Adriana
Amaral do Espírito Santo
Fevereiro/2004
Cada
vez mais, a população idosa vem
crescendo mundialmente. No Brasil, este fenômeno está mais presente do que
nunca. Com isso, vêm aumentando também as pesquisas e o número de profissionais
que se voltam para o envelhecimento e para a população da chamada “terceira
idade”.
Assim, diversos mitos em torno da velhice
vão sendo derrubados, entre eles a crença de que os idosos não aprendem, não
são capazes de mudar. Dessa forma, a educação deste público atualmente
tornou-se um dos desafios da longevidade.
A principal justificativa dos programas
educacionais para a terceira idade é a chamada “educação permanente”, que
considera que o homem aprende cotidianamente, durante toda a vida. Por isso,
tanto a justificativa quanto o conceito de educação permanente serão discutidos
no primeiro capítulo.
No segundo capítulo, abordaremos algumas
especificidades da educação do idoso, incluindo alguns conceitos importantes
que foram criados para sustentar os métodos educacionais para a velhice. Estas
características especiais levaram à criação de instituições especializadas,
entre elas as Universidades Abertas da Terceira Idade (UNATIs), maior símbolo
de atendimento à população idosa hoje. Portanto, faremos também breves
considerações sobre seu surgimento e suas diretrizes básicas.
Por fim, no terceiro capítulo faremos
algumas considerações sobre a formação dos profissionais envolvidos com o
público idoso, que também devem ter uma preparação específica, fundamental para
que o atendimento consiga atingir os objetivos almejados.
Assim, veremos que, apesar de o tema ser
educação, a abordagem é multiprofissional, sendo fundamental que também os
profissionais de Psicologia estejam a par das bases deste processo, de forma a
auxiliar os idosos da melhor maneira possível em sua busca pela atualização e
engajamento social.
Durante
muito tempo, cultivou-se a idéia de um cérebro estático, no sentido de que
nasceria com tamanho e potencial predeterminados e nada alteraria sua
capacidade após o período da infância. Acreditava-se também que perderíamos 40%
das nossas células cerebrais com a velhice, o que resultaria em perda de
memória e diminuição da capacidade intelectual, além da real possibilidade de
senilidade. (Lima, in KACHAR, 2001)
Hoje, em uma sociedade que preza cada vez
mais pela força mental, em lugar da física, e com a longevidade como uma
realidade, colhemos os frutos de um processo de conscientização que vem
ocorrendo há algum tempo, em que diversos estudos sobre a atividade cerebral
vêm promovendo grandes avanços na área. Sabemos, por exemplo, que o efeito da
perda de células pode não ser tão devastador, uma vez que descobriu-se que são
as sinapses que favorecem a plasticidade cerebral, e que as novas conexões dos
neurônios podem ser geradas a todo momento.
Nesse sentido, constatou-se que o
envelhecimento em si é menos responsável pela diminuição das habilidades
intelectuais e da memória do que as doenças. O cérebro velho pode preservar as
mesmas qualidades de um cérebro jovem; a diferença entre eles é basicamente o
ritmo, a velocidade. O cérebro do idoso reage mais lentamente e demora mais
tempo para desempenhar as mesmas funções do jovem.
Percebeu-se também que o estímulo mental
contínuo é capaz de gerar mais tecido cerebral, proporcionando uma memória
melhor e até constituindo um excedente útil em casos de derrame, lesão, doença,
etc., o que tende a elevar a qualidade de vida daqueles que chegam à chamada
terceira idade.
Aliada a isso, está a influência externa
de fatores ambientais, como educação, alimentação e estilo de vida. Construídos
ao longo de toda a vida, eles podem ser determinantes da saúde mental quando se
chega à velhice.
Dessa forma, abriram-se novas
possibilidades para os idosos, inclusive na maneira de se pensar a educação
para a população que envelhece. Palma e Cachioni (in FREITAS, 2002, p.
1102-1103), citando Randell & Mason, listam alguns argumentos que
justificam a necessidade de investimentos na educação para adultos maduros e
idosos:
*
Nunca as pessoas tiveram vida tão longa, e nunca foram tantas as pessoas
vivendo muito.
* Existe
maior tempo disponível para atividades que não são as do mundo do trabalho,
possibilitando, assim, uma tendência de mudar a forma de utilização do tempo.
* A
velhice que está se delineando hoje é mais autônoma do que no passado.
* A educação formal e
tradicional não previu as mudanças experimentadas hoje na sociedade, abrindo
lacunas ma formação dos adultos mais velhos.
