Alguns
Imigrantes revoltaram-se, a 17 de março; abandonaram o núcleo e embrenharam-se
na floresta do Timbuí, através de uma estrada primitiva, que o Governo
Provincial mandara abrir, a fim de comunicar o litoral com a estrada de Santa
Teresa.
Num
velho impresso, vemos referências a esses destemidos bandeirantes:
.Abramo
Zurlo
.Anibale
Lazaro
.Bernardo
Camper
.Daniele
Palauro
.Francesco
Bassetti
.Giuseppe
Paoli
.Lazaro
Tonini
.Paulo
Casotti
Fixaram-se
no lugar Santa Teresa, hoje sede do Munlcípio. Devemos, porém,
assinalar que não se fez a viagem dramatizada e enaltecida pelos historiadores
e escritores de Santa Teresa, porque os colonos seguiram a trilha aberta, desde
1856. Seria mesmo Impossível que os Imlgrantes vencessem a mata virgem daquele
tempo, num meio cuja topografia Ignoravam. Teriam sido liquidados pelas picadas
de serpentes, pelas onças, febres etc.
E
a fome?
Souberam
de um caminho, para outro lugar, seguiram-no.
Tabacchi
muito sofreu dos seus sacrifícios. Roído de desgosto, faleceu em Santa Cruz, a
21 de junho do mesmo ano. Residiu ali muitos anos, e deixou descendência,
conforme o necrológio da Imprensa da época.
No
confronto de relatórios, datas e notícias, podemos afirmar que o nome de Santa
Teresa, para o lugar,
relaciona-se com a homenagem ao casamento do Sr. Dom Pedro II com a Sra. Dª
Teresa Crlstina Maria. No relatório de 1871, o Presidente da Província,
Francisco Ferreira Correa, dizia: "A estrada de Santa Teresa tem
custado imensos sacrifícios de força de votade
e dinheiro”. Em
1874, a Imprensa noticiava "estrada de Santa Teresa,inciada a 4 de
setembro 1848, a esforços do Presidente Antonio Pereira Pinto. Partia das
margens do Rio Santa Maria da Vitória, e seu traçado deveria acançar a Vila
de Coieté, em Minas Gerais". Já em 1854. dizia o Presidente Sebastião
Machado Nunes: “ Ao encetar a administração da Província, achei parados
os trabalhos da abertura da estrada de Santa Teresa”.
Era
empresário da estrada o Capitão Antonio Fernandes de Andrade. Datava, aliás,
de 1846 a primeira tentativa de sua abertura, pelo PresIdente Luis PedreIra do
Couto Ferraz. E, desde 1856. proJetava-se uma colônia em
algum ponto da mesma estrada, pois, no relatório apresentado .o" Presidente
José Maurício Pereira de Barros, a 8 de março daquele ano, ao tratar da
colonIzação, o Barão do Itapemlrlm assim concluia:” Permita V. Exa. Que
indique a conveniência de fundar-se uma colônia militar em algum ponto da
estrada de Santa Teresa, onde há, segundo consta excelentes localiadades, com
terras férteis e boa água”.
Os
referidos Imigrantes. porém. Já encontraram outros, chegados em pequenas
levas, anteriormente, não oficializadas como, por exemplo, o casal Giovanni e
Domenica Zanotti, que vieram antes. em navio velelro, numa viagem de cinqüenta
e dois dias, na qual perderam a primeira filha, cujo túmulo foi o oceano! Os
paIs assistiram ao lançamento do corpo cerimônia simples e comovente...
O
veleiro transportava cerca de duzentos Imigrantes.
A
7 de maio de 1879, tiveram os
Zanotti o conforto de um filho, no seu lar. quando nasceu David Zanotti. A família
havia Caldelrão.
