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UMA MULHER INATINGÍVEL E SIMPLES
Lúcia Camargo

Clarice Lispector não gostava de interpretações. Ela própria não tentava entender as coisas. A lição dessa escritora é simples: "Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento."

Morreu um dia antes de completar 57 anos, no dia 9 de dezembro de 1977. A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro - cidade onde morou a maior parte da vida adulta - homenageia os 20 anos de sua morte com a exposição, aberta dia 9, na qual recria o local de trabalho da escritora. A Academia Brasileira de Letras comemora a data em que seria o 57º aniversário de Clarice com um evento promovido pela Associação de Amigos e Leitores de Clarice Lispector.

Talvez por ser tão descomplicada, Clarice Lispector era vista como inatingível, justamente em razão de sua incrível lucidez. Era mulher simples, que gostava de ir à feira e de comer em restaurante. "Defini-la é difícil. Contra a noção de mito, de intelectual, coloco aqui a minha visão dela: era uma dona-de-casa que escrevia romances e contos", disse Olga Borelli.

Vaidosa, jamais saía de casa sem estar arrumada, maquiada e "trajada às vezes com algum requinte", conta a amiga. "Turbante, xale, vários colares e grandes brincos. O branco, o preto e o vermelho eram uma constante em seu guarda-roupa. O batom geralmente era de um tom rubro forte; o rímel negro, colocado com sutileza, aumentava a obliqüidade e fazia ressaltar o verde marítimo dos olhos. Indiscutivelmente era mulher interessante, de traços nobres e, talvez, inatingível".