Chineses discutem possíveis importações de etanol do Brasil

RIO DE JANEIRO - Executivos da indústria chinesa do açúcar do estado de Heilongjiang estão visitando o Brasil para investigar a produção e a possível importação de álcool de cana-de-açúcar (etanol), conforme a União da Indústria Canavieira (Unica) de São Paulo informou, na semana passada.

"Eles estão observando como o Brasil implementa seu programa de álcool combustível", disse o oficial da Unica pelo telefone da sede da organização, acrescentando que os chineses estavam interessados em logística.

O Brasil, o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, lançou o Programa Pró-álcool na década de 1970 numa tentativa de reduzir sua dependência em importações de petróleo e evitar o risco de variações de preços.

O Brasil, que recém começou a colher o que se espera que seja uma colheita recorde de cana, está procurando novos mercados de exportação para o álcool. Unica estima que a maioria do aumento de 28 milhões de toneladas na produção de cana será transformada em álcool, em vez de açúcar.

Heilongjiang, que começou a testar o uso do álcool anidro em veículos em julho do ano passado, planeja começar sua produção comercial em 2003.

"A demanda chinesa por gasolina está aumentando rápido e eles estão preocupados com o custo das importações e da poluição do ar nas cidades. Também querem impulsionar a agricultura", disse o oficial da Unica que acompanhou os chineses durante encontros com companhias açucareiras em São Paulo, na terça-feira, 16/04.

Embora a China seja o terceiro maior produtor mundial de etanol, depois do Brasil e dos Estados Unidos, a produção é baseada, em sua maioria, nos milharais e destinada ao consumo industrial ou humano.

Uma missão chinesa esteve em Brasília na quarta-feira, dia 17/04, para reuniões com oficiais do governo.

22/04/2002
Reuters News Service - Planetark
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