TERRA

 

"A Terra é a mais bela visão do espaço, com todas as suas cores de terras, mares e nuvens! Contemplá-la contra a escuridão do espaço foi quase uma experiência religiosa." Assim declarou o astronauta Charles M. Duke Jr. depois de um vôo espacial; e esse é apenas um de muitos que ao verem nosso planeta do espaço ficaram admirados. Deveras, poderia-se escrever um livro só com frases e exclamações tanto de astronautas como de cientistas e outros ao falarem da singularidade da Terra!

  O ponto pálido azul é o planeta Terra a distância de 6,5 bilhões de km, obtida pela sonda Voyager 1 em 14/fev/1990. A faixa na diagonal é o reflexo do Sol e só foi possível ver o planeta porque a imagem foi realçada. (Crédito NASA/JPL)

Mas há outro detalhe que chama atenção de todos. Carl Sagan, no livro Cosmos, explica: "Bem vindos ao planeta Terra, lugar de céus azuis de nitrogênio, oceanos de água líquida, tépidas florestas e prados macios, um mundo positivamente borbulhante de vida. Sob a perspectiva cósmica é, como disse, dolorosamente belo e raro, mas é também, no momento, único." Dentre todos os planetas, foi apenas na Terra que os cientistas encontraram vida.

No entanto, como não é nosso objetivo falar sobre a vida, mas fazer uma viagem ao Sistema Solar para conhecer seus astros, evitaremos o assunto.

Imagem obtida pela sonda Mars Odyssey em 19/abr/2001 a distância de 3.563.735 km. (Crédito NASA/JPL/Arizona State University)  

 

Assim como todos os planetas do Sistema Solar, a Terra possui diversos movimentos orbitais. O que nós chamamos de ano é o período que o planeta leva para completar uma volta em torno do Sol, chamado de translação ou revolução, ou período orbital. No caso da Terra o ano dura 365 dias e 6 horas a uma distância média de 149,50 milhões de quilômetros do Sol, com distância mínima (periélio) de 147,09 milhões de quilômetros e distância máxima (afélio) de 152,10 milhões de quilômetros. A velocidade média dessa viagem em torno do Sol é de 107.000 km/h.

A Terra é ligeiramente achatada nos pólos medindo 12.712 quilômetros de diâmetro, enquanto que no equador mede 12.750 quilômetros de diâmetro.

Primeira foto da Terra vista do espaço, obtida em 1/abr/1960 pelo TIROS-1, a uma altitude de 700 km. Também foi o primeiro satélite de meteorologia, que consistia basicamente de camera de TV em preto e branco, e funcionou por 78 dias. (Crédito NASA)
O período que chamamos de dia é o período que o planeta leva para completar um giro em torno de si, chamado de rotação, que é de 23 horas e 56 minutos; na região equatorial isso equivale a uma velocidade média 1.610 km/h. No entanto esses movimentos não são totalmente circulares: a translação é feita numa órbita elíptica (excentricidade 0,0167) e o eixo de rotação é inclinado 23,45 graus, que em ocasiona as quatro estações do ano: outono, inverno, primavera, verão. Nossos vizinhos mais próximos são Vênus (máxima aproximação de 42 milhões de quilômetros) e Marte (máxima aproximação de 56 milhões de quilômetros). Como a Terra é o terceiro planeta em ordem de distância do Sol, somente Mercúrio e Vênus têm órbitas internas.
  Imagem da Antártida e parte da América do Sul obtida num intervalo de 80 min, pela sonda NEAR, entre 148.000 km a 256.000 km de distância. Os menores detalhes tem 13 km de tamanho. (Crédito Equipe da NEAR/JHUAPL/NASA)

 

Clássica foto da Terra, obtida pela Apollo 17. Na parte de cima da image vemos o continente da África e a Península da Arábia, e embaixo o continente da Antártida. (Crédito NASA)

 

A Terra é o maior planeta terrestre, ou seja, que tem superfície sólida, tendo quase o dobro de Marte e pouco maior que Vênus; é menor apenas que os planetas gasosos, sendo o quinto maior planeta do Sistema Solar. A Terra vista do espaço tem tom azulado dos oceanos, mas também são visíveis os tons verdes da vegetação, castanhos das terras e brancos das nuvens.

