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O HOMEM EM BUSCA DE SENTIDO
EDER LUIS MÜLLER

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1 INTRODUÇÃO

Se
m dúvida nenhuma, um dos temas "psíco-antropológicamente" mais abordados e discutidos, principalmente no início deste século, é o homem em busca de sentidra a própria vida. Onde poderia ele encontrá-lo? Autores de obras consagradas, como Viktor E. Frankl, já no ano de 1984, buscavam dar respostas para este vazio interior deixado pela falta de sentido. Seria uma perda irreparável, não nos basear nessas obras, quando em plenos alvorecer do século XXI precisamos, mais do que nunca, de um propósito e sentido para a vida.
O "Homem em Busca de Sentido", apresenta de uma maneira bem simples e de fácil compreensão a logoterapia. Caracteriza também, o sentido da Vocação- Missão e Religioso.
A partir de uma pesquisa bibliográfica desenvolvida em um único capítulo, que é: "O Homem de século XXI, em busca do quê?", sendo esse, dividido em dois subtítulos, a saber: o sentido da Vocação-Missão, e, o sentido Religioso, apresento o seguinte trabalho. Aos leitores desse, desejo uma boa leitura e um bom aproveitamento


2 O HOMEM DO SÉCULO XXI, EM BUSCA DO QUÊ?

Todos nós, direta ou indiretamente, já questionamos a nossa vida. Quando falamos em questionar, na maioria das vezes, buscamos respostas prontas e exatas,  pois nelas, encontramos assim maior segurança, parecem indubetáveis. Se for esta a maneira mais fácil de encontrá-las, talvez não convenha questionar, mas, se são estas as respostas que realmente buscamos no fundo do nosso ser, merecem nossa atenção.
No pleno alvorecer do séc. XXI, as inovações tecnológicas continuam num processo de constante atualização. A economia num processo ainda lento, mas crescente, maior em alguns paises, menor em outros.
Enfim, vivemos numa sociedade em constante transformação. Não são os objetivos que nos faltam, mas sim, um sentido para esses objetivos e para a própria vida. Somos uma minoria de 3% que têm acesso a uma Universidade, mas, a maioria destes, não tem um sentido para a própria vida.
Outra pesquisa estatística, com dados de 7.948 alunos em 48 universidades, foi conduzida por cientistas sociais da Universidade Johns Hopkins. Seu informe preliminar é parte de um estudo de dois anos patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental. Perguntados sobre o que consideravam muito importante para eles naquele momento, 16% dos estudantes responderam ganhar muito dinheiro, 78% afirmaram que o seu principal objetivo era encontrar um propósito e sentido para minha vida. (FRANKL, 1984, p.92-93).

