual podem ser abolidas a deplorável
superabundância de grande riqueza e a miserável, desmoralizante e degradante
pobreza. Até que isso seja feito, a Lei de Deus não será obedecida.
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 128)
OUTRO PRINCIPIO / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / OUTROS TEXTOS / TOPO
As leis de Deus não são imposição de vontade, poder
ou prazer, mas sim resoluções da verdade, da razão e da justiça.
Todos os homens são iguais perante a lei, a qual deve reinar absolutamente.
O propósito da punição não é a vingança, e sim, a prevenção do crime.
Os reis devem governar com sabedoria e justiça; o príncipe, o nobre e o camponês
têm, do mesmo modo, direitos iguais a justo tratamento, nenhum favor devendo ser
manifestado a indivíduos. Um juiz não deve ser "respeitador de pessoas" - deve,
ao contrário, administrar a lei com estrita imparcialidade em cada caso que lhe
é submetido.
Se uma pessoa cometer um crime contra vós, não tendes o direito de perdoá-la; a
lei deve puni-la, a fim de prevenir a repetição do mesmo crime por outrem, pois
o sofrimento do indivíduo é sem importância diante do bem-estar geral do povo.
Quando reinar perfeita justiça em cada país do mundo, tanto oriental quanto
ocidental, então a terra tornar-se-á um lugar de beleza. A dignidade e a
igualdade de todos os servos de Deus serão reconhecidas; o ideal da
solidariedade da raça humana, da verdadeira fraternidade do homem, será
realizado; e a gloriosa luz do Sol da Verdade iluminará as almas de todos os
homens.
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 131)
OUTRO PRINCIPIO / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / OUTROS TEXTOS / TOPO
Um Supremo Tribunal será estabelecido pelos povos e
governos de todas as nações, composto de membros eleitos de cada país e governo.
Os componentes desse Grande Conselho reunir-se-ão em unidade. Todas as disputas
de caráter internacional serão submetidas a essa Corte, cuja tarefa será
conciliar por arbitragem tudo quanto, de algum modo, possa ser a causa de
guerra. A missão desse Tribunal será prevenir a guerra.
Um dos grandes passos na direção da paz universal será o estabelecimento de um
idioma universal. Bahá'u'lláh ordena que os servos da humanidade se reúnam e
escolham uma língua que já existe ou criem uma nova. Isso foi revelado no
Kitáb-i-Aqdas, há quarenta anos. Lá está mencionado que a questão da diversidade
de idiomas é muito difícil. Há mais de oitocentos idiomas no mundo, e ninguém
poderia conhecê-las todas.
As raças humanas não estão isoladas como antigamente. Ora, a fim de que se
esteja em estreito relacionamento com todos os países, é necessário que se possa
falar suas línguas.
Uma linguagem universal faria possível a intercomunicação com todas as nações.
Assim, seria necessário conhecer apenas duas línguas, a materna e a universal. A
última capacitaria o homem a conversar com qualquer pessoa do mundo!
Não seria exigível uma terceira linguagem. Como seria benéfico e repousante a
todos poderem conversar com uma pessoa de outra raça e país, sem necessitarem de
intérprete!
O Esperanto foi elaborado com essa finalidade; é uma bela invenção e uma
esplêndida obra-prima, mas necessita ser aperfeiçoado. Como está, o Esperanto é
muito difícil para certos povos.
Um Congresso internacional seria formado, consistindo de delegados de cada uma
das nações do mundo, tanto do Oriente quando do Ocidente. Esse Congresso deveria
compor uma linguagem que pudesse ser aprendida por todos, e o mundo inteiro
colheria grandes benefícios.
Até que essa linguagem esteja em uso, o mundo continuará a sentir ampla
necessidade desse meio de intercomunicação. A diferença de idioma é hoje uma das
fontes mais férteis da antipatia e da suspeita existentes entre as nações, que
permanecem isoladas pela inabilidade de compreenderem mutuamente suas
linguagens, mas do que por qualquer outra razão.
Quanto mais difícil seria servir à humanidade, se todos os povos pudessem falar
uma só língua!
