Os principais pontos dos programas (fragmento)
O Brasil deve continuar a apoiar o Protocolo de Kioto no
seu governo? Se afirmativo, qual a melhor forma de pressionar os EUA e outros países
industrializados a cumprir o protocolo?
LULA: Sim. O Brasil deve criticar abertamente a posição atrasada que os EUA vêm
adotando nessa área. Essa postura terá grande repercussão junto à comunidade
internacional, visto que o Brasil tem todas as credenciais para assumir uma
liderança ambiental mais ativa no mundo, especialmente junto ao Grupo dos Países
em Desenvolvimento (o G77), ao lado de Índia, África do Sul e China. Quem detêm
a maior porcentagem de recursos estratégicos - água doce e diversidade biológica
- no planeta tem todas as condições de fazer valer sua voz em questões
ambientais. Internamente, temos também muito a fazer, vendo o Protocolo de
Kioto como oportunidade de investimento em tecnologias limpas e geração de
empregos por meio de parcerias articuladas com o setor privado. Temos amplos
setores empresariais dispostos a assumir responsabilidades sociais e ambientais.
SERRA: O apoio ao Protocolo de Kioto será não só mantido como cada vez mais
reafirmado e reforçado. A negociação, permanente, será alternativa mais
adequada para pressionar os países que ainda não se dispõem a cumprir o
protocolo.
GAROTINHO: O Brasil quer que o Protocolo de Kioto seja respeitado em todos os
seus itens, e meu governo, sempre voltado para a questão ambiental, se empenhará
para que isso ocorra. A pressão que poderá ser exercida sobre os Estados
Unidos, para que o governo Bush reveja sua decisão inicial, é um ponto que
consta da nossa agenda de política exterior: é preciso que o Brasil chame os
países sul-americanos para uma firme tomada de posição sobre essa questão,
ao mesmo tempo que procuraremos trabalhar na formação de uma frente
internacional que inicie um processo de discussão com os Estados Unidos, pois não
podemos aceitar a posição americana como irreversível.
O Globo
04/06/2002