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No filme 2001 - Uma Odisséia no Espaço, o destino final da nave Discovery é entre os satélites de Júpiter. Em 1979, uma nave real - a Voyager 1 - obteve as primeiras imagens das superfícies; somente alguns meses a separaram da Voyager 2. Os que estas duas sondas revelaram dos satélites maiores de Júpiter chamaram tanta atenção dos cientistas, que projetaram uma sonda específica para o sistema joviano, e desde dezembro de 1994 estão sendo estudados pela Galileo. Para complementar as informações essas grandes luas foram também observadas pelo Telescópio Espacial Hubble e pela sonda Cassini (que está a caminho de Saturno). Nesta segunda parte dos satélites maiores de Júpiter faremos uma breve "viagem" até os internos (Europa e Io) e como dito na página anterior, alguns dos dados podem ser revisados ao passo que continua a pesquisa feita pela Galileo. |
| Esse "retrato de família" das quatro maiores luas de Júpiter foi obtida pelo Hubble em 10/out/1995. (Crédito STScI/Lowell Observatory/NASA) |

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Apesar de ser o menor dos satélites maiores de Júpiter, é um dos mais investigados, junto com Io. Isto ocorre porque "vemos em Europa uma rede intrigante e espantosa de linhas retas e curvas que se interceptam....Europa é tão liso como uma bola de bilhar, a despeito da rede de linhas", comenta Carl Sagan. De fato é o astro mais liso do Sistema Solar! Além disso, há poucas crateras de impacto, indicando uma superfície jovem e com movimentos tectônicos. O que são essas linhas escuras em todo o satélite? Por que a superfície é lisa? O que pode ter debaixo da crosta? Por muito tempo só havia teorias e especulações, já que as sondas Voyager's passaram distante de Europa, que estava do outro lado de Júpiter. Foi possível ter uma idéia melhor dessa misteriosa lua, enquanto a Galileo explorava o sistema joviano. |
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Vista de Europa tomada de uma distância de 2.869.252 km em 2/mar/1979 pela Voyager 1. As cores foram composta por três imagens brancas e pretas tomadas através dos filtros laranja, violeta e verde. A imagem é do hemisfério oculto para Júpiter. (Crédito NASA/JPL) |
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As características linhas escuras de Europa têm até 70 quilômetros de largura pó 3.000 quilômetros de comprimento; a maioria são retas, mas há também linhas curvas e os traçados ziguezague. Geralmente estão em terrenos claros e lisos, e alguns em manchas escuras que não passam dos 10 quilômetros. As linhas escuras encontradas em Europa podem ser o resultado de movimentos tectônicos que provocam rachaduras na crosta, e são preenchidas com material procedente do interior do satélite, mui provavelmente água salgada. |
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Visão artística da superfície de Europa, lua de Júpiter. Parte dela é parecida com nossas regiões árticas. (Crédito de Chris Butler) |
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| Duas imagens de Europa do hemisfério oculto a Júpiter, obtida pela Galileo em 07/set/1996 a uma distância de 677.000 km. À da esquerda mostra a cor próximo ao natural do satélite; e à da direita é em cor falsa para realçar os diferentes materiais da crosta de Europa. A mancha brilhante (canto esquerdo inferior) é uma cratera de impacto com cerca de 38 km de diâmetro, chamada Pwyll. (Crédito NASA/DLR) | |
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O mecanismo para tal atividade geológica é o efeito de maré. De um lado, a 671 milhões de quilômetros de distancia, está Júpiter que arrasta Europa para o centro do planeta. Por outro, lado, há os gigantes Ganimedes (cuja distância mínima é de 400.000 quilômetros) e Calisto, que arrasta-o em direção oposta. Este "cabo de guerra" gravitacional provoca movimentos no interior de Europa, que por sua vez transfere para a superfície. A superfície gelada de Europa reflete 70% da luz solar. Há outras formações como colinas alinhadas com largura de 10 quilômetros e mais regulares que as linhas escuras; no entanto, só tem algumas centenas de metros de altura. Só foram localizadas três grandes crateras de impacto: Taliesin (o maior, com 48 quilômetros), Pwyll (38 quilômetros) e Mannann'an (30 quilômetros). |
