TRITÃO

 

Menos de um mês depois da descoberta de Netuno, em 10 de outubro de 1846, William Lassell (Inglaterra) descobre o maior satélite deste planeta, e o chamam de Tritão, um dos deuses marinhos, filho de Netuno, da mitologia greco-romana. Tritão também é um dos maiores satélites do Sistema Solar (o sétimo) com 2.700 km de diâmetro, sendo maior que o planeta Plutão, e um dos astro mais brilhante do Sistema Solar, refletindo entre 60% a 95% da luz solar!

Visto da Terra, Tritão é objeto de 13ª magnitude, distante 17 segundos de arco de Netuno, portanto sendo necessário o uso dum bom telescópio.

  Foto de 20/ago/1989, quando a sonda Voyager 2 ainda estava a 5.400.000 km de distância. A cor meio rosada pode-se devido a presença de metano e gelo na superfície. (Cortesia JPL/NASA).

 

A superfície de Tritão exibe poucas crateras de impacto, mas há extensos vales e desfiladeiros; em alguns locais enormes fendas lançam erupções, tipo geyser, de nitrogênio gasoso e partículas escuras de poeira à altura de 2 a 8 km. Como a superfície é coberta por uma camada de gelo de nitrogênio e metano, a temperatura atinge -235ºC, tornando Tritão o astro mais frio do Sistema Solar visitado por uma sonda espacial. Também foram observadas linhas onduladas de material escuro, que são prováveis testemunhos de presença de rios de lava vulcânica.
  Imagem em preto e branco de 25/ago/1989, tirada pela sonda Voyager 2. Três áreas escuras iMapa de superfíce criado por A. Tayfun Oner a partir de imagens de Tritão obtidas pela Voyager 2. O quadrante é das latitudes de -22 a 22 graus, Também aparece nomes que identificam algumas regiões. (Cortesia JPL/NASA).

 

Tritão tem uma tênue atmosfera constituida de metano e nitrogênio, que se extende por 800 km acima da superfície a temperatura de -180ºC. Uma fina névoa fica entre 5 a 10 km da superfície, circulando o satélite. Sua alta densidade (2,06 g/cm³), significa que contém mais rochas do que os satélites gelados de Saturno e Urano. É provável que acima do núcleo rochoso há uma espessa camada de gelo formado por água.
Imagem em preto e branco tirada pela sonda Voyager 2, em 25/ago/1989, São vistas três áreas escuras irregulares, cercadas por um material mais brilhante, e algumas pequenas crateras. A imagem tem cerca de 1.000 km. (Crédito JPL/NASA) îAcima : Imagem artística em perspectiva da superfície de Tritão. O hemisfério sul de Tritão é coberto com "um tampão de gelo" de nitrogênio e metano congelado. Netuno aparece como meia-lua no céu de Tritão. (Cortesia Brian Smalllwood)

<__Ao lado: Diversas características são vistas, tais como o material branco que pode ser depósitos da geada e o material escuro que parecem ser depósitos vulcânicos. Esta imagem é de cor falsa, composto de imagens feitas através dos filtros violeta, verde e ultravioleta. (Crédito JPL/NASA)

 

A órbita de Tritão é bem próxima de Netuno, à apenas 355.000 km -- praticamente a mesma distância Terra-Lua. Porém devemos lembrar que Netuno é muito maior que a Terra, e por isso os processos de maré são muito intensos no satélite. Segundo cálculos, este processo poderá levar Tritão a cair sobre Netuno, ou espatifar-se formando um anel maciço em torno do planeta entre 10 e 100 milhões de anos.

No entanto, é o penúltimo (o sétimo) em ordem de distância de Netuno, já que existem 6 luas pequenas mais internos, descobertos pela sonda Voyager 2.

IFoto tirada a apenas 39.800 km de distância pela Voyager 2. Acima à esquerda é visto uma névoa fina cerca de 13 km de altura. (Cortesia JPL/NASA)  

 

Imagem artística da lua gelada Tritão que orbita Netuno, visto ao fundo. (Cortesia de Joe Bergeron) Perspectiva gerada por computador com base na imagem obtida em 24/ago/1989, quando a Voyager 2 estava a cerca de 181.800 km de Tritão. A cratera tem uns 200 km de diâmetro. Como é plana´, é provável que foi formada por uma erupção vulcânica de lava de gelo. (Crédito JPL/NASA)

 

Existem certas perculiaridades da órbita de Tritão: está inclinada em relação ao plano equatorial de Netuno, quase 30º, sendo o único que não coincide com os demais satélites netunianos.

Além disso, é o único dos grandes satélites do Sistema Solar que orbita o planeta em sentido retrógrado. Seu eixo de rotação também é muita inclinada (157º); por causa disto, tanto o equador como os pólos apontam para o Sol, semelhante o que ocorre com o planeta Urano. O período de rotação (5 dias, 20 horas e 53 minutos) é o mesmo período da revolução, ou seja, sempre mostra a mesma face para Netuno.

  A Voyager 2 obteve esta imagem durante a sua aproximação em 25 de Agosto de 1989. A calota polar sul na base da imagem é muito reflectiva e de cor ligeiramente rosa; pode consistir numa camada de nitrogénio gelado que se evapora lentamente, depositado durante o inverno anterior. A parte de cima mais escura, pode ser produzida pela ação da luz ultravioleta e da radiação sobre o metano na atmosfera e na superfície.(Crédito JPL/NASA)

Por que sua superfície está ativa? O que haverá debaixo da camada de gelo? Como serão as outras estações? Deveras, Tritão será sem dúvida um dos alvos de uma próxima missão espacial, pois é um dos astros mais intrigantes do Sistema Solar.

Comparação do diâmetro da Lua com Tritão.

 

DADOS NUMÉRICOS DE TRITÃO
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
Data da descoberta 10/10/1846
Massa (Terra =1) 0,0035810
Volume (Terra=1) ?
Densidade (g/cm³) 2,06
Gravidade (Terra=1) ?
Temperatura Média -235º
Componentes Principais da Atmosfera Metano e Nitrogênio
CARACTERÍSTICAS ORBITAIS
Distância Média de Netuno (km) 355.000
Distância Máxima de Netuno (km) 355.000
Distância Mínina de Netuno (km) 355.000
Diâmetro Médio (km) 2.700
Período de Revolução (dias) -5,87
Período de Rotação (dias) -5,87
Inclinação da Órbita (graus) 157,34
Excentricidade da Órbita 0,00
Velocidade Orbital (km/s) -4,39

 

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