Ontem, por volta das 15 horas, o iate Martitanic, de propriedade da prefeitura de São Paulo, atolou no cruzamento da Avenida Atlântica com Águas Espraiadas. Segundo analistas políticos e pais-de-santo do candidato Zé Serra (o quê?), o atolamento nada mais é do que uma grande metáfoda, ops, metáfora da candidatura da petista Marta Suplicy Vai às Favras Schmidt.
O navegador Amyr Link, que passava pelo local com seu caiaque, foi lacônico:
- Se eles estivessem navegando na internet com esse iate, isso não teria acontecido.
Técnico do Fome Zero ao lado do Projeto Pintão
Faleceu ontem Joselito Bomfim, técnico do governo encarregado do projeto secreto "Pintão", desenvolvido para o FOME ZERO.
O projeto, que vinha sendo mantido em segredo até agora, visava criar pintos maiores para a população. E o processo era até simples: bastava alisar o pinto três vezes por dia que ele crescia assombrosamente. Acontece, porém, que por uma falha genética os pintos, depois de certa altura, fugiam completamente ao controle. Foi exatamente isso que aconteceu ao ex-técnico Bomfim: depois de alisar doze vezes o pinto sob sua responsabilidade, este ficou loca e soltou a franga. Depois de bicar a nuca do seu criador por vezes sem fim, o pinto finalmente comeu o cara. Testemunhas afirmam que as últimas palavras do técnico foram estas: "Ai meu Deuuus, qui booom!".
Zé Dirceu, apavorado, até quis ir à TV anunciar a falha do projeto, mas achou por bem ficar quieto. Mais cedo ou mais tarde, concluiu, a imprensa iria dizer que o pinto era dele.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse apenas que não se ocupa de pintos.
- Se fosse rabo de galo, vá lá, companheiro. Mas isso aí não é comigo.
75 mil brasileiras se prostituem na Europa, estima OIM
Agência Estado
Cerca de 75 mil brasileiras atuam na indústria do sexo na Europa. Os dados fazem parte de um relatório publicado nesta terça-feira pela Organização Internacional de Migrações (OIM), em Genebra, e alertam para a existência de rotas de tráfico de mulheres do País para a Europa.
Quer dizer, significa que o Programa de Emprego do governo tá funcionando. Ninguém pode negar que o Lula tá criando emprego. Na Europa, sim, mas está criando. Um puta emprego, digamos.
Ou seja: nem tudo está perdido.
O Crime autorizou, o secretário Garotinho foi correndo levar a notícia e Rosinha, enfim liberada pelos poderes superiores, decretou situação de emergência no sistema penitenciário do Rio.
FARMÁCIA POPULAR
Lula acaba de tomar uma medida no mínimo curiosa: vender remédios a preço mais baixo que o do mercado. Logo de cara pode não parecer muito, mas a longo prazo faz sentido. Explico: vendendo calmantes e antidepressivos mais barato vai criar condições para a população agüentar o restante do seu mandato. E ainda dizem por aí que ele não dá a mínima para o bem-estar do povo...
DOIS LANCES
Depois do jogo contra o Chile, Ronaldo reclamou da bola. Disse que ela estava horrível.
A bola rebateu: "E você tem se olhado no espelho por acaso?".
CURTO & GROSSO
O sigilo bancário da família Maluf é que nem cabaço de puta: ninguém acredita.
FRASE DA SEMANA
De Antônio Silva, ex-pobre:
"Prefiro o risco do infarte ao risco do enfarta!"
Pra quem não me conhece ainda, meu nome é Ninguém, Zé Ninguém. Sou o copeiro oficial do Planalto desde os tempos do Sarney. Já vi de tudo por aqui e aprendi por necessidade a respeitar a expressão "As paredes têm ouvidos", principalmente porque aqui o que mais tem é ouvido colado às paredes. Mas não é ético falar dessas coisas infaláveis e eu quero ir direto ao assunto - porque o patrão voltou inda há pouco de viagem e a coisa agora tá de lascar.
***
Pois é. Eu tava lá na copa lendo o meu The New York Times quando o patrão entrou:
- Bóra, Ninguém, Bóra!
Eu fiquei ali sem entender patavina nenhuma. O normal é o patrão me chamar pelo ramal, pelo boy, pela secretária. Vez ou outra quem me chama é a patroa dona Marisa, mas isso é raro. Mas o patrão não! Ele aqui na copa deve ser coisa urgente. Talvez saia agora o meu Ministério Extraordinário do Café Sem Açúcar...
- Bóra, Ninguém! - ele repetiu. - Tenho um comunicado importante a fazer.
Minha mãezinha, lá na Paraíba, se estivesse viva ia morrer de satisfação: seu filho único e espremido, ministro do governo! Do Café Sem Açúcar, tudo bem, ainda Extraordinário, mas uma honra de qualquer maneira.
- Você anda bebendo em serviço, Ninguém? - o patrão perguntou.
Se eu bebo, pelo menos não sai no jornal - pensei mas não falei, porque aprendi aqui no Planalto que o pensado nem sempre deve ser o falado e na maioria das vezes o falado sai caro.
- Bebi não, patrão. Por quê?
- Parece que tá viajando! Faz uma hora que tô te chamando para um comunicado importante e você aí com essa nuvem de jumenta...
Nuvem de jumenta, pro patrão, é a mesma coisa que moinho de vento, morte da bezerra, essas coisas. Metáforas.
- Pode falar então, patrão. Tô aqui para servi-lo e ouvi-lo. Café ou água?
- Nem café nem água. Vim te chamar pelo seguinte...
