Eqüinos

(site voluntário em defesa dos eqüinos)

Em BRASÍLIA:

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ANDORINHA

Mais um caso entre tantos que ocorrem diariamente em Brasília, a capital do país, sob os olhos dos políticos e dos governantes. ANDORINHA, mais um pobre cavalo que trabalhou sua vida inteira, sob o sol do Distrito Federal, magro, doente, mal alimentado, chicoteado e finalmente descartado quando não tinha mais forças para andar. Abandonado numa das avenidas movimentadas de Brasília.

Recebi essas fotos de Cynthia Sampaio Faé com o seguinte texto: "NÃO PÔDE MAIS SUPORTAR O CANSAÇO E CAIU... NÃO CONSEGUIU SE LEVANTAR NOVAMENTE... DURANTE TODA SUA VIDA, SOB CHICOTADAS, DE SOL A SOL, CARREGOU CARGAS EXCESSIVAS, SEM DESCANSO, SEM ÁGUA E SEM COMIDA SUFICIENTES. SEUS FERIMENTOS NUNCA FORAM CUIDADOS. O AUXÍLIO CHEGOU DEMASIADO TARDE. NO LUGAR ONDE CAIU, MORREU. FINALMENTE, IRÁ DESCANSAR. ATÉ QUANDO ACEITAREMOS CALADOS O SOFRIMENTO GRITANTE DOS CAVALOS E ÉGUAS UTILIZADOS EM CARROÇAS NO DF? "

Adeus Andorinha...

 

Cavalo ainda é escravo no DF


(Matéria do jornalista Jason Pascoal do "Jornal de Brasília" de 20/01/02, Caderno "Grande Brasília", sobre as carroças no DF. E-mail: grandebrasilia@jornaldebrasilia.com.br

Transporte de tração animal não é regulamentado na cidade. Problemas de maus-tratos  são comuns.

Depois que o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, sancionou a lei que concede "direitos trabalhistas" aos burros e cavalos cariocas, qualquer pessoa ligada ao assunto no DF abasteceu-se de argumentos para afirmar que a maior parte da manada brasiliense realiza trabalho escravo. O primeiro a fazer a denúncia é Anastácio Rodrigues da Silva, gerente de apreensões de animais de grande porte, órgão ligado à Secretaria de Agricultura. "Isto é público e notório. Aqui os carroceiros colocam até mil quilos para serem transportados pelos animais e ainda descem a peia no bicho." De acordo com ele, o limite máximo de carga é de 350 kg (o equivalente a sete sacos de cimento, por exemplo). Com 10 anos de experiência na função, Silva tem autoridade para falar sobre a exploração do trabalho animal. Ele conta que já encontrou animais puxando carroça sem nenhuma condição física para a função. De desnutrido a doente, explica, foram vários os casos. A exploração vai além. "Às vezes, o animal é obrigado a trabalhar por 10, 12 horas seguidas, sem ser alimentado", indigna-se o gerente de Apreensões. O que dizer, então, da falta de horário de almoço, um privilégio concedido à manada carioca. No DF, os cavalos não têm o direito nem mesmo de beber água, enquanto estão trabalhando". Para ele, uma das obrigações dos carroceiros é manter um balde com água para aplacar a sede do animal a cada duas horas. "Ninguém faz isso". Para se ter uma idéia da escravidão animal no Distrito Federal, basta fazer uma visita ao curral da Gerência de Apreensões.  Impressiona o aspecto físico dos bichos. Um deles, recolhido por estar solto na rua, mais parecia um gnu sem chifres do que um cavalo. Outro apresentava uma das patas infeccionadas, a ponto de não poder firmá-la no chão. "Já encontramos também cavalos feridos com tiro e facada."
Se sofrem na mão dos carroceiros, o fato de serem apreendidos não significa, para os cavalos, o direito a uma aposentadoria digna. Viram comida de leão se o carrasco não for buscá-lo em sete dias. Já os animais que apresentam lesões que comprometem
sua capacidade de trabalho jamais vão sentir o peso de uma carroça no lombo. Nem mesmo se o proprietário tentar resgatá-los. "Nestes casos, eles são condenados e vão servir de alimentos aos animais do Zoológico."