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| Fotomontagem de estruturas de impacto em Europa a partir de imagens da Galileo. No sentido horário, começando pela esquerda, são: cratera Pwyll (38 km), cratera Cilix (23 km), bacia Tyre (148 km) e cratera Mannann'an (30 km). Estruturas de impacto com diâmetros superiores a 20 km são raros em Europa. (Crédito NASA/JPL/DLR) | |
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| Gravura artística para a capa da revista Astronomy Now. Imagens da Galileo indicam que possivelmente gelo ou água líquida podem ter existido, e talvez ainda existe hoje abaixo da crosta rachada de Europa. (Crédito Brian Smallwood) | Concepção artística de Europa. A segunda lua grande de Júpiter, pode ter um oceano de água líquida abaixo de uma crosta de gelo. O efeito de maré de Júpiter e suas luas vizinhas abrem essa crosta, brevemente expondo a água líquida ao vácuo do espaço. (Crédito de Joe Bergeron) |
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A superfície com poucos relevos e poucas crateras indicam que Europa sofre processos geológicos que "rejuvenesce" a crosta do satélite de tempos a tempos. Por exemplo, em algumas fotos há pedaços de gelo que parecem ter trocado de posição, como que flutuando sob um fluido; em outras, o fluido parece ter subido à superfície e congelado. Outra evidencia são as formações de dobras (espaçadas por cerca de 25 quilômetros) e depressões incrustadas bem visíveis na região chamada Astypalaea Linea. O Hubble também ajudou desvendar Europa, ao detectar uma tênue atmosfera de oxigênio, que deve ser renovada quando os raios solares evaporam o gelo da superfície, liberando hidrogênio e retendo o oxigênio. Depois a Galileo confirmou a existência da atmosfera ao encontrar uma ionosfera no satélite. A origem para a ionosfera de Europa pode ser a radiação ultravioleta do Sol ou as partículas energizadas da magnetosfera de Júpiter. |
| Imagem colorida de Europa adquirida pela Voyager 2 em 09/jul/1979. O complexo padrão de linhas escuras podem ser rachaduras no gelo, que foram preenchidas com material que se encontra por baixo da crosta. O intenso brilho de Europa confirma esta hipótese. (Crédito NASA/JPL) | |
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| Vista de uma pequena região de Europa chamada Conamara. As cores foram realçadas para mostrar a interação da superfície com estruturas de gelo. A cor original da superfíce é provavelmente azul escuro. Esta imagem foi montada em 16/12/1997 a partir de fotos da Galileo. (Crédito NASA/University of Arizona) | |
| Como já citado, desconfiava-se da existência de uma camada de água liquida sob a crosta de Europa. A Galileo ao examinar o campo magnético gerado por Júpiter, visto que Europa está localizada na magnetosfera desse planeta, notou variações e que o pólo norte magnético ficava na região equatorial, mas que com o tempo se movia. A melhor explicação é um enorme oceano de água salgada de 100 quilômetros de espessura. No entanto, "estes dados do magnetômetro são a única indicação que nós temos que há agora um oceano, em vez de no passado geológico", disse Torrence Johnson, cientista do projeto Galileo. O mesmo pode-se dizer de Ganimedes e Calisto. |
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| Esta foto (composta por 3 imagens e processada em cor falsa) obtida pela Galileo 03/abr/1997 de uma distância de 29.000 km e resolução de 595 m, mostra uma rara bacia de impacto no hemisfério principal de Europa. É chamada de Tyre e tem cerca de 140 km, ou seja, do tamanho da ilha Hawai. (Crédito NASA/University of Arizona) | |
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Imagem artística de uma pequena abertura na crosta de gelo de Europa
revelando seu oceano oculto. Foi frontispício da revista Scientific
American Cosmos. (Crédito de Don Dixon)
