SATÉLITES IRREGULARES DE JÚPITER

 

Os outros 15 satélites externos de Júpiter (com exceção de 2000 J11) possuem movimentos retrógrados; desse modo formam um terceiro grupo chamado de externos irregulares (os internos e os externos regulares foram comentados na página anterior).

Quatro destes possuem órbitas próximas numa faixa de 2.000.000 de quilômetros entre si; outros 10 satélites novos foram descobertos em 2000; e o mais distante foi descoberto em 1999. A maioria dos dados faltam confirmação e outros ainda são desconhecidos. Por esta razão estão sujeitas a alterações com o tempo.

Foto do último satélite de Júpiter, chamado por enquanto de 1999 J1 (dentro do quadro) obtida por J. A. Larsen (do projeto Spacewatch) em 06/out/1999. (Crédito Arizona Board of Regents)

 

ANANQUE (Júpiter XIII)

(Crédito Station d'Astrométrie des Alpes de Haute-Provence)

Descoberto em 1951 por S. Nicholson, Ananque é o primeiro e o menor (com 20 quilômetros de diâmetro) de quatro satélites que formam um grupo que estão próximos entre si e inclinados em média 152 graus em relação ao plano do equador joviano. No caso de Ananque é de 147 graus e excentricidade de 0,1690. Estando em média a 21.200.000 quilômetros de Júpiter, gasta 1 ano e 9 meses para completa a volta em torno do planeta. Recebeu o nome da irmã de Júpiter, e mãe de Adrastéia.

 

CARME (Júpiter XI)

(Crédito Station d'Astrométrie des Alpes de Haute-Provence)

Carme está a cerca de 22.600.000 quilômetros de distância, com período de revolução de quase 1 ano e 11 meses. É o mais inclinado do grupo com 164 graus e com excentricidade de 0,2070. Carme foi descoberto em 1938 também por S. Nicholson; na mitologia greco-romana foi uma consorte de Zeus. Carme tem apenas 30 quilômetros de diâmetro.

 

PASÍFAE (Júpiter VIII)

(Crédito NASA/California Institute of Technology)

Foi o primeiro descoberto desse grupo, em 1908 por P. Melotte, e também é o maior deles com 36 quilômetros de diâmetro. Além disso, Pasífae é a que possui menor inclinação orbital (145 graus) e a órbita mais excêntrica (0,3780), com período de revolução em torno de 2 anos a uma distância de 23,5 milhões de quilômetros de Júpiter. Outra particularidade é que um dos poucos satélites que não recebeu o nome de uma amante de Zeus ou Júpiter. Pasífae foi filha de Helios e de Perse.

 

SINOPE (Júpiter IX)

(Crédito Station d'Astrométrie des Alpes de Haute-Provence)

O último deste grupo está apenas a 200.000 quilômetros de Pasífae e leva pouco mais de 2 anos para completar o período de revolução. No entanto, Sinope está mais inclinado que seu vizinho (153 graus) e tem órbita menos excêntrica (0,2750). Foi descoberto em 1914 por S. Nicholson e tem 28 quilômetros. Recebeu o nome da filha de Marte e Egina, sendo mais uma amante de Júpiter.

 

OS NOVOS SATÉLITES (Júpiter XVIII a Júpiter XXVIII)

Sequência de 3 fotos obtida em 4/ago/2000, do satélite mais distante de Júpiter, chamado de 1999 J1. (Crédito ESO)

O primeiro dos novos satélites de Júpiter , chamado provisoriamente de 1999 J1, havia sido descoberto em finais de 1999, com o Telescópio Spacewatch, no Arizona, tendo-se pensado originalmente que seria um asteróide de movimento lento; apenas uma análise posterior, confirmada por novas observações em meados do ano 2000, permitiu determinar que o pequeno corpo era efetivamente uma lua. É o primeiro (e por enquanto o único) satélite descoberto por amadores. Também é o último satélite conhecido de Júpiter a 24.250.000 quilômetros de distância, completando uma volta em torno do planeta a cada 2 anos e 1 mês, em sentido retrógrado. Dos satélites irregulares é o menos excêntrico (0,13) com 143 graus de inclinação orbital. Possui apenas 10 quilômetros, mas é o maior dos novos satélites.

