PLUTÃO

Em anos recentes, este pequeno e distante astro, tem sido alvo de debate entre os astronômos. Enquanto alguns sustentam que Plutão deve continuar sendo classificado como planeta, outros argumentam que ele é apenas um grande asteróide, ou o maior objeto do Cinturão de Kuiper, ou ainda um grande cometa.
Esta imagem obtida em 21/Fev/1994, pelo Hubble, é a mais nítida já conseguida de Plutão e seu satélite Caronte. O planeta estava há 4,4 bilhões de km da Terra. Cortesia NASA/ESA.  

 

Deveras, o último planeta conhecido do Sistema Solar é ímpar em vários sentidos, e ainda guarda muitos mistérios. Afinal é o único planeta que não foi visitado por uma sonda espacial, e sua observação daqui da Terra tem obtido poucos resultados em vista da distância e das dimensões de Plutão. Nos telescópios mais potentes ele aparece apenas como um ponto entre as estrelas; os melhores resultados foram conseguidos com o Hubble, onde pode-se ver o alto contraste da superfície. Existem dois projetos para a exploração do planeta, seu satélite e dos confins do Sistema Solar:Pluto Express Mission e Pluto-Kuiper Express.

 

Imagem artística de Plutão. 

 

Por volta de 1880 foi iniciada a procura por um planeta que explicasse certa pertubações na órbita de Urano (mais tarde, com a sonda Voyager 2 , descobriu-se que a divergência baseou-se em dados errados de Netuno). Este recebeu o nome de "planeta X". Finalmente em 13 de março de 1930, Clyde Tombaugh localizou o novo planeta a apenas 6 graus da posição presumida por Percival Lowell --que dedicou-se totalmente a busca deste planeta. Na verdade analisando com calma a documentação disponível, os astrônomos descobriram que Plutão fora fotografado 16 vezes antes da descoberta!

Na mitologia greco-romana, Plutão (para os antigos gregos, era Hades) é o deus dos infernos e da escuridão.. Recebeu este nome por está em perpétua escuridão, e também a fim de homenagear Percival Lowell, com as iniciais PL.

A flecha indica Plutão visto por um telescópio amador.  

 

Outra característica ímpar de Plutão é sua órbita em torno do Sol, que é a mais elíptica do Sistema Solar, passando por dentro da órbita de Netuno. Por um período (cerca de 20 anos) torna-se o penúltimo planeta, o que ocorreu até 1999. Em vista desta órbita, há a possibilidade de colisão? Não, porque o período de translação (248 anos) é exatamente 1,5 vezes mais longo que o de Netuno, impedindo que se colidem. Além disso não se aproximam um do outro, mais do que dois bilhões de km, porque sua órbita também é bastante inclinada (cerca de 17º) em relação aos demais planetas, estando acima ou abaixo da órbita netuniana.

  Imagem artistíca de Plutão e seu satélite Caronte (em primeiro plano). Cortesia Pat Rawlings.

Mas, as circunstâncias singulares orbitais de Plutão continuam. Assim como Vênus e Urano, girar em torno de si em sentido contrário ao dos outros planetas; e como Urano, tem uma inclinação de eixo (122º), quase reto com seu plano orbital. Isto quer dizer que seus pólos estão girando de lado.

 

 

 

Suas dimensões físicas são risórias comparadas com seus vizinhos gasosos, com os planetas rochosos e até com alguns satélites naturais. Para se ter uma idéia: o diâmetro de Plutão é quase 3 vezes menor do que Marte e cerca de 1,5 vezes menor do que a Lua! É o menor planeta do Sistema Solar. Sua massa e volume também são os menores dos planetas. Já a sua densidade continua sendo pesquisado, apesar de calcularem para cerca de 2,00 g/cm³. Sua composição também continua um mistério; supõe-se que seja um astro rochoso.
Outra representação artistica de Plutão e Caronte (acima à esquerda). Cortesia David Seal e Pat Rawlings.

A atmosfera plutoniana deve mudar conforme sua distância do Sol; enquanto está próximo ela é tênue e quando se afasta, a atmosfera condensa-se e cai na superfície como uma geada. Provavelmente é composta de metano e nitrogênio.

  Desenho artístico da superfície. Caronte (acima à esquerda) quase não é visto na imensão escuridão do céu plutoniano, e o Sol (à direita) não passa de uma estrela brilhante. Também é visível no horizonte a tênue atmosfera de metano. Cortesia David Seal.