É interessante notar, que não são as transformações crescentes da sociedade, ou mesmo as condições de bem-estar, que nos satisfazem como ser em constante busca. Podem sim, nos dar respostas muito abstratas, ou, ajudar de forma positiva, a abrir os nossos horizontes para aquilo que de fato nós desejamos. Isto deixa uma solidão, uma ansiedade e um vazio interior muito grande. Na profundidade do nosso ser, uma falta de sentido.
Viktor Frankl autor da técnica da logoterapia, ao defini-la diz: "A logoterapia considera sua tarefa ajudar o paciente a encontrar sentido em sua vida". (FRANKL, 1984, p.95.).
É um dos objetivos mais importantes, questionarmos, não de maneira fria, buscando respostas abstratas, mas conscientes daquilo que somos: O que para mim é muito importante? Qual o sentido da minha vida?
A resposta para essas perguntas está em nós mesmos. Esta é a função da logoterapia, ajudar o paciente a encontrar um sentido de vida. Nessa busca, nenhuma pessoa pode ser substituída. Ela não é uma receita médica e muito menos pode ser encontrada num toque de mágica.
Pode-se notar, que a pessoa que está nesta busca, já tem o olhar voltado para si mesma. Esse, que é o primeiro passo, creio eu, o mais importante. Ter a coragem de questionar a própria vida, e deixar-se levar e sentir aquilo que é próprio da pessoa humana; o sentimento puro e verdadeiro que brota do coração, no mais íntimo do nosso ser. Não há nada melhor no mundo, que deixar levar a vida pelo mais puro sentimento, aquele que é o nosso sentido e razão de viver.
Mais do que viver uma vida boa e feliz, é encontrar um sentido para cada momento de nossa vida. Seja ele na alegria, na tristeza, no sofrimento e até nas demais circunstâncias. A chave do segredo da vida se encontra nas várias situações citadas acima; quando, em primeiro lugar se consegue acolher e aceitar a irreversível situação e, em segundo lugar, não desanimar e, em terceiro lugar, encontrar um sentido para essa situação. Segundo Frankl (1984, p.101), "Quando já não somos capazes de mudar uma situação" podemos pensar numa doença incurável, como um câncer que não se pode mais operar "somos desafiados a mudar a nós próprios".
Sabemos que com a nossa condição humana, talvez tenhamos que enfrentar situações que não podem ser mudadas, causando-nos um sentimento de muita dor. O mais importante nesse caso é tomar uma postura de responsabilidade e não de fuga.  Frankl (1984, p.101) diz: ?Sofrimento de certo modo deixa de ser sofrimento no instante em que encontra um sentido, como o sentido de um sacrifício?. Num caso extremo, como o citado acima, todo o organismo da pessoa fica muito estrito e incapaz de encontrar novas saídas, mas não impossibilitado de lutar por um novo sentido. Só assim, o sofrimento deixa de ser sofrimento. Quando o integramos em nosso ser, conseqüentemente, a ele damos um sentido.
Poderíamos citar vários exemplos de pessoas que perderam o entusiasmo o encanto e amor pela vida. Pessoas que não cultivaram suficientemente a sua identidade pessoal. Não quero aqui dizer que pessoas bem integradas consigo mesmas não venham a sofrer alterações. Ao contrário, qualquer fatalidade conosco, ou, com alguém muito querido, nos causa um medo e uma insegurança muito grandes. É normal que o nosso organismo  sofra alterações, porque somos atingidos diretamente.
Mesmo assombrados pelo medo e pela insegurança, precisamos tomar consciência de que somos desafiados, quando ainda encontramos motivos para não cair no desespero, a mudar a nós próprios. Caso contrário, a angústia aos poucos vai tomando conta de todo nosso ser, se não mudarmos alguns conceitos próprios.
Não é de se estranhar, que está aumentando o número de pessoas que estão procurando ajuda psicológica. Caso contrário, doenças psicológicas como a depressão, muito freqüentes nos dias de hoje, vão tomando conta da vida das pessoas. Frankl em uma de suas citações complementa: "Ouso dizer que nada no mundo contribui tão efetivamente para a sobrevivência, mesmo nas piores condições, como saber que a vida da gente tem um sentido". (1984,p.95).
É exatamente a falta de sentido, que vai tomando conta e angustiando a vida das pessoas. Em vez de ser ele a razão de viver, produz um efeito contrário na vida das pessoas. A falta de sentido, torna a vida monótona conseqüentemente, frágil diante dos acontecimentos, muitas vezes inesperados.
Vivemos numa sociedade que nos traz "tudo pronto", que pouco exige de nós, já pela sua própria estrutura. Indiretamente é a sociedade que vive em nós, que nos orienta e cita as normas, caso não queiramos ser excluídos por esta mesma sociedade.
Não queremos aqui discutir o conceito de sociedade, nem é este o objetivo do trabalho. É importante quando falamos em sociedade, que as pessoas que a constituem, assim como nós que fizemos parte da mesma, muitas vezes exercem influência muito grande sobre nós. Isso, pode nos trazer um vazio e uma falta de sentido muito grandes. No momento que eu não tenho um objetivo próprio, corro o risco de buscá-lo fora e perder minha identidade.
O sentido para a vida está em cada pessoa, e nisso ela não pode ser substituída. Só assim, esse sentido satisfaz a própria vontade de sentido.
Como seres humanos, ter um sentido para a vida, é tão importante como os alimentos que nos sustentam ou, o ar que respiramos. Não conseguimos viver sem um propósito e um sentido para a vida. Isso é próprio da pessoa humana, porque somos constituídos de corpo e alma. Somos seres que pensam, raciocinam, que têm sentimentos, que buscam respostas para as sensações de vazio interior.
A busca do indivíduo para um sentido é a motivação primária em sua vida, e não uma "racionalização secundária" de impulsos instintivos. Esse sentido é exclusivo e específico, uma vez que precisa e pode ser cumprido somente para aquela determinada pessoa. Somente então esse sentido assume uma importância que satisfará a sua própria vontade de sentido. (FRANKL, 1984, p.92.).
Todos nós, temos uma sede muito grande por um sentido. Isso, é próprio de cada pessoa. Por isso, também deverá ser assumido com responsabilidade por determinada pessoa. Nós não podemos ficar enganando-nos o resto dos dias de nossa vida com as mesmas desculpas de sempre: "Vivo infeliz porque não tenho amigos"; "Poderia viver muito melhor se eu não tivesse nascido nessa pobreza"; "Vou parar de estudar porque sou burro mesmo."; "Todas as segundas-feiras saio à procura de um emprego, já passou mais de um mês e ainda não encontrei um trabalho." ; "Não consigo me divertir, porque as festas que participei não foram divertidas".
Veja, achamos uma desculpa para tudo, mas, vivemos num vazio completo. Nesse caso, a preocupação primária é achar uma resposta para tudo o que nos acontece, ou deixa de acontecer. Não são as mesmas "desculpas" de sempre, que vão nos tirar dessa situação, mas sim, deixam-nos sempre mais acomodados com essa falta de sentido. Em vez de sair de uma determinada situação, achamos desculpas para nela ficar. Isso, pode causar neuroses profundas, que só podem ser curadas com um acompanhamento psiquiátrico.
Esse "fechamento" em torno das "desculpas", vai contra a própria natureza do ser humano. Somos seres livres, que precisam buscar e achar seus espaços. Somente seremos realmente livres, no momento em que somos responsáveis pelos nossos próprios atos. A vida é nossa, somente nós podemos fazer dela o que quisermos.