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Europa é quase do tamanho da Lua, com 3.130 quilômetros de diâmetro, mas massa e densidade (2,99 g/cm³) bem menor. Portanto deve ter um núcleo metálico coberto por uma enorme camada de rochas, uma camada de água líquida e por último a crosta de gelo e silicatos. A temperatura superfícial é a mais fria das grandes luas de Júpiter: -170º C. Europa é o sexto satélite de Júpiter e tem maior excentricidade (0,009) dos satélites galileanos; a inclinação orbital é de 0,47 graus. O período orbital (3 dias e 13 horas) está sincronizado na razão 2:1 com Ganimedes e 1:2 com Io. Europa foi uma princesa raptada por Zeus. |
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Imagem em cor falsa da região Minos Linea, em Europa, obtida pela Galileo em 28/06/1996. Ela foi realçada para mostrar algumas formações: as bandas triplas, linhas e terrenos manchados (em castanho e avermelhado); as planícies geladas (em azul). O tamanho da imagem é de 1.260 km e a resolução é de 1,6 a 3,3 km. (Crédito NASA/University of Arizona |

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"De todas as histórias de viajantes que retornaram da Voyager, as minhas favoritas falam das descobertas realizadas no mais interno dos satélites galileanos, Io." Cosmos, de Carl Sagan. Deveras, Io pode ser considerada uma lua interessante do Sistema Solar ao lado de Titã (lua de Saturno) e Tritão (lua de Netuno). Apesar de haver sinais de vulcanismo em outros astros do Sistema Solar, como Vênus e Marte, estes parecem que estão inativos. Mesmo na Terra não há o tempo todo vulcões em atividade. |
| Visão panorâmica da superfície de Io obtida pela Voyager 1 em 04/03/1979 a uma distância de 862.000 km. Cada um dos pontos escuros, quase circulares, é um vulcão recentemente em atividade. Um vulcão circundado por um halo claro, próximo ao centro, foi observado em erupção 15 hs antes da tomada desta imagem; foi chamado de Prometeu. (Crédito NASA/JPL) |
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Gravura
artística mostrando Io em transito no disco de Júpiter visto
da superfície de Europa. (Crédito Don Dixon)
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A provável causa da atividade geológica em Io é o efeito de maré. A órbita de Io é pertubada por Europa (que pode está a apena 249.000 quilômetros de distância e é sincronizada em 2:1) e Ganimedes (distância mínima de 649.000 quilômetros) que o esticam em direção ao espaço. Júpiter por sua vez, arrasta Io em direção ao centro do planeta, que está 421.600 quilômetros, gastando 1 dia e 19 horas. Dessa forma a superfície de Io é deformado até 100 metros! |
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| O satélite galileano Io parece flutuar sob as nuvens de Júpiter nessa imagem capturada em 01/01/2001 pela Cassini, apesar do satélite está distante do planeta em média 350.000 km. (Crédito NASA/JPL/University of Arizona) | |
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A situação de Io é ainda mais complexa porque está situado dentro do intenso cinturão de radiação formado por elétrons e íons apanhados pelo campo magnético de Júpiter. À medida que este campo roda com o planeta, tira de Io uma tonelada de material por segundo, que forma uma rosca de íons, geralmente de enxofre e oxigênio, ao redor da órbita do satélite. Algumas partículas chegam até a atmosfera de Júpiter provocando auroras polares. Deveras Io é um local hostil e proibido para humanos e até mesmo máquinas. |
| Uma pluma de gases e partículas é ejetado a 100 km acima da superfície de Io na região chamada de Masubi. Imagem obtida pela Galileo em 3/jul/1999 a uma distância de 130.000 km com resolução de 1,3 km. (Crédito NASA/JPL/University of Arizona) |
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| Concepção artística de Io, a lua vulcânica de Júpiter, brilha por causa da aurora e das emissões dos vulcões ativos. Em Júpiter as auroras brilhantes próximos aos pólos podem ter uma conexão entre o campo magnético do planeta e de Io. (Crédito Don Davis) |
