Especial
*Kalna Teao
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Hoje,
no século XXI, Vitória se preocupa em preservar seu passado diante dos
efeitos da modernização. Próxima de completar 450 anos, a “Cidade
Presépio”, como é conhecida, tem projetos de revitalização de seu
centro para salvaguardar sua história.O antigo torna-se, assim, alvo de
conservação da memória diante da ameaça do novo. Mas
se o relógio corresse para trás na linha do tempo, e pudéssemos voltar
um século, veríamos um cenário diferente: uma Vitória prestes a dar início
a sua modernização, o caminho a ser seguido daí por diante por seus
governantes com o intuito de transformar a província em capital do
Estado. Os
governos de Muniz Freire e Jerônimo Monteiro simbolizam a transformação
sofrida por Vitória. Ela
passará de área rural para centro urbano, tudo isso diante de um Brasil
que se apoiaria na produção cafeeira para se modernizar. Quando
Saint Hillaire visitou o Espírito Santo no século XIX atribuiu a Vitória
uma situação de precárias condições, com uma economia agrícola, ruas
estreitas e mal organizadas. Era
essa imagem que pretendiam mudar os novos governantes da República. Muniz
Freire assumiu o poder em 1892 até 1896. Depois retornou para o seu
segundo mandato, que durou de 1900 a 1904. Logo
que assumiu seu governo, Muniz Freire contava com amplos recursos devido
ao alto preço do café. A situação estava favorável para os projetos
de urbanização e melhoria da capital. Durante
o seu governo, Muniz Freire realizou obras como a criação do serviço de
abastecimento de águas e esgotos, a construção de edifícios públicos
e aterramento do Campinho, além do arruamento da Vila Rubim, que até
1910 era conhecida como Cidade da Palha, devido a cobertura das casas. Alem
disso, no seu governo foram construídos o Quartel de Polícia e o Palácio
do Congresso (atual Tribunal da Justiça).
Também o Teatro Melponeme, atual hotel Europa, foi inaugurado no
seu governo. Suas armações de ferro foram utilizadas para as bases do
Teatro Carlos Gomes. Com
o objetivo de expandir a área urbana de Vitória, Muniz Freire contratou
o engenheiro sanitarista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito para ser o
responsável pelo projeto “O Novo Arrabalde”. Tratava-se da expansão
da área urbana de Vitória através das regiões de Jucutuquara, Bento
Ferreira, Praia do Suá e Praia do Canto. Em
1894, Vitória dava claros sinais de desenvolvimento urbano devido a
grande movimentação comercial do Porto de Vitória. Muniz
Freire contratou empréstimos no exterior avaliado em 700 milhões de
francos franceses para a construção da estrada de ferro do sul do Espírito
Santo. O
objetivo dessa estrada era canalizar a renda do comércio de exportação
e importação, já que o centro comercial se concentrava em Cachoeiro de
Itapemirim e os lucros desse comércio ficavam com o Rio de Janeiro. O
segundo mandato de Muniz Freire, no entanto, não foi como o primeiro.
Acometido por uma série de crises, o governador foi obrigado a decretar a
moratória do estado. Jerônimo
Monteiro assumiu o governo em 1908 até 1912. Assim como Muniz Freire,
Monteiro assumiu a política de urbanização de Vitória, transformando a
cidade no pólo de desenvolvimento econômico do estado, posto que antes
pertencia a Cachoeiro de Itapemirim. As
obras de Jerônimo Monteiro alcançaram desde a área de urbanização,
infra-estrutura, industrialização e também educação. Quanto
a urbanização, houve melhoria dos serviços de água e rede de esgoto,
energia elétrica, bonde elétrico, construção das obras do Porto,
construção do cemitério de Santo Antônio, da Santa Casa de Misericórdia
e do Parque Moscoso (Antigo Campinho). No
campo da educação, foram construídas 125 escolas, dentre elas o colégio
Pedro II (atual Maria Ortiz). Foi criado também o arquivo público, a
biblioteca e o museu do estado. Carlos Gomes Cardim atuou na política
educacional de Jerônimo Monteiro, reformulando escolas e realizando
congressos. No
setor industrial, foram construídas fábricas no sul do estado. A
industrialização não foi, no entanto, bem sucedida, devido a
precariedade dos transportes e o baixo consumo dos produtos. Ambos
os governos de Muniz Freire e Jerônimo Monteiro introduziram no Estado do
Espírito Santo uma política de modernização, buscando polarizar Vitória
como centro urbano e econômico através de recursos vindos do café.
Casa Verde
A
Casa Verde tornou-se um dos maiores estabelecimentos comerciais da cidade.
Ali
vendia-se de um tudo, conforme o próprio povo dizia, na época. Podia-se
encontrar bijuterias, roupas feitas sob medida, brinquedos, perfumes
importados, fazendas, calçados, malas e chapéus. Anualmente, editava um
almanaque em que se registravam desde acontecimentos sociais e religiosos
até obras em prosa e verso de autores capixabas. Rua
da Alfândega É
a atual Avenida Jerônimo Monteiro. Já foi denominada também, a partir
de A
partir de 1920, a rua da Alfândega passou a ser definitivamente chamada
avenida Jerônimo Monteiro, prolongando-se, já nesta época, da Escadaria
do Palácio até a praça Costa Pereira.
Armazém
de Café
Início
do século Campinho O
aterro do Campinho, área pantanosa, chamada primitivamente de Lapa do Em
1911, completamente aterrado o local, foi erguido ali um amplo jardim.
Paulo Motta, o responsável por essa obra, não tinha curso superior, mas
segundo consta, era um esteta e tinha visão artística. O Parque Moscoso
se tornou assim, graças a ele, um dos mais bonitos pontos de Vitória na
época, um verdadeiro parque florestal Teatro
Melponeme Sua
construção iniciou-se a 14 de dezembro de 1895, pelo governo de Moniz Melpomene
era uma homenagem à musa da tragédia grega. Contrariou a opinião de
alguns homens públicos da época, que pretendiam que se chamasse TDP
(Teatro Dramático Público). A mudança do nome para Melpomene, foi, no
entanto, para alguns, uma forma de evitar o escárnio da oposição, que
traduziu imediatamente a sigla TDP como “Teatro de Pau”. Uma ironia ao
fato de ter sido construído de pinho-de-riga. Não adiantou muito. A nova
sigla, TM, foi ainda lida de forma irônica pelos opositores, como
“Teatro de Madeira”. O que criticava a oposição era o dispêndio de
402 contos de réis gastos com a construção, e conseqüente desapropriação
da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Prainha.
Forte
São João Vista
do forte São João, construção de 1837. Mantém alguns detalhes
da época
da colonização. Foi a única construção que se preservou na ilha. Antigo
prédio do Congresso Legislativo
No
andar superior funcionava o Instituto de Belas Artes (1910-1913).
No 1º andar funcionava o jornal “Diário da Manhã”.
Palácio
do Governo, 1909.
Vila
Rubim Conhecida
como Cidade de Palha no início do século XX, seu arruamento ocorreu no
governo de Muniz Freire. José Padrenome – A varejo e atacado Grande
estabelecimento de calçados, arreios, couros, artigos de viajantes, etc.
Localizado na rua da Alfândega, 05. Início do século XX.
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