O Monte Kilimanjaro no sudeste da África, com 5895 metros é considerada a maior montanha isolada da Terra, porque começa dum vale e sobe até os céus com seu manto branco de neves eternas. (Crédito Ker & Downey)

Outra característica física da Terra que chama a atenção é densidade média do planeta, em torno de 5,52 g/cm³, sendo portanto o mais denso dos planetas e satélites do Sistema Solar. Ocorre que a Terra (especialmente o núcleo) é formado por materiais metálicos, tais como ferro, silício, magnésio e níquel. É óbvio que há mais por descobrir do interior da Terra, já que são deduções baseadas em teorias à base de amostras vulcânicas. Pesquisas indiretas permitiram aos geofísicos desenvolver um modelo bem detalhado da estrutura interna do planeta, que revela que está bem ativo, ou seja, uma situação geológica singular no âmbito do Sistema Solar.

  Vista do Canyon do Itaimbezinho, na América do Sul. É uma vasta garganta rochosa de 8.000 m de extensão, profundidade média de 600 m, chegando a 2.000 m no seu início. Dentro dele corre o arroio Perdizes, que se lança, no início da canyon, em um profundo mergulho. (Crédito Lúcio Tonon)

 

O planeta tem dezenas de vulcões ativos e de acordo com a teoria das placas tectônicas toda a superfície divide-se em várias placas grandes. Tais placas se movimentam na direção dos limites de outras placas, e uma se enfia debaixo da outra nesse limite. Caso uma placa oceânica deslize para baixo de uma placa do solo seco, as pressões e a temperatura se elevam. Se a temperatura se torna alta o suficiente, a rocha se funde, transformando-se em magma. A rocha derretida, ou magma, é impelida para o alto, e se acumula em reservatórios situados a alguns quilômetros abaixo da superfície do solo. Quando a pressão aumenta no reservatório de magma, ela é liberada por meio de erupções.

O vulcão Hekla entra em erupção, em 1991, ao mesmo tempo que auroras boreais estavam visíveis. A faixa auroral ocorreu cerca de 100 km acima da lava de erupção. (Crédito Sigurdur H. Stefnisson)

Dependendo do tipo de rocha derretida e de seu teor gasoso, as erupções fazem estourar o topo das montanhas, causam explosões de vapor e de gás, ou cospem lava. O vulcão mais alto é o Ojos del Salado, no continente americano, com mais de 6.880 metros de altura, mas o considerado mais ativo é o Kilauea, ilha no Oceano Pacífico, que tem estado em erupção desde 1983.

  Imagem do vulcão Klyuchevskoi, na Ásia, obtida pelo ônibus espacial Endeavour em 01/out/1994. A nuvem de erupção estende-se em direção leste por mais de 800 km e cobriu uma área de 150.000 km². (Crédito Dave Schneider/NASA)
Além disso, são registrados anualmente cerca de 300.000 tremores pelos aparelhos, mas só mais ou menos 100 são percebidos por causa dos tipos de rochas que propaga as ondas sísmicas. Ocorre que as placas tectônicas flutuam sobre o manto quente e quando se movem causam enormes tremores, que são os maiores causadores dos terremotos. Também, essas placas seriam a causa principal das cordilheiras na superfície do planeta. Por exemplo, os 10 maiores picos da Terra estão na cordilheira do Himalaia, na Ásia, cada um com mais de 8.000 quilômetros; o maior deles é Everest com 8.840 quilômetros de altura. Portanto a crosta (superfície) da Terra é bem diferente dos outros planetas terrestres, porque ela está bem ativa.
Monte Elbrus é o ponto mais alto da Europa com 5.642 m de altura. A foto foi obtida em ago/1997 visto do sudeste. (Crédito John Shively)  

 

O Deserto da Namíbia estende-se por mais de 800 km na África Ocidental. É o deserto mais antigo da Terra e um dos maiores, onde suas dunas atingem cerca de 300 m de altura e a temperatura chegam aos 45° C. (Crédito Julie Cooke)

 

O campo magnético da Terra é inclinado 11° em relação ao eixo de rotação e protege o planeta contra o fluxo de partículas carregadas eletricamente vindas do Sol e dos raios cósmicos. Essas partículas são defletidas (ou desviadas) pelo campo magnético terrestre, não para o espaço exterior, mas seguem para duas regiões chamadas de cinturões de Van Allen, um interno a cerca de 3.000 quilômetros de altitude, outra externa a cerca de 23.000 quilômetros de altitude em relação à superfície.
Lava do vulcão Kilauea (o mais ativo da Terra) se encontra com as águas do oceano Pacífico em 18/set/2002. (Crédito USGS)

A teoria atualmente mais aceita para a explicação do campo magnético terrestre é que a rotação do núcleo da Terra, formado basicamente de ferro e níquel, pode gerar correntes capazes de produzir esse campo, de maneira parecida com um ímã. Estudos geológicos sugerem que os campos se invertem ou anulam por períodos de milhares de anos. A extensão do campo magnético é de cerca 63.000 quilômetros em direção ao Sol, e no lado oposto pode ultrapassar os três milhões de quilômetros. Os pólos magnéticos da Terra estão próximos aos pólos geográficos.

