Centro Espírita Humildes com Jesus

 

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

02/04/1910 - 30/06/2002

BIOGRAFIA

    Nosso irmão reencarna em 02 de abril de 1910, na pequena cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, sendo batizado com o nome de Francisco de Paula Cândido*. De origem muito humilde, Chico era filho do operário João Cândido Xavier e da lavadeira Maria João de Deus, desencarnados respectivamente em 06 de dezembro de 1960 e 29 de setembro de 1915.

    As aparições do espírito de sua mãe, quando a criança ainda não tinha completado 5 anos de idade, assinalaram os primeiros fenômenos de clarividência e clauridiência, que se ofereciam às suas faculdades mediúnicas, os pais, se proporcionaram grande alegria à sua alma infantil também lhe valeram castigos e incompreensões, por parte de quem tudo julgava invencionice de menino travesso.

    Em virtude da escassez de recursos com que a família numerosa sempre se debatia, o Chico foi obrigado, desde menino, a trabalhar para que em casa não faltasse o mínimo necessário. Fazia os seus estudos elementares, ao mesmo tempo que se dedicava aos rudes serviços de aprendiz numa tecelagem, onde o seu pai o colocara aos nove anos de idade. Pela manhã até às onze horas, o Chico assistia as aulas no grupo escolar, para, em seguida, trabalhar, até as duas horas da manhã na fábrica de tecidos. Tal regime não permitiu que sua instrução não fosse além do grau primário. Chico ainda trabalharia como caixeiro, garçom, ajudante de cozinheiro e, finalmente, como obscuro funcionário do Ministério da Agricultura, condição como se aposentou, por invalidez, em janeiro de 1961, em razão de moléstia incurável nos olhos.

    Tais precariedades, de ordem social e intelectual, obedeceram, todavia, a Plano Superior, providencial, imunizando o instrumento contra os daninhos prejuízos da presunção acadêmica, da indiferença moral e do materialismo.

    Educado sob orientação católica, foi no dia 07 de maio de 1927 que assistira a primeira sessão espírita, promovida pelo casal José Erminio Peracio e Carmem Pena Perácio, para socorrer um caso de obsessão na pessoa de sua irmã Maria Xavier Pena. Sua intervenção nesse trabalho foi por meio de preces. Dias depois na Fazenda Maquiné, propriedade dos Perácio, Dona Carmem ouve e vê o Espírito de Emmanuel, que lhe recomenda pedir a Chico que tome papel e lápis. Chico recebe de sua mãe conselhos para o tratamento de sua irmã que se restabelecia de terrível processo obsessivo.

    Muitas peças ditadas ao Chico foram consideradas pelos amigos, e mesmo por seu irmão José Cândido, como nascidas da sua própria mente, embora este afirmasse a impossibilidade de tal fato. O fruto destas peças seria o aparecimento, em julho de 1932, da monumental obra "Parnaso de além-Túmulo, que inauguraria a fecunda produção do médium.


CHICO XAVIER – O HOMEM DE BEM

             Tudo o que disse e se escreveu sobre Francisco Cândido Xavier pode ser sintetizado nos Caracteres do Homem de Bem, que Allan Kardec ressalta na questão 918 de O livro dos Espíritos e no capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, como segue:

O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião se der útil, se ninguém tem qualquer queixa dele, enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.

Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas.

Tem fé no futuro, razão porque coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo,faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.

O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.

Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com seu orgulho e com seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a apode evitar, falta ao dever de amar ao próximo e não merece a clemência do Senhor.

Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e  esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por  saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.

É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença de Cristo: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado”.

Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado,procura sempre o bem que possa atenuar o mal.

Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.

Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros,

Não se envaidece de sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.

Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplica-lo à satisfação de suas paixões.

Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com seu orgulho. Evita tudo quanto  lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.

O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente. (Cap. XVII, nº 9)

Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus.

Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz.

Fonte: KARDEC, Allan, O Evangelho segundo o Espiritismo, 117 ed., Rio de Janeiro, FEB, 2001, cap. XVII, item 3, p. 272-274.

Revista Reformador, Edição Especial, julho 2002.

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*Chico Xavier foi a personificação do bem na Terra, exemplificando em vida todos ensinamentos do Evangelho. Amou, cuidou, consolou, auxilio,.acolheu, trabalhou....

O Maior ícone do espiritismo no Brasil, demonstrou na prática , quão grandiosa e abrangente é a Doutrina Espírita, levando a tantos quantos o procuraram a sua palavra serena, seu apoio e a sua fé inabalável em Deus e nos espíritos superiores.

Chico Xavier tem como maior e mais importante mensagem de amor, o legado de sua própria vida.

Obrigado Chico, e que das esferas superiores em que te encontras, tu possas nos ajudar a alcançar a tua condição espiritual.

