Pescador de
Almas
Celso Ant. Dembiski
Acordei cedo e fui
caminhar
na praia
deserta, admirar a beleza do dia amanhecer,
ao fundo, um pequeno feixe de luz
no céu, a neblina encobria, poucas eram
as nuvens que se
viam, espalhadas pelo
vento fraco, brancas, puras como algodão
olhando distante o mar azul
nele aparecem os raios do sol
se tornando deslumbrante,
forte, imponente todo azul
ondas calmas deslizam mansamente
voando baixo as gaivotas agitam
ao longe seus piados são ouvidos
nesta calma e tranqüila manhã
um pequeno barco a maré segue
saindo das sombras ocultas
e alcançando os raios do dia,
à vela içada o vento
empurra
homens dentro dele trabalham
puxando cordas molhadas
junto com as redes armadas
num trabalho lento e penoso
que de tão normal e rotineiro
nem olham o sol se banhar
e num esforço tremendo
suas mãos calejadas,
corpos suados já cedinho
as camisas desabotoadas
se concentram na rede estirada
eu ao longe observando
no alto da pedra grande
a luz do sol nascente descortina
sentindo a brisa bater
suavemente
a neblina toda sumindo
ao fundo a imagem surgindo
na verdade o Cristo Redentor
feito o verdadeiro Pescador de
Almas
que com paz e calma vai
invadindo
a tranqüilidade pelo mar
reluzindo
ao qual me entreguei
por toda esta beleza que me
encantou
como num sonho
fui carregado por este pescador.
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