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Emir Ribeiro, um verdadeiro mito entre os apreciadores de história
em quadrinhos realistas, nasceu e vive até hoje em João Pessoa (PB).
Casado, pai de dois filhos, escritor, pintor e
desenhista, Emir tinha 14 anos de idade, em 1973, quando
criou aquela que é considerada a maior super-heroína dos quadrinhos
ADULTOS brasileiros, a deliciosa loira e exibicionista VELTA.
Mas Velta não é, nem
de longe, a única criação importante de Emir. Ele já teve suas
HQs em centenas de publicações do Brasil
e exterior, tanto em revistas, fanzines,
jornais e livros. Também colaborou, com seus traços realistas, para
grandes editoras de comics dos Estados
Unidos. Séries suas que ficaram mundialmente famosas foram as de
cartões retratando conhecidos personagens da TV e dos quadrinhos,
chegando um deles a ser revendido no mercado paralelo por até R$
500,00 reais uma única peça.
Emir também criou personagens memoráveis como a
vampira Michelle
e o Homem de Preto, sendo que este último foi transportado para dois
filmes em vídeo, em 1989 e 1993.
Velta é um caso bem à parte de todas as
suas criações, por ter sido a que alcançou mais fãs, inclusive no
exterior. E merece, portanto, mais considerações. Nesse jogo de
perguntas e respostas, Emir fala dele e de sua mais famosa criação,
para deleite de seus fãs e rancor desmedido dos que invejam sua
consolidada posição na história das histórias em quadrinhos no
Brasil e no mundo.


TIANINHA, a loura safada também passou pelas
mãos de Emir Ribeiro. A revistinha SEXY TOTAL nº 68 (março de
2006) contou com o lápis de Emir na HQ "Uma
Tianinha vale mais que mil palavras" . Omar Viñole foi o
arte-finalista, e Dark Marcus, roteirista.


