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Seg, 19 Jul - 16h10
Pingüins imigrantes da Groenlândia catalisam o terror na FABICO

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Por Real Admin

O governador Germano Rigotto (PMDB) elevou o nível de segurança da CEGA (Central de Esperteza Gaúcha) para o nível mais alto, o "vermelho-rovani", devido ao grave problema dos pingüins imigrantes da Groenlândia. Representantes do grupo invadiram o oitavo andar do prédio da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO) da UFRGS, onde mantêm como reféns os professores Fofofó, Márcia Calorão e Pink Avon, além do célebre Chiquinho Rüdiger (auto-intitulado Platão contemporâneo). Eles afirmam que só liberam os prisioneiros se tiverem suas reivindicações atendidas. A CEGA ainda não viu uma solução para o problema.

Longa história

Os primeiro casal de pingüins a colonizar a Groenlândia se encontrou lá após o macho ter enviado um meloso e-mail à fêmea. Para fugir das brincadeiras inoportunas de seus colegas de geleira, ele marcou um encontro com sua amada no pólo norte. Aqui no Estado, os pingüins imigrantes da Groenlândia só chegaram após a calmaria que se seguiu ao furacão Catarina e desviou-os de sua rota inicial. O primeiro objetivo era se instalar no norte catarinense para começar desde já o aquecimento para a Oktoberfest de Blumenau, porém as conturbadas correntes marítimas os levaram até a praia de Quintão. O clima e o mar, adequados ao seu estilo de vida, fizeram com que eles se estabelecessem por ali, nas proximidades da casa do Zé.

Os problemas começaram após o aparecimento de vários cadáveres de pingüins antárticos na praia. As aves groenlandenses reclamaram do descaso das autoridades com os seus "primos do sul", aparentemente mortos no fenômeno da maré vermelha. Uma esperta professora fabicana, que não tinha nada a ver com o assunto, vislumbrou no caso um excelente tema para uma monografia e decidiu meter o nariz onde não era chamada. Ela contraria os pesquisadores ao afirmar que a maré vermelha não é a causa das mortes. "Éééééé! Na verdade, o que aconteceu foi uma maré vermelho-rovani, totalmente inofensiva aos pingüins. Eu sei porque de Rovani eu entendo".

Por ter seu nome diretamente ligado ao caso, o burguês canoense colorado estudante de jornalismo na UFRGS R.M.F. - que preferiu não se identificar - deu carona de Celta até o centro de Porto Alegre a todos os colonos groenlandenses. Dois dias depois, eles já estavam instalados no longínquo e desconhecido bairro São João, e graças ao sistema de cotas para negros de barriga branca conseguiram vagas para estudar Arquivologia na Fabico - o que explica o fato de ninguém nunca os ter visto.

No entanto, uma série de eventos começou a destruir o sonho de uma vida nova na capital. Antes de tudo, o fato de muitos pingüins utilizarem ônibus como meio de transporte. "Odiamos ônibus", resume o mais famoso pingüim pólo-nortense, o Picolino - coadjuvante de outra ave famosa, o Pica-Pau. Outro fato foi o superfaturamento da última festa à fantasia fabicana. "Desembolsei 70 reais para entrar lá. Somando ao que eu gasto de almoço durante a greve do RU, o meu salário de estagiário em redação de jornal desse mês já era!", reclama Picolino. Para eles, no entanto, o mais triste é não terem recebido convites para se cadastrarem no Orkut, o sistema de perda de privacidade voluntária mais acessado da Internet. "Também queremos fornecer nosso dados ao Google. É nosso direito!"

Apesar de tantos motivos, o verdadeiro estopim da revolta armada foi a Irigrafia do Monobure, que tirou o sono dos pingüins. Eles agora sonham com férias de, pelo menos, dois meses, para dar tempo de assistir a todos os capítulos gravados de "A Cor do Pecado".

Invasão

O braço armado do grupo dos pingüins imigrantes da Groenlândia invadiu a Fabico na semana passada. Eles são uma facção ultra-radical do grupo dos Porcos Sodomitas, que já catalisam o terror há tempos. Os pingüins estavam disfarçados de faxineiras, com blusas extremamente decotadas apesar do frio intenso e um jaleco cor-de-burro-quando-foge da ONDREPSB. Eles tentaram invadir a sala 408 durante uma aula de Semiologia, mas o professor deu uns sopapos neles gritando "Toma, Caparelli!", além de apagar seu cigarro no olho do chefe do grupo. Revoltados, os pingüins se refugiaram no oitavo andar levando consigo os professores que encontraram pelo caminho.

Em comunicado divulgado ontem, a diretora da Fabico afirmou que a horda fez apenas duas vítimas fatais. O primeiro foi o estudante P.R.S.L. aka Fabicano pela União. "Ele quis fazer uma oração pela paz no mundo e acabou baleado na narina esquerda", lamenta a diretora. O outro era um perneta sem importância, que pelas circunstâncias da morte provavelmente já estava jurado. Uma testemunha cujo nome será mantido em sigilo afirmou que, apesar de estar lá na hora da invasão, de olhos bem abertos, não viu nada. "Acho que cochilei", justificou-se o fabicano.

Indefinição

Apesar de todo o alarde na imprensa, os pingüins ainda não especificaram quais são as suas reivindicações. Boatos aludem a uma possível exigência da anexação da Escola Técnica à Fabico. Ninguém sabe o que fazer. Para alguns, como o ex-futuro-general-atual-pretendente-de-novo-Spielberg, Zé, a única solução é um confronto armado. "Desde a instalação desses pulhas em Quintão eu já era a favor de um extermínio em massa". Outros, no entanto, são a favor de uma saída mais pacífica. "Vamos todos sair pra tomar umas geladas e já era", propõe o instrutor de direção Eduardo Sbabo.

Na séria e respeitada opinião da antropóloga Virgínia Baumhardt, tudo não passa de uma grande bobagem. Entrevistada à noite numa festa de bebida liberada, a antropóloga afirmou "Isso é ridículo! Não há pingüins na Groenlândia! Vocês estão bêbados! 'I touch myself' é da Madonna! Vamos ligar pro Auto-Escola! Êêêêêêêê!!!".

"Para Hemingway, terrorismo não é apenas assassinatos e carros-bombas. Qualquer um que ameaça a vida das pessoas é um terrorista", afirmou o intelectual FM Junior, que salientou ainda: "Junior é sem acento".

Esse "terrorismo", apesar de tudo, já tornou-se fonte de diversão ilimitada para os dois publicitários criadores do genioso mascote Lobo Batuta. Eles agora passam a maior parte do tempo sugando verbas federais em um modernoso laboratório secreto em plena Fabico, ocupados em criar trocadalhos e piadinhas nonsense sobre o assunto para inserir subrepticiamente em seus trabalhos de aula.

Com agências internacionais.


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