![]()
Rio+10
– o Brasil repassa conceitos da Cúpula da Terra
Martin Dietrich Brauch
Fórum Jovem do FBMC
mdbrauch@hotmail.com
O governo brasileiro realiza, dos dias 23 a 25 de julho, na cidade do Rio de Janeiro, o Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável: de Estocolmo a Joanesburgo. Conhecido também como Rio+10 Brasil, o seminário reúne profissionais envolvidos com o ambientalismo, com a finalidade de levar suas opiniões para a Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que se realizará na cidade de Joanesburgo, África do Sul, em fins de agosto e início de setembro deste ano.
A reunião, que acontece no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, começou com exposições de diversas personalidades de governo e ambientalismo nacionais e internacionais, que opinaram sobre a importância da realização do seminário, frente ao desempenho considerado insatisfatório das preparatórias para a Cúpula de Joanesburgo. A atenção dos seminaristas, no primeiro dia da Rio+10 Brasil, foi chamada para a superação de obstáculos até hoje não vencidos, em termos de desenvolvimento sustentável, através da resolução de problemas como a deficiência energética, a pobreza e a exclusão. Falou-se também em promover mais intensa conscientização pública sobre os perigos provocados pela degradação do meio ambiente, além de garantir maior inclusão da sociedade civil nas discussões e na tomada de decisões sobre temas relacionados à saúde do planeta. Ainda foi colocada em destaque a necessidade de adoção de conceitos estabelecidos há dez anos, na Rio 92, como o de responsabilidades comuns, mas diferenciadas, ou seja, proporcionais à influência histórica dos países no processo de degradação, e o de cooperação internacional, no sentido de apoiar e facilitar negociações multilaterais.
Enfim, houve o chamado “diálogo de gerações”, no qual se simbolizou, através de exposições de diversos ambientalistas, desde a época de Estocolmo até a atual ou de Joanesburgo, a trajetória de experiências percorrida em todo esse período. Embora os jovens da nova geração tenham tido espaço para expor suas idéias, muitas vezes de maneira mais brilhante que os experientes especialistas, foram deixados para o final do dia de trabalhos, quando muitas das personalidades ali presentes não puderam permanecer na reunião. A mesa, antes cheia de ministros e embaixadores, era, durante a exposição dos jovens, composta apenas pelos expositores. O diálogo, infelizmente, virou monólogo.