Contudo,
a glória da fundação da colônia Santa Teresa foi dada ao grupo que, no dia
12 de abril de 1875, partia de Trento, para, no dia 17, deixar a Europa, no
vapor Rivadavia, e chegar ao Brasil a 9 de maio. No dia 31 do memo ano ,
saltaram os imigrantes na Vitória e, dias após, subiam, em canoas, O Rio Santa
Maria da Vitória. Os componentes desse grupo foram:
.Achile
Mosmazzo ----------------------.Giovannl Baptista Paoli
.Adone
Avancini ------------------------.Giovanni Brosseghini
.Albino
Scalzer -------------------------.Giovanni Moschem
.Alessandro
Felippe ------------------- .Gluseppe Bortolini
.Andréa
Martinelli ---------------------.Gluseppe Dallapicola
.Angelo
Margon ------------------------.Gluseppe Margon
.Antonio
Lambert ----------------------.Giuseppe Paoli
.Antonio
Margon -----------------------.Lazaro Andreata .
.Antonio
Palauro----------------------- .Lorenzo Dlprá
.Antonio
Zanottl------------------------.Lourenzo Margon
.Augusto
Palazzo---------------------- .Luigi Angeli
.Baldassari
Zonta---------------------- .Luigi Tomazelli
.Celeste
Rosa--------------------------. Luigi Zotelli
.Cirillo
Belmut------------------------- .Masslmo Gasperazzo
.Danielle
Mér-------------------------- .Mateo Delprá
.Davld
Castelubre---------------------.Paolo Mantibeller
.Domenico
Edrer--------------------- .Paolo Paoli
.Domenico
Montebeller------------- .Paolo Zatelli
.Eugenio
Cuel-------------------------.Pietro Avancini
.Fedeli
Martinelli---------------------.Pietro Costa
.Felippo
Bortolini-------------------- .Pietro Lenzl
.Francesco
Scalzer------------------ .Pietro Margon
.Francesco
Rower------------------- .Pietro Moschem
.Giaclntho
Fillppi-------------------- .Pietro Postai
.Giacomo
Passamini---------------- .Pietro Rasseli
.Giorgio
Gasperazzo---------------- .Pietro Valandro
.Giorgio
Martinelli------------------ .Tomazo Armelini
.Govanni
Angeli----------------------.Virgilio
lambert
Vieram
com suas famílias, entregaram-se ao trabalho da derrubada das matas para a
limpa de estradas e sua consequente conclusão, o que, somete após, foi
alternado com o preparo das colônias. Aos sábados. Interrompiam-se os
trabalhos, a fim de que fossem receber provisões, em Cachoeiro de Santa
Leopoldina. Viagem a pé uma via dolorosa.
Existia,
portanto, o núcleo iniciado, tendo como Vice-Diretor o Oficial do Exército
austrraco e ex-Ajudante-de-Campo do Imperador Maximiliano da Austria, Franz \/on
Lipp.
Esse
tinha sua própria história. Depois do revés sofrido pelo soberano, na sua
aventura de conquista do México, patrocinada por Napoleão III, aportou ao
Brasil, fugindo à perseguição dos nacionalistas comandados por Juarez.
Pôs-se em contato com o Imperador Pedro II. através de elementos
da nobreza austríaca, então muito ligados à nobreza brasileira.
Nessa
ocasião, homens como Antonio Prado e Quintino Bocaiuva interessavam-se pela
solução dos problemas agrícolas, numa antevisão das futuras consequências
da abolição da escravatura, que deixaria a layoura sem braços. Urgia cuidar
do seu impulso. Então, sob a orientação de Von Lipp, e de outros elementos
tomados de entusiasmo pelo problema, crlou-se, no Brasil, o Serviço de Colonlzação,
que encaminharia. para diversas zonas do país, colonos do Centro-Norte da
Europa. Alguns encontraram no Espírito Santo condições ecológicas favoráveis
à localização de Indivíduos oriundos do clima frio e temperado da Europa.
Von
Lipp era Vlce-Dlretor do Núcleo de Santa Teresa, quando chegaram os Imigrantes
Italianos, em l874. E aconteceu que, no dia 26 de junho de 1875, quando se fez o
sorteio dos lotes, o colono Virgilio lambert exigia que se desse ao lugar o nome
de São Virgilio, em consideração á data Mas, Von Lipp, conhecedor do
passado, opôs-se à Idéia, a fim de que permancesse o nome tradicional de Santa
Teresa.