NOVA, a ruiva
robótica, outra das maiores criações de Emir, esteve na edição nº 6
de "O
Cometa" (maio de 2006), editada por Samicler Gonçalves. Nova,
Cometa, Raio negro e Escorpião lutaram contra uma terrível ameaça.
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Entrevista com Emir Ribeiro
Fãs
- Como foi a criação de
Velta? É verdade que ela nasceu para um público adulto ?
Emir Ribeiro – É verdade, sim. Velta
nasceu em plano exercício da ditadura militar, onde havia uma
censura intermitente contra quaisquer manifestações artísticas. Sua
forma de protesto contra a censura já foi nascer sensual,
irrequieta, e usando pouca roupa. Apesar de ter começado na linha
super-heroística, já havia um
diferencial na sua maneira de ser, se contrapondo às regrinhas do “Comics
Code” estrangeiro (aqui batizado de
“Código de Ética”). Portanto, seus roteiros abarcam a fantasia, a
ficção, o drama, os casos policiais, mas nunca deixou e nem deixará
de abordar temas mais adultos ou polêmicos. Afinal, se ela nasceu
assim, e seu público a curte dessa forma, não há porque mudar agora.
E eu respeito demais o público que tenho.
Fãs – Interessante como uma personagem Nordestina, sem
mercadologia, sem propaganda incessante conseguiu se sobressair num
mercado tão tirano para artistas Brasileiros? A que você atribui
essa vitória?
Emir Ribeiro – Justamente pelo respeito que sempre dediquei ao
público, fazendo o possível para contar boas histórias, caprichando
nos desenhos, e principalmente mantendo as diretrizes primeiras das
minhas criações. Com Velta é assim, e
com as outras personagens, também. Sendo que
Velta conseguiu mais público.
Fãs -
Ainda tem gente hoje insistindo que
Velta é erótica ou pornográfica ?
Emir
Ribeiro – Sempre haverá gente que sequer leu suas histórias, mas
mesmo assim emitem opiniões baseadas em superficialismo, em
aparências, ou no “ouvir dizer”. É uma forma cômoda e até
irresponsável de opinar. Para se comentar, seria preciso ler e
pesquisar sobre o assunto, para evitar de se fazer uso de
preconceito.
Fãs - Você gosta de histórias em quadrinhos eróticas?
Emir Ribeiro - Não sou leitor regular de quadrinhos eróticos. Compro
pelo autor delas, como por exemplo Mozart Couto,
Rodval Matias, Sebastião Seabra, Watson
Portela, Eleuteri
Serpieri, Milo Manara. Ou seja,
compro pelo valor artístico e não pela parte sexual. Mas produzi
HQs eróticas para algumas editoras
paulistas entre 1986 e 1991. Acho que a maior parte dos
quadrinistas brasileiros com trabalhos
realistas já fez quadrinho erótico. Isso vale mesmo para os mais
antigos, como o Eugênio Colonese, ainda
que por vezes tenham feito eróticos só por questão de sobrevivência.
Fãs - Existe
diferença entre quadrinho erótico e sensual?
Isso é importante para você ?
Emir Ribeiro - Não é importante. E essas definições ou rótulos é
puro academicismo desnecessário. No geral, não me atenho a esse tipo
de detalhe na hora da produção. Tenho porém por opinião que o
quadrinho erótico é aquele que mostra cenas de nudez e sexo
explícito, e cujo objetivo principal é causar excitação sexual no
leitor. O pornográfico tem também sexo explícito, mas acrescenta-se
a isso uma linguagem chula e situações e cenas levadas no deboche e
na vulgaridade. Quanto aos outros quadrinhos, mesmo entre eles
existem diferenciações, como o de ficção científica, o policial, o
de super-heróis, terror, enfim...
Fãs – Então, quais seriam as HQs
eróticas?
Emir Ribeiro - HQs
onde os autores não se furtam a desenhar qualquer tipo de cena, sob
qualquer ângulo, com relação a sexo e nudez.
Fãs - Então se uma história INCLUI situações eróticas, mesmo não
sendo seu foco principal, não pode ser considerada uma HQ erótica?
Emir Ribeiro - Na minha opinião, não. Situações eróticas fazem parte
da vida normal de todos e não podem ser ignoradas ou mascaradas a
título de censura ou pudor. O que não concordo em fazer é levar tais
situações no deboche e na vulgaridade. Trata-se apenas de não
ignorar que existem.
Fãs - Como separar uma "categoria" da outra, dentro do universo
das HQs?
Emir Ribeiro - Uma história com ingredientes sensuais é diferente da
erótica, pois não trata unicamente de sexo. Naquelas, o sexo é um
mero ingrediente em meio a centenas de outros.
Fãs - Como você bem disse, ainda há quem
insista em rotular as HQs. Se por acaso
você fosse classifica as histórias de Velta,
como o faria?
Emir Ribeiro – Como disse, nunca vi necessidade de classificar
minhas HQs. Há sensualidade mas, a meu
ver, nem podem ser consideradas exclusivamente sensuais, já que
vários tópicos entram nas suas composições: ficção científica, casos
policiais, mistério, suspense, romance, humor e diversos outros
ingredientes. Não haveria, portanto, nenhuma definição pré-existente
que pudesse se enquadrar nas HQs de
Velta. Para mim, se o leitor ler e
gostar, já será o suficiente.
Fãs - Velta é uma
mulher voluptuosa e absolutamente sexuada. Mas como ela é, de fato?
Emir Ribeiro - Apesar das mudanças que imprimi nela ao longo do
tempo, Velta permanece essencialmente a
mesma em termos de personalidade. Era uma garota comum chamada Kátia
- muito reprimida por um pai retrógrado - que, ao ser mudada por uma
experiência de um cientista extraterrestre, se torna uma enorme
loura com poderes incomuns. Para escapar do jugo paterno, usa sua
nova aparência para fazer quase tudo que era proibida de fazer. Seu
pai nem imagina que Velta e Kátia são
uma só pessoa.
Fãs - Quais as principais características de
Velta?
Emir Ribeiro - Além de exibicionista,
Velta adora aventura e ser admirada
pelos outros. Porém, é apenas nesse campo que ela exerce sua
liberdade, pois sempre age dentro dos limites: não usa drogas, não
bebe, não fuma, continua virgem e ainda é uma dona
de casa e estudante exemplar.
Fãs – Então
Velta é, na verdade, meio conservadora?
Emir Ribeiro - Cada pessoa real tem suas próprias características.
Na minha concepção, os quadrinhos devem espelhar boa parte da
realidade, e porque não, passar alguma coisa de positiva para os
leitores -- especialmente aos mais jovens (apesar de
Velta ser direcionada para o PÚBLICO
ADULTO). Portanto, o aparente conservadorismo de
Velta é mais de cunho racional. Por
exemplo: por que usar drogas, se todos sabem que
só causam mal ao corpo e ainda financiam o crescimento do crime e da
violência?
Fãs - E o severo pai da Velta ? O que
ele representa na HQ?
Emir Ribeiro - O pai conservador é o contraponto e o freio de
Velta. Novamente, utilizo-me de fatos
que podem acontecer na realidade para criar uma trama com variados
elementos, com vistas a dinamizar mais as histórias.
Fãs - Velta
mantém a virgindade aos 33 anos?
Quando ela vai desistir da virgindade?
Emir Ribeiro - Tudo é possível nos quadrinhos. Mas, por enquanto,
Velta não se julga preparada para dar
esse passo na vida, e prefere esperar pelo momento certo.
Fãs - O tão esperado álbum “Velta
– Nova identidade” trará alguma novidade nesse sentido ?
Emir Ribeiro – Não. Haverá indícios sobre o que poderá acontecer no
futuro, pois a personagem tomará algumas decisões para sua vida
futura. Algumas mudanças já ocorrerão durante a HQ, mas as próximas
alterações ficarão para as histórias posteriores. Espero
que os leitores gostem das novidades. Um
abração para todos eles.
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FANTASMAGORIAS - Uma antologia com
contos escritos por R. F. Lucchetti e ilustrada por Emir Ribeiro, deverá ser publicada
pela Opera Graphica em 2006, mas ainda sem data marcada para
lançamento. Também foi organizado pelo filho de R. F.
Lucchetti, Marco Aurélio, e reunirá os 13 contos de horror,
fantasias e sonhos, escritos entre 1948 e 1957 e alguns publicados
apenas em revistas.
"Estou procurando organizar o material de minha vida, já que tenho
muita coisa inédita sem lugar para publicar", disse R. F. Lucchetti.