* Há um
colapso das propostas educacionais que investiam na segregação da velhice.
A idéia tradicional e vigente de educação considera a criança como
aquele que aprende, em postura passiva diante de um professor mais velho, que
transmite seus conhecimentos por meio de aulas formais dentro de uma sala de
aula. Dentro dessa perspectiva, a prova é o critério fundamental para se
avaliar a aprendizagem, e o certificado, o diploma, é o objetivo final.
Esta divisão tradicional já
não corresponde às exigências do mundo contemporâneo, que exige uma atualização
contínua. Os conceitos de ensinar e aprender estão sendo ampliados, passando a
ser entendidos como condições para construção de conhecimento, visto que o ser
humano aprende e ensina cotidianamente, de forma prazerosa. Sendo assim,
defende-se a idéia de uma “educação permanente” ou, segundo Valente (in KACHAR,
2001), “aprendizagem continuada ao longo da vida”.
O autor explica que,
segundo o modelo tradicional, a criança tem uma predisposição ao papel de
“caçador-ativo” de informações, que no entanto vai sendo substituída pelo
“receptor-passivo”, aquele que é ensinado o tempo todo durante o período que
dura entre os 4 e os 23 anos de idade,
Ainda segundo o autor, na
verdade alternamos estes modos de aprendizagem dentro de um contínuo, de acordo
com o que for mais útil para cada situação. O ideal seria sabermos quando usar
cada predisposição, segundo o contexto, desenvolvendo uma aprendizagem
continuada ao longo da vida, alternando o “caçador-ativo” e o
“receptor-passivo” de forma complementar e não antagônica.
A aprendizagem continuada quer dizer, portanto, que uma pessoa tem
condições de aprender, se assim o desejar, independentemente de onde e quando.
Para isso, são necessários: uma predisposição de aprendizagem, ambientes
adequadamente organizados e agentes de aprendizagem qualificados. No entanto,
Valente constata que o termo vem sendo utilizado para se referir à educação de
adultos, como continuação de sua especialização, mais próximo de uma
“certificação ao longo da vida” do que da criação de oportunidades para a
formação de aprendizes autônomos.
Palma e Cachioni (in
FREITAS, op. cit.) apresentam 4 pilares que fundamentam a educação permanente:
a) aprender a conhecer – estimular o
prazer da aprendizagem, a curiosidade, a autonomia, a atenção e as formas de
pensar sobre o mundo; b) aprender a fazer
– mais do que visar uma profissão, focar a competência profissional, que torna
a pessoa apta a qualquer atividade, estimulando qualidades necessárias ao
mercado atual; c) aprender a viver juntos
– estimular as relações interpessoais; d) aprender
a ser – desenvolver as potencialidades de cada indivíduo.
Estes aspectos estão
presentes ao longo de toda a existência e sua estimulação proporciona uma
melhor qualidade de vida em todas as idades, possibilitando o alcance de
objetivos pessoais e crescimento. E, justamente, por estar presente em todas as
etapas da vida, justifica a extensão de projetos educacionais também à população
idosa. Não seria exatamente uma “volta à escola”, mas a continuação natural de
um projeto que viria se desenvolvendo desde cedo.
Embora a educação
permanente seja unanimidade na bibliografia gerontológica, na prática não é bem
isso o que acontece – pelo menos por enquanto. Talvez isso ocorra porque os
idosos de hoje foram pegos “no meio do caminho“. Quer dizer, como não foram
introduzidos num sistema de aprendizagem continuada desde a infância, para eles
soa realmente como uma volta à escola. Provavelmente, para as próximas gerações
de idosos, o processo seja mais fácil.
Segundo Palma e Cachioni
(op. cit.) algumas questões são fundamentais quando se deseja estudar as
possibilidades no âmbito da educação dos idosos. São elas:
...
O que é um idoso? Em que consiste a velhice? Que objetivos e expectativas cabem
nessa etapa vital? Como aprendem as pessoas adultas maduras e idosas? A
aprendizagem tem o mesmo significado em qualquer idade? Que tipo de formação
está sendo dado nas universidades de terceira idade? Sobre que pressupostos
teóricos se apóia essa formação? Seriam os idosos indivíduos com especiais
necessidades educativas? Teriam eles diferentes necessidades e interesses
educativos em razão de variáveis como o contexto social, histórico, cultural,
étnico, geográfico e econômico? Existem mudanças qualitativas na velhice que
não se produzem nas outras etapas da vida? Ou, então. ao contrário, a velhice
confere um estatuto especial que homogeneíza gostos e preferências? Que
objetivos e expectativas cabem nessa etapa? Quem determina esses objetivos? Que
profissionais devem trabalhar com essa clientela? Com que tipo de formação? (p.