 

Imagens reais de Plutão em luz azul, usando o Hubble. As imagens maiores foram processadas por computador a partir dos dados obtidos. Elas mostram lados opostos de Plutão, onde percebe-se 12 grandes regiões escuras ou claras. Cortesia NASA/ESA. Primeiro mapa de superfíce de Plutão (que cobre 85%) baseado na imagem ao lado. Nota-se uma faixa equatorial escura e calotas polares claras. Isto indica que a superfície é complexa. Cortesia NASA/ESA.

 

Como está 40 vezes mais distante do Sol do que nós, nossa estrela pareceria apenas pouco mais brilhante do que a "estrela d'alva" (Vênus) visto da Terra à noite. Sem dúvida, o termo a "luz do Sol" teria outro significado neste mundo em eterna escuridão, onde o dia (período de rotação) demora 6 dias e 9 horas.
Outro desenho artístico da superfície. O Sol (no centro) é apenas um pouco mais brilhante que as outras estrelas. Como o céu é muito escuro é possível ver até nebulosas (à direita).  

 

Acima outra imagem artistíca da superfície de Plutão, com Caronte visto no céu.

Para completar a monotonia da escuridão, enquanto num hemisfério sempre veríamos o único satélite de Plutão, Caronte (ou Charon), mostrando sempre a mesma face e sempre presente no céu, no outro hemisfério nunca seria visível! Isto ocorre porque a rotação de Plutão, e a rotação e a revolução de Caronte estão sincronizados, ou seja, o mesmo tempo que o planeta gasta para girar em torno de si, o satélite gasta para fazer o mesmo e também girar em torno do planeta.

Órbita de Plutão vista de cima (tamanhio fora de escala).

 

 

 

Como será a superfície de Plutão? As observações parecem indicar que ela é complexa, com planícies e planaltos. As poucas fotos mostram que é um planeta com bastante contraste, onde existem regiões claras (talvez metano congelado na superfície) e e regiões escuras (talvez crateras de impacto). Também é possível que haja migração de gelo durante seus ciclos orbitais e sazonais. A temperatura gélida (média de -230º C) faz nossa Antártida parecer um mero refrigerador doméstico!
Desenho artistico da superfície de Plutão. Além das crateras, Plutão deve ter mudanças regulares de gelo de metano (no centro) e superficie porosa. Cortesia David Seal e Pat Rawlings.  

 

Provável visão de Caronte visto de Plutão na época de sua descoberta em 1978. Em vista da posição do Sol, Caronte estaria entrando em lua cheia. Cortesia Marc W. Buie, Observatório Lowell.

 

Não é realmente um planeta estranho? Além disso, devemos lembrar que alguns dos dados acima são incompletos ou são teóricos; ainda há muito o que descobrir de Plutão. Não é para menos que já tentaram (e continuam tentando) tirá-lo de condição de planeta. Para acabar com o impasse o IAU (União Astronômica Internacional) recomendou uma classificação dupla de Plutão: planeta e TNO (Objeto Trans-Netuniano). Este é o primeiro de muitos objetos que se encontram além da órbita de Netuno.

.Órbita em movimento de Plutão (em violeta) em torno do Sol. Note que ela cruza a órbita de Netuno (em ciano) quando vista de baixo, e é muito inclinada conforme vista de lado.

Comparação do diâmetro da Terra e Plutão.

 

 

DADOS NUMÉRICOS DE PLUTÃO

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
Massa (Terra =1) 0,003
Volume (Terra=1) 0,01
Densidade (água=1) 1,08
Gravidade (Terra=1) 0,067
Temperatura Média -230º C
Temperatura Máxima -210º C
Temperatura Mínima -235ºC
Componentes Principais da Atmosfera Metano e Nitrogênio
Satélites 1
CARACTERÍSTICAS ORBITAIS
Distância Média do Sol (km) 5.900.000.000
Distância Máxima do Sol (km) - Afélio 7.370.000.000
Distância Mínina do Sol (km) - Periélio 4.425.000.000
Diâmetro Médio (km) 2.320
Período de Revolução (anos) 248,00
Período de Rotação (dias) -6,375
Inclinação do Eixo 122,52º
Excentricidade da Órbita 0,25

 

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Netuno PÁGINA PRINCIPAL Caronte
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