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Io é quinto satélite. Na mitologia grega foi mais uma donzela amada por Zeus. Io tem densidade (3,53 g/cm³) parecida com a Lua. Diferente dos outros satélites do Sistema Solar, Io deve ter pouca água. Possui uma atmosfera tênue composto de dióxido de enxofre e talvez outros gases. O céu é escuro e no hemisfério apontado para Júpiter a visão é dominada pelo planeta que aparece 30 vezes maior do que a Lua vista da Terra. A temperatura na superfície tem média de -155º C, mas nos locais mais quentes chegam aos 17º C. Por esta razão os gases saem dos vulcões começam a congelar e vira neve. Foram observados várias modificações ao compararem as fotos das Voyager 1, Voyager 2 e Galileo. A maior parte da superfície tem cor amarelada, mas também há tons alaranjados, vermelhos, marrons, pretos, brancos e até esverdeados. O responsável por toda essa coloração pode ser o enxofre e o dióxido de enxofre em temperaturas e constituição físicas diferentes. Por exemplo, a forma comum do enxofre (com 8 moléculas) tem tom amarelado, já a cor vermelha é o enxofre com apenas 3 ou 4 moléculas, segundo explicação de John R. Spencer, da Lowell Observatory, na revista Science. As imagens também revelaram que toda a superfície de Io parece consistir de lava em vários estágios de esfriamento. |
| Dois vulcões em erupção no limbo de Io. As proeminências atingiam altura variaáveis entre 70 e 300 km de altura; a proeminência inferior é do vulcão Maui Patera. Imagem da Voyager 2 em 09/07/1979 de uma distância de 1,2 milhão de km. (Crédito NASA/JPL) | |
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Não foram encontradas crateras de impacto em Io por causa do constante "rejuvenescimento" da superfície. No entanto tem uma variedade de terrenos não relacionada com os vulcoes, tais como as montanhas de até 16.500 metros de altura, fazendo de Io o astro com os cumes mais altos do Sistema Solar! No site da CNN encontramos: "Os cientistas ficaram intrigados com o tamanho das montanhas de Io, que não são vulcânicas. Considerando o intenso calor na superfície, eles esperavam que a superfície fosse líquida ou lamacenta." A atual explicação para esta altas montanhas não vulcânicas são o resultado de compressões da crosta e da ação do calor interno do satélite. Outro tipo de terreno é as "manchas brancas", sobretudo próximas ao pólo sul, que devem ser depósitos de enxofre e dióxido de enxofre. |
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| Essa gravura ilustra a corrente idéia científica sobre o papel do enxofre no vulcões de Io e as cores encontradas na superfície. O gás emitido pelos vulcões é enxofre com dois átomos (S2) conforme indicado pela flecha verde. Quando caem na superfície gelada se organizam em moléculas maiores (S3, S4) dando o tom avermelhado. Com o tempo a maioria ficam numa configuração estável (S8), que formam o enxofre comum, de cor amarelo pálido. (Crédito Lowell Observatory/NASA) |
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VIAGEM AO
VULCÃO PROMETHEUS
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| O vulcão Prometheus está ativo pelo menos desde 1979, quando a Voyager 1 a fotografou pela primeira vez. Apresenta uma pluma de gás e partículas com 80 km de altura, sendo a mais ativa de Io. O seu tamanho e a sua forma têm-se mantido constantes, embora a localização da pluma se tenha deslocado cerca de 85 km para ocidente. "A chaminé principal do vulcão não se moveu, mas a pluma sim" afirmou a Dra. Rosaly Lopes-Gautier, do JPL. | ||
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| Imagem de Io em crescente obtida pela Galileo em 7 e 8/nov/1997, a uma distância de 800.000 km, com resolução de 12 km. Na borda do satélite temos uma excelente vista do vulcão Zamama; Prometeus está pouco abaixo. (Crédito NASA/PIRL/ University of Arizona) | Close-up em cor falsa de Prometeus usando filtros próximos ao infravermelho, verde e violeta, obtida pela Galileo em 10/out/1999 de uma distância de 130.000 km, com resolução de 1,3 km. Vemos a garganta do vulcão (em preto) e a pluma (em verde). (Crédito NASA/University of Arizona) | Imagem em cor falsa de 170 m de resolução, obtida pela Galileo em 22/fev/2000 do centro de Prometeus. Vemos diversas formações além da garganta e da pluma: caldera semi-circular cheio de lava escuro de 90 km de extensão (à direita), nevoeiros (manchas brancas) e remendos brilhantes provavelmente compostos de dióxido de enxofre. (Crédito NASA/University of Arizona) |