Pedra de Ayers (ou Uluru), no Território Norte, Austrália. É o maior monólito da Terra, com 3,6 km de comprimento, 2 km de largura e 348 m de altura do nível do cerrado. No fundo é visível os montes Olgas (ou Kata Tjuta) a 32 km de distância. (Crédito Yann Arthus-Bertrand)

 

UM PLANETA, MUITOS MUNDOS
Diversas imagens do planeta Terra, fazem lembrar outros astros do Sistema Solar, conforme ilustrado nas comparações que seguem. A riqueza de contrastes desse belo planeta parece que visitamos muitos mundos.
Vista impressionante de uma tempestade de poeira através do deserto do Saara, no continente africano. As nuvens tipo cumulus dão um realce tridimensional nesta imagem obtida pelo ônibus espacial Endeavour em 16/mai/1992. (Crédito NASA)
Tempestade de areia de 200 km em Marte, próximo ao pólo sul do planeta. A imagem foi orbita pela Viking 2 Orbiter e tem cerca de 710 km. (Crédito NASA)
Imagem submessa do Lago da Cratera, na América do Norte. O lago é que restou de um antigo vulcão chamado de Monte Mazama, em que o topo de desmoronou dando lugar a uma grande depressão que depois se encheu de água. (Crédito Bob Harrington)
A atmosfera de Netuno, é bem movimentada como mostra esta foto da Grande Mancha Escura obtida pela Voyager 2. (Crédito JPL/NASA)
O Grande Deserto de Sal Kavir, na Ásia, ilustra os efeitos da erosão do vento na paisagem. Imagem obtida pelo ônibus espacial Columbia em 14/abr/1981. (Crédito NASA/JSC)
Um mosaico de nuvens de Júpiter são vistas nesta imagem obtida pela Voyager 2, com formas e cores diferentes. (Crédito JPL/NASA)
Erupção de lava depois de ventos soprarem ao nordeste da região do vulcão Mauna Loa, nas ilhas Havaí, produziram um canal de lava. (Crédito J.D.Griggs/USGS)
Erupção vulcânica ativa em Io, satélite de Júpiter, com 60 km de extensão. O local chama-se Tvashtar Catena e a imagem foi obtida pela Galileo em 22/fev/2000, com área total de 250 km. (Crédito NASA/JPL/University of Arizona)
Deserto do Saara, no norte da África, é o maior deserto da Terra com 8.600.000 km², corresponde aproximadamente ao tamanho do Brasil . No verão o calor pode chegar aos 55º C. (Crédito Best Sahara Tours)
Gravura artística de Mercúrio, o primeiro planeta do Sistema Solar, onde o Sol aparece 3 vezes maior, mais brilhante e mais branco sobre o céu escuro, já que o planeta não tem atmosfera. (Crédito Walter Myers)
Rompimento da placa de Gelo Larsen B, de 3.300 km2 na Antártida observado pelo satélite ENVISAT em 19/mar/2002. Esta imagem de 400 km de largura, e 150 km de resolução mostra a "quebradeira" geral do gelo em milhares de icebergs, que se movem em direção do Mar de Weddell. (Crédito EngeSat)
Vista de uma pequena região de Europa, satélite de Júpiter. As cores foram realçadas para mostrar a interação da superfície com estruturas de gelo. Esta imagem foi montada em 16/12/1997 a partir de fotos da Galileo. (Crédito NASA/University of Arizona)

 

Diferente de nossos vizinhos, Marte e Vênus (em que nesses predominam o dióxido de carbono), a atmosfera da Terra é formada por 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e traços de argônio, dióxido de carbono e vapor d'água.No entanto as pequenas quantidades de dióxido de carbono e água na atmosfera ajudam a manter a temperatura relativamente estável no planeta por meio do efeito estufa, mantendo, mantendo a temperatura média do planeta em cerca de 15° C na superfície. É claro que há regiões com temperaturas extremas e variáveis devido às várias circunstâncias como estação do ano, chuvas, altitude e vegetação. Por exemplo, enquanto no Vale da Morte, as temperaturas sufocantes podem chegar aos 50° C, na Antártida, as temperaturas mais baixas da Terra chegam aos gélidos -80° C.

