Cancer oral
 

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CÂNCER ORAL

                                     

"A coisa mais bonita sobre aprender, é que ninguém pode tirar isso de você." (B. B. King) "

 

O câncer se desenvolve, a partir de alterações genéticas de uma célula, que começa a crescer desordenadamente, transformando-se num corpo estranho ao organismo. Observamos que este ocorre mais freqüentemente em pessoas idosas, e a partir dos 55 anos, a incidência da doença cresce em nível exponencial. Isso quer dizer que quanto mais tempo uma pessoa tem para expor seu material genético a um fator qualquer que possa alterá-lo, maior será a chance de isso acontecer. O câncer é uma doença de alta incidência acometendo cerca de 7% da população mundial (sendo sua incidência diferenciada em cada país), o que o constitui como um problema de saúde pública. Ele é a segunda causa de mortes por doença no Brasil que está em 4° lugar em incidência, sendo que 10% dos tumores da população brasileira estão localizados na boca. Isto ocorre pela excessiva exposição da população às radiações solares, seja motivada pelo apelo estético da mídia ou pela força do trabalho rural que caracteriza a economia do país. Este, caracteriza-se por uma alteração do equilíbrio celular, o qual, se transforma num processo anárquico e descontrolado dos mecanismos mitóticos celulares e se acompanha de mudanças morfofuncionais do organismo afetado. O papel do estomatologista está intimamente vinculado com a prevenção do câncer bucal. A prevenção do câncer oral está baseada no diagnóstico precoce (in situ) manobras técnicas e educação em saúde visando uma diminuição da exposição aos chamados fatores de risco. O termo risco refere-se à probabilidade de um evento indesejado ocorrer. Do ponto de vista epidemiológico, o termo é utilizado para definir a probabilidade de indivíduos sem uma doença especifica, mas que, quando expostos a associação determinados fatores, têm aumentado o risco de se adquirir tal moléstia. Contrariamente, há fatores que conferem ao organismo a capacidade de se proteger contra a aquisição de determinada doença, daí serem chamados fatores de proteção. A interação entre os fatores de risco e de proteção a que as pessoas estão submetidas pode resultar, ou não, na redução da probabilidade delas adoecerem. Dois pontos devem ser enfatizados com relação aos fatores de risco. Primeiro que o mesmo fator pode ser de risco para várias doenças (por exemplo, o tabagismo, que é fator de risco de diversos cânceres e de doenças cardiovasculares e respiratórias); segundo, que vários fatores de risco podem estar envolvidos na gênese de uma mesma doença, constituindo-se em agentes causais múltiplos. O estudo de fatores de risco, isolados ou combinados, tem permitido estabelecer-se relações de causa-efeito entre eles e determinados tipos de câncer. A multicausalidade é ocorrência comum na carcinogênese e pode ser exemplificada pela associação verificada entre álcool, tabaco e residência na zona rural, ao câncer de esôfago e entre etilismo, tabagismo, consumo do chimarrão, churrasco e o cozimento de alimentos em fogão de lenha ao câncer da cavidade bucal. Nestas associações, os fatores de proteção determinados foram, respectivamente, o consumo de frutas cítricas e vegetais ricos em caroteno. Nem sempre a relação entre a exposição a um fator de risco e o desenvolvimento de uma doença é reconhecível facilmente, especialmente se presume que a relação se dê com comportamentos sociais comuns como o tipo de alimentação, por exemplo. Nas doenças crônicas, as primeiras manifestações podem surgir após muitos anos de exposição única aos fatores de risco (radiações ionizantes) ou crônica (radiação solar e tabagismo). Por isso, é importante considerar-se o conceito de período de latência, isto é, o período de tempo compreendido entre a exposição ao fator de risco e o surgimento da doença. Os fatores de risco podem ser encontrados no ambiente físico, ser herdados (Fatores hereditários) ou representar hábitos ou costumes próprios de um determinado ambiente social e cultural. A maioria dos casos de câncer (80%) está relacionada ao meio ambiente, no qual encontramos um grande número de fatores de risco. Entende-se por ambiente o meio em geral (água, terra e ar), o ambiente ocupacional (indústrias químicas e afins), o ambiente de consumo (alimentos, medicamentos), o ambiente social e cultural (estilo e hábitos de vida). As mudanças provocadas no meio ambiente pelo próprio homem, os "hábitos" e o "estilo de vida" adotado pelas pessoas, podem determinar diferentes tipos de câncer. Como exemplo, temos o uso do piercing (do inglês: perfuração) intra-oral é uma realidade hoje em dia e este funciona como um fator de irritação crônico. Apesar de nenhuma pesquisa ainda ter sido conclusiva quanto sua relação de ser a causa de uma lesão cancerosa, a relação causa efeito existe. Pesquisas mostram como resultado de biópsia do tecido aderido ao piercing, 100 % de comprometimento por processos subclínicos que variaram entre processo inflamatório crônico, hiperplasia, granuloma piogênico até lesões que podem levar ao câncer, como leucoplasia, displasia epitelial moderada e infecção por HPV e cândida (ambos relacionados à oncogênese). Assim, o uso da jóia, deve ser encarado como um fator de risco. Do mesmo modo, outro estudo brasileiro recente, mostrou a existência de alterações nucleares em células da mucosa bucal após exame radiológico panorâmico e periapical evidenciadas por um aumento de 50% no número de células em apoptoses (primeiro mecanismo de defesa do organismo contra células potencialmente malignas que gera autodestruição celular quando da grande quantidade de lesões causadas no DNA). A morte dessas células, por si, não tem um efeito drástico e indica que houve algum problema com a exposição ao raio-X. Porém, a falha no mecanismo de apoptose pode ser trágica possibilitando a manutenção e multiplicação dessas células alteradas sendo altamente propício ao surgimento de tumores malignos. Daí advém a necessidade de hábitos saudáveis de vida, saudáveis para a correta manutenção desse processo na busca da prevenção ao câncer. O perfil do paciente com câncer oral é representado pelos seguintes dados: 86,07% são homens (leucoderma), 84,84% com idade entre 45 e 55 anos 95,08% são tabagistas. Sendo que as regiões da boca mais atingidas são respectivamente: língua, assoalho bucal (prognóstico mais desfavorável devido ao favorecimento de metástases pela alta vascularização arteriovenosa e linfática) e no lábio inferior. São raros os casos de cânceres que se devem exclusivamente a fatores hereditários, familiares e étnicos, apesar de o fator genético exercer um importante papel na oncogênese, estes fatores não têm se mostrado como relevantes em relação à incidência dos cânceres orais. A grande maioria das neoplasias malignas da boca e complexo maxilo-mandibular é constituída por carcinomas epidermóides, atingindo 90% dos casos. E o restante é representado por sarcomas, melanomas e tumores malignos de glândulas salivares na boca, sua apresentação clínica é ampla, geralmente indolor e varia entre lesão podendo ter um crescimento endofítico, exofítico, como nódulo ou massa, macula ou placa, eritroleucoplasia ou leucoplasia que não soltam a raspagem, úlcera crateriforme de bordos elevados e base endurecida, pode causar mobilidade dental repentina, diminuição da mobilidade da língua, dormência.