E então, de pronto, o presidente começou a dar voltas e mais voltas pela copa, o cenho franzido feito uma sanfona de 12 baixos, o gragumilo subindo e descendo dando a nítida impressão de que ia se arrebentar todinho em prantos abundantes e infindáveis. (Gostaram do estilo? Fruto das minhas recentes leituras de Machado de Assis e também do meu curso de literatura por correspondência. Um aspirante a ministro como eu não pode demonstrar falta de conteúdo. Pode até não ter o dito cujo, o que não é o meu caso, mas demonstrá-lo, jamé!).
- O que tanto aflige Vosselência? - perguntei. - O gragumilo subindo e descendo, a suarada empastelando o colarinho, as mãos empandeiradas de tanto tremor...
- Tensão governatória, Ninguém. É isso.
- Com todo o respeito, patrão, mas na minha terra isso se chama ressaca!
- Olha o respeito, cabra!
- Ou tensão governatória, como bem observou o nobilíssimo patrão. Mas a que devo a honra de tão ilibada visita?
- Isso é que tá errado, Ninguém.
- A visita?
- Não. A circunstância.
- O senhor abandonou seu gabinete para vir aqui na copa falar de circunstância?
- Essa é a questão, Ninguém: eu sou o presidente, o patrão. Tá errado eu vir aqui falar com você.
- Com todo respeito, patrão, mas eu não fui lá chamar ninguém.
- Você não entendeu. Não é correto o presidente discutir assunto de interesse nacional na copa.
Aproveitei a chance para exibir um pouco o meu vasto domínio sobre conhecimentos gerais:
- Como o senhor certamente deve saber, muitos chefes de Estado discutiram assuntos de interesse nacional na cama. Outros, no curral. O Bush, por exemplo, despacha na privada, como o senhor bem sabe. Não vejo, portanto, nenhum inconveniente em discutir com o patrão aqui mesmo na copa.
- Mas eu vejo! O copeiro vai falar com o presidente, e não o presidente com o copeiro!
- Cadê a democracia, companheiro? - espetei.
- Virou petista, é? Bóra, home, bóra!
***
No gabinete, o patrão se ajeitou na poltronona e começou o falatório:
- Sei que você lê o NYT, Ninguém.
- Também leio o The Economist, The Wall Street Journal, The Guardian, O Clarín, o Miami Herald...
- Tá bom. Mas como você é leitor, deve saber as mentiras que eles andaram publicando lá.
- O NYT publicou que o Brasil saiu do buraco, patrão? Não li isso. Saiu quando?
- Saiu quando você foi exonerado, lembra?
- O senhor tem razão. Essa história que o presidente é alcoólatra é um exagero.
- Pois então...
- Bom de copo, só.
- Mas isso não é da conta dos gringos, Ninguém, e nem da imprensa. E é aí que você entra.
Eu, agente secreto? O encarregado de despistar as imprensas nacional e estrangeira? Por um instante me vi lá na Paraíba:
- Meu nome é Ninguém, bichinha. Zé Ninguém!
Mas o patrão quebrou o gelo:
- Daqui pra frente, Ninguém, você só vai me servir água, ouviu bem. Água!
Pensei no freezer lotado de cerveja. Na adega de cachaça lá do Torto. Na uiscaiada que corre feito fogo na pólvora. Um desperdício.
- Mas isso vai chamar a atenção de todo mundo também, patrão! Se o senhor mudasse da água pro vinho, vá lá. Mas da cana pra água? Quem é que vai engolir essa?
O presidente, que já tinha tudo armado na cachola, gargalhou feito um preá.
***
Noite dessas o patrão mandou reunir a imprensa toda pruma coletiva. Nada de café, cervejinha nem pensar, uísque nem pra remédio contra gota. Só água pra todo mundo, principalmente pros imprensários, que é como resolvi chamar essa turma de fofoqueiros.
- Mas a minha - falou o patrão -, a minha é diferente. Sou o presidente, tenho direito a minha agüinha importada.
Os jornalistas olharam meio atravessado pro copo do patrão, mas ninguém ousou abrir a boca. E assim o presidente tocou essa coletiva e mais um punhado de outras que aconteceram e que estão por acontecer. Além dele, o único que sabe que essa água é vodka russa sou eu. Mas pra mim, copeiro, ninguém olha nem pergunta nada, nem que a vaca tussa.
Logo mais tem jogo contra a Rentina.
O Parreira me disse, reservadamente, que já sabe como salvar a seleção:
- É natural, meu nobilíssimo xará. É só trocar o técnico!
É preciso dar o braço a torcer: desta vez o Parreira tem razão...
A Presidência da República vai abrir licitação para a compra de milhares de rolos de papel higiênico. Ao que parece, Lula quer limpar a imagem do governo o mais rápido possível.
DEMORÔ
Foi criada, pela Funarte, a Coordenação Nacional de Circo. Num país como este, de tantas palhaçadas, estava mais do que na hora.
VAMPIROLÂNDIA
O Conde Drácula, na Transilvânia, foi obrigado a pedir falência. Não aguentou a concorrência brasileira.
NÃO FAZ SENTIDO. MAS FAZ
Com toda razão, Caetano Veloso cantava: "O Haiti é aqui". Pois é. Por que então o exército vai liderar missão de paz LÁ? Não seria mais barato, e útil, ficar por aqui mesmo?
CORTINA DE FUMAÇA
O governo agora tá preocupado com os fumantes. Já é um progresso. Mas isso não quer dizer que nós brasileiros não vamos mais levar fumo.
OUTROS AIRES
Definitivamente, essa história do Maradona vir para o Brasil não cheira bem.