Quanto ao oxigênio apesar de essencial a vida no planeta, também é interessante do ponto de vista da química. Ocorre que o oxigênio por ser um gás muito reativo - isto é, se combina rapidamente com outros elementos químicos - só se mantém na atmosfera por causa dos processos biológicos na superfície. Em suma, se não houvesse plantas na Terra a quantidade de oxigênio não seria tão significativo!

Aurora boreal em forma de cortina acima duma lagoa na região de Yukon em 3/out/2001. Esta imagem foi feito enquanto a radiação espacial estava sobre alta atmosfera da Terra. (Crédito Phil Hoffman)

 

Deserto do Atacama, no continente sul-americano, é o local mais árido da Terra: abriga regiões onde jamais houve registros de chuva. Sua extensão é de cerca de 200 km, está em média a 2.400 m de altura do nível do mar, e tem uma impressionante amplitude térmica, variando entre 0° C à noite e mais de 40° C durante o dia. (Crédito Aventures Alpines)

 

Vista do espaço a atmosfera da Terra é um espetáculo ímpar no Sistema Solar. Apesar de se estender até cerca de 2.000 km de altitude, a maior parte da massa de gases estão concentrados até 120 km. Apesar da aparente fragilidade da atmosfera terrestre, ela protege a superfície quanto raios cósmicos e solares nocivos, bem como da maioria dos meteoros. Se não houvesse atmosfera, mesmo de dia o céu seria negro com o disco ofuscante do Sol. O céu tem sua cor porque parte da luz do Sol é desviada em todas direções pelas moléculas de ar, de vapor de água e por partículas de pó. As ondas curtas de luz azuis são difundidas mais amplamente e espalham-se mais que as ondas vermelhas longas, e por isso a cor azul predomina no céu da Terra.

Outra imagem da Terra obtida pela sonda Galileo em 11/dez/1990 a cerca de 2,1 milhões de km de distância. Mostra a América do Sul (no centro da imagem) e a Antártida (embaixo). (Crédito NASA/JPL)
Os cientistas geralmente dividem a atmosfera da Terra em algumas camadas de acordo com a temperatura, altitude e densidade. A primeira é a troposfera onde ocorrem os principais fenômenos meteorológicos e representa 75% da massa total da atmosfera. A última é a exosfera, a mais de 500 km de altura, que se dissipa pelo espaço sideral e se expande de dia e contrai-se de noite; é nessa camada que estão a maioria dos satélites artificiais. Também se pode destacar a estratosfera (entre 10 e 50 km de altura), onde está a camada de ozônio que absorve boa parte dos raios ultravioletas do Sol; e a termosfera (entre 90 e 500 km) de altura onde ocorre os meteoros e as auroras polares. Vale lembra, que os limites entre cada camada não são fixos, mas podem variar dependendo de alguns fatores, como época do ano ou atividade solar.
Altas nuvens moldam um fulgor colorido na atmosfera acima da escuridão, ainda refletindo o Sol que já se pôs. (Crédito Pekka Parviainen/NCWG/U.Colorado)

 

Imagem externa de uma aurora austral a cerca de 80-130 km de altura obtida pelo ônibus espacial Discovery em abr/1991. O que torna a foto mais espetacular é o fundo estelar e o fulgor fraco do plasma (gás atômico ionizado) em torno dos motores do ônibus espacial Discovery. (Crédito NASA/KSC)

 

Na atmosfera se produzem numerosos fenômenos elétricos (como os relâmpagos), magnéticos (como as auroras polares) e ópticos (como o arco-íris), alguns visíveis da superfície e outros até do espaço. Sendo comuns ou raros, em todos os casos, são sempre espetáculos naturais maravilhosos. Por exemplo, considere as auroras polares. Ainda não se dispõe de uma explicação totalmente satisfatória a respeito desse estranho fenômeno. No entanto, atualmente a explicação é que é um fenômeno atmosférico causado por partículas carregadas do vento solar capturada pelo campo magnético da Terra. Essas partículas colidem com as moléculas de ar na atmosfera e provocam o espetáculo de cores na alta atmosfera. Como o nome sugere, eles são observáveis apenas nas regiões próximos aos pólos.
Uma tempestade, um relâmpago, uma estrela brilhante (Arcturus) e o planeta Vênus estão todos enfeitando o céu ao pôr-do-sol. As áreas pequenas de chuva escurecem partes do pôr-do-sol visíveis no horizonte. (Crédito Lyndon Anderson/Prairiejournal.com)
As nuvens são formadas por vapor de água, que ao atingir grandes altitudes encontra-se com o ar mais frio, havendo uma condensação em gotículas ou em cristais. Elas encobrem em média 52% da superfície terrestre e são classificadas de acordo com a forma que apresentam a diferentes altitudes; enquanto as mais baixas estão a cerca de 2 quilômetros de altura da superfície, as mais altas estão a 8 quilômetros de altura.

