¬ 22.11.04

Engasguei. Foi quando fechei os olhos para que as lágrimas não descessem. Houve um momento de estalo de consciência, uma reviravolta, até uma angustia meio desvairada me fez entender todos os porquês. Descobri que somos seres de alma lavada ao sol escaldante, postos para crescer num campo vasto e sujo. Simples assim.

Luana F. [vega] |

¬ 09.11.04

- Light Madalena -

Naquela manhã saiu para sentir o mundo. Uma manhã melancólica de outono, úmida, desarmada e sem porquês. E num estalo de consciência um sorriso morno a fez arder e deixar cair pelo caminho cada trapo branco e pesado que vestiu antes de sair de casa, por ordem. Nua e ardente deteve-se em sentir seu sexo latente, queimando, querendo toques, querendo corpos junto ao seu e naquele exato momento de delírio descobriu-se livre. Chorou pelo amor próprio, pela falta dele, pela ausência do sentido detentor da calma, pelo fogo curandeiro da alma, pelo sorriso escasso. Chorou como quem já não mede seus pesares e depois gozou. Pela rua mesmo alcançou olhares ao gozo estúpido de raiva pela vadia solidão. E na rua acendeu, sem censura, um cigarro de erva. Seu nome era Maria, nome de santa. Um fardo que carregou durante uma vida. Ela era agora o avesso: santa para os ocos, puta para os loucos. Queria ser puta, serena, sem manto, sem problemas. Ali, depois da erva, tomou uma decisão, em casa seria a alva Maria e na rua seria a clara Madalena. Juntou os trapos e nua saiu sorrindo, completamente mudada.

Talvez o mais importante da vida seja aprender a se desprender de amarras, conceitos mal formados, amores adormecidos, passados, espelhos quebrados, cartas antigas, mantos impostos, juras falsas, descrenças, identidades perdidas...

Luana F. [vega] |


¬ 08.11.04

- hoje é o dia -

A verdade está dentro de cada um, não importa o que dizem os olhos. Sabe, descobri que os olhos podem mentir. Não sei, tenho um conceito sobre a vida que não sei explicar, não sei mesmo. Quando eu falo que sou sincera demais e que deixo minhas palavras amargas ou doces transformarem-se no meu espelho, não estou mentindo. Ah sim, estou chateada, mas é com a vida, não se engane, não se entregue à dúvida e nem se precipite, porque mesmo que procure respostas em mim encontrará outras perguntas e mais outras e também outras mil portas que não te levarão à lugar algum aqui dentro.

eu te amo...

deixe que eu me resvale sozinha, que me queixe de não conseguir chorar gritando e me cobrir de medo dos meus atributos.

é tmp, sabemos.

UM BEIJO

sua

Luana F. [vega] |


Tenho parte em mim.
Uma parte que não se esconde e não se revela. Parte que não suporta e não repreende.
Suicida-se aos poucos em pensamentos relevantes. Cresce em campo neutro e vigora-se lentamente.
Uma parte sensível, tímida e deslumbrante.
Tem medo do que a verdade pode revelar e julga os mentirosos errantes.
Parte que mata o passado consciente e alimenta lembranças infantes.
Ela é menina, sorri, chora e amadurece.
É estúpida e inteligente. Flagra pensamentos alheios e responde em versos rasos.
Teórica, filosófica, psicóloga, ela tenta administrar economicamente seus atos. Visionária, positivista, sonhadora, ela realiza seus feitos.
Memoriza conceitos para nunca mais liberá-los. Saboreia o espaço, mistifica as palavras sublimando-se em relatos inatos.
Tenho parte em mim...
sobre a lu
blogs, canais, links em geral...
desenhos, borrões, devaneios
o que passou passou, quer ler?
 

Calma que isso aqui está em reforma, só preciso de tempo.

Por enquanto farei algumas postagens sobre o nada ou, como era de costume lá no extazen, sobre mim e o amor e coisas do cotidiano. Eu e a Tânia temos uns projetinhos e queremos pôr em prática as artes que estamos fazendo por aí. Esse endereço e layout são provisórios até que sobre tempo para investir mais em nosso sonho.

Qualquer coisa, se quiserem mais uma palavra é só gritar, mas grite bem alto.

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