*Nota CEHJ


 

Algumas passagens ocorridas na vida de Francisco Cândido Xavier

 

Aqui teremos a oportunidade de lermos alguns fatos ocorridos durante a vida de Chico Xavier, que apesar de se mostrarem engraçados e pitorescos, revelam a grandeza desse Espírito. Humildade, Simplicidade, Bondade, Caridade, Indulgência e outras tantas Virtudes, se mostram em gestos comuns na vida de um Ser que veio a Terra com a missão de ensinar através não só da sua mediunidade singular, mas também, e principalmente, pelo exemplo de vida que foi a sua existência

 

A Primeira Visão de Emmanuel

É o próprio Chico que conta, nas páginas 11, 12 e 13 do livro "Emmanuel", editado pela Federação Espírita Brasileira, 7.' edição. "Lembro-me de que em 1931, numa de nossas reuniões habituais, vi a meu lado, pela primeira vez, o bondoso Espírito de Emmanuel. Eu psicografava, naquela época, as produções do primeiro livro mediúnico, recebido através de minhas humildes faculdades e experimentava os sintomas de grave moléstia dos olhos. Via-lhe os traços fisionômicos de homem idoso, sentindo minha alma envolvida na suavidade de sua presença, mas o que mais me impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim, dentro de reflexos luminosos que tinham a forma de urna cruz. As minhas perguntas naturais, respondeu o bondoso guia: - "Descansa! Quando te sentires mais forte, pretendo colaborar igualmente na difusão da filosofia espiritualista. Tenho seguido sempre os teus passos e só hoje me vês, na tua existência de agora, mas os nossos espíritos se encontram unidos pelos laços mais santos da vida e o sentimento afetivo que me impele para o teu coração tem suas raízes na noite profunda dos séculos..." Essa afirmativa foi para mim imenso consolo e, desde essa época, sinto constantemente a presença desse amigo invisível que, dirigindo as minhas atividades mediúnicas, está sempre ao nosso lado, em todas as horas difíceis, ajudando-nos a raciocinar melhor, no caminho da existência terrestre. A sua promessa de colaborar na difusão da consoladora Doutrina dos Espíritos tem sido cumprida. integralmente. Desde 1933, Emmanuel tem produzido, por meu intermédio, as mais variadas páginas sobre os mais variados assuntos. Solicitado por confrades nossos para se pronunciar sobre esta ou aquela questão, noto-lhe sempre o mais alto grau de tolerância, afabilidade e doçura, tratando sempre todos os problemas com o máximo respeito pela liberdade e pelas idéias dos outros. Convidado a identificar-se, varias vezes, esquivou-se delicadamente, alegando razões particulares e respeitáveis, afirmando, porém, ter sido, na sua ultima passagem pelo planeta, padre católico, desencarnado no Brasil. levando suas dissertações ao passado longínquo, afirma ter vivido ao tempo de Jesus, quando então se chamou Publio Lentulus. E de fato, Emmanuel, em todas as circunstâncias, tem dado a quantos o procuram o testemunho de grande experiência e de grande cultura. Para mim, tem sido ele de incansável dedicação. Junto ao espírito bondoso daquela que foi minha mãe na Terra, sua assistência tem sido um apoio para o meu coração nas lutas penosas de cada dia. Muitas vezes, quando me coloco em relação com as lembranças de minhas vidas passadas e quando sensações angustiosas me prendem o coração, sinto-lhe a palavra amiga e confortadora. Emmanuel leva-me, então as eras mortas e explica-me os grandes e pequenos porquês das atribulações de cada instante. Recebo, invariavelmente, com a sua assistência, um conforto indescritível, e assim é que renovo minhas energias para a tarefa espinhosa da mediunidade, em que somos ainda tão incompreendidos".

(Extraído do livro "Chico, de Francisco" - Adelino da Silveira
Editora Cultura Espírita União - 3ª Edição - pág. 151).

 

