WYOCC.br e a Carta de 13 de Março de Bush:
Salvar o clima... por bem ou por mal

"(...) eu sou contra o Protocolo de Quioto porque isenta de responsabilidade [de redução de emissões de gases estufa] 80% do mundo, inclusive os principais centros populacionais como a China e a Índia, e causaria dano sério para a economia norte-americana." (George W. Bush, na sua carta a alguns senadores, tratando da mudança global do clima.)

O presidente dos EUA demonstra falta de sensibilidade ao não admitir que os países desenvolvidos sejam os maiores responsáveis pelas emissões de gases provocadores da mudança do clima, devendo, portanto, assumir a frente de ação na redução desses gases, principalmente de gás carbônico. Ao invés disso, rotula como "injusto e ineficaz" o Protocolo de Quioto, elaborado, em 1997, em Conferência das Nações Unidas, com a finalidade de conter a mudança do clima. O Protocolo, embora aprovado pelos representantes dos EUA na conferência em que foi lançado, ainda não foi ratificado pelo Senado daquele país, ato que daria valor real à aprovação.

George Bush, em sua carta, chama a atenção dos leitores para os "principais centros populacionais", condicionando a ação dos EUA à assunção de compromissos por parte de países como China e Índia, que passam por fase de industrialização e desenvolvimento e cujas emissões, até o presente momento, não podem sequer ser comparadas às emissões dos grandes gigantes industriais, ou, para melhor expressar, do grande gigante industrial: os EUA, responsáveis por quase metade das emissões de gases estufa do globo.

Desde 1997, tem havido grande pressão, principalmente por parte dos países da Europa ocidental, para que o Senado dos EUA ratifique o Protocolo de Quioto, com o fim de que este possa entrar em vigor, contando com as assinaturas dos países que englobavam, em 1990, 55% das emissões totais de dióxido de carbono. Agora, a pressão é ainda maior. Bush, contrariando suas propostas de campanha, afirma que o gás carbônico não é considerado poluente e que não pretende criar compromissos de redução para as indústrias do seu país, já que isso afetaria diretamente o setor energético e a economia nacional. Nota-se, aí, a real preocupação do governo dos EUA.

O desespero capitalista norte-americano (superávit acima até do meio ambiente), porém, não pode ir muito além dos níveis atuais. Há uma razão simples pela qual o governo dos EUA deveria começar a preocupar-se mais com o efeito estufa e a ratificação do Protocolo de Quioto: uma futura repercussão política indesejada. O fim da história dos cabeças-duras norte-americanos pode ser mais "trágico": uma vez apoiados por Rússia e Japão, os países do oeste europeu poderão providenciar a entrada em vigor do Protocolo de Quioto sem o apoio dos EUA. Mesmo contrariados e tendo objeções ao Protocolo, os EUA teriam de submeter-se a ele logo que entrasse em vigor.

A escolha, enfim, é do governo dos EUA: ajudar a salvar o equilíbrio climático por bem, ratificando o Protocolo e colocando em prática mecanismos de redução de emissões; ou por mal, tornando-se inimigo do Protocolo e tendo de aceitá-lo, mais tarde, por força, sob críticas dos governos de outras nações e do próprio povo norte-americano.

Leia a carta de Bush na versão completa!

1