Pouco
depois, chegaram para a mesma colônia:
.Anselmo
Frizzera---------------------- .Frederico Coser
.Antonio
Pagani------------------------ .Fortunato Broilo
.Antonio
Perini------------------------- .Giovanni Briddi
.Antonio
Roatti------------------------- .Giovanni Carlini
.Danieli
Rizzi----------------------------.Giuseppe Corteletti
.Domenico
Broilo-----------------------.Giuseppe Racagni
.Domenico
Fracalozzi----------------- .Mansueto Briddi
.Domenico
Taffner-------------------- .Tomazzo Briddi
.Domenico
Tamanlni------------------ .e outros, como os Mattedi
No
dia 11 de janeiro do mesmo ano, nasceu em Santa Teresa, na Serra do Alvarenga, 0
primeiro filho daqueles imigrantes. Chamava-se José Roatti.
Em
outubro, ainda do mesmo ano, chegaram outros numerosos Imigrantes que se
estabeleceram ali. Eram os chefes de família cujos descendentes, como os
anteriores, continuam no famoso Vale de Canaã. Muitos, porém, dispersaram-se
para outros municípios do Estado. Diversos procuraram lugares distantes, onde
as condições de prosperidade acenavam-lhes um convite cheio de esperança.
Em
1891, chegou a Santa Teresa o Sr. José Ruschl. Viera para o Brasil, nesse mesmo
ano, em consequência das oportunidades surgidas na Unlversidade de Piza, onde
concluíra o curso de técnico agrícola. Conquistara o primeiro lugar. Sua
viagem era um prêmio, para que os recém-formados viessem para o Brasil, bem
comissionados. Destinou-se, por Isso, José Ruschl ao Paraná, a fim de Instalar
a colonização Italiana,
em Palmeira, onde se desempenhou daquela missão. Existe ali uma rua, com o seu nome: Rua José Ruschi.
Concluídos
os trabalhos, no Paraná, foi contratado para demarcação dos lotes coloniais,
em Santa Teresa, no Espírito Santo, e das linhas divísórias dos municípios
de Linhares, Colatina, Fundão, Boa Família e Santa Teresa, até o ano de 1903,
quando foi nomeado Coletor Federal, cargo exercido, até seus últimos dias.
Casado,
em Santa Teresa, com a Sra. Maria Roatti, José Ruschi foi chefe de numerosa família
-doze filhos, todos nascidos ali.
De
acordo com as notas genealógicas dos seus antepassados, descendia de família
nobre de Pizza, onde existem, ainda, alguns dos seus ilustres parentes.
Os
Pagani chegaram a Santa Teresa, de 1870 a 1876, Antonio Pagani trouxe de Mantova
(Itália) seus filhos menores: João. Domingos e Angelo. Fixaram-se em São João
de Petrópolis, onde, mais tarde, João e Domingos constituíram família e
dedicaram-se ao comércio e à lavoura. João desenvolveu uma fazenda. onde.
Atualmente, se localiza a Escola Agronômica. Seus filhos, Antonio, Angelo,
Luis, José e Vitorino. tornaram-se comerciantes.
Antonio
Pagani, o primeiro, transferiu-se com o filho Angelo para Boa Família, hoje
Itaguaçu, onde faleceu, Atualmente, os Pagani estão em Vitória, Colatina,
Itaguaçu. São advogados, engenheiros, militares, professores, além de
comerciantes o Sr. José Pagani, de Colatlna, é Comendador da Igreja Católica
Em
1897, chegou à Santa Teresa, Valérlo Coser, que participara de uma leva de
imigrantes destinados ao Espírito Santo. Viajou em companhia de seus pais
(Eugenio e Fortunata Coser) e dos Irmãos (Paulo. Carlo, Giovanni, Giulio,
Carlota, Maria e Isidoro), todos naturais de Aldeno, Província de Trento.
Vieram a convite de um primo chamado Frederico, já estabelecido em Santa
Teresa, no lugar Vargem Alegre. Partiram de Gêno- va, a 10 de agosto, e
chegaram a Vitória, no dia 30 do mesmo mês.