Assim deveis apreciar o Esperanto, pois é o começo da realização de uma das mais
importantes Leis de Bahá'u'lláh e deve continuar a ser melhorado e aperfeiçoado.
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 132)
OUTRO PRINCIPIO / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / OUTROS TEXTOS / TOPO
Não Interferência entre Religião e Política
Na conduta da vida o homem é acionado por dois
motivos principais: "A Esperança de Recompensa" e "O Medo de Castigo".
A essa esperança e esse medo, conseqüentemente, deve ser dada grande
consideração pelas autoridades que têm importantes posições no governo. Sua
atividade permanente é opinar em conjunto sobre o planejamento das leis e
providenciar sua correta administração.
A tenda da ordem do mundo é erguida e segurada sobre dois pilares: "Recompensa"
e "Punição".
Nos governos despóticos, dirigidos por homens sem fé Divina e nos quais não
existe qualquer temor ao castigo espiritual, a execução da lei é tirania e
injusta.
Nada há que mais concorre para prevenir a opressão do que estes dois
sentimentos: esperança e temor. Ambos têm conseqüência espirituais de suas
decisões e seguissem as normas da religião, "Ele seriam agentes divinos no mundo
da ação, representantes de Deus entre aqueles que estão na terra, e defenderiam,
pelo amor de Deus, os interesses de Seus servos, assim como cuidariam dos
próprios." Se um governador compreende sua responsabilidade e teme afrontar a
Lei Divina, seus julgamentos serão justos. Especialmente se acredita que as
conseqüências de suas ações o acompanharão além de sua vida terrena e que "como
semeia, assim deve colher", tal homem seguramente evitará a injustiça e a
tirania.
Se, ao contrário, uma autoridade imagina que toda a responsabilidade por suas
ações termina na vida terrena, nada conhecendo dos favores Divinos e de um reino
espiritual de felicidade, nem acreditando neles, faltar-lhe-ão estímulo ao
tratamento justo e inspiração para destruir a opressão e a iniqüidade.
Quando um governante sabe que seus julgamentos serão pesados na balança pelo
Juiz Divino, que entrará no Reino Celestial se não for achado em falta e a luz
da Graça Celestial brilhará sobre ele, então, certamente. Agirá com justiça e
eqüidade. Vede como é importante que Ministros de Estado sejam esclarecidos pela
religião!
Com questão políticas, entretanto, o clero nada tem a ver! Assuntos de religião
não devem ser confundidos com assuntos políticos no presente estágio do mundo
(pois seus interesses não são idênticos).
A religião diz respeito a assuntos do coração, do espírito e da moral.
A política trata das coisas materiais da vida. Os instrutores religiosos não
devem invadir o campo da política; devem sempre dar bons conselhos aos homens,
procurando servir a Deus e à espécie humana; devem esforçar-se por despertar a
aspiração espiritual, ampliar a compreensão e o conhecimento da humanidade,
melhorar os costumes e incrementar o amor pela justiça.
Isto está de acordo com o Ensinamento de Bahá'u'lláh. No Envangelio também está
escrito: "Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".
Na Pérsia, entre os importantes Ministros de Estado, há alguns que são
religiosos, de vida exemplar, que adoram a Deus e temem desobedecer às Suas
Leis, decidem com justiça e governam seu povo com eqüidade. Há outros
governantes nessa terra que não sentem temor algum a Deus, não pensam na
conseqüência de seus atos e trabalham de acordo com seus próprios desejos,
colocando a Pérsia em grande inquietação e dificuldade.
Ó amigo de Deus, sede exemplos vivos da justiça! A fim de que, pela Graça de
Deus, o mundo inteiro veja em vossos atos manifestação dos atributos de justiça
e misericórdia.
A justiça não é limitada, é uma qualidade universal. Deve ser praticada em todas
as classes, das mais altas às mais baixas. A justiça deve ser sagrada e os
direitos de todas as pessoas devem ser considerados. Desejai ao próximo somente
aquilo que desejais a vós mesmos. Então, nos regozijaremos no Sol da Justiça que
resplandece do Horizonte de Deus.