Arco-íris em Canyonlands, América do Norte. O arco-íris é formado à medida que a luz branca penetra numa gotícula de chuva, ela é refratada e dispersada em diferentes cores, a gotícula atuando como um diminuto prisma. (Crédito John Crossley)

Algumas nuvens ficam sobrecarregadas de água e derramam em forma de chuva ou de neve, se a temperatura for baixa. Na verdade, há um complexo sistema atmosférico para a formação da chuva e da neve, bem como outros fenômenos. Por exemplo, há enormes ciclones com ventos que pode ultrapassar os 250 km/h com centenas de quilômetros de diâmetro, causando chuvas descomunais. As nuvens também estão associadas com outro fenômeno atmosférico: os relâmpagos (ou raios). Os relâmpagos são descargas elétricas rápidas, geralmente associadas com nuvens de tempestade. Na realidade, as nuvens fazem parte de um complexo sistema atmosférico, em que há muito em que aprender ainda; deveras, há um ramo da ciência específico para o estudo do clima, a meteorologia.
Ciclone Helena, no Golfo do México em 1/set/1985, obtida pelo ônibus espacial Discovery. A velocidade da tempestade era de cerca de 180 km/h. (Crédito NASA/JSC)

 

No planeta Terra o pôr-do-sol pode ser espetacular, como esse em forma de vulcão, realçando as nuvens da atmosfera. Foto obtida em 3/jul/2000 em Wind River, na América do Norte. (Crédito Jimy Isaacs)

 

O que chamamos de superfície na realidade é uma crosta enrugada do planeta, que nos continentes a espessura varia de 20 a 60 quilômetros e é formado basicamente de granito, enquanto que no fundo dos oceanos tem apenas 5 quilômetros em média e é formado por rochas basálticas, ricas em metais. Vista do espaço se destacam dois tipos de superfícies: a água dos oceanos, mares, lagos e rios e a terra dos continentes e ilhas.
O Monte Everest, a montanha mais alto da Terra, com mais de 8.800 m de altura, se localiza no continente da Ásia. O local da foto está a mais de 5.000 m acima do nível do mar. (Crédito Julie Cooke)

 

PLANETA ÁGUA

A Terra é um planeta onde predomina a água (composto de hidrogênio e oxigênio) nos estados líquido (em forma de oceanos, mares e rios), gasoso (em forma de nuvens e vapores) e sólido (em forma de gelo). Mesmo nos lugares mais áridos do planeta geralmente se encontra água no subsolo. Portanto é apropriado que alguns achem que o nome correto do planeta deveria ser Água.

Bela imagem da entrada do Lemaire Channel, na Antártida. Nesse estreito canal enormes penhascos coberto por gelo de até 1.200 m descem quase em linha reta em direção ao mar. (Crédito Cliff Wassmann) Cataratas do Iguaçu, na América do Sul, é apenas uma de muitas cataratas do planeta que despejam água líquida nos continentes. Note também as espessas nuvens na atmosfera terrestre. (Crédito Michael Everett/D.Donne Bryant Stock) Vista panorâmica da Península de Sinai (no centro da imagem) e do delta do Rio Nilo (à esquerda), no Oriente Médio, uma regiào árida. À esquerda de Sinai está o Golfo de Suez, e à direita o Golfo de Aqaba, onde se encontram no Mar Vermelho. Foto obtida pelo ônibus espacial Challenger em 13/out/1984. (Crédito NASA/JSC)

 

A superfície da Terra é coberta na maior parte por água em forma líquida, cerca de 71% da superfície. A Nova Enciclopédia Britânica diz: "A profundidade média de todos os mares foi calculada em 3.790 metros, uma cifra consideravelmente maior do que a elevação média da terra acima do nível do mar, que é de 840 metros. Se a profundidade média for multiplicada pela sua respectiva área de superfície, o volume do Oceano Mundial será 11 vezes superior ao da terra acima do nível do mar." Ou seja, se a água do planeta fosse espalhada por igual sobre sua superfície, formaria um oceano global de 2,5 quilômetros de profundidade! No entanto, também encontramos água no estado sólido nas calotas polares, e no estado gasoso em forma de nuvens. Esta enorme quantidade de água, além de manter a temperatura global estável, também é responsável por grande parte da erosão e instabilidade meteorológica nos continentes, sendo um processo único no Sistema Solar.
Salto Angel, na América do Sul, a maior cachoeira em queda livre da Terra com 979 m de altura, cai do monte Auyantepuy, uma das mesetas singulares de paredes verticais. (Crédito Zooish.com)

