O que é a Gestalt-terapia?

Teresinha: Abordagem psicoterapêutica fundamentada no Humanismo, Existencialismo, Fenomenologia e na Teoria Organísmica de Kurt Goldstein. Pretende o crescimento pelo processo de conscientização. Crescimento, aqui, é visto como saúde e criatividade. Acredita-se que o homem é potencialmente capaz, responsável e criativo. Em uma relação de confiança, o terapeuta favorece a atualização do potencial da pessoa atendida, utilizando-se dos instrumentos adequados em cada relação.

O homem sadio é pro-ativo, autêntico e consciente de si e do mundo que o cerca, promovendo mudanças responsáveis para ele, para os outros e para o ambiente. Desta forma a Gestalt-terapia, para além de uma abordagem psicoterápica, é uma forma de ver o mundo. 

 

Quais são os conceitos principais desta abordagem?

Teresinha: São muitos os conceitos importantes e creio que não faz sentido falar deles sem um contexto. A título de exemplo pode-se citar: figura e fundo, campo organismo/meio, awareness, contato, fronteira, ajustamento criativo, resistência e polaridades.

 

Como a Gestalt-terapia chegou ao Brasil?

Teresinha: A Gestalt-terapia chegou ao Brasil através da saudosa Thérèse Tellegen (psicóloga paulista) em 1972. Seu florescimento em nosso país deve-se ao momento que vivíamos no início da década de 70 (época de repressão, revolução e grandes transformações sociais).


Quando e como você teve o primeiro contato com esta abordagem? Como se deu a sua escolha pela Gestalt-terapia?

Teresinha: Meu primeiro contato com a Gestalt-terapia foi através dos primeiros livros traduzidos para o português nos anos 70. Na mesma época era comum a vinda de psicólogos americanos ao Brasil como membros do staff dos Grupos de Encontro, cujo criador e a figura mais conhecida era Carl Rogers. Entre muitos terapeutas famosos estava Maureen Miller, a pessoa com quem fiz formação. Durante anos ela vinha ao nosso país e coordenava os cursos em módulos de uma semana ou 15 dias a cada três ou seis meses. Tenho muito carinho e sou grata a ela por tudo que vivi e aprendi. Contudo, outros terapeutas foram significativos na minha formação, como Thérèse Tellegen e Walter Ribeiro e todos os colegas com os quais partilhei encontros e workshops.

Eu estava no momento questionando a minha análise pessoal e travei contato com diversas vertentes existenciais. Achei que a Gestalt respondia a muitas perguntas que eu vinha me fazendo, particularmente quanto à visão de homem e de mundo e ainda sobre a metodologia de trabalho. Percebi também que, quando eu era trabalhada por um terapeuta desta abordagem, as mudanças eram mais rápidas e eficazes, dentro do que eu desejava naquele momento. Não acho nenhuma abordagem ruim, acho sim que a Gestalt tem a ver com o que eu acredito como psicoterapeuta e como pessoa.

 
Na sua opinião, qual o diferencial da Gestalt-terapia em relação às outras abordagens teóricas?

Teresinha: Não gosto de falar em diferencial porque não acho que a abordagem gestáltica é melhor que qualquer outra. Acho que pelo fato de ela ser uma vertente relacional, que focaliza o homem em seu contexto é uma vertente psicoterápica sempre atual, capaz de fazer face ao sofrimento do homem contemporâneo.


O que você considera necessário para ser um gestalt-terapeuta?

Teresinha: Toda abordagem traz em seu bojo uma concepção de homem e de mundo. Conseqüentemente os conceitos de saúde, doença e mudança são dependentes desta visão. Deste modo, o psicoterapeuta tem que acreditar nos supostos filosóficos da abordagem. Nãocomo fazer Gestalt-terapia sem ser plenamente um Gestalt-terapeuta. A Gestalt-terapia, segundo Frederick Perls, o seu principal criador, é uma filosofia de vida. Quem não comunga da mesma filosofia, não pode praticá-la.

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