Cada homem tem sido colocado num posto de honra, o qual ele não deve abandonar.
Uma injustiça cometida por humilde trabalhador é tão reprovável quanto a de um
renomado tirano. Assim, pois, todos nós temos nossa escolha entre a justiça e a
injustiça.
Espero que cada um de vós torne-se justo e dirija o pensamento para a unidade da
raça humana; que nunca prejudique vosso próximo, nem fale mal de ninguém; que
respeite os direitos de todos os homens e que seja mais preocupado com os
interesses dos outros do que eu com os vossos. Assim, vos convertereis em tochas
da Justiça Divina, agindo de acordo com o Ensinamento de Bahá'u'lláh, que,
durante Sua vida, suportou inumeráveis provações e perseguições a fim de revelar
ao mundo da humanidade as virtudes do Mundo da Divindade, fazendo possível
perceberdes a supremacia do espírito e vos regozijardes na Justiça Divina.
Por Sua Misericórdia, a Generosidade Divina será espalhada sobre vós, e por isso
eu peço!
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 133)
OUTRO PRINCIPIO / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / OUTROS TEXTOS / TOPO
O Décimo Princípio do Ensinamento de Bahá'u'lláh é a
igualdade entre os sexos.
Deus criou todas as criaturas em pares. O homem, o animal ou o vegetal, todos os
seres destes três reinos são de dois sexos e absoluta igualdade há entre eles.
No mundo vegetal, há plantas fêmeas e machos; elas têm direitos iguais e possuem
igual participação na beleza de suas espécies, embora a árvore que produz fruto
realmente seja considerada superior às estéril.
No reino animal, vemos que macho e fêmea têm direitos iguais e que cada qual
participa das vantagens de sua espécie.
Ora, nos dois reinos inferiores da natureza vemos que não há questão de
superioridade de um sexo sobre o outro. No mundo da humanidade encontramos
grande diferença; o sexo feminino é tratado como se fosse inferior e não lhe são
permitidos privilégios e direitos iguais. Esta condição não é devida à natureza,
mas sim à educação. Na Criação Divina não há tal distinção. À vista de Deus,
nenhum sexo é superior ao outro. Por que, então, deve um sexo afirmar a
inferioridade do outro, recusando privilégios e justos direitos, como se Deus
tivesse concedido autoridade para tal linha de conduta? Se as mulheres
recebessem os mesmos benefícios educacionais dos homens, o resultado
demonstraria a igualdade de capacidade de ambos para a erudição.
Em certos aspectos, a mulher é superior ao homem. É mais afetuosa, mais
receptiva, sua intuição é mais intensa.
Não se nega que, em vários sentidos, atualmente a mulher é mais atrasada do que
o homem; também, que sua inferioridade temporária deve-se à falta de
oportunidade de educação. Na necessidade da vida, a mulher tem maior poder
instintivo do que o homem, pois é ela que ele deve sua própria existência.
Se a mãe é educada, então seus filhos serão bem instruídos. Quando a mãe é
sábia, seus filhos serão conduzidos pelos caminhos da sabedoria. Se a mãe é
religiosa, mostrará a seus filhos como devem amar a Deus. Se a mãe tem moral,
guia seus pequeninos dentro dos caminhos da probidade.
É claro, portanto, que a futura geração depende das mães de hoje. Não é isso uma
responsabilidade vital para a mulher? Não necessita ele de todas as possíveis
vantagens a fim de preparar-se para essa tarefa?
Certamente, pois, não é do agrado de Deus que tão importante instrumento qual a
mulher deva sofrer carência de treinamento para alcançar a perfeição desejável e
necessária ao seu grande trabalho na vida! A Justiça Divina exige que sejam
igualmente respeitados os direitos de ambos os sexos, desde que nenhum deles é
superior ao outro, aos olhos do Céu. Na presença de Deus, a dignidade não
depende de sexo, mais sim de pureza e luminosidade de coração. As virtudes
humanas pertencem igualmente a todos!
A mulher deve então esforçar-se para atingir a maior perfeição, para ser igual
ao homem em todos os aspectos, para progredir naquilo tudo em que esteve
atrasada, de maneira que o homem seja compelido a reconhecer sua igualdade de
capacidade e realização.