Como
todos os seus antecessores, nossos imigrantes seguiram em canoas, até Santa
Leopoldina e, daí, a pé, ao seu destino Vargem Alegre. E do Brasil fizeram a
segunda Pátria, no duro da agricultura. Construíram O futuro de uma família
numerosa, mas forte, porque unida, de evidência, atualmente, na vida comercial
e industrial do Espírito Santo.
Numa
das viagens de 1876, chegou ao Espírito Santo um casal que se tornaria o tronco
de uma família considerada a mais numerosa de descendentes de Italianos no
Estado, e notável pelo elevado número de elementos atuantes na política, na
lavoura, no comércio, nas Indústrias e nas profissões liberais: Luiz Prettii
e Filomena Talianini Prettii, naturais de Modena, como tantos outros que para
aqui vieram na mesma viagem.
Traziam
seus cinco filhos: José, Irmo, Vitória, Jerônimo e Rosa. No Espírito Santo,
nasceram Henrique e Drasto.
Seguiram
o destino dos seus patrícios, Igualmente imigrantes daquele tempo: subiram o
Rio Santa Maria da Vitória, em canoas, até Santa Leopoldina, Daí, partiram
para Santa Teresa, a pé, através da mata fechada, em estrada primitiva feita a
machado e foice, por aqueles que os precederam.
Enquanto
esperava receber o lote que lhe seria destinado, Luiz Prettii trabalhou na
abertura de estradas, com a diária de ,um cruzado. Recebida a porção de
terra, em que punha suas esperanças de futuro independente, nosso Imigrante,
ajudado pelos filhos maiores, plantou café e cereais. Prosperou, os filhos
foram crescendo e, à medida que o auxiliavam no trabalho, recebiam a educação
que os italianos se esmeram em dar aos seus descendentes. Educação e instrução,
apesar das dificuldades do tempo. Mas, em Santa Teresa, muito valia o Colégio
dos religiosos Capuccinos.
Com
o progressivo resultado do seu trabalho, Luis Pretti abriu pequena casa
comercial e comprou dez burros de carga, para fretes. Tal providência foi
lucrativa e animou-o à compra de mais vinte burros, que formaram a tropa
entregue aos filhos, que trabalhavam, a exemplo do seu genitor.
Eles se organizaram na vida. Casaram-se. Deram-lhe netos e bisnetos:
.Jerônlmo
casou-se com Cleonice Simonassi: dez filhos; José, com Judith Senefonte: doze
filhos; .Irmo, com Selene: três fithos;
.Vitórla,
com Lourenço Fontona: quatro filhos;
.Rosa,
com Moro Pedroni: tiveram muitos filhos; .Drasto, com Adelina Polli: oito filhos;
.Henrlque,
com Teresa Ferrari: doze filhos.
Com
os demais descendentes de Imigrantes, os Pretti foram, na maioria se
encaminhando para as profissões liberais e entrando na política, e nos
esportes. Assim, FONTANA, tri-campeão mundial de futebol, é neto de Vitória
Pretti Fontana; Frederico Pretti, nascido. l6 de setembro de 1899, em Santa
Teresa, filho de Henrique e neto de Luis, o imigrante, fez-se comerciante e
fazendeiro, abraçou a política e foi Prefeito de Santa Teresa, depois,
Deputado Estadual, pelo antigo PSD. N
assembléia Legislativa, ocupou a Presidência da Comissão de Justiça, durante
todo o período legislativo. Sua esposa. Dª Amália De Francesco Pretti, numa demonstração
de clarividência, foi Vereadora e Presidente do Sindicato Rural de Santa
Teresa. O casal tem o conforto de ver todos os seus filhos bem organizados:
Henrique, atualmente Deputado Federal, é um exemplo de persistência. Formado
em Contabilidade, está concluindo o curso de Direito, na Faculdade de Colatina.
Foi comerciante, Diretor da Caixa Econômica Federal, esportista, Deputado
Estadual e Vice-Governador do Estado, no perrodo de 1971/75, durante o qual
substituiu o Governador por algum tempo.
Djalma Ari, formado em Contabilidade,
funcionário do INCRA, licenciado, reside nos Estados Unidos da América.
Geraldo
é formado em Odontologia e Pedro Nelson, médico ortopedista, é o conhecido
Dr. Pretti, conceituado na Cidade da Vitória. Casado com Nilsa Morais, tem
quatro filhos: Renzo, Bruno, Sandro e Giovana.