Quase 100% dessa superfície de água são formados pelos oceanos, enormes extensões de água salgada que envolvem os continentes. Os três maiores são: Oceano Pacífico, com 164,32 milhões de km² entre a Ásia e as Américas; Oceano Atlântico, com 85,56 milhões de km² entre as Américas e a África e a Europa; Oceano Índico, com 72,58 milhões km² entre a África e a Ásia e a Oceania. Abaixo da superfície dos oceanos há um mundo pouco explorado devido à alta pressão que existe a milhares de metros de profundidade; o mais profundo é a Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico. As cores dos oceanos e dos mares variam entre o clássico azul ao verde e o cinza escuro. Isso ocorre devido ao reflexo da atmosfera, ou a temperatura das águas, ou a presença de sedimentos coloridos, ou as substâncias no fundo do mar, ou ainda um conjunto desses fatores.
A Grande Barreira de Corais é a maior estrutura construída por seres vivos. Fica no Oceano Pacífico, entre a Austrália e a Ásia. A imensa faixa de corais de cerca de 2.000 quilômetros de comprimento e com largura entre 20 e 240 km é como uma grande espinha submarina. (Crédito NASA)
Os oceanos muitas vezes entram nos continentes através dos mares. O maior é o Mar do Sul da China com uma área de quase 3 milhões de km², e o mais profundo em média é o Mar das Antilhas com 2.500 metros. Apenas 3% de todas as enormes reservas de água da Terra são de água doce, não salgada. E só 1% da água doce do planeta acha-se prontamente acessível como em rios e lagos. Os rios são correntes de água que se formam a partir de chuva ou neve, ou ainda de fontes de águas; o maior em volume é o Rio Amazonas e o mais extenso é o Rio Nilo, ambos com mais de 6.000 quilômetros. Quando as águas de um rio encontram uma depressão e obstáculo, elas se acumulam formando os lagos; no entanto, alguns deles têm outras formações e possuem água salgada, como o Mar Morto. O maior dos lagos é o Mar Cáspio com cerca de 370.000 quilômetros de extensão.
  Imagem do Oceano Pacífico obtida pela Galileo em 12/dez/1990 a distância de 2,5 milhoes de km. É o maior oceano do planeta com mais de 164 milhões de km², separando os continentes da Ásia e das Américas. É possível viajar horas neste enorme mundo de água sem encontrar terra! (Crédito NASA/JPL)

 

Lagoa de águas transparentes no interior duma gruta, com cerca de 100 m de diâmetro e mais de 40 m de profundidade. É chamado de Poço Encantado, na Chapada Diamantina, na América do Sul. (Crédito R. M. C. Castro)  

 

O restante da superfície, apenas 29%, é formado basicamente por 6 grandes blocos de terra, chamados de continentes: as Américas, a Europa, a Ásia, a África, a Oceânia e a Antártida. As Américas se estende de norte ao sul, formado dois blocos (América do Norte e do Sul) unidos por uma estreita faixa (América Central). A Europa e a Ásia, praticamente formam um enorme bloco de leste ao oeste do planeta; enquanto que África fica ao sul da Europa separada pelo Mar Mediterrâno, e ao oeste da Ásia separada pelo Mar Vermelho. A Oceânia é um conjunto de ilhas fragmentadas no hemisfério sul da Terra. A Antártida é o continente mais isolado, porque se encontra no pólo sul da Terra, coberto por uma grossa camada de gelo de água, com espessura média de 2 quilômetros e volume de cerca de 30.000.000 quilômetros quadrados; foi nesse continente que se registrou a temperatura mínima de 89,2 °C negativos.
Vista área do Grand Canyon, na América do Norte, é o maior sistema de vales da Terra, medindo 440 km de comprimento, chegando a 1,5 km de profundidade e largura entre 200m e 29 km. (Crédito Leehman L. Wexlin)
Nos continentes e ilhas encontramos todo tipo de paisagem: vulcões e geleiras, desertos e florestas, vales e montanhas, rios e lagos, apenas para citar alguns. Por exemplo, o Deserto do Atacama, na América do Sul, têm 200 quilômetros de extensão, e é considerado o mais árido da Terra, com regiões que parecem com o solo da Lua, ou até de Marte. As temperaturas variam de 0° C durante a noite e mais de 40° durante o dia; entre 1919 e 1964 não recebeu uma gota de chuva. Porém, o maior deserto do planeta é o Saara, na África, com mais de 9 milhões de km², onde registrou a temperatura mais alta: 58o C. Em contraste, em Cherrapunji, no continente asiático, chove em média 180 dias por ano, sendo um dos lugares mais úmidos da Terra, com belas florestas tropicais e cavernas de calcário.
Parte do continente da América do Sul entre as nuvens visto pelo satélite MERIS em 23/abr/2002. A cor azulada (canto direito) é o Oceano Pacífico. A região verde (próximo do centro) é o lago Poopó com 1.337 km² e a 3,6 km de altitude, no continente; sua cor verde é devido a suas águas rasas. Também vemos o lago Titicaca (região azulada na superfície marrom) com 8.030 km² e a 3,8 km de altitude. (Crédito ESA)

