Por Real Admin
O governador Germano
Rigotto (PMDB) elevou o nível de segurança da CEGA (Central de Esperteza Gaúcha)
para o nível mais alto, o "vermelho-rovani", devido ao grave problema dos
pingüins imigrantes da Groenlândia. Representantes do grupo invadiram o oitavo
andar do prédio da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO) da UFRGS,
onde mantêm como reféns os professores Fofofó, Márcia Calorão e Pink Avon, além
do célebre Chiquinho Rüdiger (auto-intitulado Platão contemporâneo). Eles
afirmam que só liberam os prisioneiros se tiverem suas reivindicações atendidas.
A CEGA ainda não viu uma solução para o problema.
Longa história
Os primeiro casal de pingüins a colonizar a
Groenlândia se encontrou lá após o macho ter enviado um meloso e-mail à fêmea.
Para fugir das brincadeiras inoportunas de seus colegas de geleira, ele marcou
um encontro com sua amada no pólo norte. Aqui no Estado, os pingüins
imigrantes da Groenlândia só chegaram após a calmaria que se seguiu ao
furacão Catarina e desviou-os de sua rota inicial. O primeiro objetivo era se
instalar no norte catarinense para começar desde já o aquecimento para a Oktoberfest de Blumenau, porém as conturbadas correntes marítimas os levaram até
a praia de Quintão. O clima e o mar, adequados ao seu estilo de vida, fizeram
com que eles se estabelecessem por ali, nas proximidades da casa do Zé.
Os problemas começaram após o aparecimento de
vários cadáveres de pingüins antárticos na praia. As aves groenlandenses
reclamaram do descaso das autoridades com os seus "primos do sul", aparentemente
mortos no fenômeno da maré vermelha. Uma esperta professora fabicana, que não tinha nada a ver com o assunto, vislumbrou no caso um
excelente tema para uma monografia e decidiu meter o nariz onde não era chamada. Ela contraria os
pesquisadores ao afirmar que a maré vermelha não é a causa das mortes. "Éééééé!
Na
verdade, o que aconteceu foi uma maré vermelho-rovani, totalmente
inofensiva aos pingüins. Eu sei porque de Rovani eu entendo".
Por ter seu nome diretamente ligado ao caso, o
burguês canoense colorado estudante de jornalismo na UFRGS R.M.F. - que preferiu
não se identificar - deu carona de Celta até o centro de Porto Alegre a todos os
colonos groenlandenses. Dois dias depois, eles já estavam instalados no
longínquo e desconhecido bairro São João, e graças ao sistema de cotas para
negros de barriga branca conseguiram vagas para estudar Arquivologia na Fabico -
o que explica o fato de ninguém nunca os ter visto.
No entanto, uma série de eventos começou a
destruir o sonho de uma vida nova na capital. Antes de tudo, o fato de muitos
pingüins utilizarem ônibus como meio de transporte. "Odiamos ônibus",
resume o mais famoso pingüim pólo-nortense, o Picolino - coadjuvante de
outra ave famosa, o Pica-Pau. Outro fato foi o superfaturamento da última festa
à fantasia fabicana. "Desembolsei 70 reais para entrar lá. Somando ao que eu
gasto de almoço durante a greve do RU, o meu salário de estagiário em redação de
jornal desse mês já era!", reclama Picolino. Para eles, no entanto, o mais
triste é não terem recebido convites para se cadastrarem no Orkut, o sistema de
perda de privacidade voluntária mais acessado da Internet. "Também queremos
fornecer nosso dados ao Google. É nosso direito!"
Apesar de tantos motivos, o verdadeiro estopim da revolta
armada foi a Irigrafia do Monobure, que tirou o sono dos pingüins. Eles agora
sonham com férias de, pelo menos, dois meses, para dar tempo de assistir a todos
os capítulos gravados de "A Cor do Pecado".
Invasão
O braço armado do grupo
dos pingüins imigrantes da Groenlândia invadiu a Fabico na semana passada. Eles
são uma facção ultra-radical do grupo dos Porcos Sodomitas, que já
catalisam o terror há tempos. Os pingüins estavam disfarçados de faxineiras, com blusas
extremamente decotadas apesar do frio intenso e um jaleco
cor-de-burro-quando-foge da ONDREPSB. Eles tentaram invadir a sala 408 durante
uma aula de Semiologia, mas o professor deu uns sopapos neles gritando "Toma,
Caparelli!", além de apagar seu cigarro no olho do chefe do grupo. Revoltados, os
pingüins se refugiaram no oitavo andar levando consigo os professores que
encontraram pelo caminho.
Em comunicado divulgado ontem, a diretora da
Fabico afirmou que a horda fez apenas duas vítimas fatais. O primeiro foi o estudante P.R.S.L.
aka Fabicano pela União. "Ele quis fazer uma oração pela paz no mundo e
acabou baleado na narina esquerda", lamenta a diretora. O outro era um
perneta sem importância, que pelas circunstâncias da morte provavelmente já
estava jurado. Uma testemunha cujo nome será mantido em sigilo
afirmou que, apesar de estar lá na hora da invasão, de olhos bem abertos, não viu nada. "Acho que
cochilei", justificou-se o fabicano.
Indefinição
Apesar de todo o alarde na imprensa, os pingüins ainda não especificaram quais
são as suas reivindicações. Boatos aludem a uma possível exigência da anexação
da Escola Técnica à Fabico. Ninguém sabe o que fazer. Para alguns, como o
ex-futuro-general-atual-pretendente-de-novo-Spielberg, Zé, a única solução é um
confronto armado. "Desde a instalação desses pulhas em Quintão eu já era a favor
de um extermínio em massa". Outros, no entanto, são a favor de uma saída mais
pacífica. "Vamos todos sair pra tomar umas geladas e já era", propõe o instrutor
de direção Eduardo Sbabo.
Na séria e respeitada opinião da antropóloga
Virgínia Baumhardt, tudo não passa de uma grande bobagem. Entrevistada à noite
numa festa de bebida liberada, a antropóloga afirmou "Isso é ridículo! Não há
pingüins na Groenlândia! Vocês estão bêbados! 'I touch myself' é da Madonna!
Vamos ligar pro Auto-Escola! Êêêêêêêê!!!".
"Para Hemingway, terrorismo não é
apenas assassinatos e carros-bombas. Qualquer um que ameaça a vida das pessoas é
um terrorista", afirmou o intelectual FM Junior, que salientou ainda: "Junior
é sem acento".
Esse "terrorismo", apesar de tudo, já tornou-se fonte de
diversão ilimitada para os dois publicitários criadores do genioso mascote Lobo
Batuta. Eles agora passam a maior parte do tempo sugando verbas federais em um
modernoso laboratório secreto em plena Fabico, ocupados em criar trocadalhos e
piadinhas nonsense sobre o assunto para inserir subrepticiamente em seus
trabalhos de aula.
Com agências internacionais.