O Irmão de Chico Xavier é Autorizado a Desencarnação

José Cândido Xavier, irmão do médium Chico Xavier, em 1939, inesperadamente foi acometido de um insulto cerebral. Chico pediu a ajuda do espírito do Dr. Adolfo de Bezerra de Menezes. Ele informou-o que, pela Lei de Causa e Efeito, seu irmão deveria permanecer onze anos preso ao leito, paralítico e demente. Entretanto, preces e pedidos intercessórios chegavam continuamente ao Plano Superior, partidos daqueles a quem ele beneficiara. Em face disso, os espíritos responsáveis pela sua atual encarnação estudavam a possibilidade de conceder-lhe a desencarnação imediata. Durante muitas horas consecutivas, Emmanuel, André Luiz, Bezerra de Menezes e Scheila, juntamente com Chico, formando um círculo em torno do enfermo, oravam. Após longo tempo de expectativa, chega a solução do Alto: a desencarnação seria outorgada. Não como uma "graça", o que importaria na negação da Justiça Divina, que dá a cada um segundo as suas obras, mas porque os onze anos de serviços prestados a Jesus, repleto de suor e lágrimas, como dedicado obreiro do Centro Espírita Luiz Gonzaga - a forja do amor, amparo e paz do ciclópico Chico Xavier - proporcionaram ao moribundo o cancelameento do seu débito para com a Lei. Os onze anos de ininterrupto e intenso labor espírita equivaleram e substituíram os onze anos de dolorosa imobilidade que o aguardavam, como fruto amargo dos desatinos que cometera em existência passada. O espírito é sempre o árbitro do seu destino, podendo prolongar os sofrimentos pela obstinação no mal, ou amenizá-los e anulá-los pela prática do bem. Nesta mesma noite, indultado pelas suas ações de abnegação e renúncia, José Xavier abandonava a vestimenta carnal imprestável. Felizes dos devedores em condições de se quitarem.

(Extraído do livro "Lições de Sabedoria - Chico Xavier nos 22 anos da Folha Espírita"
Marlene Rossi S. Nobre - FE Editora Jornalística Ltda - pág. 239)

 

Chico e o Volks - Uma Transação que Jesus também faria

Certa manhã fria de outubro de 1971, o médium Francisco Cândido Xavier surpreendeu-se ao ver estacionado em frente a porta de sua casa um possante caminhão. Dentro da sua carroceria, um "fuscão", último modelo, de luxo, zero quilômetro. E mais admirado ficou ainda quando o motorista começou a descarregá-lo! Finda a operação, o homem perguntou-lhe se conhecia e se sabia se Chico Xavier se encontrava em casa. Sou eu mesmo, respondeu-lhe timidamente. Sem mais nada indagar, o interlocutor informou-lhe o motivo de sua presença: "Pois aqui estão os documentos e as chaves do carro. Uma empresa de transportes pagou-me para trazê-lo e entregá-lo ao senhor, foi um industrial de São Paulo quem mandou, mas não sei o seu nome. Não adianta me perguntar". E se foi. O humilde porta-voz da Espiritualidade Superior por varias vezes balançou a cabeça. Por fim sorriu e encaminhou-se para seu quarto, ia orar e meditar. O automóvel ficou na rua, abandonado ao sol. Horas depois, chegou o dono do estabelecimento comercial que fornecia gêneros e verduras para a "sopa dos pobres" do Chico. O médium convidou-o para olhar o presente que recebera. Visivelmente encabulado indagou-lhe: Que tal? Gostou? "Magnífico! Extraordinário! Que linda cor!" exclamou o entusiasmado visitante. Leve-o, falou mansamente o irmão de todos os sofredores e desvalidos. Você me paga em macarrão para as minhas sopas e sacolas. O simples e puro Chico, ainda não contaminado pela ganância e pelo egoísmo dos seres humanos, assim acabava de efetuar um negocio altamente lucrativo: trocara um bem transitório, que as traças consomem e os ladrões roubam, pelo ouro inoxidável da caridade que nem as traças roem e nem os ladrões roubam...

(Extraído do livro "Lições de Sabedoria - Chico Xavier nos 22 anos da Folha Espírita"
Marlene Rossi S. Nobre - FE Editora Jornalística Ltda - pág. 241)

 

Razão e Necessidade

Muita gente procurava o Chico em seu emprego e isto começou a causar-lhe problemas. Certa vez, uma senhora em adiantado estado de perturbação foi procurá-lo. O chefe não queria que ele atendesse ninguém em seu ambiente de trabalho e foi dito a senhora que o Chico estava em casa. Para lá se dirigiu ela, sendo informada de que o Chico estava trabalhando. Voltou novamente ao emprego e disseram que o nosso amigo saíra a serviço. Ela resmungou qualquer palavrão e se foi. À noite, quando as portas do Centro se abriram, ela avançou sobre ele e deu-lhe inúmeros bofetões no rosto. Quando acabou de desabafar através da agressão, falou com voz nervosa e tremula: Está pensando que tenho tempo para andar atrás de você para cima e para baixo? E, agora, já para aquela sala que você vai me dar um passe... cachorro... A senhora sentou-se numa cadeira e ficou esperando. Chico começou a pensar: "Senhor Jesus, para se transmitir um passe precisamos estar calmos, com o coração voltado para o amor ao próximo. O Senhor sabe todas as coisas e sabe que não estou com raiva dela, mas ela me deixou num estado meio diferente. Ajude-me Senhor". Então, o espírito de Emmanuel lhe aparece e diz:
- Para ajudá-la é preciso alcançar-lhe o coração. Converse com ela.
E o Chico, para a irmã em sofrimento:
- Minha irmã, a senhora me perdoe ser umaa pessoa tão ocupada. Não pude atendê-la em meu emprego porque meu chefe não permite. A senhora compreende... Estou ali para servir a empresa, que me paga. Não posso perder aquele serviço porque tenho muitos irmãos para ajudar.
Foi conversando... conversando, e a mulher se acalmando, para em seguida começar a chorar. O Chico, então transmitiu-lhe o passe e ela foi devolvida a razão.
Depois de sua saída, o médium perguntou ao espírito de Emmanuel:
- Emmanuel, eu não estou com a razão?
> A resposta foi esta jóia de caridade cristã:
- Você está com a razão, mas ela esta comm a necessidade.
No outro dia, quando o Chico chegou ao serviço, estava com o rosto todo inchado. Seu chefe indagou o que ocorrera.
- Bati na porta. Ele então olhou-o por soobre os óculos e perguntou novamente:
- Mas... dos dois lados?

