SATÉLITES IRREGULARES DE SATURNO

 

O primeiro grupo dos satélites menores de Saturno (chamados de internos, conforme descrito na página anterior) estão antes da órbita de Réia.

O segundo grupo dos satélites menores de Saturno se encontram após a órbita de Titã. É formado pelos satélites irregulares que tem formatos não esféricas. A maioria têm órbitas inclinadas em relação ao equador do planeta, excentricidades altas e estão a milhões de quilômetros de distância de Saturno. Só no ano 2000 foram descobertos mais 12 destes satélites! São chamados apenas por um código, sem nome definido.

Segue uma relação das pequenas luas irregulares a partir das mais antigas até as recém descobertas.

  Em 26/out/200 foi anunciado a descoberta de 4 satélites irregulares de Saturno. A fotomontagem mostra a posição de Saturno (ampliado na foto) e das luas (pontos pretos). (Crédito ESO)

 

HIPÉRION (Saturno VII)

Foi descoberto em 1840 por William Bond e William Lassel, e possui formato oval de 410x260x220 quilômetros (média de 255 km). Apesar de ser 16º satélite de Saturno, é o primeiro irregular de Saturno e também é o maior satélite irregular do Sistema Solar. A órbita de Hipérion é excêntrica (0,1042) deixando-o sujeito as forças gravitacionais de Saturno, que como conseqüência, o fazem dar voltas descontroladas e rotação caótica, apesar de que algumas análises sugerirem em média 13 dias. A distância média do planeta é de 1.481.100 quilômetros. No entanto está pouca inclinada (0,43 graus) em relação ao plano equatorial de Saturno.

 

A superfície tem cor parecida com a parte escura de Jápeto, sendo que o gelo encontrado ali tem albedo baixo entre 0,19 e 0,25. Na superfície há uma série de rugosidades e arestas de notáveis dimensões. A maior cratera tem 120 quilômetros de diâmetro por 10 quilômetros de profundidade. Todas estas particularidades sugerem que Hipérion é um imenso fragmento de uma lua destruída por impacto. O período orbital (de mais de 21 dias) está em ressonância de 4:3 de Titã; isto significa que a cada 4 voltas de Titã e 3 de Hipérion, os satélites estão em conjunção com Saturno sempre no mesmo ponto de suas órbitas. Hipérion era um dos Titãs, e pai de Hélio.
  Esta imagem de Hiperion foi obtida pela sonda Voyager 2 em 25/ago/1981 e aprimorada digitalmente. (Crédito NASA/Calvin J. Hamilton)

 

Hipérion é um dos satélites menores de Saturno com formato irregular, e por isso tem um sistema ímpar de penhascos. Nesta concepção artística é visto um deles com 30 km acima do nível da superfície. (Crédito David Seal)

 

FEBE (Saturno IX)

Foi descoberto em 1898 por William Pickering e era o satélite mais distante de Saturno até a descoberta dos novos satélites em 2000. É o terceiro satélite irregular de Saturno (Jápeto, um satélite maior, é o segundo por está mais próximo do planeta). Um dos aspectos ímpares em Febe é a superfície tão escura como carvão (albedo em média de apenas 0,06), em contraste com a maioria das luas de Saturno que refletem bem a luz solar (em média 0,80). No entanto nas imagens da superfície aparecem diversas manchas claras e escuras com diferenças de reflexão em torno de 50%.

 

Imagem de Febe tirada pela Voyager 2 em 4/set/1981 de uma distância de 2,2 milhões de km. Mostra os dois hemisfério diferentes do satélite. Na imagem esquerda é possível perceber um pico de montanha (superior a direita) que pode ser duma cratera de impacto. Na imagem direita, parece também haver uma montanha (ponto brilhante acima) refletindo a luz solar. (Crédito NASA/JPL)

 

Representação artística do fundo de uma larga fenda de gelo na superfície de Febe, que até o ano 2000 era o satélite conhecido mais distante de Saturno. Como a sonda Cassini não aproximará mais que 50.000 km de Febe, ela não é mostrada. (Crédito David Seal))

Outro aspecto ímpar de Febe é sua órbita muito inclinada (mais de 175 graus) em relação ao equador de Saturno; isto significa, que seus pólos estão em direção oposta aos de Saturno! Porém, tem mais ainda: a órbita é a muito excêntrica (0,1633), é retrógrada e o período de rotação (cerca de 9 horas) não está sincronizado com o período orbital que é de um ano e meio. Em vista de tudo isto alguns astrônomos dizem que Febe foi um asteróide capturado. A distância média de Febe até Saturno é em média de 12.952.000 quilômetros. Febe (ou Ártemis) era a deusa da caça e irmã gêmea de Apolo.

Outra imagem dupla de Febe obtida pela Voyager 2 em 4/set/1981 de uma distância de 2,2 milhões de km. A imagem superior é a normal e a imagem inferior é uma versão realçada para aumentar a definição.(Crédito NASA/JPL)

Para ver a animação da sequência de 35 imagens clique aqui. (Arquivo .gif - 627 kb)

Nesta imagem artística, Saturno parece com uma jóia minúscula no céu de Febe, um provável asteróide capturado. (Crédito Don Dixon)

 

 

OS NOVOS SATÉLITES (Saturno XIX a Saturno XXX)

Imagem de 26/out/2000 de 2000 S1, o mais distante dos novos satélites irregulares de Saturno. (Crédito ESO)

Os outros satélites irregulares de Saturno foram descobertos recentemente (os últimos em outubro de 2000) por uma equipe internacional de "caçadores de satélites" organizados por Brett Gladman, do Observatório Nice, utilizando telescópios encontrados no Chile, no Havaí, na França e nos Estados Unidos. "O maior problema agora é encontrar nomes para todas essas coisas", comentou J. J. Kavelaars, membro da equipe. Deveras ainda aguardam confirmação pelo IAU e um nome definitivo; por isso usa-se atualmente o código 2000 S seguido de um número (de 1 a 12). Alguns deles são os menores satélites conhecidos de Saturno (2000 S7, 2000 S9 e 2000 S12 com apenas 14 quilômetros cada) e a maioria tem apenas algumas dezenas de quilômetros (o maior deles é o 2000 S3 com 90 quilômetros); todos tem formatos irregulares. Assim como Febe, podem ser pequenos asteróides capturados pelo campo gravitacional de Saturno.