Na Europa, as mulher fizer maior progresso do que no Oriente, mas ainda há muito
por fazer! Quando os estudantes chegam ao fim de seus cursos nas escolas,
realiza-se um exame, e o resultado determina o conhecimento e a capacidade de
cada um. Assim será com a mulher do Oriente, progridam rapidamente até que a
humanidade atinja a perfeição.
A Graça de Deus é para todos e confere poder para todo o progresso. Quando os
homens admitem a igualdade das mulher, elas não necessitarão lutar por seus
direitos! Assim, pois, um dos princípios de Bahá'u'lláh é a igualdade entre os
sexos.
As mulher devem envidar o maior dos esforços para adquirirem poder espiritual e
crescerem na virtude da sabedoria e santidade, até que seu esclarecimento e
diligência obtenham êxito em efetivar a unidade do gênero humano. Devem laborar
com ardente entusiasmo para disseminarem o Ensinamento de Bahá'u'lláh entre os
povos, a fim de que a luz radiante da Generosidade Divina envolva as almas de
todas as nações do mundo!
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de
'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 136)
OUTRO PRINCIPIO / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / OUTROS TEXTOS / TOPO
No Ensinamento de Bahá'u'lláh está escrito: "Somente
o Poder do Espírito Santo torna o homem capaz de progredir, pois o poder do
homem é limitado e o Poder Divino é infinito". O estudo da historia nos faz
concluir que todos os homens verdadeiramente grandes, os benfeitores da raça
humana, aqueles que impeliram o homem a mar o direito e odiar o errado, e que
ocasionaram real progresso, têm sido, todos eles, inspirados pela força do
Espírito Santo.
Os Profetas de Deus não foram todos graduados nas escolas da filosofia erudita;
eram realmente, na maioria homens de nascimento humilde, aparentemente incultos,
desconhecidos, sem nenhuma importância aos olhos do mundo; algumas vezes
faltava-lhes até o conhecimento da leitura e da escrita.
O que ergueu esses grandes Seres acima dos demais homens, e diante o qual foram
capazes de tornarem-Se Instrutores da verdade, foi o Poder do Espírito Santo.
Sua influência sobre a humanidade, em virtude dessa poderosa inspiração, foi
grande e penetrante.
A influência dos filósofos mais sábios, sem esse Espírito Divino, tem sido
relativamente insignificante, embora extensiva sua cultura e profunda sua
erudição.
Os intelectos incomuns, por exemplo, de Platão, Aristóteles, Plínio e Sócrates,
não influenciaram os homens tão intensamente que almejassem sacrificar a vida
pelo ensinamentos deles; ao passo que alguns daqueles homens simples tanto
comoverem a humanidade que milhares de pessoas tornaram-se mártires voluntários
em defesa de suas palavras; pois essas palavras foram inspiradas pelo Espírito
de Deus! Os profetas de Judá e Israel - Elias, Jeremias, Isaías e Ezequiel -
foram homens humildes e assim também os apóstolos de Jesus Cristo.
Pedro, o chefe dos apóstolos, costumava dividir o produto de sua pesca em sete
partes e quando, havendo retirado uma porção para uso de cada dia, chegava à
sétima parte, sabia que era o dia do Sábado. Considerai isto!, e então pensai em
sua fatura posição; que glória atingiu, porque o Espírito Santo operou grandes
obras através dele.
Compreendemos que o Espírito Santo é o fator energético na vida do homens. Quem
quer que receba este poder é capacitado para influenciar todos aqueles com os
quais entra em contato.
Os maiores filósofos, sem este Espírito, são impotentes, suas almas inanimadas,
seus corações mortos! A não ser que o Espírito Santo sopre em suas almas, não
podem operar boa obra. Nenhum sistema de filosofia tem sido capaz de mudar para
melhor as maneiras e costumes de um povo. Filósofos Eruditos, não iluminados
pelo Espírito Divino, freqüentemente têm sido homens de moralidade inferior; não
têm proclamado em suas ações a realidade de suas belas frases.
