BRASÍLIA - Se pedirem provas, elas não
existem. Dirão que o trabalho foi normal, segunda, terça e ontem, nas
diretorias dos principais bancos, nas grandes corretoras de títulos, nas
multinacionais e nas associações patronais, daquelas ligadas aos sistemas
financeiro, industrial e comercial. Acrescentarão que os telefonemas trocados
entre eles nas últimas 48 horas e até as visitas feitas entre uns e outros, ao
longo da Avenida Paulista, constituíram simples rotina de todo começo de
semana.
Só que não foi. As elites
estão assustadas. E se o reeleito presidente Lula resolver cumprir as promessas
de campanha, mesmo com quatro anos de atraso? Porque nos palanques e nas
telinhas, o candidato vitorioso desmentiu retoricamente a prática adotada desde
sua posse, de beneficiar os poderosos. Desceu tacape e borduna
no lombo das elites e prometeu, mesmo depois de proclamada sua vitória,
governar para os pobres.
Se isso acontecer mesmo,
o primeiro sinal virá na composição do novo ministério, prevista para dezembro.
Até lá, imaginam as elites reorganizar-se, se necessário, para enfrentar o que
chamam de nova onda de populismo. É claro que a maioria debita as declarações
de Lula às necessidades eleitorais, continuando a confiar no presidente que só
fez aumentar seus lucros e garantir seus privilégios. Mas, ao contrário de São
Tomé, querem ver para descrer, ou seja, aguardar atos e fatos concretos que desmintam
a pregação do presidente em sua campanha.
Como são mais
desconfiadas do que qualquer outra categoria, as elites começam a preparar-se.
Afinal, não gostaram nem um pouco da afirmação do ministro Tarso Genro, de que
"terminou a era Palocci". Se terminou, que outro período se aproxima? De uma reforma
fiscal capaz de fazer a classe média e os pobres pagarem menos impostos e os
privilegiados, mais? Se o presidente Lula promete um segundo governo mais
voltado para os necessitados, para quem a conta será enviada?
Da forma como sempre
agem, e 1964 está aí para não deixar ninguém mentir,
as elites preparam-se para impedir estragos em suas prerrogativas. Mas, se
sentirem ameaças reais, é bom comprar guarda-chuvas, capas e galochas, porque
vai chover feio...
A derrota de Roseana
Sarney não demonstrou apenas que os institutos fracassaram, porque davam sua
vitória como garantida, numa evidência a mais de que pesquisas não ganham
eleição, apesar de tentarem, e, mais ainda, que muitas são fajutas. Sofreu a
senadora, mais pelo sobrenome do que por suas qualidades de administradora,
acima de qualquer suspeita. Tem gente apregoando que acabou a dinastia Sarney,
no Maranhão, depois de quarenta anos. Vale deixar essa afirmação para o futuro.
A ressaltar com o retorno de Roseana ao Senado por mais quatro anos está o fato
de que o PFL passa a ser maioria, com 18 senadores. O PMDB tem
Mil fatores ainda
desconhecidos rondam as eleições para a sucessão de Renan Calheiros.
Um deles é de que a maioria da casa, acima e além dos partidos, gostaria de sua
continuação. O presidente Lula, também. Mas se o PFL insistir, a briga começa,
ainda que nem todos os senadores liberais se inclinem pela derrubada de Renan.
A começar por Roseana...