Os
Zanandréa são de Bassano del Brenta, Veneto, Norte da Itália. O
primelro que veio para o Espírito Santo fo Jerônimo, filho de Pedro Luis
Zanandréa e Catarina Bigorelli Zanandréa, que ficaram na Europa. Casado com
Augusta Loss, em 1898, Jerônlmo apressou-se a viajar, por conta própria, com
destino a Santa Teresa, entusiasmado com as notícias que a esposa lhe dava,
porque estivera ali, antes, com seus pais, os Loss, que fizeram fortuna com o
café e regressaram à Itália, em melhores condições econômicas.
Jerônimo
e Augusta Vieram. Padeiro-auxlliar, ele foi para a lavoura, a princípio como
meeiro. Comprou terras e ficou Independente; mas, ativo e habilidoso, buscava
outros meios de ganhar dinheiro: preparava banquetes e outras festas familiares.
Em festas populares, vendia doces, bolos e bebidas, que ele próprio preparava.
E, assim, trabalhando, conseguiu regular sua situação econômica.
Os
filhos foram chegando. Sete, ao todo: Catarina, Maria, Pedro Luís, José
Vicente, Candida, Teresa Vitoria, Bruno (que faleceu na prImeira infância).
Logo possível, os mais velhos iam ajudando as atividades paternas.
Mas,
a depressão sofrida pelo café impediu que Jeronimo e Augusta regresassem à Itália,
como Pedro Luis e Catarina. E não se interessaram muito por isso, visto que o
Brasil, berço de seus filhos, já Ihes conquitara o coração. Aqui, desejavam
viver e morrer ! Aliás, o mesmo se deu com outros italianos, que se tornaram
brasileiros de coração!
Animado
pelos filhos, Jeronimo Zanandréa muito realizou, Santa Teresa. No lugar Nova
Valsunga, instalou máquina de beneficiar café, uma pequena fábrica de
cerveja, uma de aguardente (a Canaã, afamada no tempo"), uma usina
de luz elétrica, a primeira do Município. Espírito progresslsta, em sua casa
tinha água encanada, geladeira, e uma comunicação telefônica com a
propriedade da família Pretti, a um quilômetro dIstante.
pois,
automóvel, caminhão e rádio. Seu filho, Pedro Luis, como dentista-prático,
Licenciado, mediante provas, trabalhava no ofício e tinha uma farmácia, onde,
à moda antiga, era tudo: assistia aos que o procuravam para curativos, soro
anti-ofídico e outras formas de assistência, na falta de médicos.
Como
todos os italianos, os Zanandréa cuidaram da educação dos filhos Dr. Benito
Zanandréa, médico, filho de Pedro Luis e Linda Pretti, neto portanto, de
Jeronimo e Augusta, é Diretor do Centro Biomédico da UFES. O Dr. Benito é
casado com Terezinha Fernandes, que lhe deu filhos: Pedro Luis, Iara, Paulo
Henrique e Eduardo.
Outros Zanandréa estiveram no Espírito Santo e regressaram à Europa. Mas, Luis, sobrinho de Jeronimo, formado na Suíça, engenheiro eletro-técnico , instalou a primeira usina hidrelétrica, em Santa Teresa, e inúmeras outras, no Espírito Santo e em Minas Gerais.
Adone Avancini deixou numerosa descendência, atuante no Município e em Vitória. Carlos Adone Avancini , por exemplo, concorreu muito para o progresso de Santa Teresa: organizou casa comercial, hotel, padaria e outros. Serviu como Cônsul austráco e italiano, pelo conhecimento que tinha dos dois países. Participou da organização da Câmara Municipal. Icentivou todos os movimentos, mandando vir artesãos, sementes de culturas diversas e dando a casa para o primeiro médico residente na então colônia. Foi um colaborador de Von Lipp.
Virgilio
Lambert,
Inteligente e culto, deixou nome venerado em Santa Teresa. Era escultor.