A diferença entre os filósofos espirituais e os demais é demonstrada por suas
vidas. O Instrutor Espiritual prova Sua crença em Seu próprio ensinamento, sendo
Ele próprio o que recomenda aos outros.
Um humilde, sem instrução, mas cheio do Espírito Santo, é mais poderoso do que o
homem de profunda erudição e da mais nobre origem, sem essas inspiração. Aquele
que é educado pelo Espírito Divino pode conduzir os outros, em seu tempo, a
receberem o mesmo Espírito.
Peço que cada um de vós instrua-se pela força do Espírito Divino, a fim de ser o
meio de educar o próximo. A vida e a moral de um homem espiritual são, em si
mesma, um ensinamento àqueles que o conhecem.
Não penseis em vossas próprias limitações, atentai unicamente ao beneficio que
vem do Reino da Glória. Considerai a influencia de Jesus Cristo sobre Seus
apóstolos e refleti, pois, no efeito que eles tiveram sobre o mundo. Esses
homens simples foram capacitados, pelo poder do Espírito Santo, a propagar as
boas novas!
Assim, possais todos vós receber a assistência Divina! Nenhuma capacidade é
limitada quando o Espírito de Deus a guia.
A terra por si só não apresenta qualidades próprias de vida; á árida e seca, até
que seja fertilizada pelo sol e pela chuva; todavia, a terra não necessita
lamentar suas próprias limitações.
Que vos seja dada vida! Que a chuva da Misericórdia Divina e o calor do Sol da
Verdade fertilizem vossos jardins, para que inúmeras flores de rara fragrância e
amor cresçam em abundância. Afastai vossas faces da contemplação de vossas
próprias personalidades finitas e fixas vossos olhos sobre o Resplendor Eterno;
então, vossas almas receberão, na medida plena, o Poder Divino do Espírito e as
Bênçãos da Generosidade Infinita.
Se assim vos mantiverdes preparados, transformar-vos-eis numa flama ardente para
o mundo da humanidade, numa estrela guia e numa árvore frutífera, convertendo
toda a escuridão e angustia em luz e felicidade através do fulgor do Sol da
Misericórdia e das bênçãos infinitas das Boas Novas.
Este é o significado do poder do Espírito Santo, o qual peço seja derramado
profundamente sobre vós.
'Abdu'l-Bahá
(Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Paris, pág. 139)
OUTRO PRINCIPIO / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / OUTROS TEXTOS / TOPO
Modo de Vida Bahá'í
Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio. Sê digno da confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar alegre a amável. Sê um tesouro para o pobre, um conselheiro para o rico; responde ao apelo do necessitado e preserva sagrada a tua promessa. Sê imparcial em teu juízo e cauteloso no que dizes. A ninguém trates com injustiça e mostra humildade a todos os homens. Sê como uma lâmpada para aqueles que andam nas trevas, sê causa de júbilo para o entristecido, um mar para o sequioso, um refúgio para o aflito, um apoio e defensor da vítima da opressão. Que a integridade e retidão distingam todos os teus atos. Sê um lar para o estranho, um bálsamo para quem sofre, uma torre de força para o fugitivo. Para o cego, deves tu ser olhos, e para os pés dos errantes, uma luz que guie. Sê um adorno para o semblante da verdade, uma coroa para a fronte da fidelidade, um pilar do templo da retidão, um alento de vida para o corpo da humanidade, uma insígnia das hostes da justiça, um luminar sobre o horizonte da virtude, um orvalho para o solo do coração humano, uma arca no oceano do conhecimento, um sol no céu da bondade, uma jóia no diadema da sabedoria, uma luz radiante no firmamento de tua geração, um fruto na árvore da humildade.
Bahá'u'lláh
OUTRO MODO DE VIDA BAHÁ'Í / PRINCÍPIOS / OUTROS TEXTOS / TOPO
Conduta Individual e o Caminho de Deus
(...)
O Nome Supremo Me dá testemunho! Como seria triste se algum homem, neste Dia,
segurasse o coração às coisas transitórias deste mundo. Levantai-vos e aderi
firmemente à Causa de Deus. Sede muito amorosos uns para com outros.