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Io é "um laboratório natural de vulcões", diz Duane Bindschadler, cientista da Galileo. A principal característica superfícial está relacionada com vulcões: caldeiras com vários quilômetros de profundidade, lagos de enxofre derretido, fluxos de fluído de centenas de quilômetros de extensão e orifícios vulcânicos. Os próprios vulcões têm dimensões de algumas dezenas de quilômetros, geralmente identificados por manchas negras; muitas vezes, estão rodeados por uma auréola de materiais tão escuros quanto à cratera central. |
| Imagem global de Io obtida pela Galileo em 20/fev/1997 de uma distância de 554.000 km com resolução de 11,2 km. Estão identificadas alguns locais. (Crédito NASA/Lunar and Planetary Laboratory/Ielcinis Louis) | |
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Apesar da surpresa da descoberta dos vulcões em Io, alguns dias antes publicou-se um artigo que levantava a hipótese do vulcanismo em Io. O principal vulcão é Pele cujo projéteis são ejetados até 280 quilômetros e com anel ao redor de 700 quilômetros. Porém o mais ativo se chama Loki Patera, que lança enormes quantidades de lava constantemente com mais de 400 quilômetros de altura. Os vulcões lançam jorros tão espetaculares que podem ser vistos por telescópios instalados na Terra. Para se ter uma idéia, uma única explosão do vulcão Pillan cobriu com uma substância cinzenta uma área maior que o estado de São Paulo! |
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| Explosão vulcânica em Io adquirida pela Voyager 1 em 04/mar/1979 de uma distância de 490.000 km. O material foi ejetado há 161 km de altura com velocidade de 1.900 km/h. (Crédito NASA/JPL) |
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| Essa vista imaginária da colisão dos fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 da superfície de Io, foi publicada na revista Sky&Telescope e no livro The Cosmic Perspective. (Crédito Joe Bergeron) |
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Comentando um pouco mais, a brasileira Rosaly Lopes-Gautier, cientista da Galileo, que já descobriu quase 30 vulcões em Io, escreveu: "Interessante é que os dados colhidos pela Galileo até agora mostraram que Io tem no mínimo cem vulcões ativos. Comparando, a Terra tem 600 vulcões ativos, mas poucos estão em erupção ao mesmo tempo. Em Io, os dados indicam que as erupções duram anos ou décadas....É surpreendente também a temperatura da lava, por volta de 1.500º C." |
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Uma erupção vulcânica ativa em Io foi capturado nesta imagem em cor falsa, obtida pela Galileo em 22/fev/2000, com área total de 250 km. O local chama-se Tvashtar Catena. No canto esquerdo vemos a lava de 60 km de extensão. (Crédito NASA/JPL/University of Arizona) |
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| Outros cientistas também têm ficado surpresos com novas descobertas; veja alguns exemplos. Comentando sobre Linda Morabito, cientista da Voyager 1, Carl Sagan escreveu em 1980: "Para surpresa sua, viu uma pluma brilhante deslocando-se na escuridão, proveniente da superfície do satélite....A Voyager descobriu o primeiro vulcão ativo fora da Terra." O cientista Mihali Horanyi, do Laboratory for Atmosferic and Space Physics, citando a descoberta em 1992 pela Ulysses de que os vulcões de Io espalham poeiras pelo Sistema Solar: "A fuga de poeiras do sistema joviano foi uma surpresa total." Em 2001, quando a Galileo fez um vôo rasante, o pesquisador Louis Frank disse: "Isso era completamente inesperado. Já tivemos imagens maravilhosas de vulcões de Io antes, mas nunca tínhamos entrado na fumaça de um vulcão antes." |
