Last Land

Quinto Dia - Verdadeiras Intenções

Capítulo 17 - Novas Presenças Antigas


No quarto da garota Sandhye a brisa do amanhecer bate com suavidade na janela, fazendo com que dê a impressão que as cortinas rendadas do quarto pareçam vivas.

Raios singelos da luz branca do sol invadem o quarto, quebrando muito pouco da escuridão.

Um som irritante e repetitivo surge no ar.

Trata-se do despertador, que logo é calado, quando o dedo delicado da garota toca a tecla acima dele.

- Agora não precisa. – comenta ela que já está praticamente toda arrumada, antes até da hora em que deveria acordar.Sandhye estica a colcha de sua cama, deixando o travesseiro arrumado sobre ela.

A menina começa a esvaziar a mochila dos livros da escola colocando-os numa gaveta e a enche com vários outros objetos, como escova de cabelo, pente e o estojo com a máquina fotográfica instantânea.

No momento em que pega este último objeto, vê que a foto do pessoal no castelo escorrega de dentro da bolsa da máquina e diz:

- Puxa, estava aqui! Como eu pude esquecer?! – comenta – Pelo menos se eu levar a máquina fotográfica, poderei trazer fotos para vender depois. – diz com um sorriso maroto.

 

Na Terra, em algum lugar da Grécia, alguns Cavaleiros de Atena estão olhando para cima sem parar, com imensa curiosidade para uma grande montanha.

O Cavaleiro Jabu de Unicórnio parece estar inquieto:

- Não gosto da idéia. Essa montanha é muito alta. É um esforço muito grande para Saori.

Aioria, o Cavaleiro de Leão lhe responde:

- É uma decisão dela, Jabu. Infelizmente nem nós, Cavaleiros de Ouro, somos capazes suficientes para ajudar Atena. Ela é uma deusa e tem mais sabedoria do que você possa imaginar.

Jabu contém-se um pouco:

- Está certo. Eu é que não poderia fazer nada mesmo. – e pensa - Shun, proteja-a, torço por vocês.Aioria também demonstra preocupação em seus pensamentos:

- É a última esperança de Atena e as nossas também.

Saori encontra-se neste momento subindo uma escadaria quase vertical da montanha, o que exige muito esforço físico para uma mulher muito forte em poder, mas não em músculos. Por isso ela está extremamente exausta. Sua visão está embaçada, não pelo cansaço, mas pelas nuvens que circundam aquela montanha naquela altura e seu longo vestido também não se adequa àquela situação quase de uma escalada.

Seu corpo frágil, apesar de ser uma deusa, falha e seu pé falseia ao pisar o íngreme degrau seguinte, fazendo-a desequilibrar e estar à mercê de rolar até o chão muito distante sob a ação da gravidade.

É neste momento que Shun mostra porque ele veio, e, com sua mão agarra a da deusa firmemente, impedindo a queda fatal. Ele quase não podia ver e ser visto em meio a névoa branca das nuvens, mas manteve-se atento e diz:

- Saori, estamos chegando. Fique firme, por favor.

Saori, sorrindo com gratidão:

- Vou conseguir Shun, com a sua ajuda.

Eles sobem aqueles degraus rochosos mais um tempo, quase cegos entre as nuvens, até que percebem que elas estão se tornando mais ralas.

Apressam os passos e logo encontram-se acima da altura das nuvens e notam que estão no fim da escadaria.

Ambos dirigem o olhar à frente e vêem no alto daquela montanha um enorme templo de pedra de uma brancura indescritível numa arquitetura típica da Grécia antiga.

Saori:

- Finalmente chegamos no alto do Monte Olimpo.

Com respeito até nas passadas, eles caminham até a porta do grande templo e a transpõem, penetrando no recinto.

Shun e Saori ficam impressionados com o lugar.

A beleza do templo do santuário de Atena que conheciam era ínfima, comparada a este templo.

O número de esculturas e estátuas em paralelo com a extensão da parede são inúmeras.

Essas estátuas são como as antigas esculturas da Grécia, com vários homens e mulheres em diversas roupagens e variados objetos e animais ao seu lado, dependendo da pessoa representada.

Saori:

- São as estátuas de todos os filhos e filhas de Zeus.

Shun fixa o olhar numa das estátuas, que é de Atena, igual a que eles tem no santuário, sendo menor.

- Aproximem-se! – diz uma voz grave e rouca, emitida por um homem em plena maturidade, robusto, grave, de fronte ampla, cabeleira espessa e ondulada de longas barbas.O homem usa um manto, embora o amplo peito esteja descoberto. Carrega um cetro na mão esquerda e sobre os cabelos uma coroa de carvalho.

Diante daquele senhor que chegara, Saori e Shun curvam-se com respeito.

Shun:

- É uma honra estar aqui, senhor Zeus.

Zeus:

- Fico muito feliz em ter suas visitas. Na verdade, desde os tempos mitológicos, não vejo meus filhos, ou quer dizer, a reencarnação deles com muita freqüência. Eu mesmo demorei muito para compreender ser a reencarnação de Zeus.

Saori:

- Na verdade senhor, eu vim abusar da sua onipotência e peço desculpas por isso.

Zeus:

- Sei disso. Já sei o que quer, Atena. Sei que seus Cavaleiros sumiram e quer ajuda para encontra-los.

Saori:

- Sim, isso mesmo.

Zeus:

- Eu mesmo posso fazer isso, sem problemas. Porem tenho o reino dos céus para cuidar. É certo que os pássaros e só algumas pessoas que moram em altas montanhas estão sob minha responsabilidade, mas eu não posso largar meu cargo por nenhum instante e não quero fazer isso.