Escreveu seu Diário da vinda para o Brasil, desde a saída do Havre até
o dia de sua morte (1900) , em Santa Teresa. Cultivou o bicho da seda, animado
pelo Pe. Domenlco Martinelli , e, entre as obras realizadas no lugar, construiu
a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Esculpiu dois crucifixos e a imagem de
Nossa Senhora, para a qual serviu de modelo a bela jovem Lúcia, então de
quinze anos, Irmã de Carlos e Adone Avancini. Estas obras contam, atualmente,
noventa e cinco anos.
Dentre
os filhos ilustres desse Munícipio, devemos citar Orlando Bofim, primoroso
jornalista, inteligência privilegiada e coração adamantino; Serafim Derenzi,
construtor, que muito trabalhou na abertura de estradas de rodagem; Henrique
Pretti, ex-Deputado estadual, agora fedederal, e como Vice-Governador do Estado,
assumiu o elevado cargo de Chefe do Executivo algumas vezes. O Dr.Otorino
Avancini, médico, ex-Provedor da Santa Casa da Misericórdia (Vitória) que,
dedicadamente, multo fez pelo estabelecimento. O Dr. Luis Gasparini, advogado
ilustre, de projeção nacional. O Dr. Augusto Ruschi, professor do Museu
Nacional, fundador do Museu de Biologia Melo Leitão, e conhecido no Brasil e no
exterior, pelos seus apurados estudos sobre beija-flores. O Dr. Izidoro Zanotti,
cultor do Direito Interncional, tem contribuído, com o primor do seu saber e de
sua Inteligência, para a harmonia dos povos. Seguiu, em 1960, para colaborar na
Organização dos Estados Americanos (OEA). A Sra. Víginia Tamanini, além de
romancista, é deliciosa poetisa, autora de A Voz do Coração e O
Mesmo Amor em Nossos Corações. O poeta Victor Biasutti é autor de
Esparsas.
Conta-se
que Anselmo Frizzera descobriu a celebre Cachoeira da Fumaça, entre Santa
Teresa e Santa Leopoldina, à qual deu o bonIto nome de Véu da Noiva.
Expressamos,
neste final a saudade imensa que nos deixou a querida Sra. Ermelinda Avancini de
Almeida, a inesquecível Dona Bimba, tão entusiasmada por este livro, e para o
qual nos deu valiosa colaboração, continuada pela sua filha a Sra. Gabriela de
Almeida Côrtes.
Nos
Idos do século XIX, viviam em Lêvico, Província de Trento. os irmãos Giacomo
e Pietro Rasseli, representantes dessa árvore genealógica: O primeiro nasceu,
em 1839, o segundo, em 1841. Ambos, desde cedo. Dedicaram-se à lavoura, para
auxiliar a família que, embora pequena. passava privações. Casaram-se tarde,
em consequência da situação financeira. Seus filhos, com a primeira Guerra
Mundial , deram a vida em defesa Pátria, motivo por que não há mais um só
Rasseli na Europa.
Pedro
Rasseli tomou conhecimento das vantagens oferecidas aos que viessem para o
Brasil. Diante da situação difícil, na Itália, resolveu partir com
a esposa, Ursula DeL Pra e o
pequeno João Batista, com apenas três anos de idade. Tomaram o návio Rivadávia
e, em pleno oceano, em 1875. nasceu Maria.
Chegados
à Vitória. os Rasseli seguiram, com outros imigrantes, para Santa Leopoldina,
onde se instalaram num barracão. Daí, foram através de uma picada para Santa
Teresa, onde ficaram, em plena mata, num barracão que fizeram. Começaram a
trabalhar, Pedro e sua mulher, para o Governo, ganhando qualquer coisa, que
servia apenas para o sustento. Receberam, depois, um lote, no lugar chamado
Valsugana Velha, no caminho para Santa Leopoldina. Mudaram-se para lá e
dedicaram-se a plantar café e outras culturas. Passaram as maiores
dificuldades, privações duras, durante nove anos!... E a família cresceu, com
o nascimento de cinco filhos brasileiros: Ercílio, Antonio, Miguel, Teresa e
Pedro. Mas, a família de nove pessoas não podia permanecer num lugar de terras
péssimas, e a pobreza a castigá-la!...
