PRECE
PELA FAMÍLIA
A minha família, Senhor, é um
pequeno jardim plantado entre as tribulações do
mundo e onde colho, diariamente, as flores da
alegria e as bênçãos do refazimento.
Quando juntos, a vida corre harmoniosa e serena
qual se fôssemos um pequeno mundo à parte,
isolados do torvelinho humano pelos laços inquebrantáveis
da simpatia, do carinho e da compreensão mútua...
No entanto, sei que tudo se transforma, se
altera, se dilui e se recompõe nem sempre da
forma como desejamos.
Aqueles que eu amo, Senhor, hoje amparados em meu
coração pelos laços de sublime afeto, amanhã poderão
se encontrar em experiências das quais não me
será permitido fazer parte... Enfrentarão,
talvez, tempestades e angústias que não poderei
aplacar, por mais queira; encontrarão desenganos que meus
cuidados serão incapazes de afastar e
conhecerão, quem sabe, pessoas que os levarão
para longe de mim, deixando um ninho vazio e
lembranças, apenas, de um tempo feliz e
melhor...
Hoje, quando olho para minha família e me
embriago entre afagos e carícias, não devo mais esquecer que eles, assim como eu, Te
pertencem, para que Tu, Divino Condutor, os
guie pelos caminhos que melhor lhes auxiliem
a evolução, caminhos estes que nem sempre
serão os meus caminhos...
Por isso, embora grato pela felicidade que me
proporcionastes ao permitir que tantos
corações queridos renascessem junto de mim,
rogo-lhe não permita que o egoismo me isole com eles em
meu ninho de amor, transformando-os em
bonecos de deliciosa manipulação e fazendo-os sofrer mais tarde, quando o vento da provação afastar para bem distante a minha possibilidade de protegê-los, agravando com isso os sofrimentos que por ventura venham a experimentar.
Rogo-lhe, Senhor, igualmente, que eu jamais deixe de anotar junto a mim os outros
irmãos de jornada, nem sempre aquinhoados pela
mesma sorte, a vagar desprovidos do pão da ternura e do bálsamo do amor e da compreensão.
Abra meus olhos, Pai, para a vida em torno, a fim de
que eu assinale a presença de tantas outras
almas merecedoras de todo o meu
carinho e atenção, do modo como eu dispenso carinho e atenção aos
meus familiares, para que um dia, quando chegar o
momento de entregar os meus amados à vida, eu
não sucumba, infeliz e vazio, entre o remorso, a saudade e a
solidão.
Assim seja!
André Luiz, IDEAL André, 2002*
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BREVE ESTUDO SOBRE O TEMA
"E tendo chegado à casa,
nela se reuniu uma tão grande multidão de povo,
que não podiam mesmo tomar seu alimento. Seus
parentes, tendo sabido disso, vieram para se
apoderar dele, porque diziam que ele havia
perdido o espírito.
Entretanto, sua mãe e seus irmãos tendo vindo,
e ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo.
Ora, o povo estava sentado ao seu redor, e lhe
disse: Vossa mãe e vossos irmãos estão aí
fora vos chamando. Mas ele lhes respondeu: Quem
é minha mãe e quem são meus irmãos? e olhando
àqueles que estavam sentados ao seu redor: Eis,
disse, minha mãe e meus irmãos; porque todo
aquele que faz a vontade de Deus, este é meu
irmão, minha irmã e minha mãe."
(Marcos, cap. II, v. 20, 21 e 31 a 35; Mateus,
cap. XII, vs. 46 a 50)
Os laços de sangue não
estabelecem, necessariamente os laços entre os
Espíritos. O corpo procede do corpo mas o Espírito
não procede do Espírito, porque o Espírito
existia antes da formação do corpo; não foi o
pai quem criou o Espírito do filho, ele não fez
senão fornecer-lhe um envoltório corporal, mas
deve ajudar o seu desenvolvimento intelectual e
moral, para fazê-lo progredir.