Shun fica preocupado:

- Mas senhor Zeus, ajud...

Zeus:

- Espere, quero que conheçam umas pessoas. – e chama – Cavaleiros do Olimpo, venham cá!Shun vira-se para entrada do templo, seus olhos arregalam-se ao verem três enormes cavaleiros, gigantescos, quase da altura do templo, entrando ali. Porém ao piscar de olhos de Andrômeda, ele vê os mesmos cavaleiros agora do tamanho natural de um ser humano, diante de Zeus, também ajoelhados para ele.

Shun fica pasmo de ver isso e pensa:

- O que eu vi?! Será que foi impressão minha?!

Zeus:

- Atena, eis todos os Cavaleiros do meu santuário. Somente estes três. O Cavaleiro de Hecatônquiro, o Cavaleiro da Águia do Olimpo e a Amazona de Grifo, está última é a mulher que alcançou o mais alto poder de todas que já existiu. Nunca houve uma mulher entre meus principais Guerreiros, os Cavaleiros de Diamantes.

Shun:

- Cavaleiros de Diamante?!

Agora Shun e Saori observam os três que ali haviam chegado. As suas armaduras são transparentes, e se embaralham com a cor do traje abaixo da armadura de cada um.

A armadura do Cavaleiro da Águia do Olimpo é por toda ela esculpida de forma a assemelhar-se a penas fechadas umas sobre as outras; nas caneleiras da armadura pode-se ver formato semelhante a anéis como nas canelas de uma ave; grandes asas imponentes e transparentes presas às costas; dois olhos esculpidos nas laterais do elmo .

A Amazona de Grifo veste uma armadura cujo elmo tem uma protuberância em forma de bico, que estende-se até entre os olhos da Amazona. Sua face está coberta por uma máscara como no santuário de Atena.

Às suas costas estão grandes asas como a do animal mitológico que representa.

Nas costas da luva da armadura estão garras como as de um leão com afiadas unhas esculpidas.

O Cavaleiro de Hecatônquiro tem a armadura mais estranha das três. Esculpidos em torno de seu elmo, na altura do seu nariz, estão outros narizes de diamante. Braços esculpidos dando impressão de serem muitos em relevo na armadura ao tronco da mesma, na altura dos braços naturais do cavaleiro.

Este Cavaleiro aproxima-se dos dois e, com delicadeza, pega a mão de Atena e a beija, dizendo:

- Senhorita Atena, eu sou Hefesto, o Cavaleiro de

Hecatônquiro e fico lisonjeado em conhecê-la.

Saori:

- Muito obrigada.

O Cavaleiro afasta-se para junto dos outros.

Zeus:

- Atena, estes são os meus Cavaleiros de Diamante. Posso lhe dizer que eles são extremamente capazes. Há eras atrás, quando tive que dividir meu reino com você, Hades e Poseidon, criei esta hierarquia de Cavaleiros que posso dizer, sem medo de errar, que cada um deles é mais forte que um deus como você, Poseidon e Hades e quase tão poderosos como eu. A razão deste poder superior trata-se de que suas forças não são baseadas em constelações e sim em minha vida. Eu sou a fonte que os faz fortes como deuses.

Saori:

- Senhor Zeus, preciso que ajude a resgatar meus Cavaleiros. – fala chorosa – Nem meus Cavaleiros de Ouro sabem o que fazer nesta situação. Seiya e os outros foram muito importantes para salvarmos o mundo várias vezes, mas... eu os quero salvos porque são meus amigos, principalmente por isso, e já se passaram quatro dias sumidos - ela acaba exibindo seus sentimentos de forma tal, que acaba por deixar escapar de seus lábios num murmúrio o nome do Cavaleiro que mais gosta - Seiya...Zeus observa aquilo com seriedade e responde:

- Eu vou ajuda-la, mas foi bom você dizer essas coisas para desabafar a angústia em seu peito. Meus cavaleiros irão para longe demais para que me comunique, mas isso não reduzirá a força de cada um, não deixarão de ser deuses.

Saori e Shun voltam a curvar-se:

- Agradecemos muito... – falam juntos.O Cavaleiro de Hecatônquiro pronuncia-se:

- Eu me ofereço a ir, senhor Zeus.

Zeus:

- Então está decidido. Você irá ajuda-la.

Porém a Amazona de Diamante diz:

- Senhor Zeus, gostaria de ajudar também.

Hefesto:

- Não acho necessário. Eu posso cuidar disso rapidamente. O santuário não pode ficar tão desfalcado.

Amazona:

- Eu insisto, senhor Zeus.

Zeus:

- Ela também irá, e assim está decidido. Não há perigo. Nosso atual império não é tão cobiçado.

Hefesto olha para Saori e diz com segurança:

- Senhorita Atena, vá tranqüila para seu santuário. Até o final do dia terá os seus Cavaleiros de volta.

Ela sorri, esperançosa.

 

Em outra parte da Terra, no Japão, Sandhye está num ônibus sentada ao lado da janela, para a qual ela olha o vidro que reflete seu rosto. Ela não presta atenção no que se passa na estrada. Aproveita para olhar seu reflexo, como um tipo de auto-análise:

- Será que tentar ser uma Guerreira Mágica é muito perigoso? O que será ser uma Guerreira Mágica, afinal? - pensa ela – Agora acho que não tenho mais o que pensar. Eu já decidi ir, é o melhor que tenho a fazer... é... sem dúvida...Contudo ela ainda está, na verdade, com muitas dúvidas.