Sequência de fotos de um dos novos satélites de Júpiter. O satélite indicado no círculo é provisoriamente denominado 2000 J8. (Crédito University of Hawaii)

 

Outros dez novos satélites de Júpiter foram descobertos em fins de novembro e inícios de dezembro de 2000 por astrônomos da Universidade do Havaí liderados por Scott Sheppard. Por enquanto são designados com o código 2000 (ano da descoberta), a letra J (de Júpiter) seguido de um número. São os menores satélites de Júpiter e do Sistema Solar medindo menos de 10 quilômetros de diâmetro (sendo que o menor é 2000 J4 com 3 quilômetros e o maior é 2000 J7 com 7 quilômetros), ser a medição do albedo estiver correto.
  Foto em raio X do satélite 1999 J1 obtida por R. S. McMillan and J. A. Larsen (ambos do projeto Spacewatch). Originalmente acreditava-se que fosse um asteróide. (Crédito Arizona Board of Regents)

 

Todas as dez luas se localizam em órbitas moderadamente elípticas (2000 J7 tendo a menor excentricidade, 0,15 e 2000 J8, o maior, 0,53), com inclinações entre 146 graus (2000 J7) e os 166 graus (2000 J10 e 2000 J2). Nove das dez luas realizam órbitas retrógradas ( orbitando no sentido oposto das restantes luas de Júpiter) a uma distância média, em relação ao planeta, de entre 20 milhões (2000 J10) e 24 milhões (2000 J2) de quilômetros, levando mais de 1,5 ano para darem uma volta em torno do planeta. Estão espalhados entre as órbitas de Elara e Sinope.

Foto da descoberta de 1999 J1 obtida por Robert S. McMillan (do projeto Spacewatch) em 06/out/1999. (Crédito Arizona Board of Regents)  
A décima lua (2000 J11) encontra-se numa órbita direta, a aproximadamente 13 milhões de quilômetros de Júpiter, inclinado apenas 29 graus, mas com órbita bem elíptica, em torno de 0,22 de excentricidade. O período de revolução é de 9 meses e 22 dias. A somar a estas dez luas, este grupo avistou também uma outra lua em fins de novembro do mesmo ano, designando-a por S/J2000 J1. Cálculos posteriores mostraram que era a mesma lua que havia sido avistada em 1975, mas perdida logo a seguir. É bem provável que sejam asteróides capturados pela força gravitacional de Júpiter.
 
Foto em infravermelho do satélite 1975 J1 ou 2000 J1. (Crédito University of Havaii)

 

Fotomontagem em ordem de distância dos satélites de Júpiter, com exceção dos novos. (Crédito Jarmo Korteniemi)

 

Esquema das órbitas dos satélites irregulares de Júpiter. Os novos estão intercalados entre o grupo de Ananque a Sinope; a exceção é 2000 J11, que tem órbita regular entre o grupo de Leda a Elara.(Crédito Sol Company)

 

Comparação da Lua com os satélites irregulares de Júpiter. Os novos satélite (por enquanto só com siglas) são os menores satélites do Sistema Solar. (Crédito Ielcinis Louis)

Gráfico de comparação das distâncias (linha laranja) e dos diâmetros (linha amarela)dos satélites de Júpiter. Em relação ao diâmetro, os satélites maiores se destacam em comparação com os outros satélites. Quanto à distância, percebe-se que os satélites externos irregulares estão basicamente a mesma distância de Júpiter. Para um gráfico mais detalhado de cada grupo de satélite clique na região indicada. (Crédito Ielcinis Louis)

 

DADOS NUMÉRICOS DOS SATÉLITES IRREGULARES DE JÚPITER
NOME DESIGNAÇÃO NOME PROVISÓRIO DIÂMETRO MÉDIO (KM) DISTÂNCIA MÉDIA (KM) PERÍODO ORBITAL(DIAS) INCLINAÇÃO ORBITAL(º) ANO DA DESCOBERTA E DESCOBRIDOR
- Júpiter XXVII 2000 J11 4 12.700.000 292,00 29,00
2000 S. Sheppard
- Júpiter XXVII 2000 J10 4 20.400.000 -595,00 166,00
2000 S. Sheppard
- Júpiter XX 2000 J3 5 20.700.000 -608,00 150,00
2000 S. Sheppard
- Júpiter XXII 2000 J5 4 21.000.000 -622,00 149,00
2000 S. Sheppard
Ananke Júpiter XII   20 21.200.000 -631,00 147,00
1951 S. Nicholson
- Júpiter XXIV 2000 J7 7 21.200.000 -631,00 146,00
2000 S. Sheppard
- Júpiter XXVI 2000 J9 5 21.700.000 -653,00 164,00
2000 S. Sheppard
- Júpiter XXI 2000 J4 3 21.900.000 -662,00 161,00
2000 S. Sheppard
Carme Júpiter XI   30 22.600.000 -692,00 164,00
1938 S. Nicholson
- Júpiter XXIII 2000 J6 4 22.800.000 -703,00 165,00
2000 S. Sheppard
Pasífae Júpiter VIII   36 23.500.000 -736,00 145,00
1908 P. Melotte
- Júpiter XIX 2000 J8 5 23.500.000 -736,00 152,00
2000 S. Sheppard
Sinope Júpiter IX   28 23.700.000 -758,00 153,00
1914 S. Nicholson
- Júpiter XIX 2000 J2 5 24.200.000 -766,00 166.00
2000 S. Sheppard
- Júpiter XVIII 1999 J1 10 24.250.000 -767,90 143,00
1999 Spacewatch
- Aguardando confirmação do nome pelo IAU.

 

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