(Extraído do livro "Chico, de Francisco" - Adelino da Silveira
Editora Cultura Espírita União - 3ª Edição - pág. 52).

 

Dívida e Tempo

Chico visitou durante muitos anos um jovem que tinha o corpo totalmente deformado e que morava num barraco a beira de uma mata. O estado de alienado mental era completo. A mãe deste jovem era também muito doente e o Chico a ajudava a banhá-lo, alimentá-lo e a fazer a limpeza do pequeno cômodo em que morava.
O quadro era tão estarrecedor que, numa de suas visitas em que um grupo de pessoas o acompanhava, um médico perguntou ao Chico :
Nem mesmo neste caso a eutanásia seria perdoável?
- Não creio, doutor, respondeu-lhe o Chicco. Este nosso irmão, em sua última encarnação, tinha muito poder. Perseguiu, prejudicou e com torturas desumanas tirou a vida de muitas pessoas. Algumas o perdoaram, outras não e o perseguiram durante toda a sua vida. Aguardaram o seu desencarne e, assim que ele deixou o corpo, eles o agarraram e o torturaram de todas as maneiras durante muitos anos. Este corpo disforme e mutilado representa uma benção para ele. Foi o único jeito que a Providencia Divina encontrou para escondê-lo de seus inimigos. Quanto mais tempo aguentar, melhor será. Com o passar dos anos, muitos de seus inimigos o terão perdoado. Outros terão reencarnado. Aplicar a eutanásia seria devolvê-lo às mãos de seus inimigos para que continuassem a torturá-lo?

- E como resgatará ele seus crimes? inquiriu o médico.
O irmão X costuma dizer que Deus usa o tempo e não a violência.

(Extraído do livro "Chico, de Francisco" - Adelino da Silveira
Editora Cultura Espírita União - 3ª Edição - pág. 54).

 

O Culto do Evangelho do Lar

Um casal amigo de Chico ia começar a fazer o Culto do Evangelho do Lar e foram informados que se perseverassem com fé, quando fizesse seis anos, Jesus ia lhes enviar um presente.
Quando completou o sexto ano, estavam ansiosos a espera do presente.
Terminaram o culto e ficaram esperando até a meia noite. Mas nada acontecia.
No dia seguinte, quando acordaram, descobriram que estranhos haviam entrado em sua casa, levando, entre outras coisas, um valiosíssimo e histórico diamante.
Um pouco descrentes e decepcionados, foram ao Chico.
A resposta não poderia ser mais lúcida:
- Mas o presente era exatamente este. O vvalor daquele diamante era incalculável e houve tantos crimes e tantos suicídios por causa dele, que vocês estavam com quase uma centena de obsessores dentro do lar. Muitos foram doutrinados e esclarecidos com o Culto, mas vinte e oito estavam irredutíveis e o único jeito de retirá-los de lá foi fazer com que o diamante fosse embora e eles foram atrás da jóia.

(Extraído do livro "Chico, de Francisco" - Adelino da Silveira
Editora Cultura Espírita União - 3ª Edição - pág. 61).

 

Eutanásia

Um grupo de pessoas acompanhava o Chico numa de suas visitas a uma senhora que trazia o corpo coberto de chagas. O quadro era tão tocante que um dos médicos que o acompanhava lhe perguntou:
Chico, a eutanásia não seria uma benção para ela?
Emmanuel, sempre presente, diz ao Chico:
Diga ao nosso irmão que esta nossa irmã nunca esteve tão bem. Nas três ultimas encarnações, ela se matou e nesta, apesar de todo o seu sofrimento, não pensou uma vez sequer em suicídio.

(Extraído do livro "Chico, de Francisco" - Adelino da Silveira
Editora Cultura Espírita União - 3ª Edição - pág. 33).

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