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| Imagem global de Io em cor verdadeira. Foi obtida pela Galileo em 03/jul/1999 de uma distância de 130.000 km com resolução de 1,3 km. Os nomes de algumas crateras estão identificados. (Crédito NASA/PIRL/University of Arizona/Ielcinis Louis) |
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Imagem artística de um fluxo da lava de silicato em Io que está vaporizando o gelo de dióxido de enxôfre enquanto flui sobre a superfície. (Crédito John Spencer) |
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VIAGEM ÀS SUPERFÍCIES DOS SATÉLITES MAIORES DE JÚPITER
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| Este mosaico de imagens mostram o contraste das superfícies dos satélites maiores de Júpiter, que são afetadas por mudanças vulcânicas ou tectônicas. Foi montado a partir de imagens das sondas Voyager 1, Voyager 2 e Galileo. As imagens coloridas tem resolução de 10 km e cobrem uma área de aproximadamente 1.000 por 750 km. As imagens em preto e branco tem resolução de 180 m e combrem uma área de aproximadamente 100 por 75 km. (Crédito NASA/JPL/DLR) | |||
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IO
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EUROPA
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GANIMEDES
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CALISTO
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Acima: regiões de caldeiras vulcânicas. Abaixo: orifícos de plumas vulcânicas. |
Acima: fendas com milhares de km. Abaixo: cordilheiras abundantes. |
Acima: regiões com faixas brilhantes . Abaixo: terrenos fraturados e entalhados. |
Acima: enormes bacias de impactos. Abaixo: erosão coberto de crateras. |
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| Esquema das prováveis estruturas internas dos satélites maiores de Júpiter, que são no sentido horário: Europa, Calisto, Ganimedes e Io. Com exceção de Calisto, todos os outros tem núcleos (representados em cinza) metálicos de ferro e níquel, seguidos por uma camada de rochas (em marrom). A camada de rochas ou silicatos de Io extende até a superfície, enquanto que Ganimedes e Europa tem mais uma camada de água em forma líquida ou de gelo (em azul). O núcleo de Calisto é mostrado com uma mistura uniforme de gelo e rocha, apesar que dados recentes sugerem algo mais complexo. Por fim, as crostas de Ganimedes e Calisto podem conter quantidades diferentes de rocha e gelo (em branco); o mesmo se aplica a Europa, embora também pode haver água líquida sob a superfície congelada. (Crédito NASA/JPL). |
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| Gravura digital comparando a Lua com os satélites maiores de Júpiter. Ganimedes e Calisto são cerca de 1,5 vezes maior que o nosso satélite, enquanto que Io e Europa tem praticamente o mesmo tamanho. Calisto é o mais distante e Io é o mais próximo de Júpiter. (Crédito Walter Mayers/Ielcinis Louis) |
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| Esquema das órbitas dos satélites maiores de Júpiter. Io é o mais próxim e também o mais ativo de Júpiter, enquanto que Calisto é o mais distante e também o menos ativo. (Crédito Ielcinis Louis) |
| DADOS DOS SATÉLITES MAIORES DE JÚPITER | |||||||
| NOME | DESIGNAÇÃO | DISTÂNCIA MÉDIA DO CENTRO (km) | DIÂMETRO MÉDIO (km) | MASSA (10x20kg) | PERÍODO DE REVOLUÇÃO (dias) | INCLINAÇÃO ORBITAL (graus) | ANO/ DESCOBRIDOR |
| Io | Júpiter I | 421.600 | 3.643 | 893,30 | 1,77 | 0,04 |
1610 G. Galileu &
S. Marius
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| Europa | Júpiter II | 670.900 | 3.130 | 479,70 | 3,55 | 0,47 |
1610 G. Galileu &
S. Marius
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| Ganimedes | Júpiter III | 1.070.000 | 5.268 | 1.482,00 | 7,15 | 0,21 |
1610
G. Galileu & S. Marius
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| Calisto | Júpiter IV | 1.883.000 | 4.806 | 1.076,00 | 16,69 | 0,51 |
1610 G. Galileu &
S. Marius
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