 

VIAGEM ÀS CRATERAS DA TERRA
A Cratera do Meteoro (ou Cratera de Barringer) no deserto do Arizona, a mais conhecida das crateras da Terra, tem 1.180 m de diâmetro e 180 m de profundidade. (Crédito D.J. Roddy and K.Zeller/USGS) Uma das poucas crateras de impacto visto do espaço, Roter Kamm, na África, tem cerca de 2,5 km de diâmetro. O fundo da cratera está quase coberta pela areia. Imagem obtida pelo ônibus espacial Columbia em 17/jan/1986. (Crédito NASA/JSC) Cratera Wolf Creek situada nas planícies do deserto da Austrália Ocidental tem de 875 m de diâmetro. (Crédito Christoph Schmidt)

 

Na superfície terrestre sobraram poucas crateras de impacto devido a erosão causada pelas atividades tectônicas e atmosféricas. Algumas delas estão cobertas de água, como a Cratera Bosumtwi, na África Ocidental, com 10,5 quilômetros de diâmetro e quase completamente cheio pelo lago, ou ainda submersos no mar. Os que estão bem preservados, geralmente estão em desertos, como a Cratera do Meteoro, na América do Norte, com mais de um quilômetro de diâmetro e 200 metros de profundidade.

  Estrutura de Richat, no Deserto do Saara, é facilmente visível do espaço. Com 50 km de diâmetro e 24 linhas concêntricas, foi interpretado inicialmente como uma estrutura de impacto de meteorito por causa de seu formato; mas atualmente acreditam que foram formados por erosão. Imagem obtida pelo ônibus espacial Columbia em out/1993. (Crédito NASA/JSC)

 

O BRASIL VISTO DO ESPAÇO
A Terra visto do espaço não têm fronteiras. No entanto é possível obter muitas imagens do Brasil (país da América do Sul), como no projeto Brasil Visto do Espaço , da Embrapa que usou imagens dos satélites Landsat 5 e 7. Veja alguns exemplos.
Cidade de Nova Soure, no estado da Bahia. (Crédito EMBRAPA)

Cidade de Gramados, no estado do Rio Grande do Sul. (Crédito EMBRAPA)

Cidade de Pilões, no estado da Paraíba. (Crédito EMBRAPA)

Outro modo de ver algumas regiões do Brasil do espaço é no site da NASA, Earth from Space , que mostram imagens capturadas pelos ônibus espaciais (Space Shuttle) numa opção de escolha num mapa mundi. A imagem abaixo é um exemplo.
Imagem em alta resolução da região metropolitana de São Paulo, na América do Sul, obtida pelo ônibus espacial Discovery em 18/set/1993 a 309 km de altura. Nota-se o desmatamento da área urbana, áreas verdes da mata Atlântica, algumas represas como a Billings (centro esquerdo) e parte do litoral da cidade de Santos (embaixo à esquerda). (Crédito NASA/Space.com)

 