  É nescessário uma mudança de Paradigma. Hoje o câncer ainda é visto do ponto de vista da alta complexidade, focando os tratamentos e medicamentos para os estágios mais avançados (maior custo e menor prognóstico). A melhor maneira de mudar essa realidade é investir para que os pacientes não cheguem ao tratamento em condições avançadas. Também é fundamental organizar o Sistema de Saúde para o diagnóstico precoce e garantir o acesso da população a esse sistema. O desafio é baixar os números dos cânceres que são evitáveis ou curáveis se tratados na sua forma inicial. O carcinoma epidermóide representa, portanto, a condição mais séria entre as entidades que afetam a cavidade oral, levando à morte a grande maioria dos pacientes que, uma vez desinformados, demoram a procurar ajuda de um profissional. O retardo do diagnóstico prende-se a diversos fatores, entre eles: a desinformação da população leiga, que mantém crenças ultrapassadas e negativas sobre o câncer e seu prognóstico; a falta de alerta dos profissionais da saúde para o diagnóstico precoce dos casos; e a falta de rotinas abrangentes programadas nos serviços de saúde, públicos e privados, que favoreçam o diagnóstico do câncer. Vale ainda ressaltar que a enfermidade, muitas vezes, exige internação hospitalar e acompanhamento ambulatorial freqüentes, tornando evidente o alto custo econômico do tratamento.