Quase por distração, deixa de saltar no seu ponto, pois quase não vê quando a Torre de Tóquio aproxima-se.

Levanta-se do banco do ônibus, pega sua mochila quase vazia, a não ser pelo peso da máquina fotográfica e outros poucos dentro dela e, num impulso, forçando seu sentimento de medo, dá uma corrida até a porta do ônibus.

Lá ela fica parada. Olha para o degrau do veículo que a levará à frente da Torre de Tóquio, onde ela terá que enfrentar o estranho desafio. Seus pezinhos recusam-se a descer os degraus.

Ela começa a ficar com mais medo do que consegue controlar.

Diante de seus olhos a porta automática do ônibus volta a fechar, quando ela pede:

- Ai! Por favor, motorista! Eu vou descer aqui!

O motorista:

- Então desça, mocinha. – diz, fazendo com que a porta volte a abrir, porém Sandhye continua olhando para fora, indecisa.- Como é? – instiga o motorista.A candidata a Guerreira Mágica salta do ônibus direto na calçada, num pulo não muito longo, mas que evitara que a indecisão lhe travasse novamente as pernas.

O motorista acha a reação estranha, mas não fala nada e dá partida no ônibus.

Sandhye, nervosa, diz a si mesma:

- Agora aqui estou eu, em frente a passagem para meu destino... Ai! Que vontade de voltar...! Mas não posso, tenho que tentar.

Ela, a passos lentos, vai se aproximando da entrada para a Torre, quando vê uma placa e junto dela alguns guardas.

De longe ela consegue ler:

FECHADA POR TEMPO INDETERMINADO

- Fecharam a Torre?! Que azar!! E agora? – fala, reclamando.- Que pena, não é? – diz uma voz masculina ao seu lado, em tom irônico.A mocinha vira-se e vê Yamashiro ali vestido a paisana, ficando abobalhada.

- Ah, senhor Yama... Yamashiro?!

Yamashiro:

- Gostaria de saber a razão de você estar aqui, se você não viu nada naquele dia.

Sandhye sem graça:

- Ah... bem... é que... você tá me vigiando?! – indaga.Yamashiro:

- Este é meu trabalho. Agora me explique o que você sabe.

Sandhye:

- Senhor, eu não sei explicar. Não tenho como! Só sei que preciso entrar lá. Não as conheço, mas acho que posso encontrar com elas.

Yamashiro:

- Com as garotas?! Como fará isso?! É isso que preciso saber! É isso que o Estado precisa saber.

Sandhye:

- Isto não tem nada a ver com Tóquio. Elas não estão no Japão!

Yamashiro fica sem entender.

A moça tenta partir, mas ele a segura no braço.

Yamashiro:

- Espera!

Sandhye enche os pulmões de ar e grita:

- Socorro! Ele quer me seqüestrar!!

Os dois guardas na porta da Torre ouvem e imediatamente correm para pegar Yamashiro.

Os dois o agarram, dizendo:

- Valente, hein?! Seqüestrador de menininhas!

Sandhye aproveita. Solta-se e corre dali.

Yamashiro:

- Esperem! Eu sou um policial! Pegue no bolso da camisa!

O policial obedece e vê a identificação do outro.

Yamashiro:

- Ela é a garota que sofreu atentado naquele dia. Eu fui escalado para vigia-la e vocês estão deixando ela subir a Torre! Ela tem que contar algo que esconde!

Vendo o erro que haviam cometido, os guardas resolvem ajudar o colega e correm para a Torre.

Sandhye porém consegue chegar ao elevador e entra nele, desesperada.

Os policiais também chegam ali, mas não antes da porta fechar-se.

Yamashiro:

- Não faz mal, avisa a equipe lá em cima da chegada da garota.

No alto da Torre, onde sumiram Lucy, Marine e Anne. Vários peritos policiais fazem toda espécie de exames e testes no ambiente. Engenheiros e técnicos com os Contadores Geiger e parapsicólogos com medidores de radiestesia, os quais lhes possam dar alguma pista do fenômeno que ali acontecera.

Uma policial atende ao walk-talk do parceiro na entrada da Torre:

- Entendido. Vamos ficar esperando a mocinha misteriosa aqui.

Dentro do elevador, Sandhye está novamente nervosa. Sente um frio na barriga mais pelo medo do que pelo elevador subindo rapidamente.

- Eu tenho que conseguir chegar. Tenho que ir pra Zefir! É minha esperança! Preciso ir! Preciso ir!

Lá em cima a policial vê, pelo sinal sonoro, e a luz vermelha sobre a porta, que o elevador acaba de chegar.

- Saia mocinha, e conte pra mim o que você esconde? - murmura a mulher.

A porta começa a abrir-se; mulher fica atenta e subitamente fica pasma, pois uma luz forte lhe bate no rosto, luz essa emitida de dentro do elevador, e que cessa após alguns segundos.

A policial entra no elevador e Sandhye não se encontra mais ali dentro. A mulher nada acha, fica sem fala por alguns segundos e faz sinal para os pesquisadores e colegas de trabalho.

- Ei vocês! Melhor trazerem toda esta tranqueira pra cá!

 

Em Zefir, num assentamento da aldeia de Xarigan, seu povo está totalmente saudável. Em meio aquele grande número de pessoas somente ele acabara ferido. Está dentro de uma tenda improvisada, feita de folhões e varas. Encostada à frágil parede está sua espada.