Inteiramente por amor ao Bem-Amado, consumi o véu do ego com a chama do Fogo
imorredouro e, com face jubilosa e radiante de luz, associai-vos ao próximo.
Observaste bem, em todos os seus aspectos, a conduta Daquele que é a Palavra da
Verdade entre vós. Bem sabeis o quanto é difícil este Jovem permitir, ainda que
seja por apenas uma noite - que o coração de qualquer um dos amados de Deus se
entristeça por Sua causa.
O Verbo de Deus inflamou o coração do mundo; que lástima se deixardes de vos
incendiar com sua chama! Queira Deus, venhais a considerar esta noite abençoada
a noite da unidade, a fundir vossas almas e a resolver ataviar-vos com o
ornamento de um caráter bom e louvável. Que seja vosso principal objetivo salvar
do lodaçal da extinção iminente o caído, e ajudá-lo a abraçar a Fé antiga de
Deus. Tal deve ser vossa conduta para com o próximo, que manifeste claramente os
sinais de Deus Uno e Verdadeiro, pois sois os primeiros dentro os homens a ser
recriados pelo Seu Espírito, os primeiros a adorar e ajoelhar-vos diante Dele, e
os primeiros a circundar Seu trono de glória. Atesto por Aquele que Me fez
revelar o que Lhe aprouvesse! Sois mais conhecidos aos habitantes do Reino nas
alturas do que a vós próprios. Pensais que estas palavras sejam vazias e vãs?
Oxalá tivésseis o poder de perceber as coisas vistas por vosso Senhor, o
Todo-Misericordioso - coisas que evidenciam a excelência de vossa posição, dão
testemunho da grandeza de vosso valor, e proclamam a sublimidade de vossa
condição! Permita Deus que vossos desejos e vossas paixões desenfreadas não vos
impeçam daquilo que vos foi ordenado.
É Nosso desejo e vontade que cada um de vós se torne uma fonte de toda bondade
para os homens, um exemplo de retidão para a humanidade. Acautelai-vos para que
não vos prefirais ao vosso próximo. Fixai vosso olhar Naquele que é o Templo de
Deus entre os homens. Ele, em verdade, oferece a vida como resgate pela redenção
do mundo. Ele, em verdade, é o Todo-Generoso, o Clemente, o Altíssimo. Se surgir
entre vós alguma diferença, contemplai-me diante de vós, e perdoai as faltas uns
dos outros em Meu Nome, e como sinal de vosso amor por Minha Causa, manifesta e
esplendorosa. O que Nos apraz é ver que, em todos os tempos, vos associais, uns
aos outros, em amizade e concórdia, dentro do Paraíso da Minha aprovação, e
inalar de vossos atos a fragrância da cordialidade e união, da benevolência e
fraternidade. Assim vos aconselha o Onisciente, o Fiel. Estaremos sempre
convosco; se inalarmos o perfume da vossa amizade, Nosso coração haverá
seguramente de se regozijar, pois nada senão isto Nos pode satisfazer. Disso dá
testemunho todo homem de verdadeira compreensão.
Bahá'u'lláh
(A Revelação Bahá'í, pág. 70)
OUTRO MODO DE VIDA BAHÁ'Í / PRINCÍPIOS / OUTROS TEXTOS / TOPO
Outros Textos
Sabe tu com certeza que a luz da Revelação Divina, em
cada Era, é concedida aos homens em proporção direta à sua capacidade
espiritual. Consideremos o sol. Como são fracos seus raios no momento em que
aparece sobre o horizonte. Quão gradativamente seu calor e sua potência aumentam
à medida que se aproxima do zênite, facilitando entrementes, a todas as coisas,
a adaptação à crescente intensidade de sua luz. Quão constantemente declina até
alcançar o ponto de acaso. Fosse ele manifestar de súbito suas energias
latentes, isso causaria dano, sem dúvida, a todas as coisas criadas... De igual
modo, se o Sol da Verdade, nas fases iniciais de Sua manifestação, revelasse
subitamente a plena medida das potências das quais a providência do
Todo-Poderoso o dotou, a terra da compreensão humana definharia e seria
consumida, pois os corações dos homens não poderiam suportar a intensidade de
Sua revelação nem refletir o esplendor de Sua luz. Esmorecidos e acabrunhados,
deixariam de existir.
