Referencial Histórico

Revolução Digital

Alvin Tofler (1995) em seu livro “A terceira Onda” relaciona a primeira onda a revolução agrícola, a segunda a revolução industrial e a terceira a revolução da informação. Tofler, como outros autores pós-industrialistas, confere muita importância ao aspecto técnico como determinante da mudança. Segundo Srour (1998) a componente econômica não pode ser relegada a segundo plano nesta análise, pois dissociada desta as invenções técnicas não frutificam ou não encontram aplicação. Como exemplo, o autor cita o moinho de água que não teve seu uso difundido na Roma antiga pela abundância de escravos. Pelo mesmo motivo, a máquina a vapor, inventada no século I a.C. não encontrou aplicação. Relações escravistas seguidas por relações feudais e por fim relações latifundiárias, determinaram quais inventos teriam ou não aceitação no contexto econômico da sociedade.

Quanto a revolução industrial, Srour (1998) cita ainda que o meio acadêmico se refere a revolução tecnológica em curso como a terceira fase da Revolução Industrial e deram-lhe o nome de Terceira Revolução Industrial.

Ao contrário da Primeira Revolução Industrial, de base mecânica, a Revolução Digital devolve aos trabalhadores feições artesanais. A introdução da eletrônica como base técnica para a produção, os trabalhadores se transformaram em profissionais qualificados e passaram a deter co-responsabilidade no processo de produção. Entretanto a qualificação técnica dos atuais trabalhadores não se compara aos artesãos, que podiam fabricar um produto por inteiro.

Quadro I - Revolução Tecnológica – Leituras (Srour, 1998)


 
REVOLUÇÃO
ENFOQUE
CONTEÚDO
 Informação  Técnico  Terceira Onda (Tofler)
 Qualidade  Estrutura Produtiva  Produção flexível e enxuta,  toyotismo, qualidade total
 3ª Industrial  Tecnológico  Automação e robotização
 Marketing  Comercial  Centralidade nos clientes
 Digital  Inclusivo  C & T são fontes de valor;  trabalhadores co-responsáveis


 

Para melhor compreendermos as diferenças entre a Revolução Industrial e a Revolução Digital, Srour (1998) faz referência a divisão do trabalho entre manual e intelectual, dentro do contexto da eletromecânica, segundo o quadro abaixo;

Quadro II

 


 
TRABALHO
CONTEÚDO
LIMITES À AUTOMAÇÃO
 Manual  (A) Desqualificado  Resistência física da força do  trabalho.
 (B) Qualificado  Habilidade técnica da força do  trabalho.
 Intelectual  (C) Rotinas  Padronizadas  Sistemas de controle  processamento de dados
 (D) Concepção Criativa  Saber Profissional


 

A automatização na Revolução Industrial, caracteriza-se pela substituição do trabalho e esbarra nos limites físicos e mentais do trabalhador. Já a Revolução Digital, integra a produção à administração e aos escritórios de projeto, e permite superar limites anteriores graças as mudanças trazidas pela microeletrônica.

A Revolução Digital trouxe mudanças para as quatro categorias de conteúdo de trabalho;

No trabalho tipo (A), manual, repetitivo e insalubre, robôs e autômatos programáveis, rompem a barreira da resistência física humana, além de conferirem conformidade aos padrões de qualidade.

No trabalho tipo (B), manual, profissional e qualificado, máquinas-ferramentas expandem os limites do saber operário. Operadores polivalentes são formados, detentores de escolarização formal e treinamento adequados.

No trabalho tipo (C), intelectual de execução de rotinas padronizadas, ocorre a padronização e difusão da informação nos escritórios através de microcomputadores, terminais de vendas, calculadoras eletrônicas. O trabalho é tremendamente simplificado.

No trabalho tipo (D), intelectual de concepção criativa, ferramentas como CAD/CAM, mesas de edição, estações de trabalho, libertam os técnicos de tarefas redundantes e laboriosas. Concentra-se desta forma o tempo destes técnicos sobre a atividade criativa em si.

Para finalizar este referencial histórico das revoluções tecnológicas, passemos a um quadro síntese;

Quadro III - Revoluções comparadas (Srour, 1998)

 

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
REVOLUÇÃO DIGITAL
 Trabalho desqualificado ou  semiqualificado, parcelado por tarefas e  em postos de trabalho (trabalhador  descartável, pago por tempo)  Trabalho qualificado, polivalente,  segmentado por processos e em equipes  multifuncionais (trabalhador profissional  pago por resultados)
 Produção em massa, produtos  padronizados, mercado de massas, setor  secundário absorve mão-de-obra  Produção flexível, produtos  personalizados, mercados de nichos,  setor terciário e quaternário absorvem  mão-de-obra
 Tendências à verticalização das  organizações (pirâmides), voltadas para  dentro: controle central em mãos dos  gestores; prevalência do poder  Tendência à horizontalização das  organizações (trapézios), voltadas para  for a, controle partilhado por gestores e  trabalhadores; prevalência do saber
 As grandes empresas devoram as  pequenas; organizações “localizadas”;  barões da ferrovia, do aço, do petróleo,  etc.  As empresas velozes devoram as lentas;  organizações virtuais, magnatas do  software, do turismo, das  telecomunicações, do entretenimento
 Uso extensivo do trabalho físico e dos  recursos naturais, combustíveis, fósseis  e poluição ambiental;  “organização- quartel  Uso intensivo do trabalho mental e da  ciência e tecnologia, energia renovável e  gerenciamento ambiental;  “organização- escola”
 Confrontação internacional e  protecionismo; estratégias de dominação  (oligopólios, cartéis); poder dos  fornecedores e força dos sindicatos  Competitividade internacional e  liberalização comercial; estratégias  relacionais (alianças, joint ventures,  consórcios); poder dos clientes e  fraqueza dos sindicatos


 

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