Os Espíritos que se encarnam numa mesma família,
sobretudo entre parentes próximos, são, o mais
frequentemente, Espíritos simpáticos, unidos
por relacionamentos anteriores, que se traduzem
por sua afeição durante a vida terrestre; mas
pode ocorrer também que estes Espíritos sejam
completamente estranhos uns aos outros, divididos
por antipatias igualmente anteriores, que se
traduzem da mesma forma por seu antagonismo na
Terra, para lhes servir de prova. Os verdadeiros
laços de família não são, pois, os da
consanguinidade, mas os da simpatia e da comunhão
de pensamentos que unem os Espíritos antes,
durante e após a sua encarnação. De onde se
segue que dois seres nascidos de pais diferentes,
podem ser mais irmãos pelo Espírito do que se
fossem pelo sangue; podem se atrair, se prourar,
dar-se bem juntos, enquanto que dois irmãos
consanguíneos podem se repelir, como se vê
todos os dias; problema moral que só o
Espiritismo podia serolver pela pluralidade das
existências. (Cap. IV, n. 13).
Há, pois, duas espécies de família: as famílias
pelos laços espirituais, e as famílias pelos laços
corporais; as primeiras, duráveis, se fortalecem
pela depuração, e se perpetuam no mundo dos Espíritos,
através de diversas migrações da alma; as
segundas, frágeis como a matéria, se extinguem
com o tempo e, frequentemente, se dissolvem
moralmente, desde a vida atual. Foi isso que Jeus
quis fazer compreender em dizendo aos seus discípulos:
Eis minha mãe e meus irmãos, quer dizer, minha
família pelos laços do Espírito, porque quem
quer que faça a vontade do meu Pai que está nos
céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
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MENSAGEM DE ANDRÉ LUIZ
O MOMENTO DE DEUS
Passará, talvez desapercebido
para nós, contudo, ele existe no tempo, o
momento de Deus.
Esfalfamo-nos, bastas vezes, transfigurando os
valores da atenção nos desperdícios da
inquietação, diligenciando impor a fé
religiosa naqueles que amamos, esquecidos de que
o Criador lhes consagra mais amor que nós
mesmos.
Deus espera. Por que desanimar, de nossa parte,
quando a edificação
espiritual se nos afigura tardia?
Com isso, não desejamos dizer que somente nos
resta abandonar ao vento da provação aqueles
entes queridos para os quais aspiramos o
entendimento maior. Reflitamos que se a Divina
Providência no-los confiou, decerto assim
procedeu, através das pessoas e circunstâncias
que nos rodeiam, aguardando algo de nossa cooperação
no amparo a eles.
Em tempo algum, ser-nos-á lícito relegar para
Deus as obrigações que nos competem, o que nos
constrange igualmente a verificar que existe a
"parte de Deus" em cada realização,
cujo âmbito nos é defeso à qualquer exigência.
Não conseguimos antepor-mos, de maneira alguma,
ao momento de Deus e nem fazer o que lhe cabe
realizar, todavia, somos convidados a
preparar-lhe as condições adequadas ao
surgimento vitorioso.
À medida que se nos intensifica a madureza de
espírito, categorizamo-nos à conta de
semeadores nas almas.
Nesse sentido, recordemos os cultivadores da
gleba que sustentam a civilização e asseguram a
vida. Nenhum deles, por mais sábio, logra
desentranhar com as próprias mãos, os princípios
da semente, cujo embrião possui um instante próprio
a fim de desacolchetar envoltórios e desabrochar
à plena luz.
Ainda assim, patrocinam a exatidão da leira,
administram adubos, dosam a rega, garantem a
defesa da planta e efetuam enxertias, quando
enxertias se façam necessárias ao rendimento da
produção.
Se há imperscrutável serviço divino na
intimidade dos processos da natureza, há inadiável
serviço do homem na esfera da natureza para que
a natureza corresponda intensamente ao toque
divino.
Os estatutos da Criação não permitem à
criatura relegar para o Criador a obrigação que
lhe compete.
Ama, pois, teus pais, filhos, irmãos, amigos e
companheiros tais quais são por agora, sem te
esqueceres de ajudá-los com simpatia, cooperação,
fraternidade e bons exemplos, a se exprimirem por
valioso auxílio prévio.
Trabalha e prepara com eles e junto deles o
futuro melhor, na convicção de que, em matéria
de compreensão e penetração nos reinos do espírito,
os mais elevados anseios humanos são compelidos
a esperar pelo momento de Deus.
ANDRÉ LUÍZ
Sol na Almas, cap. 23
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total somente com autorização expressa
do Instituto
de Divulgação Espírita André Luiz - IDEAL
André. |
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