(...)
Toda palavra procedente dos lábios de Deus é dotada de tal potência que infunde
em todo ser humano uma vida nova - se sois dos que compreendem esta verdade.
Todas as obras admiráveis que contemplais neste mundo manifestaram-se em virtude
da operação de Sua Vontade suprema, excelsa, de Seu Desígnio maravilhoso e
inflexível. Pela simples revelação da palavra "Formador", provindo de Seus
lábios e proclamando à humanidade Seu atributo, é libertada a capacidade de
gerar, durante sucessivas épocas, todas as múltiplas artes que as mãos do homem
podem produzir. Isto, realmente, é uma verdade certa. Mal se pronuncia essa
palavra resplandecente, quando suas energias, atuando dentro de todas as coisas
criadas, dão origem aos meios e instrumentos para a produção e o aperfeiçoamento
dessas artes. Todas as maravilhosas revelações que ora testemunhais são as
conseqüências diretas da Revelação desse Nome. Nos dias vindouros vereis,
realmente, coisas que nunca ouviste falar. Assim decretaram as Epístolas de
Deus, e ninguém pode compreender isso, a não ser quem possua uma visão
penetrante. Outrossim, logo que proceder dos Meus lábios a palavra que exprima
Meu atributo "O Onisciente", todas as coisas criadas, segundo sua capacidade e
suas limitações, serão investidas do poder de desenvolver o conhecimento das
ciências mais admiráveis e, no devido tempo, por ordem Daquele que é o
Todo-Poderoso, o Onisciente, poderão manifestá-las. Sabe tu, com plena certeza,
que a revelação de qualquer outro Nome é acompanhada de igual manifestação do
Poder Divino. Cada letra que procede dos lábios de Deus é, em verdade, uma
letra-mãe, e toda palavra proferida por Aquele que é a Fonte da Revelação Divina
é uma palavra-mãe, e Sua Epístola, uma Epístola-mãe. Bem-aventurados os que
apreendem esta verdade.
Sabe tu com segurança: assim como crês firmemente ser sempiterna a Palavra de
Deus - enaltecida seja Sua Glória - deves crer também, com fé inabalável, que
jamais seu significado se esgotará. Os que são seus designados intérpretes,
cujos corações guardam seus segredos, são os únicos, no entanto, capazes de
compreender sua múltipla sabedoria. Quem, ao ler as Sagradas Escrituras, se
sente impelido a escolher delas o que lhe convenha para desafiar a autoridade do
Representante de Deus entre os homens, é, em verdade, como um morto, embora,
aparentemente, ande e converse com os próximos e compartilhe no que comem e
bebem.
Oxalá o mundo em Mim acreditasse! Se todas as coisas que jazem entesouradas
dentro do coração de Bahá - e que o Senhor, Seus Deus, o Senhor de todos os
nomes, Lhe ensinou - fossem desveladas diante da humanidade, todo homem na terra
ficaria estupefato.
Como é grande a multidão de verdades que as vestes das palavras jamais poderão
conter! Quão vasto o número de tais realidades como nenhuma expressão pode
descrever adequadamente, cujo significado jamais se desdobrará e às quais não
pode ser feita uma alusão sequer, nem a mais remota! E quão múltiplas as
verdades que hão de permanecer inarticuladas até que venha o tempo marcado!
Assim mesmo como foi dito: "Nem tudo o que um homem sabe pode ser revelado, nem
se deve considerar oportuno tudo o que ele pode revelar, nem podem todos os
dizeres oportunos ser julgados adaptáveis à capacidade daqueles que os ouçam."
