BIBLIOGRAFIA

 

 

AS TUAS MÃOS

as tuas mãos longas

e morenas

que exprimem do gesto

a subtileza

são lindas, são etéreas

são subtis.

Parecem aves

esvoaçando presas...

Como gosto

de, perdida em pensamento,

seguir as figuras

que, no espaço,

as tuas mãos desenham

em sentido,

e cingi-las ao meu corpo

qual abraço...

 

Como gostam

quando apontam o universo,

os dedos estirados

como setas...

me elevam, me redimem, me libertam.

Me encontram o perdão

do meu pecado.

Me acalmam,

me sublimam,

como ascetas.!!

 

MANHÃS DE SETEMBRO

 

Manhãs de Setembro,

aragem fresca

construindo sonhos,

teias de gotas

enfeitando os matos,

perfume verde

a seguir meus passos,

lírios roxos

ponteando as margens

do fio de água

que escorre manso.

E tu E eu!

E a erva tombada

pelos corpos,

os lírios violados

na paixão.

E o céu!

Esse céu azul

sem limite.

O nosso limite.

        A nossa eternidade!

 

"Este poema de Helena, é o próprio amor
enaltecido. Descreve-se o local - mero detalhe. O importante é a troca, a aproximação, a união dos corpos.
Mais que isso, como corolário, uma união amorosa como essencial para se ter a chave da eternidade.
Gosto demais de versos assim, cuja fluência é sentida não apenas quando lida em voz alta.  E o fato ainda de significar sem esforço..".


Flávio Alberoni

 

"Um poema delicado e belo! Reflecte a harmonia existente e possível de duas pessoas com a natureza... a beleza dos versos se sucedem:

 

        " e tu! e eu!

          E a erva tombada

          pelos corpos,

          os lírios violados

          na paixão."

 

A autora tem uma capacidade incrível de síntese, de dizer muito com poucas palavras, e o jogo com a natureza é perfeito. Poema que pousa como

pluma, tal a suavidade dos seus versos, que nos faz sentir, durante a sua leitura, o cheiro verde das manhãs de primavera.

Faz-nos até ver a cor da "aragem fresca"!"

Roberto Cônsoli

 

 

 

MANHÃS DE SETEMBRO

 

    "A autora nos leva a um passeio lírico pelo seu bosque de sonhos. E no caminho, discretamente, a paixão dos corpos violando a integridade da natureza para deixar correr o próprio fluxo da natureza em outra dimensão. E passa agora a descrever, não mais as coisas e seres ao seu alcance e sim algo mais intangível, os limites, a eternidade. É como se o amor catapultado pela paixão remetesse a autora para o infinito onde esse é o seu próprio limite

Claro, qualquer leitor que tenha a oportunidade de ser caronista nessa aventura, sentirá um pouco das sensações que inspiraram a autora e isso por si só, é extremamente gratificante.

O crítico por sua vez agradece, na ocasião do ofício, por ter sentido com mais profundidade ainda de que um leitor comum, tão maravilhosos sentimentos."

Francisco Rodrigues

 

"Nos versos: "... perfume verde / a seguir meus passos," se consegue sentir a unidade e a expressão "perfume verde" pareceu-me tão delicada. Os leitores também são convidados a sentir esse toque da Natureza..quase tocados levemente como se o perfume dos matos tivessem virado brisa também. A menção da marca dos corpos sobre a relva, imediatamente nos dá a imagem de que estão os amantes a olhar para o céu. O poema faz o amor se tornar largo e alado. E no desfecho, a autora leva ao extremo o romantismo, ao anunciar que aquelas manhãs precisas de Setembro conseguiram perpetuar a paixão. "

Cris Macniede

 

 

………“A desumanização da saúde começa pela própria casa, pelas instituições de saúde que não entendem, nem aceitam a doença. Exigem dos funcionários, como se estes fossem super-homens ou super-mulheres, têm quadros diminutos, exploram a responsabilidade de cada um, dando nada em troca. Nem instalações, nem locais de estágio com o mínimo de dignidade, nem suporte logístico, nem orgulho de ser bom profissional. (……………….) O ideal de realização pessoal e profissional, a projecção das instituições (….)  perde-se por caminhos esconsos no medo das cúpulas, nos orçamentos apertados, nas políticas internas, nos tortuosos caminhos de procura do poder, na carga burocrática, na gestão economicista da actividade pedagógica e dos cuidados…….

                                          In “Dar a vida pela vida”, Editorial Minerva, 2001, prólogo

 

 

 

….“Nunca a população se queixou tanto. Nunca a desumanização se sentiu tanto. Nunca se fugiu tanto ao doente. Nunca se dedicou tanto tempo ao preenchimento de papéis. Nunca se reduziu tanto o paciente a uma patologia e aos exames subsidiários. Nunca os cuidados foram menos globais. Nunca se perguntou tão pouco a vontade do doente, apesar de se colherem histórias exaustivas. Nunca este foi tanto um joguete nas mãos dos técnicos de saúde.”

 

                                          In “Dar a vida pela vida”, Editorial Minerva, 2001, prólogo

 

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