1107)
Uma outra questão com relação à educação do segmento da terceira idade
hoje seria: como levar o idoso para a escola? Muitos ainda desconhecem essa
possibilidade. Aqueles que a conhecem relutam por terem dúvidas quanto à
própria capacidade (vale lembrar, inclusive, que grande parte da população
idosa no Brasil hoje possui um nível de escolaridade muito baixo). Por outro
lado, pode não haver também qualquer estímulo por parte dos familiares, quando
estes entendem a velhice como o fim da vida – então, para quê estudar? (Lima,
op. cit.)
Para responder a essas e outras questões, foram criados alguns conceitos
e áreas do saber que tratam sobre a educação referente à população idosa,
enxergada a partir da qualidade de vida.
Alguns deles são:
Gerontologia
Educacional e Educação Gerontológica:
a Gerontologia Educacional afirma que os idosos são capazes de aprender e
contribuir para a sociedade, e visa incrementar o bem-estar social e físico, o
crescimento pessoal e a qualidade de vida dos mesmos. Seu conteúdo envolve
programas educacionais para a coorte etária em questão, aspectos
intergeracionais voltados para a população em geral sobre o envelhecimento e a
capacitação de profissionais especializados no atendimento aos idosos.
Com a ampliação do conceito e o desenvolvimento de diversos estudos na
área, chegou-se a uma distinção entre Gerontologia Educacional e Educação
Gerontológica. Nesse sentido, a primeira focaliza os processos de aprendizagem
e a segunda é dirigida ao ensino sobre e para a sociedade que envelhece,
oferecendo informações, preparação técnica e de cuidadores. (Palma e Cachioni,
op cit)
Gerontagogia: é uma ciência aplicada, dirigida ao idoso em
situação pedagógica, embora esteja mais preocupada com o ensino e aprendizagem
(a educação em si) do que com o fato de os alunos serem idosos. Tem por
fundamento a Gerontologia Educacional.
Gerontologia
crítica: esta proposta não é um
modelo de educação, mas sim uma tentativa de discutir qual o tipo de educação
mais conveniente para os idosos, visando sua tomada de consciência sobre seus
direitos, qualidade de vida, suas formas de auto-realização e seus papéis
sociais.
Percebe-se, por estas
palavras, que a educação do público idoso desenha-se menos acadêmica, mais
fundamentada em práticas que valorizem seus interesses e necessidades e
estimulem sua participação ativa no processo de aprendizagem.
Logo, a educação meramente
informativa não parece ser o melhor caminho. É necessário que ela se volte para
uma postura crítica, no sentido de incluir o idoso no contexto social e
promover seu autoconhecimento, para que ele, que começa a perceber suas perdas
e limitações, possa compreendê-las e identificar suas possibilidades apesar
delas. Além disso, é importante implicá-lo na construção de um novo paradigma
de velhice, capaz de lutar contra preconceitos e ter sua identidade e autonomia
mais valorizadas.
Diante dessa perspectiva, foram sendo criados ambientes voltados para
projetos educacionais para idosos, dos quais as Universidades Abertas da
Terceira Idade são os mais conhecidos.
A primeira iniciativa deste tipo surgiu na França, na década de
Experiências como essa foram se difundindo pelo mundo, até que em 1975
foi organizada a Association Internationale des Universités du Troisiéme Âge –
AIUTA.
No Brasil, as primeiras iniciativas de projetos educacionais para
adultos maduros e idosos começaram a surgir na década de 1960, no Serviço
Social do Comércio (SESC). Na década seguinte, sob influência do modelo
francês, foram criadas as primeiras Escolas Abertas para a Terceira Idade. Foi
na década de 1980 que programas desse tipo se intensificaram, com iniciativas
surgindo principalmente nas universidades de diferentes estados brasileiros.
A PUC, de Campinas, foi a primeira UNATi a ser divulgada na mídia em
caráter nacional, marcando o início de uma grande disseminação de
estabelecimentos deste tipo em todo o país. Na UERJ, a UNATi foi criada em maio
de 1992, tendo suas atividades iniciado em agosto do ano seguinte.
Basicamente, os objetivos das Universidades Abertas são promover
oportunidades de reciclagem e atualização cultural, visando uma vida mais
saudável, sintonizando os alunos com a realidade do mundo contemporâneo. São
também oferecidas atividades socioeducativas e ligadas à saúde física e mental,
numa ação em conjunto de profissionais de diversas áreas.
