Os norte-americanos Orville e Wilbur Wright eram alguns, entre tantos na época, que afirmavam ter voado pela primeira vez em 17 de dezembro de 1903, relatando em seus diários um total de 4 vôos com sua aeronave Flyer. As provas da época? Além das anotações no diário pessoal, havia a relação de 5 testemunhas (3 habitantes de Kitty Hawk) e 2 salva-vidas, e um telegrama enviado ao Sr. Milton Wright (pai). As fotos só foram publicadas em 1908, quase 2 anos após os feitos de Dumont. A autenticidade delas? Não se questiona! Nem se deve questionar, sob pena de descobrir falhas nas evidências dos "anunciados" vôos.
A matéria é extensa e esta página receberá outras contribuições ao longo do tempo. Mas na Ciência existe o método científico e um dos tópicos é a EXPERIMENTAÇÃO: uma teoria, uma descoberta, um feito recebe maior credibilidade se experiências e observações independentes também confirmarem o feito anunciado. Durante 2002 e 2003 a mais perfeita réplica do Flyer de 1903 foi construída. Todo um trabalho de pesquisa em fotos antigas, registros que sobreviveram a "queima de arquivo" proposital de Orville e Wilbur Wright, etc... todo este material serviu de base para repetir o alegado feito de 1903.
O site http://www.wrightexperience.com/
exulta triunfantemente "See our successful flights! Before the December
17th attempt for the Centennial, the reproduction Flyer flew on November
20th and December 3rd, 2003, with Dr. Kevin Kochersberger at the controls."
Veja o que ocorreu em 3 de dezembro de 2003: http://newsobserver.com/collections/firstinflight/1203flight.swf
Nota-se que a aeronave livra o solo, ameaça subir, perde altura,
bate com uma das asas no solo, ameaça subir novamente e cai. Ao
todo foram cerca de 8 segundos. Nota-se duas pessoas próximas das
asas e uma delas ( a da direita do vídeo) nitidamente segura e parece
empurrar a aeronave. Que é isso? A aeronave tem "de pegar no tranco",
como se diz na gíria?
Diz-se que o equipamento "voou".
Estes tipos de saltos eram comuns em diversas experiências entre
1890 a 1910.
Mas o melhor estava por vir! Na demostração pública
em 17 de dezembro de 2003, cerca de 30 mil pessoas VIRAM com os próprios
olhos que o aparelho não é capaz de VOAR. Em duas tentativas
neste dia, o Flyer (?) não alçou vôo.
Teste de 20 de novembro de 2003 |
Teste de 3 de dezembro de 2003 |
Diz o supracitado site:
"Wright Brothers National Memorial, December 17, 2003
At 12:35 p.m., the Wright Experience attempted a recreation of the
first flight. The weather and engine power were not with us today, as both
were insufficient for successful flights. Dr. Kevin Kochersberger was at
the controls, and almost succeeded in lifting the Flyer off the launching
rail."
A experiência final em 17 de dezembro de 2003 |
Desta vez a desculpa foi das condições meteorológicas e... do MOTOR. Sim, já era previsto que um motor de 11 a 12 HP não teria condições de fazer voar um equipamento com 274 kg (com o piloto, a massa do conjunto se elevava para cerca de 340 kg.
Em Ciência, mesmo resultados negativos possuem um valor positivo e, neste caso, fica mais difícil acreditar que os Wright efetivamente voaram antes de 1906.
Por outro lado, as experiências de Dumont foram feitas às
claras, diante do público, fotógrafo, cinematografia, juízes
idôneos, tudo conforme as regras de competitividade. As regras serviam
exatamente para evitar golpes de sorte, artimanhas, lisuras e desonestidade.
O aeronauta tinha que fazer DECOLAR, VOAR e POUSAR com um equipamento mais
pesado que o ar. Dumont fez experiências publicamente em julho de
1906, saltou em setembro de 1906 e VOOU em 23 de outubro de 1906. Logicamente
em Ciência o feito precisa ser confirmado, as experiências
devem ser repetidas, para provar que o equipamento de fato era capaz da
proeza de voar por conta própria. Os experimentos eram marcados
com antecedência, para evitar quaisquer benefícios deste ou
daquele aeronauta. De fato em 12 de novembro de 1906 estavam a postos Dumont
e Bleriot. A primeira tentativa foi de Bleriot, porém sua aeronave
não conseguiu voar. Talvez pode até ter esboçado algum
salto, mas TODOS viram que a aeronave de Bleriot não VOOU. Não
que Bleriot fosse um fracassado, muito pelo contrário! Era um competidor
à altura (talento) de Dumont. Os dois eram amigos e existia o respeito
e a competição sadia. Talvez se sua aeronave conseguise ultrapassar
os 60 metros de distância e altura superior a 1 metro (marcas de
Dumont em 23 de setembro de 1906), Bleriot seria de fato o primeiro a VOAR.
Porém a História registra o feito de Dumont: 2 tentativas
iniciais NÃO ultrapassaram a marca de 23 de outubro. Nota: a aeronave
conseguiu LIVRAR o solo, porém isto não bastava para a comissão
julgadora. As experiências tinham que passar pelo crivo dos julgadores
e regras. Não estava envolvido apenas livrar o solo, planar, movimento
balístico ou coisas semelhantes. O equipamento deveria VOAR no sentido
estrito da palavra. Veja o que ficou registrado em ATA:
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Sociedade de encorajamento à locomoção aérea PROCESSO VERBAL 12 de novembro de 1906 Primeira tentativa – Partida às
10 horas da manhã. O aparelho se eleva antes da linha de partida
e percorre em cinco segundos, a 40 centímetros do solo, uma quarentena
de metros. O
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E será que houve alguma experiência mais recente provando
que o 14-bis é capaz de voar?
A revista Superinteressante, Julho de 1989, página 12
lemos:
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NOTA: o 14-bis original possuia um motor de 50HP. Mesmo usando um motor de 48HP e massa total superior, Danilo Fuchs conseguiu decolar a réplica.
Artigo em construção: "Comentário sobre a filmagem
do vôo do 14-bis em 12 de novembro de 1906 disponível na internet."
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