 Na prevenção do câncer bucal, o dentista apresenta maior responsabilidade em relação a outros profissionais da área médica pelo seu maior acesso à cavidade oral de seus pacientes. Assim deve realizar um exame minucioso dos tecidos moles e duros da boca, eliminar fatores de riscos. Baseado no ultrapassado preceito que colocava o trauma como fator etiológico do câncer o dentista limitava-se muitas vezes apenas a eliminar irritantes crônicos e aperfeiçoar as adaptações de próteses, como arestas cortantes de dentes e excessos de material restaurador buscando acompanhar e tratar lesões suspeitas e lesões cancerizáveis (queilose actínia, estomatite nicotínica, eritoplasias, leucoplasias, displasias, lesão periférica de células gigantes) e as condições tidas como cancerizáveis (líquen plano, trauma), ignorando totalmente a educação em saúde por ser desvalorizada pelos pacientes como procedimento profissional remunerável (pensamento perpetuado por anos de odontologia mutiladora). Quanto à importância do diagnóstico precoce do câncer oral e do seu correto tratamento, se destacam a diminuição dos custos do tratamento e das seqüelas que poderão advir, assim como, a melhora do prognóstico com o aumento da sobrevida e da incidência de cura. Chama-se a atenção para o fato de que o diagnóstico precoce do câncer oral é bastante dificultado pelo fato de que, além das lesões iniciais serem assintomáticas e, portanto desvalorizadas, estas são raramente identificadas pela maioria dos profissionais que examinam a boca, demonstrando uma imensa negligência. Contudo, a realização do auto-exame mensal ou a cada seis meses é definida como um método simples e extremamente eficaz na busca de sinais precoces da doença. Apesar de não ser tão divulgado pela mídia e não ser um procedimento amplamente conhecido da população quando comparado ao auto-exame de mama. No entanto, o auto-exame bucal, não menos importante nem tampouco só é importante para o diagnóstico prévio de um possível câncer de boca como serve também no diagnóstico precoce o de outras doenças orais e/ou doenças sistêmicas que dentre sua manifestações ha um envolvimento da estruturas orais. Devemos então, estar sempre atentos a qualquer alteração na boca, lábios, face e garganta e procurar um profissional estomatologista (especialidade odontológica). Para realizar o exame, basta apenas um espelho e um lugar bem iluminado. Siga a seguinte ordem: Veja se há algum sinal ou mancha, que você nunca tivesse visto na pele do sua face e pescoço. Palpe os lábios, e certifique-se se há ou não algum endurecimento ou ferida. Puxe os lábios e examine por dentro. Abra bem a boca e afaste a bochecha dos dois lados. Palpe toda sua gengiva com a ponta dos dedos, em cima e embaixo. Coloque a língua no céu da boca e com o dedo indicador apalpe todo o assoalho da boca. Coloque a língua para fora e examine-a de todos os lados. Abra sua boca ao máximo e dizendo "Aaahh", examine a garganta e o céu da boca. Palpe por baixo do queixo e toda extensão do pescoço. Caso encontre alguma alteração, procure imediatamente seu dentista ou médico para um diagnóstico correto e esclarecimento de alguma dúvida.

O QUE PROCURAR:

 - Mudanças na cor da pele e mucosa;

- Caroços ou endurecimentos;

 - Inchaços. - Áreas dormentes;

- Sinais antigos que mudaram de coloração e/ou tamanho.

- Regiões brancas ou avermelhadas na mucosa;

 - Aftas persistentes;

 - Dentes pretos, quebrados ou moles;

 - Dificuldade ou dor ao abrir a boca ou engolir;

 - Rouquidão. - Íngua no pescoço.

 O hábito de realizar o auto-exame faz com que a pessoa com passar do tempo reconheça seu corpo e assim, reconheça precocemente mínimas alterações. A detecção precoce é a melhor estratégia para reduzir a mortalidade. Campanhas de esclarecimento da população, e também de profissionais de saúde são feitas nesse sentido. Infelizmente, no Brasil são bastante falhas.

 

compilação de informações (guilherme vivas - estomatologista)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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