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O MISTÉRIO
DO COELHO PENSANTE
Texto de divulgação
feito pela editora Rocco.
"Esta história
só serve para criança que simpatiza com coelho",
comenta Clarice Lispector logo nas primeiras linhas, como se fosse
possível alguém não gostar desses pequenos
roedores de cenoura. Ainda mais se ele for o Joãozinho, um
coelhinho de pêlo branquinho muito especial que, com seu estilo
caladão, surpreendeu a todos quando "cheirou" uma
incrível idéia "tão boa quanto cenoura
fresquinha".
Como todo coelho,
Joãozinho franzia o nariz muito depressa quando estava cheirando,
ou melhor, pensando em algo importante. Num desses dias em que a
barriga estava roncando uma idéia lhe surgiu à cabeça:
fugir da casinhola de grade de ferro sempre que esquecessem a sua
comida.
Na verdade, a fuga
também seria uma boa oportunidade para Joãozinho saber
como era a vida do lado de fora. Tinha muita vontade de curtir a
natureza e fazer novas amizades. Enfim, dar umas coelhadas por aí.
Foi então que ele franziu o nariz mais depressa para pensar.
Franziu e franziu milhares de vezes até descobrir finalmente
uma maneira de escapar.
A estratégia
deu tão certo que Joãozinho nunca mais ficou sem cenouras.
Só que esse coelhinho tomou gosto pela liberdade e, mesmo
com comida em abundância em sua gaiola, farejava um jeito
de escapar, deixando a garotada da vizinhança encasquetada,
tentando descobrir como podia um coelho tão gordinho de tanto
comer cenouras sair através de grades tão apertadas?
Aí está um grande "mistério"... que,
na opinião da autora, "só acaba quando a criança
descobre outros mistérios".
A história
deste livro é uma encantadora homenagem de Clarice Lispector
a dois coelhos que pertenceram a Paulo e Pedro, seus filhos.
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