Diz
o nosso informante: Os Rasseli abandonaram tudo: barraca, plantações e a própria
terra!... Seguiram a pé, sem rumo e sem saberem o destino que os esperava...
Levaram somente a fome, a pobreza, o frio. a tristeza e a fé. Caminharam, e
chegaram ao Baixo Timbuí, agora Patrimônio de Santo Antonio. Aí, souberam
que, no lugar chamado Baixo Tabocas, podiam conseguir uma colônia. com terras férteis
e produtivas. Conseguiram-na. Recomeçaram a plantar café e cereais. Foram
recompensados. Alí ficaram definitivamente e gozaram de certa prosperidade.
Pedro
Rasseli , tronco da família no Espírito Santo, faleceu, em 1925, aos
oitenta e quatro anos de idade.
A
família cresceu, com os casamentos dos filhos e o Bairro das Tabocas é
o seu centro, vivem em uma comunidade, unida
e exemplar. Cento e cinquenta homens. Cento e cinquenta Rasseli a maioria jovem,
que promete perpetuar o nome da família, extinta na Europa.
Hoje.
os Rasseli têm muitos com títulos universitários; outros, caminham para eles,
ao passo que, apegados à terra, muitos tratam de prosperar com lavouras de café
e outras culturas. Todos, porém, independentes, em seus caminhos, na vida,
formam e continuam a formar uma corrente sempre fraterna, voltada para o bem
comum, para o próximo e principalmente para Deus.
É
o que nos Informa Luis Antonio Rassel,. festejado autor do livro Mar Territorial
de 200 Milhas, o primeiro lançado, no Brasil, sobre a soberania marítima
nacional.
Nascido.
em Vitória, a 20 de Junho de 1951, Luis Antonio Rasseli é filho de Juliano
Flores Rasseli e Herminia Batiste Rasseli, neto de Antonio Rasseli e Amabile
Ceto Rasseli. Cursou o primário no Grupo Escolar Gomes Cardim, e o
ginasial, no Colégio Nossa Senhora da Penha, dos irmãos Maristas, em Vila
Velha. Em 1965, tirou o primeiro lugar no concurso literário de âmbito
estadual, promovido pela Editora Norma. Data data dessa época o primeiro
ensaio, em forma de romance, obra Inédita sob o ti- tulo Quatro e as
tentativas iniciais, em poesia. Como preparativo para o Curso Superior, fez o Clássico,
no Colégio Americano de Vitória, e no Salesiano. É diplomado pelo Centro de
Ciências Jurídicas e Econômicas da Universidade Federal do Espírito Santo.
Fez cursos especiais, no Centro Internacional de Marketing, Instituto Histórico
e Geográfico de Minas Gerais e Convivi um Centro de Estudos do Desenvolvimento.
Possui cursos de especialização em Direito Empresarial, Marketing Relações
Públicas, Relações Industriais, Administração de Pessoal. AdministraÇão
de Produção e Administração Financeira. Domina vários Idiomas. Exerceu funções
de relações públicas, intérprete, supervisor de vendas, analista de mercado
e guia de turismo. De 1972 em diante, abandonou todas essas atividades para
dedicar-se aos estudos concernentes ao Direito, especialmente ao Direito Civil,
Internacional, Marítimo e Comercial. E não deixa de concorrer aos concursos
literários, o que lhe valeu o Sétimo lugar, no Concurso Nacional sobre Santos
Dumont RN e a Aviação Nacional, com o ensaio Prêmio Centenário Santos
Dumont RN. Participa continuamente de seminários e conferências jurídicas,
e profere algumas palestras, mormente sobre Mar Territorial.
Desde
fins de 1974. milita nos fóruns do Espírito Santo.
Atualmente,
além de advogado, Luis Antonio Rasseli é escritor, historiador e delegado do
Instituto Cultural, Artístico e Literário Alceu Wamosy
De
há muito, volta-se para estudos do mar, que o conduziram a escrever o
livro Mar Territorial de 200 Milhas, resultado de quatro anos de
pesquisas
e estudos afanosos. Tem inéditos O Brasil e a Aviação, Cartas em Trocas, A
América do Sul que conheci e dois ensaios, ainda sem títulos.