Gráfico das órbitas previstas dos novos satélites de Saturno em comparação com os satélites maiores Titã e Jápeto (que também tem órbita irregular). É possível perceber que estão muito distante de Saturno e dos outros satélites do planeta. (Crédito B. Gray)

 

Por terem órbitas irregulares, os satélites novos de Saturno têm excentricidade alta (o menor é 0,1199 do 2000 S12 e o maior é de 0,5355 do 2000 S4) e estão bem inclinados em relação ao equador do planeta (o menor é de 33,10 graus do 2000 S11 e o maior é de 175,90 graus do 2000 S7). Eles estão muito distantes de Saturno, em média a milhões de quilômetros. Os mais próximos (S2000 S5 e S2000 S6) estão a mais de 11 milhões de quilômetros, antes de Febe. A lua mais distante do planeta (2000 S1) está a mais de 23 milhões de quilômetros, ou seja, mais de 20 vezes a distância de Titã a Saturno!
  Foto da descoberta de 2000 S4 (indicado pela seta) usando o Telescópio Canada-France-Havaii. (Crédito ESO)

 

Como estão muito distantes, levam anos para completar uma volta em torno de Saturno (1 ano e 3 meses para 2000 S5 e 3 anos e 7 meses para 2000 S1), e alguns (2000 S8, 2000 S9, 2000 S12, 2000 S7 e 2000 S1) giram em sentido contrário aos demais satélites.

Muito das informações podem ser incertas, sendo necessário mais tempo para a observação destes novos satélites, bem como aguardar a chegada da sonda Cassini no sistema saturniano. Existe a possibilidade de outras luas serem encontrados ao redor de Saturno.

Nesta foto também tirada em 26/out/2000, o ponto indicado pela seta é 2000 S2, uma das 12 luas de Saturno recém-descobertas. (Crédito ESO)  

 

Escala de tamanho e ordem de distância dos satélites de Saturno (exceto os novos). Pã, Atlas, Telesto, Calipso e Helena por serem muito pequenos estão ampliados 5 vezes. (Crédito David Seal)

 

Esquema das órbitas dos satélites de Saturno, com exceção dos novos. Febe, o mais externo, percorre a órbita mais elíptica em movimento retrógrado. (Crédito Ielcinis Louis)

 

Comparação da Lua com os satélites irregulares de Saturno. Os novos não passam de montanhas flutuando no espaço. (Crédito Ielcinis Louis)

Gráfico de comparação das distâncias (linha azul) e dos diâmetros (linha amarela) de todos os satélites de Saturno. Pode-se notar uma divisão em relação distância-tamanho: os Internos são pequenos e próximos ao planeta; os Maiores são grandes e mais afastados; os Irregulares também são pequenos, porém estão muito distante. Para ver um gráfico mais detalhado de cada um deles, clique na área indicada no próprio gráfico. (Crédito Ielcinis Louis)

 

DADOS NUMÉRICOS DOS SATÉLITES IRREGULARES DE SATURNO
NOME DESIGNAÇÃO NOME PROVISÓRIO DIÂMETRO MÉDIO (KM) DISTÂNCIA MÉDIA (KM) PERÍODO ORBITAL(DIAS) INCLINAÇÃO ORBITAL(º) ANO DA DESCOBERTA E DESCOBRIDOR
Hipérion Saturno VII - 290 1.481.100 21,27 0,43 1848 W.Bond,W.Lassel
- Saturno XXIII 2000 S5 34 11.339.000 447,77 46,20 2000 B.J.Gladman
- Saturno XXIV 2000 S6 28 11.465.000 456,05 46,60 2000 B.J.Gladman
Febe Saturno IX - 220 12.952.000 -550,48 175,30 1898 W. Pickering
- Saturno XX 2000 S2 50 15.172.000 685,89 45,20 2000 B.J.Gladman
- Saturno XXVI 2000 S8 16 15.676.000 -730,84 153,00 2000 B.J.Gladman
- Saturno XXII 2000 S3 90 17.251.000 826,02 45,50 2000 B.J.Gladman
- Saturno XXVIII 2000 S10 20 17.452.000 860,03 34,70 2000 B.J.Gladman
- Saturno XXIX 2000 S11 60 17.874.000 888,54 33,10 2000 B.J.Gladman
- Saturno XXII 2000 S4 32 18.231.000 924,58 33,50 2000 B.J.Gladman
- Saturno XXVII 2000 S9 14 18.486.000 -939,90 167,40 2000 B.J.Gladman
- Saturno XXX 2000 S12 14 19.747.000 -1.038,11 175,80 2000 B.J.Gladman
- Saturno XXV 2000 S7 14 20.144.000 -1.068,06 175,90 2000 B.J.Gladman
- Saturno XIXI 2000 S1 40 23.076.000 -1.310,60 173,10 2000 B.J.Gladman
- Aguardando confirmação do nome pelo IAU.

 

SATÉLITES INTERNOS PÁGINA PRINCIPAL URANO
Satélites Internos PÁGINA PRINCIPAL Planeta Urano

1