2.1 O Sentido da Vocação e Missão

Dificilmente paramos para refletir e questionar a própria vida. Não digo que isso seja apenas importante, mas sim, necessário. Antes de qualquer coisa, temos uma vocação e porque não dizer, uma missão a cumprir.
Se cairmos na tentação de não questionar a própria vida, ela de alguma forma vai se encarregar de nos questionar.
Não se deveria procurar um sentido abstrato da vida. Cada qual tem sua própria vocação ou missão específica na vida; cada qual precisa executar uma tarefa concreta, que está a exigir realização. Nisso a pessoa não pode ser substituída, nem pode sua vida ser repetida. Assim, a tarefa de cada um é tão singular como a sua oportunidade específica de leva-lo a cabo. (FRANKL,1984,p.98.).

Não acredito, que exista uma pessoa que não busque uma realização pessoal. Recebemos de Deus essa capacidade de busca pela vocação. Somente ela pode nos realizar plenamente. Não vivemos como coisas, mas sim, como seres que têm uma vocação e uma missão neste mundo. Essa é a nossa finalidade, escolher e viver com responsabilidade nossa vocação. Essa deve ser a nossa grande alegria, que nos motiva a olhar pra frente em busca de sempre mais, e melhor.
Somos vocacionados a uma missão que nos leva a uma realização pessoal. Viver por viver, não teria sentido, mas sim, seria uma falta de responsabilidade e sentido muito grandes.
Viver plenamente a vocação, é vivê-la com tarefas concretas. A vocação e missão não devem ser encaradas como um sonho, que talvez ainda possamos realizar, mas sim, muito concretamente no dia-a-dia. Se ela nos exige esforços, é porque recebemos essa capacidade, basta encará-la vivê-la bem. Segundo Viktor Frankl, (1948, p.96.), ?o ser humano precisa a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente?.
Quando temos um objetivo, escolhido livremente, temos a missão de levá-lo ao fim. Não é a ausência de tensões, que nos coloca nessa busca, mas sim, se temos um objetivo, uma missão à realizar.
O sentido da vocação e missão, também sempre se abre para o novo, o não vivido plenamente ainda. O prazer de viver esta nessa busca constante, aberta aos desafios às novidades. Viver dignamente, também é desfrutar do vivido na sua plenitude. É a vida que vai tomando forma até se encher de sentido.
Nada é mais bonito, do que saber que a vida da gente tem um sentido.
Nesse contexto, não podemos separar as duas palavras ?Vocação e Missão?, pois formam o sentido último do homem. Podemos até errar na escolha da vocação, mas acima de tudo, temos uma missão a cumprir. E essa, só podemos cumprir plenamente, quando tivermos a certeza de que esta é a nossa vocação. O sentido da vocação e missão é uma dádiva de Deus, difícil de compreender, mas completa de sentido e satisfação interior.
Nessa busca, a pessoa também vai se abrindo para as outras dimensões, para o próximo e para Deus. É o sentido da Vocação e Missão vividos em sua plenitude.


