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PINTURAS

"Explosão" "Luta sangrenta pela paz" "Medo" "Sem sentido" "Tentativa de ser alegre"

Há 16 quadros pintados por Clarice, que são: "Raiva e [reunificação]", "Gruta", "Explosão", "Tentativa de ser alegre", "Escuridão e luz: centro da vida", "Luta sangrenta pela paz", "Ao amanhecer", "Pássaro da liberdade", "Cérebro adormecido", "Sem sentido", "Medo" e "Gruta" todos de 1975 e "Eu te pergunto por quê?" e "Sol da meia-noite" de 1976, e dois sem título, sendo um sem data e o outro de 1975. Dois destes quadros aparecem descritos em Um sopro de vida:

Estou pintando uni quadro com o nome de "Sem sentido". São coisas soltas - objetos e seres que não se dizemm respeito, como borboleta e máquina de costura.

O outro quadro descrito é "Gruta":

Vivo tão atribulada que não aperfeiçoei mais o que inventei em matéria de pintura. Ou pelo menos nunca ouvi falar desse modo de pintar: consiste em pegar uma tela de madeira - pinho de riga c a melhor - e prestar atenção às suas nervuras. (...) a gente se joga nas nervuras acompanhando-as um pouco - mas mantendo a liberdade. Fiz um quadro que saiu assim: um vigoroso cavalo com longa e vasta cabeleira loura no meio de estalactites de uma gruta.

A descrição de "Medo", feita pela própria Clarice, aparece transcrita no livro de Olga Borelli:

Pintei um quadro que uma amiga me aconselhou a não olhar porque me fazia mal. Concordei. Porque neste quadro que se chama medo eu conseguira por pra fora de mini, quem sabe se magicamente, todo o medo-pânico de um ser no mundo. "É uma tela pintada de preto tendo mais ou menos ao centro uma mancha terrivelmente amarelo-escura c no meio uma nervura vermelha, preta e de amarelo-ouro. Parece uma boca sem dentes tentando gritar c não conseguindo. Perto dessa massa amarela, em cima do preto, duas manchas totalmente brancas que são talvez a promessa de um alivio. Faz mal olhar este quadro.

As pinturas de Clarice aconteciam em momentos de extrema sensibilidade. Há divulgado na Internet vários quadros atribuídos a escritora, entretanto estes são os mais prováveis. Abaixo está o retrato pintado por De Chirico:

De Chirico

Em carta escrita em 09 de maio de 1945 às irmãs Elisa Lispector e Tania Kaufmann, Clarice conta:

Hoje de tarde posei a última vez para De Chirico (pronuncia-se De Quírico). Ele é famoso no mundo inteiro. Tem quadros em quase todos os museus: certamente vocês já viram reproduções dos quadros dele. O meu é pequeno; está ótimo, uma beleza, com expressão e tudo. Ele cobra muito caro como é natural, mas cobrou menos. E enquanto estava pintando apareceu um comprador. Ele naturalmente não vendeu... Mas veio com uma história de fazer dois quadrinhos para eu escolher.