Dados da Gerência de Apreensões mostram que mais de 150 animais são capturados por mês. "Estão em péssimas condições físicas e apresentam todos os tipos de maus-tratos." Muitos são devolvidos aos proprietários, após o pagamento da multa de R$ 60. "Mas os animais acabam retornando,  são encontrados novamente soltos na rua, o que é proibido pela legislação do DF."

Silva explica que pouco pode fazer. "Estes casos são de polícia; que é quem deve prender o dono, por maltratarem a animais".

Animal trabalha até 10 horas

O carroceiro Francisco Manuel da Silva, 52 anos, é bastante claro ao defender a categoria. "Quando tem trabalho, eles trabalham; quando não tem, ficam aí, ó", e aponta para o gramado ralo, em frente ao curral comunitário da Candangolândia, uma das poucas cidades a oferecer o "conforto público" aos burros e cavalos do DF. Segundo ele, o "quando-tem-trabalho" não estipula horário. Pode significar duas horas ou dez horas de trabalho. "Hoje mesmo, só trabalhei 30 minutos."

Para o carroceiro, as chibatadas aplicadas nos cavalos se justificam quando o animal, preguiçoso e mal-educado, recusa-se a realizar o serviço corretamente. "Quando o cavalo é ruim, o dono dá uma taca para ver se endireita o bicho; mas, depois, acaba passando o cavalo para frente (vender)".

Já o carroceiro Paulo de Souza, 16 anos, que mora "no meio do mato, próximo ao Palácio do Planalto", em uma invasão explica que Boneca, a égua que puxa a carroça,
trabalha apenas meio período. Das 7h às 12. Ele fatura uma média R$ 70 por dia.

O restante do tempo fica no pasto, ou melhor, no matagal mesmo, que cerca a invasão em que mora. Entretanto, ele diz já ter visto muitos animais de colegas sem a menor condições de trabalho. "Tem gente que realmente judia dos animais, já vi casos do animal ser espancado porque não tem forças para puxar a carroça; não concordo com isto".

Nem Paulo, nem Raimundo têm idéia da lei carioca que implanta o direito trabalhista dos animais. Os dois, entretanto, acham correta a aplicação de uma lei similar no DF. Com a palavra, os deputados distritais... 

Carroças são fiscalizadas 

A maior preocupação da gerência de apreensões é a grande quantidade de animais soltos, em meio ao trânsito das cidades. "Todos os dias apreendemos cinco, seis animais", afirma Anastácio Rodrigues da Silva, gerente do departamento.

Silvain Fonseca, chefe da fiscalização do Departamento de Trânsito (Detran) tem preocupação semelhante. Ele já se considera um especialista em aprender carroças nas rodovias do Plano Piloto, onde esse transporte é proibido. Nas cidades-satélites, as apreensões são feitas porque a maior parte das carroças não atendem aos requisitos
da Lei 1.553, do DF. A legislação determina que as carroças devem possuir refletivos, fraudão (para aparar as fezes do animal) e freio. "Precisam também ter registro na administração da cidade". De acordo com o chefe de fiscalização do Detran, a
apreensão da carroça gera uma multa de R$ 20 ao proprietário. Ele explica que as regras estabelecidas na legislação local servem para aumentar a segurança nas vias do Distrito Federal. "No ano passado, registramos cinco acidentes com vítimas fatais; um deles na via que liga a Estrutural à Estrada Parque Taguatinga Guará (EPTG)".