Xarigan neste instante, acaba de acordar e logo sente dores a lhe fisgar e continua deitado.

Abner, porem, está ali sentado no chão ao seu lado; logo que Xarigan acorda, lhe fala:

- Espero que esteja se sentindo melhor hoje.

Xarigan:

- Um pouco. – olha para o outro – Ficou a noite toda aqui, vigiando o meu estado de saúde?Abner:

- Devo-lhe isso.

Xarigan:

- Você é uma pessoa grata e justa. Devia estar no lugar do seu pai.

Abner:

- Não exagere! Não viu com seus próprios olhos o que fiz em toda a minha vida.

Xarigan:

- Todos mudam, mesmo um pouco. Assim como eu mudei temporariamente há anos.

Abner sorrindo:

- Lembro disso.

As lembranças vêm às mentes dos dois.

Há muitos anos, quando Xarigan era jovem, lembra-se de que estava num pequeno monte à beira de uma estrada, solitário, sentado em uma grande pedra.

Seus olhos viram distante na estrada uma carruagem puxada por unicórnios e pensou:

- Uma carruagem na estrada para a Ilha voadora do castelo? Deve ser algo importante!

O velho Xarigan comenta essa lembrança:

"Não posso reclamar se me disserem que eu era um canalha, pois descrevia exatamente o meu caráter, eu cometia furtos de objetos, não para vende-los, nem usa-los, mas por puro prazer de ter sido capaz de roubar. É como se cada objeto roubado fosse um troféu em homenagem à minha falsa esperteza. E quando vi a oportunidade de roubar um importante castelão, não poupei esforços para isso"

Lembra-se de ter descido correndo o pequeno monte e, silenciosamente como um felino, atravessou a mata correndo para olhar entre as folhagens, mais perto do veículo.

Seus olhos reluziam o reflexo de uma pedra preciosa que vira brilhar num cetro dentro da carruagem e pensou:

- Um cetro! O sacerdote de Zefir está na carruagem! Este cetro será meu troféu mais valioso!

E, numa velocidade muito grande que realmente tinha, correu pela mata se infiltrando em atalhos da floresta, que ele conhece tão bem e conseguiu posicionar-se num ponto perfeito onde vai passar o castelão na estrada.

Desembainhou sua espada e tirou dos bolsos duas esferas espinhentas. Contudo o cocheiro percebeu o mexer das folhagens e que havia alguém na mata ali do lado e gritou:

- Guru Clef! Tem ladrões na estrada! Eu vou correr!

Clef assustado olhou para seu filho pequeno, que está com uma expressão de medo, e disse ao cocheiro:

- Vamos! Tem uma criança aqui! E não sabemos o que querem!

O homem obedeceu e sacudiu as rédeas com força, fazendo com que os unicórnios no mesmo instante corressem muito depressa.

Xarigan viu aquilo e murmurou:

- Não vou permitir passar esta chance.

O ladrão então correu e pulou na estrada, fazendo com que sua espada brilhasse de energia e estando a carruagem passando a grande velocidade bem à sua frente, desfechou um golpe no ar, fazendo com que uma energia fina da espessura da lâmina na vertical fosse contra os estribos dos animais, separando-os da carruagem. O cocheiro acabou sendo carregado pelas rédeas e arrastado pelos unicórnios em disparada.

A carruagem ficou sem controle e continuou andando com bastante velocidade.

Clef e Abner abraçaram-se assustados ali dentro.

O veículo desgovernado correu pela estrada, rompeu os arbustos numa curva e saiu da pista, sacolejando sobre o matagal, mas pouco reduzindo da velocidade.

Xarigan correu na direção do veículo, com a alma cheia de ambição.

A carruagem porém parou, espatifando-se de lado num pequeno morro, arremessando Clef para fora, desabando as madeiras que a constituíam de forma a deixar o pequeno Abner com sua perna presa contra o madeirame.

Xarigan espantou-se ao ver que havia uma criança no veículo, porem viu que o cetro de Clef estava fácil de ser pego.

Xarigan pensou:

- Quando ele acordar, solta o pé do garoto – aproximou-se para pegar o cetro no chão ao lado do Guru inconsciente.Um grito de medo foi lançado no ar por Abner.

O ladrão virou-se e viu que o garoto olhou para cima, viu um rombo no teto do veículo, que através dele viu uma grande pedra no topo do monte que soltava cascalhos que quicavam sobre as tábuas da carruagem, ameaçando cair sobre ele.

Xarigan ainda não havia pego o cajado e olhando a cena pensou:

- A pedra irá matá-lo! Não posso deixar que uma criança morra por minha culpa!

Um novo ruído foi ouvido, de muitas pessoas, provavelmente gente vindo em resgate ao Guru e a criança, assim pensou o ladrão.

Abner tentou tirar sua perna com toda força, mas só o que conseguia era fazer sua perna sangrar, castigando-lhe pele.

Xarigan direcionou o olhar esgazeado para os que se aproximavam. Estavam ainda longe, mas podia-se ver pela silhueta das vestes que muitos eram guerreiros e pensou.

- Se eu ficar e salvar o garoto, vou ser pego com certeza, mas se deixa-lo aí, eles não chegarão a tempo de salva-lo.

A pedra deslizou mais no morro.

Xarigan correu para ajuda-lo, dizendo:

- Não importa! Que me peguem! Não vou viver sossegado se uma criança perder a oportunidade de crescer por minha culpa! – e chegando junto começou a puxar os pedaços de madeira que o prendiam.O menino tentou ajudar, mas não teve a força suficiente.