A Terra é o primeiro planeta a partir do Sol a possuir um satélite natural, chamado de Lua. Visto da Terra, ela apresenta quatro fases (nova, crescente, cheia e minguante) e o reflexo chega a causar sombras na superfície e ofuscar estrelas próximas. Está em média a uma distância média de 380.000 quilômetros, levando mais de 27 dias para completar a volta em torno da Terra. Com exceção de Caronte (satélite de Plutão), a Lua é o maior satélite em proporção ao tamanho do seu planeta; a Lua tem quase 1/3 do tamanho da Terra. Por essa razão, a Lua exerce uma decidida influência sobre a Terra; acredita-se hoje que é a gravidade da Lua que mantém o eixo da Terra numa inclinação de 23 graus, garantindo assim uma mudança regular de estações.
Imagem da Lua sobre a atmosfera da Terra, obtida em dez/1990 pelos astronautas do ônibus espacial Columbia. Em primeiro plano vemos nuvens elevadas de vapor de água na troposfera, a primeira camada atmosférica do planeta. (Crédito Crew/NASA)
No entanto a influência mais concreta é que em alguns lugares a sua gravidade chega a causar uma diferença de mais de 15 metros entre a maré alta e a maré baixa. Essencialmente as marés resultam da atração gravitacional do Sol e da Lua sobre o mar. Mas, visto que a lua está muito mais próxima, sua atração é mais do que o dobro da do sol. Ela atrai, ou faz gravitar, a água diretamente abaixo num ponto alto, ou "amplitude" de maré. No meio dum grande oceano, esta amplitude pode alcançar apenas uns 30 centímetros de altura. No entanto vale lembrar que é a real configuração da orla marítima, do fundo oceânico e de muitos outros fatores que determinam o resultado final. Assim, as marés são, estritamente, uma questão local, e existe infindável variedade delas. Por exemplo, nos estuários do rio Amazonas e em vários outros rios, o fluxo da preamar é retido pelo rápido desaguar do rio. O nível de água se eleva na entrada, até que o rio não pode mais retê-lo. Daí, numa enorme e repentina onda, como um paredão - uma pororoca - a água vence a força do rio. No rio Chientang, este paredão avassalador de água pode atingir uma altura de 7,60 metros!
A Lua na fase crescente entre as nuvens. O satélite da Terra pode ser vista durante o dia ou a noite dependendo da fase, mas sempre mostrando o mesmo lado para o planeta, como ocorre com a maiorias dos satélites naturais do Sistema Solar. (Crédito Bob Harrington)

 

O contraste de cores na Terra é impressionante conforme exemplificado por essa foto. A nuvem tipo altocumulus entre 6.000 e 7.000 m de altitude sobre a Laguna Verde, perto do deserto de Lipez, na América do Sul. A bela imagem foi conseguida porque foi obtida a 4.700 m de altitude com temperatura próximo a 0° C e ar muito seco. (Crédito Bernhard Muehr)

 

Em suma, como escreveu o cientista Lewis Thomas: "O sobrepujante assombro, a mais singular estrutura que conhecemos até agora em todo o Universo, o maior de todos os enigmas científicos cosmológicos, confundindo todos os nossos esforços de compreendê-lo, é a Terra." Deveras o que foi descrito nessa página é apenas uma fração ínfima do que já conhecemos sobre o planeta Terra, e ainda há muito o que descobrir! Um site dedicado exclusivamente ao planeta também seria pouco! Por isso ainda ecoam as palavras do Criador dirigidas a um antigo sábio do Oriente, há milhares de anos: "Onde vieste a estar quando fundei a Terra?"
Imagem da Terra e da Lua obtida pela sonda Galileo em 16/dez/1990 quando estava a cerca de 6,2 milhões de km de distância. (Crédito NASA/JPL)

 

Terra visto durante um eclipse solar. A sombra de Lua (movendo-se a 2.000 km/h) escurece parte da Terra, onde a região mais escura equivale ao eclipse total. Esta imagem espetacular foi obtida em 11/ago/1999 pela Estação Espacial Mir. (Crédito CNES)

 

DADOS NUMÉRICOS DA TERRA
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
Massa (Terra =1) 1,00
Volume (Terra=1) 1,00
Densidade (água=1) 5,53
Gravidade (Terra=1) 1,00
Temperatura Média 15ºC
Temperatura Máxima 58ºC
Temperatura Mínima -89ºC
Componentes Principais da Atmosfera Nitrogênio e Oxigênio
Satélites 1
CARACTERÍSTICAS ORBITAIS
Distância Média do Sol (km) 149.500.000
Distância Máxima do Sol (km) - Afélio 152.100.000
Distância Mínina do Sol (km) - Periélio 147.090.000
Diâmetro Médio (km) 12.750
Período de Revolução (dias) 365,25
Período de Rotação (dias) 0,98
Inclinação do Eixo 23,45º
Excentricidade da Órbita 0,017

 
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