Forrobodó
Opereta em 3 atos com texto de Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt, música de
Chiquinha Gonzaga
. Estreada em 11 de Junho de 1911 no Teatro São José(RJ).
Apesar do clima de descrédito que a produção sofria antes de estrear, principalmente pelo texto ser de autoria de dois novatos, "Forrobodó" foi o espetáculo teatral de maior sucesso na época, chegando a 1500 representações consecutivas após a primeira apresentação.
Com o subtítulo de "burleta de costumes cariocas", a história da opereta vale por um retrato dos hábitos da população pobre dos subúrbios do Rio de Janeiro do início do século XX. O texto reproduz inclusive o modo de falar com palavras erradas que era característico dessas regiões. Por isso, e pelos típicos personagens da história, o conteúdo da opereta é fortemente cômico e picante, algo que pode surpreender muita gente, por ser uma peça escrita em uma época em que a sociedade ainda era muito conservadora.
Inicialmente a história se move em torno de um misterioso roubo das galinhas do dono do clube musical, ao mesmo tempo em que há uma confusão em frente ao clube, quando alguns penetras tentam entrar no salão de bailes. Entretanto, o enredo é apenas um mero pretexto para o engraçado desfile de tipos pitorescos que vão entrando na história, e de deliciosos números musicais com o sabor típico da época
Entre seus personagens principais, podemos citar o Guarda Noturno, a insinuante mulata Zeferina, o português Barradas com sua fala característica, o Doutor Bico-Doce, o barbeiro Escaldanhas, a francesa Madame Petit-Pois, e vários outros tipos que fazem da história uma deliciosa viagem ao Rio suburbano de outros tempos.
Forrobodó tem sido encenada regularmente em vários teatros pelo Brasil afora, principalmente por oficinas de alunos de teatro. No Rio, algumas montagens profissionais foram bem sucedidas. Em outubro de 2004, foi iniciada a produção de uma nova montagem da opereta, que trará duas inovações em relação as demais montagens: a direção do espetáculo será de
Orlando Fernandes
, profissional oriundo do cinema que pretende trazer para o teatro as técnicas aprendidas em sua experiência na área de produção cinematogáfica - algo parecido com o que a cineasta Tizuka Yamazaki fez ao dirigir a novela
Kananga do Japão
, na extinta Rede Manchete. A outra inovação é na parte musical: ao contrário da execução apenas para canto e piano, que tem sido utilizada nas montagens anteriores, esta montagem terá a parte instrumental executada para orquestra. Os arranjos estão sendo preparados por
Roberto Carelli
, e a instrumentação será a mesma usada na época da estréia da peça.
O espetáculo está para ser estreado nos próximos meses, e há um projeto para seu lançamento em vídeo.
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