Finalmente o ladrão libertou o garoto e puxou-o pelas axilas, colocando-o do lado de fora do veiculo, mas Xarigan ainda permaneceu dentro dele.

Aquele bando de gente estava próximo e eram mais pessoas do que Xarigan imaginava, assustando-o.

- Guru Clef! – berraram aqueles que chegavam.Por ter perdido aquele segundo parado com a surpresa, a pedra caiu sobre o teto da carruagem em que Xarigan ainda estava, o qual desabou sobre o ladrão.

Voltando ao presente, Máscara da Morte faz um comentário:

- Chegamos a achar que o senhor estava morto. Havia parado de respirar, mas incrivelmente o senhor acordou e foi convidado a convalescer no castelo.

Xarigan:

- Valeu a pena o sacrifício por você, rapaz. Porém aconteceram mais coisas nesse meio tempo.

Abner:

- O que? Não entendi.

Xarigan:

- Nada importante. Como está meu povo? Eu não os vi direito ontem.

Abner:

- Estão bem. Nenhum ferido, por que?

Xarigan:

- Ikki me contou que atacou o castelo, apesar da trégua, mas eu entendo que a vontade lhe dominava. Impulsos da juventude.

Abner:

- Foi isso mesmo.

Xarigan:

- Eles nos enganaram, mas vou conseguir achar a tiara do núcleo e dar a Zefir um governo estável. Sei que posso contar com você e torço que com Ikki também.

Do lado de fora, Ikki observa a fogueira resistindo a apagar com uma pequena chama, perdido em pensamentos:

- Tomar o núcleo de Zefir, me vingar de Esmeralda e depois? O que farei? Isso não importa! Sempre há com quem lutar!

Uma criança aproxima-se do cavaleiro e indaga.

- O senhor pode brincar com a gente?

- Dá o fora, garota! Não sou o mesmo que quando cheguei na aldeia.

A garota sai reclamando:

- É... você ficou chato! Ninguém gosta mais de você. O tio Abner é mais legal!

Fênix porém não liga para o comentário e apenas chuta uma folha seca para dentro da fogueira, para vê-la queimar e virar cinzas.

Um tremor de terra acompanhado de um som estrondoso é sentido por Ikki o qual vira-se e vê que o solo rachara ao lado do assentamento da aldeia, fazendo com que as crianças que ainda tinham coragem de brincar na penumbra se abraçassem com medo.

No interior da tenda, Xarigan pragueja:

- Está piorando! Malditos irresponsáveis que estão fazendo minha terra passar por essa desgraça outra vez!

Máscara da Morte observa a expressão de ódio de Xarigan, e compartilha deste sentimento com ele, olha para o céu negro e murmura:

- Minha terra natal.

 

No castelo de cristal, numa das torres, Guru Clef aponta para uma imensa porta em formato de arco trancada, e uma magia é lançada de seu anel, fazendo com que a porta abra-se, e lentamente exibindo lá dentro a tiara do núcleo sobre uma espécie de fonte de águas límpidas, a qual está brilhando muito. Junto ao Guru estão quase todos os castelões e visitantes, inclusive a escolhida, Lucy.

Os olhos escarlates da menina observam aquele objeto e sua mente entra em divagações.

- Estou finalmente diante do símbolo. Serei núcleo de Zefir. Minha alma ainda chora o amor perdido, mas talvez a verdadeira felicidade seja ajudar a tantos a viver em paz. Não há porque fugir.

A Guerreira Mágica de Rayearth estende as mãos para o objeto brilhante com um gesto delicado, sem lamentar sua decisão e faz menção de caminhar para a sala sagrada.

- Lucy, eu não vou voltar para casa. - fala Anne.

Lucy volta-se para a amiga:

- Anne!?

- Eu também não, Lucy. - fala agora Marine - Eu acho que se você vai perder sua liberdade. Não é justo que nós desfrutemos do seu esforço.

Lucy porém não gosta do que dizem e fala:

- Marine, Anne... não quero que façam isso! Eu estarei ajudando todos os meus amigos sendo o núcleo. Quero trazer a paz a Zefir e isso vai me fazer sentir bem, ver todos felizes e contentes. Por isso quero que vocês também sejam felizes.

Marine e Anne ficam comovidas.

Lucy vira-se para a tiara brilhante novamente e volta a andar em sua direção.

- Esperem! - avisa Clef assustado - Eu tenho uma sensação estranha...!

Priscila:

- O que, Guru Clef?

Clef:

- Sinto que aquela... aquela garota que tentamos convocar, está chegando em Zefir. Preciso ajuda-la.

Marine:

- A Quarta Guerreira?

Clef:

- Sim, vamos para o salão! Preciso enviar Fyura.

Nos céus de Zefir, Sandhye vê seu corpo jogado aos quatro ventos, caindo direto para o chão.

Imensamente apavorada ela grita:

- AAAAI! Sabia que isso era uma péssima idéia! Até o céu deste lugar tá diferente do que eu vi!- tampa os olhos.

Porém seu corpo é amparado por algo macio.

Ela abre os olhos e observa o lugar onde caíra, e esfregando a mão nele, comenta:

- Que liso... parece um...

Ao olhar melhor nota estar num peixe voador gigante e exclama apavorada:

- AAI! Que absurdo é esse?!

Após algum tempo todos estão na porta aberta do castelo, aguardando a chegada da menina.

Rafaga parece impaciente:

- Está demorando demais, não acha, Guru Clef?