Assim,
algumas das características da educação dos idosos são a busca espontânea pela
instituição, desligada de pressões familiares ou de exigências do mercado de
trabalho, e não-exigência de pré-requisitos formais, o que, em tese, permite
que qualquer idoso se matricule.
Seguindo esta ótica,
testes, provas e trabalhos formais são abolidos, além de não haver o objetivo
da concessão de certificados ao término do curso. Os grupos e discussões são
estimulados e a heterogeneidade de idéias e de experiências, incentivada,
valorizando os saberes já existentes do idoso.
Temas
ligados ao envelhecimento e à pessoa idosa são freqüentes, embora não únicos.
Cursos teóricos e práticos de artes plásticas, música, dança, línguas
estrangeiras, informática, psicomotricidade, entre muitos outros, costumam ser
bastante concorridos.
Esses
fatores apenas confirmam a idéia de um “aprender” como uma maneira de se
divertir, preencher o tempo, ocupar a mente e estar em sintonia com o mundo, de
forma prazerosa, através principalmente do autoconhecimento e do relacionamento
com outras pessoas. Além disso, vale lembrar que a terceira idade também é um
período propício para se fazer o que gosta e/ou o que não se fez quando mais
jovem por falta de tempo ou de oportunidades. Assim, muitos idosos procuram
serviços voltados para esse público ainda em busca de antigos desejos e
realizações.
Dessa forma, as
Universidades Abertas estão voltadas para a proposta da educação permanente,
possibilitando a integração dos idosos num mundo em constante transformação,
através de uma participação ativa e com vistas à auto-renovação e renovação da
sociedade.
No Brasil, Palma e
Cachioni (op. cit.) referem-se a uma pesquisa de Neri, em 1996, que revelou os
principais motivos que levavam os idosos a procurarem programas educacionais
voltados para o público da terceira idade. Foram eles: busca de conhecimentos e
atualização cultural, motivos orientados ao “self”, busca de contato social,
ocupação do tempo livre e compromisso com a geratividade.
A prática do ensino da
população idosa também possui algumas peculiaridades.1 De acordo com
Lima (1999), é necessário ajustar o ritmo das aulas, uma vez que os alunos
tendem a assumir a condução das mesmas quando o assunto é desinteressante ou
polêmico. A preferência por determinados temas revela as demandas do
público-alvo, podendo ser entendida como uma forma de se situar no mundo ou
como embasamento para discussões com familiares e amigos.
Existe uma grande
rotatividade dos alunos pelas atividades, inclusive porque muitos acompanham o
coordenador do grupo, independente do curso ministrado. Este fato demonstra uma
outra característica, que é o forte vinculo que em geral se estabelece entre os
alunos e os coordenadores. São comuns festas de aniversário para os
professores, presentes em ocasiões como Dia do Mestre e Natal, etc. Sobre esse
aspecto, vale considerar que os idosos de hoje pertencem a uma geração que, em
sua época de colégio, exercitava muito esses rituais, como o de arrecadar
dinheiro para comprar presentes para a professora, repetindo-os novamente
quando voltam à sala de aula.
É interessante notar a
observação de Lima sobre a preocupação da equipe em não cristalizar estas
relações, o que poderia resultar numa dependência, que é contrária aos idéias
da instituição, que visa valorizar a autonomia e a independência do idoso.
Enquanto muitas
atividades que não possuem propriamente caráter de “aulas” são assim encaradas
– como os grupos de Psicologia, por exemplo – , outras, mais diretamente
voltadas para o ensino e aprendizagem, podem ser encaradas como terapia. Os
casos de depressão, em especial, são comuns, sendo necessário que se formem
profissionais capacitados não só para o ensino, mas também para lidar com
questões como essa dentro da sala de aula.
Como foi
visto anteriormente, uma das preocupações da Gerontologia Educacional é a
capacitação de profissionais dirigidos ao trabalho com a população idosa.
De acordo com Valente (op. cit.), o ser
humano possui uma predisposição ao longo da vida não apenas para aprender, mas
também para ensinar. Portanto, a formação do educador também deveria ser
baseada no conceito de aprendizagem continuada ao longo da vida, de forma que
também ele vá adquirindo novos conhecimentos à medida que for trabalhando na
prática, e vice-versa, num processo ininterrupto.
O papel fundamental do educador do futuro
seria criar oportunidades para despertar os potenciais de seus alunos, de modo
consciente. O educador precisa conhecer seu aluno, sabendo desafiá-lo através
do estímulo à criação de projetos, além de favorecer que o aprendiz vivencie e
entenda a aprendizagem como uma “experiência ótima”.