Dentre essas verdades, algumas podem ser reveladas somente de acordo com a
capacidade dos repositórios da luz de Nosso conhecimento e dos recipientes de
Nossa graça oculta. Suplicamos a Deus que, através de Seu poder, Ele te
fortaleça e te habilite a reconhecer Aquele que é a Fonte de todo o saber, para
que te possas desprender de toda erudição humana, pois "de que proveito seria a
um homem buscar erudição após haver já encontrado e reconhecido Aquele que é o
Objeto de todo o saber?" Deves aderir à Raiz do Conhecimento e Aquele que é a
Fonte deste, para que te possas achar independente de todos os que se dizem
versados na erudição humana, mas cuja pretensão não é sustentada por provas
claras, nem pelo testemunho de qualquer livro esclarecedor.
Bahá'u'lláh
(A Revelação Bahá'í, Seleções das Escrituras de Bahá'u'lláh, pág. 23)
OUTROS TEXTOS / MODO DE VIDA BAHÁ'Í / PRINCÍPIOS / TOPO
A origem de
todo o bem é a confiança em Deus, a submissão ao Seu mando, e o contentamento
com Sua Santa Vontade e Seu Arbítrio.
A essência da sabedoria é o temor de Deus, o medo de Seu flagelo e a apreensão
de Sua justiça e Seu decreto.
A essência da religião consiste em dar testemunho daquilo que o Senhor revelou e
seguir o que Ele ordenou em Seu poderoso Livro.
A origem de toda a glória está em se aceitar qualquer coisa que o Senhor tenha
concedido, e se contentar daquilo que Deus ordenou.
A essência do amor é que o homem volva o coração para o Bem-Amado, se desprenda
de tudo exceto de Deus, e nada deseje salvo o que for o desejo de seu Senhor.
A verdadeira comemoração consiste em se mencionar o Senhor, Alvo de todo louvor,
e se esquecer de tudo salvo Dele.
A verdadeira segurança é que o servo siga sua profissão ou vocação no mundo, se
apóie no Senhor, nada busque senão Sua graça, desde que em Suas mãos está o
destino de todos os Seus servos.
A essência do desprendimento é que o homem volva a face para as côrtes do
Senhor, entre em Sua Presença, contemple Seu Semblante, e dê testemunho diante
Dele.
A essência da compreensão é que o homem ateste sua pobreza e se submeta à
Vontade do Senhor, o Soberano, o Benévolo, o Onipotente.
A origem da coragem e do poder está na promoção da Palavra de Deus e na
constância em Seu amor.
A essência da caridade é que o servo relate as bênçãos de seu Senhor e Lhe dê
graças em todos os tempos e sob todas as condições.
A essência da riqueza é o amor por Mim. Quem Me ama é o possuidor de todas as
coisas, e aquele que não Me tem amor é realmente dos pobres e necessitados. Eis
o que o Dedo da Glória e do Esplendor revelou...
A essência da fé está na escassez de palavras e na abundância de ações; a morte
daquele cujas palavras excedem os atos, é melhor que sua vida.
A origem de todo o mal é que o homem se afaste de seu Senhor e prenda o coração
às coisas ímpias.
O fogo mais ardente está em se duvidar dos sinais de Deus, disputar futilmente
com aquilo que Ele revelou, negá-Lo e portar-se orgulhosamente diante Dele.
A origem de toda a erudição é o conhecimento de Deus - exaltada seja Sua Glória
- e este não pode ser atingido a não ser através do conhecimento de Seu
Manifestante Divino.
A essência do rebaixamento está em se apartar da sombra do Misericordioso e
buscar o amparo do Ente Mau.
A origem do erro é a descrença em Deus Uno e Verdadeiro, a confiança em outra
coisa senão Nele, e o afastamento de Seu Decreto.
O verdadeiro prejuízo é para aquele que passou seus dias em completa ignorância
de seu próprio ser verdadeiro.
A essência de tudo o que Nós te temos revelado é a Justiça; é o que o homem se
deve livrar das vãs fantasias e da imitação, discernir com os olhos da unidade
Sua gloriosa obra, e averiguar todas as coisas com vista perscrutadora.
Assim Nós te instruímos, manifestando-te palavras de sabedoria, a fim de que
sejas grato ao Senhor, teu Deus, e nisto te glories entre todos os povos.
Bahá'u'lláh
(A Revelação Bahá'í, pág. 124)