Clef:

- Confesso que sim, mas não acho que algo tenha lhe acontecido. Apesar que sinto uma sensação esquisita.

Shiryu aponta o horizonte:

- Olhem lá!

Clef:

- Sim, é Fyura trazendo ela. Mas... - diz com surpresa.

Kuwabara:

- Não tô enxergando direito! Acho que tô ficando vesgo!

Leiga:

- Não está não, queridinho! É isso mesmo que você está vendo! Tem duas pessoas no Fyura!

Priscila impressionada:

- O que?!

Com a aproximação do peixe voador, pode-se ver a silhueta de Sandhye e de uma mulher de cabelos longos e ondulados atrás dela.

Clef, pasmo:

- É... é um milagre!

O peixe voador finalmente chega na ilha voadora, pousa à frente dos que o aguardavam. Sandhye, com receio, desce de Fyura e com um tímido aceno, diz:

- O...oi! E...eu sou Sandhye.

Porém por incrível que pareça o que está impressionando mais naquele instante não é a chegada da candidata à Quarta Guerreira Mágica e sim a mulher que a acompanha, a qual tem baixa estatura e desce do animal neste instante.

Yusuke, Seiya, Shurato e seu grupo não a conhecem, mas estão impressionados com a surpresa dos castelões e das Guerreiras.

Yusuke:

- Olá gatinha! - responde a Sandhye - Mas... quem é a sua amiga que tá deixando todo mundo bobo?

Sandhye:

- Ah, ela... não a conheço, mas qual é seu nome mesmo? - indaga para mulher que veio junto.

- Me chamo Esmeralda. - sorri a mulher loura.

A confirmação choca mais ainda quem a conhecia.

Lucy pasma:

- Princesa... Esmeralda!

Clef abismado para Sandhye:

- Como você a trouxe?

Sandhye sentindo-se intimidada:

- A...ah, eu n... não sei. Estava apavorada voando sozinha neste peixe voador, quando vi lá embaixo uma mulher acenando. O peixe desceu rápido, me dando um susto horrível e buscou-a para vir comigo...Ai, que bom chegar em terra!

Esmeralda feliz:

- Rafaga, Guru Clef, minhas queridas Guerreiras Mágicas, que bom voltar a vê-los!

Priscila contesta:

- Você não pode ser Esmeralda!

Clef:

- Sinto até a energia do núcleo nela, Priscila! Só pode ser!

Shiryu:

- Guru Clef, Abner também está vivo. Eu já lhe contei o que houve com ele na Terra; possivelmente este fenômeno também trouxe de volta a princesa Esmeralda.

Sandhye vendo que todos estão surpreendidos com a sua carona e ninguém lhe dando atenção, fala cheia de duvidas:

- Gente, por favor... me expliquem, por que chamaram a mim? Por que neste lugar tem peixes voadores gigantes? Por que as ilhas flutuam? Por que vocês tem roupas tão estranhas? E o que é ser uma Guerreira Mágica?

Lucy, Marine e Anne aproximam-se, sorrindo:

- Nós somos as Guerreiras Mágicas! Bem vinda! Você será uma de nós!

- Lucy Shidou, Marine Ryuzaki e Anne Houoji. Já decorei o nome de vocês. - responde a novata.

Marine:

- Uée! Não me lembro de ter dito o meu nome todo pra você!

Anne:

- Nem eu.

Sandhye:

- Ah... é que vocês estão sendo procuradas na Terra como desaparecidas.

- Essa não! - exclama Marine.

Sandhye aproxima-se de Lucy, pega sua mão e olhando a pedra sobre a luva diz:

- O que é isso? Um rubi?

Olha para a mão de Anne e Marine e fala:

- Uma esmeralda, uma safira! Acho que vou gostar de ser Guerreira Mágica. O que vou ganhar?

Priscila:

- Menina, estas pedras não são essas que você falou. São pedras mágicas!

Sandhye empolgada:

- Sério?! O que ela faz? Transforma as coisas em ouro?

Priscila fica sem graça.

Caldina olha para a menina e comenta ao marido:

- Olha Rafaga, ela está me lembrando a mim mesma quando era mais nova.

- PU PU PU PUUU! - faz Mokona, aproximando-se.

Sandhye arregala os olhos com medo:

- Que é isso?! Um coelho?!

- PU?? - não compreende Mokona, que tenta aproximar-se, mas ela salta para trás apavorada.

As outras Guerreiras comentam entre si.

- Parece que ela tem muito o que aprender! - fala Anne.

- É... tem medo até do Mokona! - diz Marine.

- Calma, tenho certeza de que ela vai conseguir; afinal ela não poderia ter sido escolhida errada.

A expressão do rosto de Marine discorda do comentário da amiga.

Anne:

- Sandhye, conte um pouco mais sobre você para nós.

Sandhye ainda nervosa:

- Eu sou Sandhye Tsuzuku! Tenho quatorze anos.

Anne:

- Tem a nossa idade quando viemos para Zefir pela primeira vez.

Marine surpresa:

- E já tem a nossa altura. - e brinca com a amiga - Coitada da Lucy. Ficou pra trás até de uma garota mais nova!

Lucy fica vermelha de vergonha.

Sandhye, com a mão comparando o seu tamanho com o da ruivinha:

- Pensei que ela fosse mais nova que eu.

Marine:

- Mas não é! Então vai ter que obedece-la assim como a nós, pois somos mais velhas, apesar dela ser baixinha.

Lucy não sabe onde esconder a cara.