Além disso, o educador do público idoso
deve ter uma visão vinculada à área de saúde. Nesse aspecto, é possível pensar
a integração da educação com a assistência, numa formação interdisciplinar e
eclética, que favoreça o comprometimento com a realidade do idoso. Assim, a
rede de saúde, a universidade e a comunidade estariam entrelaçadas numa rede
que proporciona estratégias de ação mais eficazes, através de uma formação
diferenciada para os alunos envolvidos. (Cabrera, in FREITAS, 2002)
Além
destes aspectos, é importante ainda considerar questões situadas mais no âmbito
da prática e que podem comprometer o trabalho se não houver uma preparação
prévia dos educadores.
Lima (op. cit.) afirma que, muitas vezes,
os profissionais estão mais preocupados com as questões relacionadas à velhice
do que os próprios alunos, tornando determinados assuntos velados dentro das
instituições. O autor afirma, ainda, que o tema da morte deveria ser mais
discutido, uma vez que a população envelhece dentro da instituição,
participando das atividades por tempo indeterminado, havendo alguns casos de falecimento
de alunos durante o curso.
Da mesma forma, é importante que os
coordenadores estejam preparados para lidar com outras peculiaridades, como a
depressão, como foi citado anteriormente. Além disso, é preciso considerar que
os idosos, por mais saudáveis que sejam, possuem um ritmo diferente dos jovens,
além de alguns comprometimentos típicos da velhice. Embora não sejam
específicas dos idosos, podem existir deficiências auditivas, de compreensão,
problemas de saúde, analfabetismo, etc., que obrigam o coordenador a adaptar
suas atividades de maneira a não causar constrangimentos aos alunos e
impedimentos ao prosseguimento das aulas.
Como vimos, a longevidade da população,
hoje, é uma realidade, e com ela surgem novos desafios a cada dia. Dentre eles,
a educação ganha vulto, considerando a capacidade do homem de aprender
cotidianamente e, conseqüentemente, entendendo que o idoso pode aprender coisas
novas, se reciclar e mudar.
Profissionais de diversas áreas estão
envolvidos nesta atividade, e é importante que eles estejam a par das
características do envelhecimento e do idoso como “aprendiz”, para que possam
adequar-se a seu ritmo, possibilitando uma visão do indivíduo como um todo. A
volta à atividade através da educação propicia um aumento na auto-estima e uma
percepção e autopercepção do idoso como parte da sociedade, útil e ainda
produtivo.
Dentro deste atendimento
multiprofissional, os psicólogos estão inseridos de forma a poderem oferecer
auxílio e mesmo montar programas que envolvam o engajamento desta população na
sociedade.
Para isso, a ausência de cunho acadêmico,
entre outras características, propicia o
desenvolvimento da criatividade, tanto dos professores quanto dos alunos. Tendo
em mente algumas idéias básicas, como as que foram apresentadas aqui, é
possível pensar em saídas alternativas para tornar o processo educacional dos
idosos ainda mais produtivo, com aulas que acompanhem seu ritmo, atendam suas
necessidades e também estimulem sua autonomia e criatividade.
BOTH,
Agostinho. “Longevidade e educação: fundamentos e práticas”. In FREITAS,
Elizabete Viana de et al. Tratado de
Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p. 1110 -
1114
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Marcos. “Integração educação-assistência”. In FREITAS, Elizabete Viana de et
al. Tratado de Geriatria e Gerontologia.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p. 1135-1139.
JORDÃO
NETTO, Antônio. Universidade Aberta para a Maturidade: avaliação crítica de uma
avançada proposta educacional e social. In KACHAR, Vitória (org.). Longevidade: um novo desafio para a
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LIMA,
Marcelo Alves. A gestão da experiência de
envelhecer em um programa para a terceira idade: a Unati/Uerj. 1999.
Dissertação/Mestrado em Antropologia – Instituto de Filosofia e Ciências
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Lúcia Saccomori e CACHIONI, Meire. “Educação permanente: perspectiva para o
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Viana de et al. Tratado de Geriatria e
Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p. 1101-1109.
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longo da vida: o exemplo da terceira idade”. In KACHAR, Vitória (org.). Longevidade: um novo desafio para a
educação. São Paulo: Cortez, 2001. p. 27-44.
Nota:
[1] Aqui, basearemos nossas considerações em trabalho de
Lima (1999), sobre a Unati/Uerj, entendendo que as características por ele
observadas naquele contexto podem ser encontradas nas instituições em geral
voltadas para o público idoso.