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DE VÍCIOS E TENTAÇÕES

Senhor!... Não posso passar pela vida sem anotar tudo o que se encontra ao meu lado, e que muitas vezes contraria a tua lei de amor e justiça! Meus olhos vêem e meus ouvidos ouvem o que se passa ao derredor, ressaltando, muitas vezes, o que há de mais equivocado na longa e difícil marcha humana!...
Mesmo assim, partipando ativamente do torvelinho onde me situastes a presente encarnação, mesmo no centro de muitos acontecimentos que rebaixam a todos nós, teus filhos, mesmo que em contato com toda a sorte de ciladas e tentações, venho à tua presença, neste momento, dizer que meu coração é e sempre será apenas teu!
No entanto, peço me ajude, pois ainda sou frágil e sei que de muitas coisas ainda estou à mercê, e de muitas outras tantas sou devedor...
Nem sempre poderei me colocar a salvo de situações onde o vício e a degradação, brilhantemente dissimulados hoje em novos e cândidos nomes, estarão naturalmente ao meu lado, induzindo-me a pensar que são componentes habituais e até saudáveis da natureza humana...
Sei, no entanto, que não nos criastes para este destino, onde o uso e o abuso recíproco de forças nada mais tem feito que gerar sombras e desencanto... Sei que nos criastes para a glória e para a luz, e tudo o que se encontra à nossa disposição na atualidade, são lições preciosas embora amargas da escola rude em que nos encontramos matriculados por ora; são aulas que Tu ministras em silêncio, visando nossa recuperação e nosso adiantamento...
Por isso me ajuda, Pai Amado, a passar incólume pelas provas que denunciam dolorosamente a nossa dívida para contigo, me protege e me guarda em teu amor, me afastando sempre das situações que podem me fazer tropeçar e cair, e retém contigo o meu coração para que eu não me iluda e não me corrompa entre falsos brilhos e antigos vícios, a título de diversão ou lazer, e para não assumir diante de Ti novos e escabrosos débitos dos quais me será cada vez mais difícil desvenciliar...
Abençoa-me, Senhor, este final de semana e inspira-me sempre a atividade útil e o lazer saudável, o encontro feliz e o convívio fraterno, para que meu espírito possa realmente se renovar ao contato com forças benéficas, propiciando-me um novo início de semana mais ativo, participante e feliz!...

Assim seja!

André Luiz, IDEAL André, 19/Out/2002*

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BREVE ESTUDO SOBRE O TEMA

DAS PAIXÕES: Per. 907: Visto que o princípio das paixões está na Natureza, ele é mau em si mesmo?
R. Não, a paixão está no excesso acrescentado à vontade, porque o princípio foi dado ao homem para o bem, e as paixões podem levá-lo a grandes coisas, sendo o abuso que delas se faz que causa o mal.

Per. 908: Como definir o limite em que as paixões deixam de ser boas ou más?
R. As paixões são como um cavalo que é útil quando está dominado, e que é perigoso quando é ele que domina. Reconhecei, pois, que uma paixão torna-se perniciosa a partir do momento em que não podeis governá-la e que ela tem por resultado um prejuízo qualquer para vós ou para outrem.

"As paixões são alavancas que decuplicam (tornam dez vezes maior) as forças do homem e o ajudam na realização dos objetivos da Providência. Mas se, em lugar de as dirigir, o homem se deixa dirigir por elas, cai nos excessos e a própria força que, em suas mãos, poderia fazer o bem, recai sobre ele e o esmaga.
Todas as paixões tem seu princípio num sentimento ou necessidade natural. O princípio das paixões, portanto, não é um mal, visto que repousa sobre uma das condições providenciais de nossa existência. A paixão, propriamente dita, é o exagero de uma necessidade ou de um sentimento. Ela está no excesso e não na causa, e esse excesso torna-se um mal quando tem por conseqüência um mal qualquer.
Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal, o distancia da natureza espiritual.
Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal, anuncia a predominância do espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição."
(Leia mais em O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Cap. X, Per. 19, 20 e 21
)

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MENSAGEM DE ANDRÉ LUIZ

ESTAR COM TUDO

Freqüentemente encontramos companheiros de excelente formação moral convictos de que atender à caridade será aceitar tudo e que a paciência deve tudo agüentar.
A evolução, no entanto, para crescer, exige muito mais a supressão que a conservação.
Em nenhum setor da existência o progresso e a cultura se compadecem com o "estar com tudo".
A caridade da vida é aperfeiçoamento.
A paciência da natureza é seleção.
Todas as disciplinas que acrisolam a alma cortam impulsos, hábitos, preferências e atitudes impróprias à dignidade espiritual.
Todos os seres existentes na Terra se aprimoram à medida que o tempo lhes subtrai as imperfeições.
Na experiência cotidiana, os exemplos são ainda mais flagrantes.
Compra-se de tudo para a alimentação no instituto familiar, mas não se aproveita indiscriminadamente o que se adquire.
O corpo, a serviço do espírito encarnado, às vezes se nutre com tudo, mas nunca retém tudo. Expulsa mecanicamente o que não serve.
No plano da alma, a lógica não é diferente. Podemos ver, ouvir e aprender tudo, mas se é aconselhável destacar a boa parte de cada coisa, não é compreensível concordar com tudo.
Necessário ver, ouvir e aprender com discernimento. Imprescindível observar um companheiro mentalmente desequilibrado com caridade e paciência, mas em nome da caridade e da paciência não se lhe assimilar a loucura.
Devemos tratar com benevolência e brandura quantos não pensem por nossa cabeça, entretanto, a pretexto de lhes ser agradáveis não se lhes abraçará os preconceitos, enganos, inexatidões ou impropriedades.
A Doutrina Espírita está alicerçada na lógica e para sermos espíritas é impossível fugir dela.
Há que auxiliar a todos, como nos seja possível auxiliar, mas tudo analisando para que o critério nos favoreça...
Paulo de Tarso, escrevendo aos coríntios, afirmou que "a caridade tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta", mas não se esqueceu de recomendar aos tessalonicenses que examinassem tudo, retendo o bem. Admitamos assim, com o máximo respeito ao texto evangélico que o apóstolo da gentilidade ter-se-ia feito subentender naturalmente, explicando que a caridade tudo sofre de maneira a ser útil, tudo crê para discernir, tudo espera de modo a realizar o melhor e tudo soporta a fim de aprender, mas não para estar em tudo e tudo aprovar.

André Luiz
("Opinião Espírita", 9, CEC)

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* Reprodução parcial ou total somente com a autorização expressa do Instituto
de Divulgação Espírita André Luiz -
IDEAL André.
 
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