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CRONOLOGIA

1941

Trabalha como redatora ao lado de Lúcio Cardoso, na Agência Nacional, distribuidora de notícias do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), criado com o intuito de propagar notícias do governo de Getúlio Vargas.

1942

Repórter do jornal A Noite, a partir de fevereiro deste ano, cuja sede localizava-se na Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro. Seu companheiro mais próximo na redação é Francisco de Assis Barbosa, carinhosamente chamado pelos amigos de Chico Barbosa.

Com o intuito de reduzir o prazo para naturalizar-se brasileira, escreve uma carta ao presidente Getúlio Vargas, encaminhada através de um bilhete do diretor de A Noite, André Carrazzoni, a Andrade Queiroz, um funcionário influente do gabinete do Ministério da Justiça. Como o pedido de Clarice não é atendido, ela solicita mais uma vez a ajuda de André Carrazzoni. Ele, então, escreve para o ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha. Em 19 de outubro de 1942, o ministro interino da Justiça, Alexandre Marcondes Machado Filho, pede ao presidente da República um parecer sobre a redução do prazo de um ano no processo de naturalização de Clarice Lispector. Getúlio responde ao ministro escrevendo seu parecer na margem esquerda do ofício que lhe é enviado: Volte para informar por que a requerente, residindo há tantos anos no Brasil, só a 20 de março do corrente ano pediu naturalização e com tanta urgência que ainda pleiteia a dispensa do prazo regulamentar. (cf. Eu sou uma pergunta. Uma biografia de Clarice Lispector. Teresa Montero. Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p.91)

Clarice não esmorece diante do parecer do Presidente da República e escreve outra carta no dia 23 de outubro.

Depois de tantas tentativas, ela obtém sua naturalização um mês antes do término do prazo regulamentar.

1944

Muda-se para Belém em janeiro. É a primeira de uma série de viagens acompanhando o marido em missão diplomática.

Mário de Andrade lê o primeiro romance de Clarice. Segundo o depoimento de Fernando Sabino: Entusiasmado com Perto do coração selvagem, Mário de Andrade, em conversa comigo, revelou haver-lhe escrito uma carta, que enviara para Belém. Segundo lhe informaram, ela estaria hospedada no Hotel Central com o marido, que cumpriria ali uma missão diplomática especial durante alguns meses, antes de seguirem para Nápoles, noutra missão. Pois quase dois anos mais tarde, detendo-me em Belém a caminho de Nova York, vasculhei a recepção do Hotel Central onde também me hospedei, na ingênua ilusão de encontrar para ela, esquecida num escaninho qualquer, a preciosa carta para sempre perdida. (cf. Cartas perto do coração)

Muda-se para Nápoles em agosto.

1946

Muda-se para Berna em abril.

Escreve o conto O crime, publicado, posteriormente, em uma nova versão com o título de O crime do professor de matemática, em Laços de família (1ª edição. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1960.)

1946/1948

Escreve O coro dos anjos e tem a intenção de enviá-lo, mas não chega a fazê-lo, a João Cabral de Melo Neto para que o poeta o publique em sua prensa manual em Barcelona. Acredita-se que O coro dos anjos é o mesmo texto que está publicado na segunda parte de A legião estrangeira (1ª edição. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964) com o título de A pecadora queimada e os anjos harmoniosos.

Isto parece se confirmar em depoimentos da própria escritora:

a) em sua apresentação a Fundo de gaveta: Por que tirar do fundo da gaveta, por exemplo, a "pecadora queimada", escrita apenas por diversão enquanto eu esperava o nascimento de meu primeiro filho?

b) na carta que escreve a Fernando Sabino, em 12/10/1946: Comecei a fazer uma "cena" (não sei dar nome verdadeiro ou técnico); uma cena antiga tipo tragédia, com... coro, sacerdote, povo, esposo, amante... Em verdade vos digo, é uma coisa horrível. Mas tive tanta vontade de fazer que fiz contra mim. Não está pronto e está tão ruim que fico até encabulada. Mas você não imagina o prazer... (...) O verdadeiro título dessa grande tragédia em um ato seria para mim "divertimento", no sentido mais velhinho da palavra.

Earl E. Fitz escreve um artigo, o único existente, sobre este texto que, em sua opinião, é a única peça teatral de Clarice Lispector. (A pecadora queimada e os anjos harmoniosos: Clarice Lispector as Dramatist. Luso-Brazilian Review XXXIV (1997) - pp. 25-39.)

1949

Volta a residir no Rio de Janeiro em junho.

A cidade sitiada (1ª edição. Rio de Janeiro: A Noite.)

1950

Muda-se para Torquay, onde reside por quase seis meses.

1952

Muda-se para Washington.

Tereza Quadros era o pseudônimo adotado por Clarice no tablóide O comício, fundado por Rubem Braga e Rafael Correa de Oliveira neste ano. Ela escreve uma página feminina, onde dá dicas de beleza, culinária ou decoração e aborda temas sobre a emancipação da mulher. Dentre alguns dos colaboradores deste precursor da imprensa alternativa estão: Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Millôr Fernandes, Paulo Mendes Campos, Sérgio Porto e Antonio Maria.

1953

Pede a opinião de Fernando Sabino sobre a possibilidade de se tornar colaboradora da revista Manchete assinando sob pseudônimo.

1954

Fica três meses de férias no Rio de Janeiro, entre 15 de julho e 15 de setembro.

1959

Publica, na revista Senhor, com grande repercussão, alguns contos feitos por encomenda a Simeão Leal, que são publicados posteriormente em Laços de família (1ª edição. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1960) e em A legião estrangeira (1ª edição. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964.)

1961

A veia no pulso é publicado com o título de A maçã no escuro (1ª edição. Rio de Janeiro: Francisco Alves.)

Perto do coração selvagem. Lisboa: Livros do Brasil.

1966

Silea é contratada para acompanhar Clarice durante o período de convalescença após o incêndio que sofrera neste ano. Acaba instalando-se definitivamente em seu apartamento, tornando-se uma amiga fiel e dedicada.

1967/1973

Mantém uma coluna semanal no Jornal do Brasil. A maior parte destes textos estão reunidos em A descoberta do mundo (1ª edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.)

1968

Publica a carta que Fernanda Montenegro enviou-lhe, em sua coluna no Jornal do Brasil, com autorização da atriz, demonstrando seu posicionamento diante da ditadura militar.

Inicia Diálogos Possíveis com Clarice Lispector, na Manchete, onde entrevista inúmeras personalidades. Parte destas entrevistas está publicada em De corpo inteiro (1ª edição. Rio de Janeiro: Artenova, 1975.)

1969

Paulo Gurgel Valente embarca para Indiana, nos Estados Unidos, em janeiro deste ano, para participar de um programa de intercâmbio estudantil.

1974

Visão do esplendor (1ª edição. Rio de Janeiro: Francisco Alves.)

Reúne textos de Andréa Azulay num livro elaborado de forma artesanal, ilustrado por Sérgio Mata, o mesmo ilustrador de A vida íntima de Laura (Rio de Janeiro: José Olympio, 1974). Clarice escreve um prefácio autodenominando-se a primeira editora de Andréa.

1977

A hora da estrela (1ª edição. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977.)

Morre em 9 de dezembro de câncer generalizado.

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Referência:
Correspondências. Organização de Tereza Montero. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.