Carioca tem lei própria

Os poderes legislativos estaduais são famosos por fazer leis estrambólicas. Na maioria dos casos, os representantes políticos viram motivo de piada e ganham publicidade por conta disto. Neste quesito, o vereador Cláudio Cavalcanti (PTB), do Rio de Janeiro, roubou a cena. É dele a lei estadual que concede a cavalos, burros e afins, alguns direitos trabalhistas, como descanso semanal e um hora de almoço por dia. A legislação que regulamenta o transporte por tração animal entrou em vigor após o prefeito César Maia sancioná-la. Estabeleceu-se até horário de trabalho: das 8h às 12h e das 13 às 17h, com uma hora para almoço. Os cavalos cariocas não podem trabalhar no domingo,
sob pena de o proprietário ser punido com os rigores da legislação. A lei carioca mata de inveja qualquer sindicalista. No Rio, as éguas e mulas não podem trabalhar, se estiverem prenhas, devem permanecer no pasto. E, em caso de doença ou ferimentos, o animal
também deve passar o dia no capim.

Além disto, qualquer animal (irracional) puxando carroça pelas avenidas do Rio de Janeiro tem de estar devidamente calçado, o que significa estar com ferraduras em condições de uso. A bicharada carioca só pode reclamar por não ter sido concedido o direito a
férias e aposentadoria. Não se pode acusar o vereador Cavalcanti, que ganhou notoriedade ao defender os burros e cavalos cariocas, de oportunismo, afinal, antes mesmo de ser eleito, ele defendia o projeto.

 

Diante de tanta crueldade e inoperância dos políticos, o povo se manifesta...

Carta publicada  no "Jornal de Brasília", na "Opinião do Leitor" em Janeiro de 2002: "Parabéns ao jornal pela matéria "Cavalos escravizados no DF". Espero que publiquem mais matérias sobre esse assunto, esclarecendo à população que os maus-tratos devem ser denunciados à polícia, e que animais também sentem dor, medo, fome, sede, e também ficam cansados. Vocês tem o meu total apoio para publicar matérias desse tipo. Thais Vaz Oliveira São Bento do Sul -SC.(o link é http://www.jornaldebrasilia.com.br ,Grande Brasília - Alô Jornal) Carta publicada no "Correio Braziliense" de domingo, na seção "Correio do Braziliense", em Janeiro de 2002: "Animais torturados - Quantas vezes você já se revoltou ao ver um cavalo esquelético, doente, puxando uma carroça com excesso de peso e ao som de chicotadas? O desrespeito a esses animais tão dóceis, que apesar do tamanho são muito frágeis, está passando dos limites: é comum vê-los sangrando por causa dos arreios improvisados por ferros e arames. Vê-los exaustos, com sede e fome, deixados no asfalto quente horas e horas à espera de novas ordens ou, depois de um dia inteiro de trabalho, ainda serem alugados para trabalho noturno. Quando não servem mais, são abandonados à própria sorte. Um animal que viveria 30 anos, nessas condições, vive três! Você pode ajudar a mudar essa situação. Exerça seu direito de cidadão! Denuncie! A quem recorrer: exija a fiscalização do Detran, já que os carroceiros desrespeitam o Código Nacional de Trânsito se trafegarem em carroças improvisadas, sem placa, sem sinalização, sem carteira de carroceiro, com cavalos doentes, apresentando perigo para eles mesmos e para o trânsito. Chame um policial ao perceber que o animal não agüenta o peso, se está debilitado ou se está sendo mal tratado, e cite a Lei nº 9.605/98 de Crimes Ambientais. Maus tratos a animais é crime! Como cidadãos, pagadores de impostos, nós temos o direito de exigir o cumprimento das leis. Dizer não à crueldade, seja aos animais racionais ou irracionais, é dever de todos! Essa campanha conta com o apoio de Entidades de Defesa
Animal do Distrito Federal: Sozed - Sociedade Zoófila Educativa; SHB - Sociedade Humanitária Brasileira; Unipa - União Protetora dos Animais. Liliane Barki - Brasília.

 

Mais cenas de Brasília

Foto 1: Burrinho com a pena quebrada e fisionomia sofredora, sendo conduzido por uma criança. Foto 2: Cinco crianças guiando uma carroça nas ruas da cidade.

Agradecimentos: Cynthia Sampaio Faé, Liliane Barki e Patrícia Martins.

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