2.2 O Sentido Religioso

No mundo atual, com todas as transformações sociais que estão ocorrendo num ritmo até assustador, parece que se perdeu muito o sentido da religião. Os valores da sociedade em geral estão sendo transformados. Não é mais só a Igreja que tem o poder de ditar as normas morais.
Devemos ter um cuidado muito grande quando falamos em Igreja, enquanto instituição, e no sentido religioso, esse, próprio de cada ser humano.
Como já foi citado acima, a sociedade em geral está num processo de transformação assustador. Com ela, também o aspecto religioso.
Hoje, se escuta muito falar em fenômeno religioso. É o sagrado saindo cada vez mais saindo da esfera privada, sendo colocado em quase todos os lugares bastante freqüentados. Não está havendo um desencanto pela Religião com todas as transformações que estão ocorrendo na sociedade, ao contrário, a Religião está se tornando a busca de encanto.
Há uma procura e uma sede muito grande de Deus, talvez as maneiras de o procurar estão mudando. Antônio Boeing diz assim em um de seus artigos: ?No geral, o fenômeno religioso é resultante da busca de sentido, de encanto e de direcionamento da vida.?. (BOEING, 2003, p.19.).
Por mais que os tempos e a sociedade mudam, o sentido religioso sempre acompanhará vida das  pessoas.
Faz parte da essência da pessoa humana a busca pelo transcendente, que é a fonte da maioria dos valores que trazemos conosco. É o sentido religioso a fonte onde brota a segurança e, porque não dizer, a esperança.
Segundo BOEING (2003, p.19.), ?Vemos que a Religião tem sempre a ver com relação de sentido num dinamismo permanente de apelo e resposta que encanta a vida nas suas diferentes dimensões?.
A busca pelo sentido Religioso, sempre se dá numa busca pessoal e de diferentes maneiras. Cada um busca satisfazer as suas necessidades e apelos internos. É o apelo pela busca de sentido, e a resposta, é a satisfação interior. É a Religião que orienta e encanta, é o sentido último para o vazio interior.
O processo de transformação pessoal nunca termina, assim também, deve estar aberta a nossa consciência para a busca de sentido Religioso.
Somos seres constituídos não só de corpo mas também por alma e espírito e esse só pode ser explicado pela fé num criador. É o sentimento mais puro que nos move para a busca de sentido e plena realização.


3 CONCLUSÃO

Viver feliz e de uma forma integrada consigo mesmo requer, em primeiro lugar, um sentido para a vida. Sem esse, não se teve um bom passado; o presente, são longas horas que passam e o futuro é incerto. Nem sonhar podemos com o dia de amanhã. Todas as coisas que fazemos se tornam monótonas e com elas, a própria vida um sentido para a vida que falta para as pessoas e na ausência deste, ocorre o vazio interior, ao invés dele ser a razão de viver. É ter um sentido para a vida, que nos faz viver mais que nos coloca no caminho da busca, que nos faz, porque não dizer, sonhar mais.
Somos nós homens que no pleno alvorecer do séc. XXI, continuamos a questionar a própria vida. Vivemos e somos parte de uma sociedade em pleno desenvolvimento, onde as evoluções tecnológicas, foram as que mais evoluíram em toda história da humanidade. Somos o ?indivíduo neoliberal?, ?consumidor em estado puro?, que se caracteriza por ser mais radical que o velho liberalismo do séc. XXI.
Afinal, o que estamos procurando? Procuramos um sentido para as coisas, ou para a própria vida? Esse, só conseguimos encontrar se tivermos responsabilidade com a própria vida. Quando em primeiro lugar, temos um sentido para a vida; quando não vivemos por viver, mas temos consciência da nossa Vocação e Missão; quando a Religião encanta nosso ser, nossa existência. O que afinal nos faz optar pela vida?


4 REFERÊNCIAS

FRANKL, Viktor E. Conceitos Fundamentais da Logoterapia. In: Em Busca de Sentido: Um psicólogo no campo de concentração. 3. ed. ver. Trad.: Walter O. Schupp; Carlos C. Avelino. Rev. téc.: Helga H. Rainhold. São Leopoldo: Sinodal; Petrópolis: Vozes, 1993. 136p.

BOEING, Antonio. Religião; a busca do encanto. In: Mundo Jovem: um jornal de idéias. Porto Alegre: a. .XLI, n.336, p.19, mai, 2003.


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