Sandhye:

- Ah, tá bom, tá bom!

Anne:

- Calma Marine! não seja tão radical.

Esmeralda parece muito feliz em vê-los e volta a falar:

- Eu voltei à vida sem saber como, mas já que isso aconteceu, eu sei o que vou fazer dela. Lucy, você é o núcleo de Zefir, não é verdade?

Lucy faz sinal de positivo com a cabeça.

Esmeralda aproxima-se dela:

- Eu vou te salvar disso. É isso que quer, não é?

Lucy fica espantada com a notícia:

- Vai?! Você pode?!

Esmeralda:

- Sim, eu posso. Agora que vivo e sei que meu amado Zagard não mais existe, acho que posso assumir Zefir com a mente somente voltada para esta terra.

Clef:

- Mas... princesa Esmeralda... isso não é possível. A tiara já não é mais sua, apesar de que a energia do núcleo ainda percorre seu corpo.

Esmeralda:

- Guru Clef, você talvez não saiba, mas existe uma forma em Zefir ... em uma região um pouco afastada existe um lugar sagrado, onde dizem que Brafma pode se comunicar conosco, os mortais.

Clef:

- Eu nunca ouvi falar desse lugar, mas apesar de minha idade eu não poderia saber tudo, mas por que? se você sabia desse lugar, por que deixou-se matar naquela época?

Esmeralda:

- Na época eu não queria passar o pesar de ser núcleo pra ninguém, pois sabia que era uma vida triste e solitária, mas agora estou pronta para esse destino.

Priscila:

- Você tem certeza?

Esmeralda:

- Jamais conseguiria amar outro, senão Zagard. Não falharei como pilar novamente.

Marine:

- Princesa Esmeralda, então ajude nossa amiga, por favor.

Esmeralda:

- Farei isso agora mesmo. Mas preciso ela venha comigo, pois só um gênio pode iniciar o contato com Brafma.

Repentinamente, atravessando o grupo de pessoas ali, Seiya aproxima-se da princesa e lhe pergunta:

- Por favor, pode me responder uma coisa?

Rafaga:

- Afaste-se dela! - diz, enraivecido ainda com o rancor que guarda dentro de si.

Clef:

- Pare com isso, Rafaga!- pede.

Seiya:

- Princesa Esmeralda, preciso que tire uma dúvida para mim, por favor. Você conheceu Ikki?

A loura olha para Seiya com espanto por alguns instantes, demora mas responde:

- Claro, conheço.

Seiya fica tão chocado que não consegue perguntar mais nada. Afasta-se a passos desequilibrados e seus olhos completamente arregalados.

Shurato:

- Então quer dizer que ela é mesmo a mulher de quem seu amigo falava?

Shiryu nervoso:

- Isso é o que temíamos. Agora será impossível ter Ikki de volta ao nosso lado.

Seiya reclama:

- É muito azar! É coincidência demais! Não pode ser ela!

Shiryu:

- Não temos como comprovar Seiya, só conhecíamos Esmeralda pelos comentários de Ikki.

Das nuvens escuras do céu um raio é lançado e atinge uma grande árvore da floresta, a mais alta ao redor da ilha voadora do castelo, causando um grande estrondo e derrubando-a ao solo, dando fim a sua folhagem que persistia viva.

Lucy vê que Zefir está em decadência e aproxima-se da princesa para falar:

- Eu vou com você princesa Esmeralda! Agora mesmo se quiser!

Esmeralda:

- Sim, vamos. Melhor que seja agora, zefir e você não devem sofrer mais... Guru Clef, posso usar o Fyura?

Clef:

- Está a seu dispor.

Abaixo da ilha voadora, na floresta, está Hyoga que desde a chegada do estranho peixe-voador mantém os olhos curiosos na ilha acima. Porém não sobe, por não se sentir bem vindo.

- O que era aquele peixe não sei, mas vou evitar voltar ali até que Lucy assuma como núcleo. - pensa cisne.

Seus olhos surpresos vêem novamente o peixe-voador cruzar o céu negro, desta vez saindo da ilha, para algum lugar, e com Lucy e a loura sobre ele.

Hyoga pergunta-se:

- Lucy está saindo do castelo? Não assumiu ainda?!

- Não, aquela garota é muito fraca e emotiva para ser o tal núcleo. - diz Hiei próximo a ele.

Hyoga:

- É você. Não quer ficar no castelo mas não tem para onde ir, assim como eu.

Hiei sempre antipático:

- Humpf! Que se dane! Eu prefiro estar aqui com apenas um do que lá com um monte de imbecis!

Hyoga:

- Não adianta me provocar. Se você ainda pensa em se vingar da luta, eu apenas peço desculpa por ter me defendido! Mas farei de novo se preciso! Estou mais preocupado com Lucy estar perdendo tempo.

Hiei:

- Não se engane! Ela é muito mole e levaria esta tal de Zefir a desgraça, assim como ela está fazendo com ela mesma agora.

Hyoga pasmo:

- Que?! Porque disse isso?!

Hiei faz cara de desdém e entra na floresta, deixando Cisne falando sozinho.

Mais tarde, dentro do castelo, todos rodeiam Sandhye com imensa curiosidade, enquanto ao meio de toda essa gente está a novata e Clef. Ela, bem nervosa com aquela atenção em demasia.

Clef:

- Menina, para começar, você não pode ser uma Guerreira Mágica com tecidos tão frágeis. Terá que ter uma armadura como as outras.

Sandhye:

- Tá. E onde eu a visto? Cadê ela?