D. PEDRO I
E ÚLTIMO (escrito por Gabriel Bozano, e editado pelo Grupo
SLEV).
Capa desenhada por Emir e arte-finalizada por Bozano.
Numa realidade alternativa, um assassinato que mudou a história, uma
arma fora do tempo, uma caçada pré-histórica, um teste onde só
aquele que mantiver a sanidade, conseguirá sobreviver. Muita ação,
seqüências de tirar o fôlego. Isso e muito mais em Dom Pedro I e
último... de Gabriel Bozano.


PAVÃO
MISTERIOSO,
de Alexis Lemos.
Durante uma Guerra do Peloponeso alternativa, quando um malandro
brasileiro, um arqueólogo grego e uma mulher que muda de forma (e
que passa a ser considerada uma deusa) se unem para salvar o dia,
tudo pode acontecer.
Veja como é possível um desarranjo intestinal mudar o rumo da
História e descubra o que está por trás (no bom sentido) do PAVÃO
MISTERIOSO. Capa de Emir Ribeiro, noutra edição da
SLEV.


A
SAGA DOS SUPER-HERÓIS BRASILEIROS,
livro escrito por Roberto Guedes e editado pela Opera Graphica,
mostra as mais famosas criações fantásticas brasileiras. E Velta
está lá na capa, como única representante do sexo feminino. Os super-heróis
não são uma exclusividade norte-americana, e uma tremenda surpresa
está guardada para quem ler A SAGA DOS SUPER-HERÓIS BRASILEIROS.
Afinal, o livro relaciona uma infinidade de personagens nacionais
super-poderosos criados e publicados desde o começo do século XX até
o presente momento, provando que os brasileiros são mesmo muito
apaixonados pelo tema. Estão lá: Garra Cinzenta (vilão), oJudoka, o
Vigilante Rodoviário,
Velta, Mirza, Raio Negro,
Mylar, Capitão 7, Meteoro, Guepardo, Golden Guitar, Ultrax, a
Mulher-Estupenda, os Semideuses, entre outros. A formidável capa foi
desenhada por
MOZART COUTO, um dos nomes mais
importantes das Histórias em quadrinhos brasileiras. |