Clef não responde e, com um movimento no seu cetro, faz com que uma energia seja emanada dele. Essa energia envolve o corpo da garota, fazendo com que pareça que ela está envolta por um tipo de cobertor de lascas de cristais.

Uma pedra amarela surge sobre o dorso de sua mão calçada numa luva, enquanto ela fecha os olhos sentindo aquela estranha sensação da magia que a envolve.

Segundos após ela está vestindo uma armadura bem mais simples que as das outras Guerreiras Mágicas.

- Essa é a armadura?! Apareceu do nada!

Anne:

- As nossas armaduras evoluíram até o estado atual. Começamos usando uma como a sua.

Sandhye:

- Evoluíram? As armaduras evoluem?!

Anne:

- Isto é magia.

Sandhye volta a fazer uma reclamação, olhando a pedra na sua mão:

- Ei, essa pedra que eu tenho é um topázio?! Isso é injusto! Por que a minha pedra tem que ser menos valiosa que a delas, que têm uma safira, um rubi e uma esmeralda?

Clef:

- Já disse que não são pedras preciosas. São mágicas! Não seja impertinente. Seja o que nasceu pra ser, A Guerreira Mágica do elemento terra.

Sandhye:

- E como deve agir uma Guerreira Mágica? Qual nossa função, afinal?

Marine, irritada:

- Ora, proteger Zefir, enfrentando todo tipo de criatura horrenda!

Ela fica com temor e diz:

- Tá, eu t...tento, m...mas o que acontece depois que eu salvar Zefir?

Priscila:

- Finalmente Zefir terá a paz e você poderá voltar para a Terra.

Sandhye:

- Mas, o que mais?

Priscila não sabe o que responder e fala:

- Todos nós ficaremos eternamente gratos.

Sandhye, desesperada:

- Quer dizer que não vou ganhar nada, arriscando a vida contra monstros horrendos?! Não sou relógio para trabalhar de graça! Desse jeito eu prefiro voltar pra Terra e levar ela junto! - diz, apontando para Marine.

Marine surpresa:

- Como é que é?!

Sandhye:

- Isso que você ouviu! Eu prometi que ia te levar de volta para seus pais e assim vou mostrar que tudo que contei sobre Zefir é verdade.

Marine injuriada berra com a outra:

- O que?! Você contou pros meus pais sobre Z...Zefir!? Eu passei anos guardando esse segredo e você contou tudo!

Anne exclama:

- Hã?! Então minha família e a de Lucy vão ficar sabendo também! - diz também assustada.

Marine continua:

- Sua garota desmiolada! Não sabe que pode dar uma confusão danada pra gente depois explicar tudo?!

Sandhye sente-se pequenina diante daquela bronca.

Após algum tempo sobrevoando Zefir na criatura exótica, a princesa loura aponta para um local lá embaixo e avisa:

- É lá em baixo, naquela gruta.

Sem demora o peixe voador desce com as duas, entrando voando com elas na tal gruta indicada.

Lucy:

- Princesa Esmeralda, é este lugar mesmo?

Esmeralda:

- Sim; venha comigo, Lucy.

As duas descem do animal e andam na escura gruta, onde a visão é, com certeza, inútil pela negrura do ambiente.

Contudo, de repente, luzes acendem-se no local, provenientes de alguns cristais rosados brilhantes e flutuantes. Podem ver também que estão num local de teto extremamente alto.

Vê-se também quatro criaturas paradas à frente das duas. Uma assemelha-se a um polvo, tem olhos como um mamífero e boca dentada, mas nota-se que seu ambiente natural não é aquele. O outro assemelha-se a um louva-Deus do tamanho de um homem, outro a um unicórnio e o último a uma foca com uma crista na cabeça, como os animais de carga da aldeia de Xarigan.

Estranhamente, essas criaturas demonstram-se vivas somente por sua respiração lenta, pois estão tão paralisadas como estátuas.

Lucy vê aquelas criaturas e fica assustada.

- Princesa, eu não entendo porque essas criaturas estão tão estranhas!

Esmeralda:

- São criaturas produtos da instabilidade de Zefir. Tem que invocar o seu gênio agora, Lucy.

Lucy intrigada:

- Não; desculpe Princesa. Eu não estou entendendo o que está havendo.

A moça tenta retornar ao Fyura mas o peixe-voador está estático como as outras criaturas. Isto choca a Guerreira.

- Ora, minha cara Guerreira Mágica - diz uma voz feminina; é de uma mulher de longas vestes, um belo e sinistro rosto, cabelos tão compridos quanto os de Esmeralda e repleta de adereços.

Lucy:

- Ãhn?, mas quem é você?

- Meu nome é Seikiakko! É um prazer conhece-la, Guerreira Mágica.

Lucy pasma:

- O antigo núcleo de Zefir?! Foi você quem enviou o filho do Guru Clef para outra dimensão?!

Seikiakko:

- Noto que finalmente chegaram a descobrir a verdade. É lamentável terem demorado tanto.

A Guerreira de Rayearth demonstra-se indignada:

- Mas o que você tem a ver com a minha libertação? E esses animais, por que estão aqui paralisados? - vira-se para a loura - Princesa Esmeralda, por que me trouxe aqui?

A Princesa loura dá um estranho sorriso; seus olhos apresentam-se com uma frieza incrível.

Isto passa a certeza neste instante à Guerreira das chamas, de que tudo está errado naquele lugar, e que desta vez ela corre um sério risco sozinha e muito longe dos amigos.


Capítulo 18

Capítulo 16

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